sexta-feira, março 03, 2006

O DIREITO À BLASFÉMIA


Pena que os jornais não tenham publicado o texto completo da última homilia do cardeal-patriarca de Lisboa. As coisas que ele disse são importantes para perceber o Papa Bento e, em si próprias, merecem discussão. Para começar pelo princípio lógico, é bom notar que o cardeal Policarpo avisou (preveniu? ameaçou?) aqueles de nós que sofrem da inominável fraqueza de ser ateus. Segundo ele, a nossa "dificuldade (reparem na palavra) em acreditar em Deus não toca na insofismável realidade de Deus" e, por isso, é nosso dever "respeitar a fé": "o respeito pelo sagrado é algo que a cultura não pode pôr em questão, mesmo em nome da liberdade". O sr. cardeal, que manifestamente não pratica a tolerância que reclama ao próximo, não admite (e suponho que gostaria de eliminar) o "direito à blasfémia".

Sem esse direito, claro, não existiria grande parte da literatura e do pensamento português. Não que esse pormenor interesse hoje alguém, Mas não se percebe, por exemplo, que Sua Eminência não peça ao Estado a supressão imediata de Eça de Queiroz (em particular, de "A Relíquia"), de Ramalho (pelo menos, do primeiro Ramalho), de Guerra Junqueiro, de Gomes Leal, de certo Herculano, de Sérgio e, já agora, de grande parte da imprensa e do "Diário da Câmara dos Senhores Deputados" de 1821 a 1926. Uma boa limpeza viria a propósito. Como viria a propósito uma censura eclesiástica para meter na ordem o jornalismo contemporâneo.

Infelizmente, fora estas ridicularias, sucede que a homilia de D. José levanta um problema de fundo: a exegese bíblica é ou não é blasfematória? Que o dr. César das Neves pense que sim, não importa muito. Que o Patriarca de Lisboa pense que sim, indica com certeza um caminho novo da Igreja. Toda a gente sabe que o Cardeal Ratzinger começou a sua ascensão no Concílio Vaticano II, condenando a ideia da "suficiência material" da Bíblia em matéria de fé. Ratzinger temia que essa ideia erigisse a exegese em suprema autoridade da Igreja e que "acreditar" se viesse a tornar uma vulgar "opinião". Hoje ainda, e já Papa, considera que a "suficiência material" está na origem do "drama da era post-conciliar". É neste quadro que as palavras do sr. D. José sobre a blasfémia adquirem um especial significado, pela simples razão de que a exegese bíblica, como ele não ignora, acaba sempre por ser blasfematória.

Que sugere, portanto, o cardeal-patriarca? A exegese bíblica, mais do que qualquer outra coisa, criou a civilização secular do Ocidente. Chegou agora a altura de a proibir ou de a perseguir? Não era mau que Sua Eminência se explicasse.
vpv
(publicado no jornal "Público")

79 comentários:

Clara disse...

Pois é, agora só quero saber o que dirá, perante as palavras de D. Policarpo, a direita arvorada recentemente em defensora de uma suposta "liberdade de expressão". Vamos aguardar.

Thor disse...

Não há pachorra para "esta" igreja!

paulof disse...

Mais um post balofo deste sr.!
Então se eu acredito numa coisa ou numa religião e me ofendem com blasfémias, porque razão não posso responder na mesma moeda e insultar também os ateus...

Aliás, os ateus, na realidade, mentezinhas pequeninas e formatadas por leituras unilaterais e de valor duvidoso, queiram ou não, já estão a tomar posição: pois Cristo foi muito claro quando disse " quem não é por Mim é conra Mim".

Ora aqueles que não são portanto por Cristo são portanto e na verdade, apercebam-se ou não do facto, por aquele outro senhor por quem tantos trabalham, sobretudo em lhe negar a existência...

Anónimo disse...

Eh Eh Eh, tem por aqui gente que reagiria a uns cartoons sobre Cristo como outros reagiram aos sobre Maomé.

paulof disse...

E tb. a propósito de liberdade de expressão, ( vejamos a reacção e se terei liberdade para me exprimir) e para completar o post acima, faltou ajectivar correctamente os ateus: Badamecos de m%%da!

Notas: este post foi gravado, possuindo cópia do mesmo.

Anónimo disse...

Queriam a prova?

JOINCANTO disse...

Ser ateu não é uma fraqueza, é uma estupidez!

