sábado, março 04, 2006

NÃO FUI FEITO PARA ISTO

claustrophopia-01vitaly komar
Chateaubriand dizia que, se é triste envelhecer num mundo que se conhece, é muito mais triste envelhecer num mundo que não se conhece e de que não se gosta. O mundo dele, entre 1815 e 1830, apesar de tudo, não mudou muito. O meu mudou para lá de qualquer possibilidade de reconhecimento. Já sei que vou dar um exemplo ridiculamente banal, mas no fim do dia, quando me levanto da secretária e ligo a televisão, tenho sempre o mesmo choque. Não há nada que, para mim, seja "normal". O fait divers, a política do sound-byte, o soft-core, as perseguições de carro, os peritos de coisíssima nenhuma não fazem parte da civilização em que nasci. Numa parte remota da minha cabeça, admito que devia aprovar a ignorância e a vulgaridade democrática. Infelizmente, não sou capaz. Desisto e leio. De facto, cada vez mais releio os livros de antigamente, suponho que à procura de um pequeno canto de sossego e sanidade.
O Estado também aflige. Por favor, não tomem isto como propaganda política. Imaginem o Estado durante Salazar e Caetano. Existia a PIDE e a censura: e mil tiranetes por aqui e por ali. Não vale a pena repetir o óbvio. Em compensação, o Estado não queria mandar na vida de ninguém. Não proibia que se fumasse. Deixava o trânsito largamente entregue a si próprio. Não andava obcecado com a saúde e a segurança. Não regulava, não fiscalizava, não espremia o imposto até ao último tostão. Um indivíduo, pelo menos da classe média, passava anos sem encontrar o Estado: em Portugal, em Inglaterra, em Itália, na Europa. Acreditam que nunca voltei a sentir o espaço e a liberdade desse tempo?
Estou a "sentimentalizar", a "idealizar" uma realidade, no fundo, horrível? Não me parece. Escrever, por exemplo. Quando comecei a escrever, escrevia. Sob o peso da Ditadura, claro, e sob a pressão do conformismo marxista. De qualquer maneira, escrevia desprevenidamente. Agora, escrever é uma variante de pisar ovos. Os mestres do "correcto" vigiam, como nunca vigiaram os coronéis de Salazar. Até a sociedade portuguesa de repente acordou puritana. Cada cidadão, cada medíocre, cada engraçadinho pode esconder um polícia. Pior ainda: um delator e um explorador do escândalo. Os grandes crimes (como de resto os pequenos delitos) contra o corpo ou qualquer espécie de igualdade não se toleram, nem se desculpam. E, entretanto, o indivíduo morreu. Não fui feito para isto.
vpv
(publicado no jornal Público)

279 comentários:

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João Boaventura disse...

Ao anonymous das 6.04
Um partido político "é apenas um eufemismo elegante para poupar um homem do vexame de pensar". Quem o disse foi o filósofo americano Ralph Emerson, em 1870. Disse-o no século XIX,sem saber que o seu pensamento ainda é válido no século XXI.

sniper disse...

Terapia preventiva? Massa crítica? Carl von Clausewitz? Da Guerra? Mais teóricos e teorias? Cheira-me que a élite portuguesa, preversa, podre e paternalista já a atacar neste blog. Ficava satisfeito se o governo soubesse a tabuada, e se fizesse a Magna Carta da Ética na Governação. Ética e transparência em todos os actos governativos e com especial enfâse nas "SA(s)" do estado. Com Clausewitz aprendem como usar as fraquezas humanas em seu próprio benifício. Vejo isto todos os dias. Falta de ética. Clausewitz não ensina a ética. Sem Ética e Justiça, não há Democracia e Desenvolvimento. Deixem-se de subtilezas e de teóricos do século 19. Os generais nazis adoraram o conceito de guerra total do Clausewitz, mas os aliados ainda mais. Se quiserem sarna para se coçarem, também se arranja.

Anónimo disse...

