Sobre a busca policial ao jornal 24 Horas:
1. Antes de mais, é no mínimo estranho que depois de um mês de total quietude, o Ministério Público decida avançar contra o 24 Horas no dia seguinte ao ministro da Justiça ter referido a morosidade do processo. Se é apenas uma coincidência, não parece.
2. A questão levantada pelo Presidente da República (que deu origem ao inquérito da Procuradoria-Geral) não tinha a ver com a publicação do caso pelo 24 Horas mas sim com a existência do caso: ou seja, com o facto de haver no processo, sem que nada o justificasse, uma extensa lista de números de telefone de titulares de cargos públicos com o registo dos respectivos contactos. Seria de esperar que o Ministério Público, antes de se debruçar sobre “o acesso a dados pessoais” por parte dos jornalistas, esclarecesse a forma como esses dados pessoais foram parar ao processo. E é exactamente isso que ainda não foi feito.
3. A apreensão de instrumentos de trabalho (nomeadamente de computadores) de jornalistas põe naturalmente em causa o direito à confidencialidade das fontes. Ao que parece esse direito terá sido acautelado embora, para já, não se compreenda a que título foi feita a busca ao 24 Horas.
4. Dito isto, não vale a pena fechar os olhos à “investigação” que tem sido feita pelo jornalista em causa (Jorge Van Kriekan) ao serviço de um dos arguidos. O facto não desvaloriza a notícia dada pelo 24 Horas mas levanta algumas dúvidas sobre o papel dos advogados de defesa em todo este imbróglio.
P.S. Ridículas as afirmações de Pacheco Pereira sobre a possibilidade de “viver tempos miseráveis e humilhantes” pelo simples facto de discordar, nas suas colunas de opinião, da actuação da Procuradoria-Geral da República.
1. Antes de mais, é no mínimo estranho que depois de um mês de total quietude, o Ministério Público decida avançar contra o 24 Horas no dia seguinte ao ministro da Justiça ter referido a morosidade do processo. Se é apenas uma coincidência, não parece.
2. A questão levantada pelo Presidente da República (que deu origem ao inquérito da Procuradoria-Geral) não tinha a ver com a publicação do caso pelo 24 Horas mas sim com a existência do caso: ou seja, com o facto de haver no processo, sem que nada o justificasse, uma extensa lista de números de telefone de titulares de cargos públicos com o registo dos respectivos contactos. Seria de esperar que o Ministério Público, antes de se debruçar sobre “o acesso a dados pessoais” por parte dos jornalistas, esclarecesse a forma como esses dados pessoais foram parar ao processo. E é exactamente isso que ainda não foi feito.
3. A apreensão de instrumentos de trabalho (nomeadamente de computadores) de jornalistas põe naturalmente em causa o direito à confidencialidade das fontes. Ao que parece esse direito terá sido acautelado embora, para já, não se compreenda a que título foi feita a busca ao 24 Horas.
4. Dito isto, não vale a pena fechar os olhos à “investigação” que tem sido feita pelo jornalista em causa (Jorge Van Kriekan) ao serviço de um dos arguidos. O facto não desvaloriza a notícia dada pelo 24 Horas mas levanta algumas dúvidas sobre o papel dos advogados de defesa em todo este imbróglio.
P.S. Ridículas as afirmações de Pacheco Pereira sobre a possibilidade de “viver tempos miseráveis e humilhantes” pelo simples facto de discordar, nas suas colunas de opinião, da actuação da Procuradoria-Geral da República.
ccs