Anónimo disse...

Não está o VPV a sugerir subrepticiamente que a exegese da biblia passe a ser feita apenas pelos religiosos? É que para esse exemplo já temos a "Muçulmânia"...

Sancho Gomes disse...

Cara Clara,

a Direita Cristã, "arvorada recentemente em defensora de uma suposta liberdade de expressão" - como lhe chama - dirá o que sempre disse: que o direito de expressão que assiste a todos os indivíduos vale o mesmo, na exacta proporção, que o direito de se sentir ofendido, que assiste a qualquer indivíduo. Apenas e só. Estas liberdades não são antagónicas, são complementares. O universo do homem, por muito que queira, não é maniqueísta!

Unreconstructed disse...

Até que enfim o autor deste blog percebeu a igreja com que a gente tem de viver - e pena é que não tenha percebido isso antes, em causas como a despenalização do aborto ou outras, que a tolerância exige que avancem, e onde VPV, com a sua insuportável mania de ser do contra, alinhou com os ultramontanos. Eu sou ateu e reclamo para mim e para a minha família o direito de viver como se a igreja não existisse: não a frequento, não a oiço, estou-me nas tintas para as suas posições e quero distância dela - e não admito que ela me diga como é que eu me devo comportar e o que posso ou não dizer. Blasfemar é uma liberdade civil - e se o Cardeal Patriarca não gosta, faça como eu em dia de Fátima na TV: mude de canal.

maloud disse...

Não sabia que Cristo também tinha dito "quem não é por Mim é contra Mim". Agora já sei.
Só ainda não fui esclarecida num pequeno ponto e gostaria de o ser. Os qualificativos dos ateus também se aplicam aos agnósticos? Não é necessário repetir, porque eu já li. Claro que podem sempre querer superlativar esses qualificativos. Depois de ler alguns comentários a posts anteriores, já nada me espanta. Diria mesmo, que estou por tudo.

Porta Voz disse...

O Prof. Freitas manda dizer que esses problemas entre crentes e ateus se resolvem com uma boa futebolada.

piscoiso disse...

A minha tia Celeste, quando viu a imagem de Cristo a fazer o pino, benzeu-se e abriu uma bolsinha onde tem um crucifixo e uma moeda de 5 escudos, osculando humidamente a cruz.

maloud disse...

Porta Voz,
O Prof. Freitas sugere a constituição das equipas? Será ateus e agnósticos contra cristãos {na sua diversidade}, judeus, muçulmanos, budistas e o mais que se arranjar?

Anónimo disse...

jogavam para o empate para não enfurecer Deus...

Anónimo disse...

" quem não é por Mim é conra Mim".
Não era o Álvaro Cunhal que dizia o mesmo ?

e-konoklasta disse...

Caro VPV,
Presunção e água benta cada um toma a que quer... não é ?

Anónimo disse...

paulof said...
Notas: este post foi gravado, possuindo cópia do mesmo.

Para quê?

Anónimo disse...

"A Liberdade de Imprensa é um dos maiores males que ameaçam a Sociedade Moderna, porque dá tempo de antena aos burros." - Quitéria Barbuda in "Deus, Pátria e Autoridade", Revista "Espírito", nº 27, 2006.

QUAES CUNQUE FINDIT
MAOMÉ É RABO !

www.riapa.pt.to

maloud disse...

Anónimo das 5.51 PM,
Eu nunca o ouvi dizer. Valha a verdade que nunca o ouvia, mas essa frase era atribuída ao Salazar. Como deve saber, ele era muito religioso.

Asterix disse...

Na verdade Cristo foi muito claro quando disse " quem não é por Mim é conra Mim".
Mas foi depois do almoço.

maloud disse...

Anónimo das 5.56 PM.
Para reler. Só pode.

Anónimo disse...

foi atribuida por si, agora, maloud.

maloud disse...

Anónimo das 6.18 PM,
O Salazar caiu da cadeira, tinha eu 17 anos. Não lhe posso atribuir frase nenhuma, porque nunca o ouvi, nem li. Mas posso dizer que, na época, essa frase era atribuída ao Salazar, por várias pessoas que ouvi. Não estou a dizer que isto é verdade. Só estou a dizer que ouvi, e isso é verdade. Quanto a ele ser muito religioso, presumo que ninguém tem dúvidas. Isto eu vi e senti.