»Porque acha que o encaminhamento que refere é perigoso, Viriato? »

por causa da sarna não?!

sniper disse...

Caro vidas foleiras,

Deve estar a laborar numa confusão em relação ao pirata vermelho eu. Meu caro, como eu costumo dizer neste tipo de mal entendidos, "this is not my cup of tea".
Obrigado

Anónimo disse...

O Emerson individualista e espiritualista não podia dizer nada de aproveitável sobre uma realidade que mal conhecia e já então interpretava mal.

A sanha anti-partidos é um sinal da nossa menoridade política. É ânsia de pai, ordem e verdades simples.

pirata vermelho disse...

Tem medo de quê, oh anonymous-das-6:57?

Heydrich disse...

Esta é uma crónica onde, na minha opinião, VPV põe a sua razão ao serviço da demagogia. Falta de temas relevantes para tratar? Talvez...
A denúncia da intromissão do Estado na vida do cidadão, a pretexto de regular o trânsito ou de controlar os espaços onde se pode fumar, então, é delirante.
Desde quando têm o Estado alguma eficiência na implementação prática destas regras? E, de facto, neste caso, deveria ter, porque o respeito escrupuloso pelas regras de trânsito e estacionamento, assim como pelas proibições de fumar, são sem dúvida uma das marcas das sociedades "desenvolvidas" com as quais VPV por vezes compara Portugal desfavoravelmente.
Por outro lado, há que notar que, numa sociedade desenvolvida e eficiente, o controlo das infracções às regras de convivência e leis não pode ser feita apenas pelo Estado, pois este manifestamente não tem capacidade suficiente para actuar em todo o lado onde é preciso (e no caso do nosso país nem tenta sequer fazê-lo). Daí a importância fundamental da delacção, que VPV achincalha na crónica em apreço, e que goza de tão má reputação na nossa sociedade.
Quanto ao valor da delacção ou denúncia, como relativamente a muitos outros aspectos, parece haver uma confusão tremenda na cabeça de muitas pessoas: é evidente que a denúncia benéfica é aquela que se refere a factos que prejudicam a sociedade no seu todo. E claro que o Estado tem que saber distinguir estas de outras, mas o seu valor insubstituível não é diminuido por isso.
Na denúncia de ilegalidades por cidadãos anónimos reside, substancialmente, a cidadania que tantos se queixam de não existir.
Finalmente, não compreendo a ligação feita por VPV entre a intromissão do Estado na vida do cidadão e uma televisão e cultura de massas "pimba" (para usar um termo conciso).
Não é essa mesma cultura de massas uma prova irrefutável da independência dos media que a promovem do Estado? Ou será que o Estado obriga, por vias inconfessáveis os órgãos de comunicação a debitarem lixo? Tal hipótese parece-me francamente ridícula...

maloud disse...

