Um leitor, estudante de Jornalismo, na Universidade Nova, enviou-me três questões a que tentarei responder.
1. Quais foram as suas impressões iniciais em relação a este meio (a sua organização ou falta dela, o seu interesse, o seu potencial...).
2. O que procura com o Espectro? Que apelo a levou a criar um blogue? Que tipo de realização procura?
3. Uma semana depois, tem outro entendimento sobre esse apelo? Vê-se a actualizar o Espectro daqui a um ano?
1.As minhas impressões iniciais confirmaram o preconceito. Comecei por desconfiar do meio. Quem está habituada a escrever por encomenda, com regras estabelecidas e espaços determinados, tem alguma dificuldade em compreender este mundo gratuito, sem prazos, nem restrições. O comentário à flor da pele, o apontamento íntimo e o invariável momento de poesia levantaram-me inevitáveis reservas. Como se as pessoas registassem aqui, nos seus blogues, os pensamentos que tinham, no intervalo de qualquer coisa, quando iam ao frigorífico buscar um iogurte ou um sumo de laranja. Mais tarde, quando voltei, com um certo tempo e vagar, descobri finalmente as “potencialidades” do meio: a força do debate, a diferença da escrita, a descoberta de pessoas de quem nunca tinha ouvido falar e que tenho pena que não escrevam nos jornais.
2. O “apelo” é mais difícil de explicar. Escrevi sempre por obrigação, em cima dos prazos, sem qualquer tipo de satisfação. Não gosto de escrever. Sacrifico as ideias à forma e espremo as palavras até à exaustão. No fim, em desespero de causa e sem tempo para mais rectificações, envio o texto, à pressa, em cima da hora, depois do telefonema de um editor. O que é que uma pessoa, assim, faz aqui, com o Espectro às costas, sem qualquer remuneração financeira? É um mistério que eu espero estar em vias de solucionar. Mas espero sinceramente não vir a descobrir que senti, de repente, uma insólita vontade de participar. Neste momento, não me convém mexer na minha personalidade.
3. Se não fosse por impossibilidades técnicas, via-me a “actualizar” o O Espectro daqui a uma semana. Daqui a um ano, não sei. Nem sei se ainda haverá O Espectro para actualizar!
Caro leitor, duvido que estas respostas tenham, para si, qualquer tipo de utilidade. Mas, por enquanto, são as únicas que lhe posso dar. Resta saber se alguma vez conseguirei explicar melhor o que me levou a criar um blogue. Ainda hoje, estou para saber como é que fui parar aos jornais!
(actualizado)
ccs