Anónimo disse...

paulof quis sublinhar que se a censura não permitisse a leitura do seu post, ele teria uma cópia como prova da existência do post (contra a censura - a burocracia) ;-). Mas era para ter piada. Essas dúvidas tiraram-lhe a piada.

Funes, o memorioso disse...

Leio os comentários anteriores e não deixo de me espantar com tanto disparate que é dito em nome de um Deus omnisciente e com tanta patifaria que se dispõe a fazer gente intrinsecamente má, em nome de um Deus infinitamente bom.

Anónimo disse...

anónimo das 6:41

Censura neste blog ?

Não me parece que fosse esse o motivo.

Anónimo disse...

Esta história da blasfemia e dos cartoons já cheira mal...

1- Os fanaticos da liberdade de expressão não defendem a liberdade de expressão:defendem a liberdade de imprensa.E não defendem a liberdade de imprensa em sentido lato:defendem a sua liberdade de imprensa.
2-A liberdade de expressão é inerente ao homem. Não é possivel impedir a liberdade de expressão. Quem se quer exprimir exprime-se. O estado pode castigar quem se exprime mas não pode retirar a liberdade de se exprimir. A liberdade de exprimir faz parte de nós , a liberdade faz parte da nossa condição humana. Somos livres mesmo (e principalmente) quando decidimos exprimirmo-nos e o uso dessa liberdade possa fazer com que vamos malhar com os ossos numa cadeia.
3A liberdade de imprensa é uma aldrabice. O Vasco Pulido Valente tem liberdade de imprensa. Pode escrever nos jornais que lhe der na gana. Eu não tenho liberdade de imprensa A minha liberdade de imprensa é a de escrever nos blogues e nas casas de banho.
4- Quando andam a defender a liberdade de expressão os cerebros da nossa praça o que estão a defender é a liberdade de imprensa.Estão a defender a liberdade deles não a minha que não tenho liberdade de imprensa.

Francisco Múrias

pirata vermelho disse...

D. Maloud, cale-se!


(chatinha sem sentido...)

Jose Sarney disse...

Caro VPV,

Para "Roma", apenas 3 respostas (perguntas):

- Papa Alexandre VI (mais conhecido por Papa Bórgia)?
- Inquisição?
- "Evangelização nos Descobrimentos"?


Ahhhh, e já agora o colaboracionismo escondido com o III Reich!
-------------------------------
Cristo, esse sim, o MAIOR REVOLUCIONÁRIO da História.

Jose Sarney disse...

"Pois é, agora só quero saber o que dirá, perante as palavras de D. Policarpo, a direita arvorada "

Parece que é amigo de Guterres e de Sócrates! Não se lhe conhecem ligações aos ultra-conservadores....

Anónimo disse...

Sou ateu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sou ateu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!
Sou ateu!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Sejam o que quiserem!!!!!!!!!!!

maloud disse...

Francico Múrias,
Posso acreditar que VPV só esteja a defender a liberdade de imprensa, que hoje existe. Houve um tempo, não muito longínquo, que ela não existia nesta ponta ocidental da Europa. E só falo desta, porque acho que é desta que o seu texto trata.
Agora acho estranho que diga que há liberdade de expressão, quando o uso dessa liberdade nos pode fazer "malhar com os ossos na cadeia". Como sabe, e continuo a falar desta ponta da Europa, não há muitos anos, o uso dessa liberdade, para exprimir certas ideias, podia dar cadeia. Acha que as pessoas, falo da maioria e não dos corajosos, que são sempre poucos em relação ao todo, teriam vontade de se exprimirem sabendo que as esperava a cadeia? Não se sentiriam condicionadas na sua liberdade de expressão, por lhes ser suprimida a liberdade? Repare que estamos sempre a falar de liberdade. Usávamos a liberdade de expressão e era-nos tirada a liberdade. Se queríamos a liberdade, não podíamos usar a liberdade de expressão. Eu vivi esse tempo e, porque não era corajosa, como não era a maioria, sem liberdade de expressão e com outras também condicionadas, mas sem cadeia.
Confesso-lhe que prefiro este tempo em que tenho liberdade para escrever nos blogs, para desancar o Diogo, o Pedro, o Sócrates e por aí fora, que tenho liberdade para me juntar num local com um número indeterminado de pessoas, que tenho liberdade para me ausentar do país, sem a humilhação do consentimento do cônjuge, que tenho liberdade para me divorciar, que tenho liberdade para ter um filho fora do casamento e na cédula desse filho não aparecer ilegítimo, e por aí fora.
Claro que não tenho liberdade de imprensa, porque não sou jornalista. Mas gosto de ler a imprensa que usufrui dessa liberdade. Percebe-de melhor. A outra, a que não era livre, tínhamos de estar sempre a ler, como se dizia na altura, nas entrelinhas.

