
As críticas dão-lhe vontade de "rir". Como se ele não fosse um ocidental de gema e como qualquer ocidental de gema não dispensasse juras diárias à democracia e aos direitos humanos, tudo coisas "tão óbvias" que ele não precisa de andar constantemente a "repeti-las" sempre que "há um acto de violência em qualquer parte do mundo”. Tem havido uns tantos, é verdade. Mas ele preferiu filosofar sobre a civilização muçulmana, a história das religiões, a sacralidade dos símbolos e os limites à liberdade de expressão. Ele preferiu “sublinhar” a necessidade de “compreender a civilização muçulmana”, deixando a solidariedade com a Dinamarca entregue ao silêncio e às obscuras "vias" da diplomacia. Afinal, o que nos faz falta é compreender: tivesse a Dinamarca compreendido que “na civilização islâmica não há distinção entre a Igreja e o Estado, nem entre política e religião” e não se tinha posto a brincar com os seus "símbolos sagrados” (porque "eles" - os muçulmanos, não os símbolos - se "ressentem" de uma maneira “muito mais forte e muito mais grave do que nós”). Infelizmente, os dinamarqueses não compreendem estas subtilezas do islamismo. E depois, lá temos nós (e ele) que pôr "água na fervura" para evitar que isto descambe num "choque de civilizações". Perante estes esclarecimentos, falta agora compreender o que sucedeu a "Cristo e a Sua Mãe, a Virgem Maria". Afinal, já se pode brincar com eles? Por cá, como se sabe, a separação entre a Igreja e o Estado é um facto. E os católicos, ainda por cima, parece que se "ressentem" menos com esta história dos símbolos. Infelizmente, neste ponto (crucial), Freitas do Amaral foi omisso. No resto, foi cristalino. E mostrou que, como já se tinha compreendido, quem não compreendeu nada...foi ele.
ccs