Sílvia disse...

GRANDE MALOU!

Anónimo disse...

O Cunhal era livre apesar de ter sido preso. Ele foi preso porque usou a liberdade.Ele era um homem livre porque usou esse poder imenso que todos temos SEMPRE que é a liberdade


Você tem a liberdade de ter filhos fora do caamento, e antes do 25/4 tambem tinha . Ou não tinha?

Voce agora pode ir para o estrangeiro e não dizer nada ao seu marido. Mas antes do 25/4 tambem podia . Ou não podia?

Voce o que acha é que a sua liberdade esta dependente de um decreto lei. Isso é uma droga como outra qualquer. Voce é decreto-dependente. Precisa rapidamente de fazer uma desintoxicação.

Francisco Múrias

Anónimo disse...

Parece que o que o Sr. F. Múrias está a expressar, de forma interessante, qualquer coisa como a conferência do Poeta Cesariny, em 58: «Autoridade e liberdade são uma e a mesma coisa».

formol disse...

Se não fosse o Judas, o futebol tinha doze jogadores.

Sílvia disse...

F. Múrias,
não confunda liberdade de pensamento com liberdade de expressão. São duas coisas diferentes. A primeira é inerente ao Homem e ninguém ou nada pode proíbir; a segunda pode ser cerceada. E sobre esta última temos muitos exemplos ao longo da História, até hoje, infelizmente.

Anónimo disse...

Só poder ser «cerceada» se o «cerceado» a «cercear». É o que em linguagem moderna se chama a auto-censura. Por medo, por bom senso, por boa educação ou por outra razão qualquer podemos «cercear» a nossa liberdade
Mas somos nós que a «cerceamos» nunca os outros.
Fm

Sílvia disse...

F. Múrias,
não confunda liberdade de pensamento com liberdade de expressão. São duas coisas diferentes. A primeira é inerente ao Homem e ninguém ou nada pode proíbir; a segunda pode ser LIMITADA. E sobre esta última temos muitos exemplos ao longo da História, até hoje, infelizmente.

Anónimo disse...

Cercear- impor limite, limitar , restringir (Do dicionário)

Anónimo disse...

limitar-fixar limites para si proprio, dar-se por satisfeito, contentar-se, encerrar em limites, não ir alem de . (Do dicionário)

e-konoklasta disse...

Liberdade de expressão:
Convem não esquecer que também na Alemanha nazi os alemães tinham muita liberdade de expressão e de imprensa, e, que não hesitavam em publicar desenhos e artigos particularmente "interessantes" caricaturando os judeus... Hoje sabemos como "aquilo" acabou... e não são só os iranianos que , ultimamente, exprimem dúvidas sobre o que se passou. Podem crer-me, estou-me nas tintas para os deuses dos homens, mas, não me estou nas tintas para os homens dos deuses.

Anónimo disse...

sílvia e maloud, vão lavar a loiça do jantar..........

maloud disse...

Eu sou cidadã da República Portuguesa , que respeita uma Constituição feita por constituintes livremente eleitos, e as suas revisões feitas por deputados livremente eleitos. Procuro respeitar as leis, porque elas emanam duma Assembleia da República, cujos membros foram eleitos livremente. O Governo emana dessa mesma Assembleia e, portanto, também todos os cidadãos eleitores lhe deram um mandato democrático para governar. Como cidadã devo obediência às leis, mas, como vivo num Estado democrático, essas leis dão-me a possibilidade de desobedecer a uma ordem ilegal, dada por qualquer autoridade do Estado. Para concluir, aquilo que chama liberdade dependente de um decreto-lei, eu chamo direito de cidadania. E, como não considero que esse direito seja uma droga, mas algo que custou obter e quero preservar, não desejo, nem preciso de nenhuma desintoxicação.
Acho que ficou clara a minha posição, relativamente a um Estado de Direito.

Sílvia disse...

e-Konoklasta,
não sei se foi ironia, ou não, afirmar que na Alemanha nazi havia liberdade de expressão e de imprensa...
Para o caso de não estar a brincar, eu começaria por recordar as fogueiras de livros na rua, a lembrar as fogueiras promovidas pelo index da Inquisição. Mas lembro também o fecho da Bauhaus em 1993... Bem, isto só para lembrar o mais irrelevante face ao Holocausto dos Judeus sob o jugo alemão.

Anónimo disse...

Sabe o que eu acho extraordinario?

É que você acredita mesmo nisso tudo que escreveu

«e as suas revisões feitas por deputados livremente eleitos»

Você acha mesmo que os deputados são livremente eleitos e portanto escolhidos pelo povo?

Você acha que alguem sabe quem é que elegeu? Você conhece os deputados que elegeu? Sabe ao menos o nome deles? O que é que eles faziam antes de ser deputados?Onde é que moram?

É que se conhece é a unica...

Francisco Múrias

Anónimo disse...

Sílvia mais um cliché..Pior que o jugo alemão, só o jugo da sílvia e da maloud...

Sílvia disse...

Em vez de 1993, deve ler-se 1933.

Anónimo disse...

Antes do Dr. VPV pedir meças ao Senhor Cardeal-Patriarca, talvez queira esclarecer o seu uso de «suficiência material», por «formal». Parece-me que há um problema de suficiência. Cumprimentos.
L.F.

Filipe Castro disse...

Nao compreendo porque é que se espanta. A ICAR apoiou o Fulgencio Baptista, o Videla, o Pinochet, o Franco, o Salazar, canonizou o S. Escrivá e, se tiver seis horas, posso-lhe contar coisas sobre a ICAR aqui nos EUA...

anonímo disse...

Cá pela terra pouco se usa a pontuação, mas há uma palavra que não sendo acentuada, compensa a falta nas outras. Por todo o lado se vêem cartazes, autocolantes, folhas A4 impressas com proíbido isto, proíbido aquilo! Até aqui, a nossa cultíssima Sílvia conjuga o verbo proíbir. Magister dixit!

Anónimo disse...

"Adorar DEUS acima de todas as coisas e ao seu semelhante como a si mesmo": isto foi o que Cristo disse! O resto não passa de aldrabice de gente que julga que Cristo foi expropriado pelas suas "superiores" inteligências.

Sílvia disse...

Caro Anónimo/1:01AM,
muito obrigada pela correcção.
Tenha uma boa noite e, já agora, um bom fim de semana.
Sílvia

Anónimo disse...

Sílvia,
A correcção foi só para ver a sua cara de novo! Boa noite para si também. (Não me diga que não vai passar por cá durante o fim de semana?)

Isabel Moreira disse...

VPV,
O seu portugês escrito não condiz com o seu portugês lido. Vá ler bem (deixe de lado o facciosismo) e leia Ratzinger e leia o cardeal Policarpo. Exclua da sua vida esse seu lado de "engraçadinho" que lhe diminui o seu lado de crítico com graça.

Anónimo disse...

Anonymous das 01:25 AM ; espero que tenha tido bons sonhos ; gostos não se discutem, mas só espero que a moda de colocar fotografias tipo passe pegue, para haver ainda maior colorido neste blog, e desatar tudo ao engate enquanto se bloga .

Anónimo disse...

ser ateu, com rigor, dá imenso trabalho. Tanto quanto ser, com rigor, crente. Francamente, numa e noutra situação, não vejo o porquê do esforço.

maloud disse...

Anónimo das 1.52PM,
Por isso é que sou agnóstica. O trabalho mata-me. Até há quem pense, que nunca fiz nada. Os que me conhecem é que não partilham esta opinião.

Anónimo disse...

Porque é que ao fim-de-semana há menos posts (em geral) e comentários (em particular) ? Será porque a maior parte dos postadores e dos comentadores faz este «trabalhinho» em horário de expediente ? Ai, ai, que vida esta.

Anónimo disse...

Já agora, aquela imagem do Cristo invertido foi propositada, ou é mera coincidência. A ser coincidência, e não parece que seja, é muito significante e bem apanhada. Sem querer faltar ao respeito devido, obviamente.

Anónimo disse...

E não é que eu tinha mesmo razão ?

Carlos Malmoro disse...

O mais interessante disto tudo é que o sr. Policarpo tinha afirmado há cerca de duas semanas o seguinte: «O facto de estarmos num ambiente de liberdade de expressão significa que eu não me indigno com isso, mas quando acontece magoa-me. A liberdade de expressão tem desses riscos: eu sei que, às vezes, magoo os outros. A grande diferença entre o horizonte ocidental e o horizonte que estamos a assistir nos muçulmanos é que eu manifesto a minha indignação de outra maneira, não vou pôr bombas nas embaixadas, nem bater nas pessoas na rua". E conclui: "tenho visto comentadores a tentar pôr isto no âmbito do diálogo e do respeito inter-religioso, mas penso que, por trás disto há mais estratégias políticas que questões religiosas".» (Cardeal Patriarca de Lisboa). eu até o elogiei no meu estaminé contrapondo a posição de Freitas do Amaral. E agora, passado duas semanas vem dizer esta coisa anti-licensiosidade...Não há direito. Estragou-me o post!!! E, ainda por cima um post com 2 links que dá uma trabalheira a fazer... Se quiserem conferir: http://cxpandora.blogspot.com/2006/02/o-tino-e-o-desatino.html

Carlos Malmoro

Anónimo disse...

Não se trata da imagem de Cristo, mas de S. Pedro, que foi cruxificado com a cabeça virada para baixo.

Anónimo disse...

Obrigado anónimo das 6.30 H. Irra, que parece que falamos de comboios. Vou adoptar um nick.

Anónimo disse...

VPV incorre numa série de equívocos:

O respeito pela fé não é o mesmo que fé.
A tolerância pressupõe o respeito. Ora blasfemar (o que num ateu significa ofender gratuitamente, exibindo por exemplo um Cristo banhado e urina como obra de arte) é faltar ao respeito, logo pressupõe intolerância. Como de costume, é fácil estabelecer estes princípios, mas depois é difícil levá-los à prática. No entanto alguns exemplos parecem ser claramente inadequados, e a Relíquia parece-me ser um deles. Não vejo em que medida seja uma obra blafesmatória.

Mas o mais lamentável é insinuar a inimizade de D. Policarpo ou de uma parte da Igreja em relação à exegese. É fazer vista grossa à história da Igreja Católica, que é aquela que tem e sempre teve uma tradição exegética mais rica.

sniper disse...

Realmente é verdade. A igreja católica tem uma tradição exegética rica, mas na minha opinião em demasia. Esta a razão principal do oceano de contradições e de assuntos mal resolvidos que a igreja católica transporta. Sinto-me particularmente à vontade para falar em fé e nos fenómenos a ela associados, porque sou cristão, não católico. Aliás acho meio estranho que sejam os ateus e os agnósticos os mais preocupados com estes assuntos, para não falar no que foi dito e escrito durante a temporada "cartonesca". Este tema dava pano para mangas, mas não estou para ai voltado.

Anónimo disse...

Também acho curioso o espanto pelo facto do Cardeal usar a palavra "dificuldade" em relação ao acto de acreditar, e também é curiosa a
perplexidade em relação ao facto de ele "avisar" os ateus para os perigos do desrespeito pelo sagrado. Afinal, na óptica de um cristão, a falta de fé é uma insuficiência, e o desrespeito pelo sagrado é um perigo para a sobrevivência moral e talvez mesmo física de qualquer sociedade, de qualquer religião ou religiões. Pensei que isso fosse claro para quem estivesse de fora.

Alf

Anónimo disse...

"sucede que a homilia de D. José levanta um problema de fundo: a exegese bíblica é ou não é blasfematória? [] Que o Patriarca de Lisboa pense que sim, indica com certeza um caminho novo da Igreja."

Eu fui ler a homília do Cardeal em:

http://www.paroquias.org/noticias.php?n=6301

Eu bem procurei algo que indicasse esse suposto pensamento do Cardeal sobre a exegese bíblica como sendo blafesmatória, mas nada, nadinha sobre o tipo de exegese que se deve fazer ou não. Realmente, as crónicas dos colunistas demasiadas vezes deixam a desejar pelo sua falta de rigor.

Alf

Anónimo disse...

Perdão, queria dizer blasfematória, malditas gralhas.

Alf

Palmira F. da Silva disse...

Acho que há vários anónimos que não sabem o que quer dizer tolerãncia. Que é simplesmente a atitude de admitir a outrem uma maneira de pensar ou agir diferente da adoptada por si mesmo.

Quando o cardeal-patriarca recusa o direito à blasfémia, ou seja, recusa o direito dos nãos crentes expressarem o que pensam, está a ser intolerante. Porque não admite que alguém pense e aja de forma diferente da que ele quer impôr.

Quando um ateu «blasfema» ou não demonstra qualquer respeito pelo «sagrado» (o que quer que isto seja) não está a ser intolerante; está a fazer uso de um dos direitos fundamentais do homem consagrados na Declaração Universal dos ditos.

Como é óbvio a liberdade de expressão nunca permeou a Igreja Católica ou qualquer religião, pelo menos nos países onde têm algum peso. Acho que o Syllabus errorum, o dicionário dos erros da época moderna enunciados pelo beato Pio IX, que descrevia a democracia como um «princípio absurdo», e considerava a liberdade de opinião como «loucura e erro» é a cartilha pela qual os dignitários da Igrja de Roma ainda se regem.

E não perderam a oportunidade que a conjuntura actual constitui para a combater e apelar à intolerância católica como este discurso exemplifica

pirata vermelho disse...

olha, agora temos esta histérica por cá...

só faltava mais esta...

Anónimo disse...

"e o desrespeito pelo sagrado é um perigo para a sobrevivência moral e talvez mesmo física de qualquer sociedade"

Ora aqui está uma declaração com que eu não poderia deixar de concordar. Apresento-me: não sou filósofo nem teólogo, e já agora gostaria de vos dizer que me considero razoavelmente estúpido e inculto.

Estou convencido que o sentimento religioso é o mais potente instrumento de transformação social e humana.

Olho para as leis e vejo os velhos moralismos religiosos - até naquelas leis sobre casamento de homossexuais, com o moralismo do casamento a dois. Olho para países como os Estados Unidos e vejo os soldados a irem para a guerra jurando por Deus defender o seu país. Vejo turbas ululantes de homens barbudos a pegar em armas contra o Grande Satã. Vejo gente (e conheci gente) que olhou para a morte com placidez, na esperança e na fé de viverem uma vida em comunhão com Deus. Vejo velhotas a rezarem singelos Padre-nossos e sofridas Avé-Marias pelos maridos ou filhos que partiram ou estão doentes. Etc., etc., etc. O balanço é bom, é mau? Para mim, francamente, pouco importa. Como dizia a canção do outro, um mundo idílico "também sem religião" é tão possível como a quadratura do círculo. Ser-se contra a religião humana é como ser-se contra o arco-íris, ou a favor das estrelas, ou contra os erros nas previsões dos meteorologistas. São coisas que estão ali - e ali vão ficar.

É nesta medida que acho que quando uma comunidade perde o respeito - ou pelo menos uma remota reverência - pelo sagrado, irá desaparecer. Não porque isso seja mau em si, ou que essas pessoas sejam piores que as outras. Não sei fazer esse juízo. O que acontece é que outras comunidades hão-de tomar o seu lugar, mais tarde ou mais cedo: estão dispostas a sofrer, a lutar e a morrer por uma ideia. A única ideia suficientemente forte para impelir as pessoas a tentarem mudar a sua vida e a dos outros de modo consistente e empenhado é a promessa de uma vida depois da morte. Todas as outras, independentemente do valor que lhes atribuamos (a democracia, o fascismo, a supremacia racial, o liberalismo económico, o marxismo, o imperialismo, só para citar algumas ideias por que se matou e morreu há bem pouco tempo) acabam por perder o seu poder. Só esta maravilhosa ilusão (ou não) de uma vida para além da morte acompanhou sempre o homem. Ininterruptamente, inexoravelmente, inevitavelmente.

Para finalizar, gostaria de dizer que sou católico, apostólico, romano. Sou pó que há-de voltar a ser pó, pecador. Peço que respeitem as minhas convicções. Sem dúvida suscito junto de diversas pessoas que aqui escrevem uma sincera comiseração, ou talvez um desprezo profundo. Seria indelicado da minha parte pedir-lhes que se abstenham de se expressar - mas, coerente com a minha fé, prometo pedir a Deus que os ilumine.

Um abraço a todos
Um católico da cidade

lavinia2 disse...

apoiadíssimo vpv!

VMM disse...

A balsfémia é óbviamente um direito.

Ser ateu, agnóstico, a-religioso é uma limitação desculpável, já que me parece óbvio que é inerente à nossa natureza uma preocupação com «o sentido da vida, da nossa existência» que, desculpem a certeza: tem mesmo alguma coisa de misterioso.

A mim pessoalmente, esse sentido da vida parece-me asentar num qualquer AMOR de que me pareceu falar o Sr. bento na sua primeira enciclica ...

Não ter qualquer fé é um absurdo, já que o mais humanista dos cartesianos me parece ter uma fé inabalável em princípios de enumeração e demonstração matemáticos tão arbitrários como a própria existência de DEUS.

Ser não católico, anti apostólico e mais pró-milanês do que pró-romano, parece-me uma popular consequência óbvia do mundo louco em que vivemos.

Ser verticalmente estúpido parece-me uma indesculpável PENA.

Abraço a todos: Vasco Moreira

VMM disse...

«O sr. cardeal, que manifestamente não pratica a tolerância que reclama ao próximo, não admite (e suponho que gostaria de eliminar) o "direito à blasfémia". »

Vasco,

O Sr. Cardeal é «apenas» mais um ser humano que habita este planeta ... falho em entender a sua particular importância, especialmente para um ateu que, desculpe, mas presumo que seja.

Não me parece que o Senhor D. José manifeste intolerância, antes fé ao afirmar que aqueles que sofrem da inominavel fraqueza de ser ateus não tocam a insofismável (para ele) realidade de Deus.

Vejo portanto como desprovida de razão a sua indiganção (?) face à censura gravíssima manifestada sobre o direito à blasfémia, que não me parece que tenha sido beliscado.

«A cada cavalgadura a sua albarda», como penso que poderia ter dito perfetiamente um qualquer Ramalho (primeiro, segundo ou mesmo terceiro).

Abraço: Vasco.

ooochoa disse...

Os dois universos do sagrado - para Kant - lembra? - são a consciência moral dentro e o universo infinito sobre a cabeça...O respeito por estes 2 universos sagrados é - e deveria ser - tão natural no homem que excluisse toda a polémica - balofa ou erudita - e faz incómodo a quem sem ser a pedido quer ser pai de magros ou pançudos - as tais alminhas todas principalmente as mais precisadas que faziam as «torturas» dos tais «pastorinhos» que só queriam - pasme-se! - que o bom Jesus as perdoasse ... e as levasse - a todas - mas para onde haveria de ser? - para o céu!

Carlos Frazão disse...

Para VPV, na terceira pessoa:

Não pode concordar com ele e por várias razões, a que não é menor é a liberdade de pensar, sem limites, mesmo quando se pensa a problemática de Deus e se exprime uma opinião minoritária. Por outro lado, VPV é um invejoso, a única referência que tem dele é de alguém que gosta de se colocar "em bicos de pés" à espera que lhe reconheçam méritos que não tem. Não passa de um medíocre que passou pela política e deixou marcas de incompetência e de ausência de escrúpulos. Talvez sonhe com um prémio Nobel de arrogância e de vaidade bacoca. Não vale nada, só num país que aprecia o balofo e não reconhece dotes de inteligência, essa figura execrável tenha alguma aceitação. Para chegar aos calcanhares de Saramago precisava de uma operação genética e de uma lavagem de educação. Vive de expedientes e de tiques intelectuais para encobrir a sua congénita mediocridade.
Os crentes não gostam de ser confrontados com argumentos sérios, preferem ficar pelas verdades definitivas e ocas. Que se calem, amordacem a reflexão, cumpram a tradição, mas deixem ser livre quem não aceita ser coarctado e prefere voltar sempre a pensar mesmo o impensável.
Foi num dia de digestão difícil que leu VPV, entre dois tragos de vinho, colheita generosa e muita apreciada em tabernas. Não se arrepende, o líquido estava corpulento e resinoso, mandou uns palavrões para entender o código tabernal e ainda falaram todos os convivas de cronistas menores. A digestão lá se fez sem azia mas com muitas gargalhadas - talvez também alguns vómitos. Fica para a próxima a descrição do acontecimento último.

Eriki disse...

外籍新娘佔總人口比例約3%。
推薦最好吃的蛋糕美食地點。
納豆屬於養身食品。
房屋漏水找專業抓漏公司處理。