Anónimo das 6.08 PM,
Sou uma simples dona de casa provinciana, que procura estar mais ou menos informada. Não frequento cabeleireiros, a não ser para não parecer a mulher das cavernas e, quando lá vou levo o Público, para não ter que recusar a Caras ou a Lux, porque não quero ofender quem não teve acesso ao que eu priveligiadamente tive. Sempre tive o respeito daqueles que comigo contactam, desde o PDG até à empregada doméstica. Isto para não falar da família que, obviamente, é parcial. Não tenho grande resistência psicológica e essa "falha" trato-a, usando o meu bolso e não os impostos dos meus concidadãos e meus.
Blogar foi uma descoberta que fiz há pouco mais de um mês. À parte uma ou outra grosseria pontual, a que não dei grande importância, foi enriquecedor e divertido. Procurei sempre entrar neste espaço, com a "leveza" e a espontaneidade, que me caracterizam. Sempre defendi os meus pontos de vista procurando não violentar o dos outros. Posso ter uma "conversa" civilizada, com pessoas que têm concepções muito diferentes das minhas, e já tive.
Quando comecei isto, explicaram-me que era como estar numa mesa de café, em que qualquer um se senta e fala. Confesso que nunca imaginei o engraxador do café que frequento, sentado na minha mesa, mas se a regra era essa, porque não? Hoje tenho a certeza que o engraxador seria mais cortês, mais delicado do que certa gente que pára por aqui, e que se tem em grande conta. Não porque me deva nada, nunca engraxei os sapatos, mas porque é correcto.
De há uns dias para cá pareceu-me que se ultrapassava os limites do razoável e que tinha deixado de haver "discussão pública de assuntos da nossa esfera colectiva" para entrarmos na canalhice, na baixeza, no puritanismo cretino. Com franqueza, tenho mais que fazer. Até uma dona de casa com empregada tem mais que fazer. Tenho livros, cuja leitura abrandei {e, para o cretino que hoje está de sentinela não é o Código da Vinci, nem as várias Margaridas que pululam e vendem, talvez porque o sentinela as lê às escondidas}, tenho que ir a Serralves {talvez o Pide que está de plantão nunca lá tenha ido} e principalmente tenho que me rir com gente inteligente, e só cá em casa tenho quatro {três são os filhinhos que fiz}, mas que não se julga arrogantemente inteligente.
Esta é a última vez que escrevo no Espectro, embora continue a ler os posts, porque a maior parte dos comentários dispenso. Os cães de fila podem procurar outro osso que esteja disponível.
Grata pelo que disse

sniper disse...

heydrich,

Vive em Portugal?

Heydrich disse...

Sim

Deus da Silva disse...

Ó Pirata, tenho família nos States, a maioria do hardware e software que utilizo, também de lá veio, mas isso não me leva a usar uma arma no coldre ou a invadir o território de alguém que não pense como eu, sob pretextos esfarrapados.

sniper disse...

Maria de Lurdes,

Nervos de aço, minha cara. Não me desiluda. Não faça o jogo deles. Continue por favor. São uns tristes armados em sérios, Mª de Lurdes. Não valem nada. A evolução foi sua. Eles cristalizaram há muitos anos. São uns falsos profetas.

Muito cordialmente

P.S.- E depois? Quem é que me dá mimos?

Anónimo disse...

Bem, Heydrich, essa tua defesa filosófica da delacção faz-me saudades das bacoquices anti-Estado do VPV. Ele é um gagá que quer que o deixem morrer a fumar e a beber em paz e que está contra o Estado por causa dos testes de alcoolémia. Agora alemães a denunciar os vizinhos à Gestapo e aos serviços secretos do Reich, isso são coisas lá dos da tua laia. Olha, o Heydrich teu avô morreu abraçado a uma granada checa, vê lá tu como gostavam dele.

Anónimo disse...

Caros Sniper e Maloud: a inflexao táctica que tentei implementar, surtiu pouco efeito. O que quer dizer, sejamos francos, que as " massas " gostam de quem as trate mal, as manipule e engane, longo périplo de análise de Platao a Reich e Marx de ofensivo pendor desmistificatório. Jorge de Sena, no" Reino da Estupidez", I e II volumes, J.Palma-ferreira, Nuno Teixeira Neves, antigo jornalista do JN nos anos 80, têem páginas de análise memorável sobre os vícios privados e as públicas virtudes das nossas élites. Que ainda hoje revelam tracos estruturais da falta de caracter e visao dos epígonos da nossa malfadada vida cultural e académica. MVC entrou e saiu de cena com a tal citacao do Habermas,vivíssimo filósofo alemao herdeiro da famosa Teoria Crítica de Adorno , Horkheimer, Marcuse e Hannah Arendt( a namorada do Heidegger que fugiu a Hitler...). Já vimos que VPV nao dá um kopek pelo futuro da Universidade lusa. O que urge chamar à colaccao é o factor paradoxal e sádico destas impertinentes questoes de Estado: Se estes 6 a 7 homens,de Informacao-e-do Saber, nos surgem tao fraquinhos, videirinhos e cabotinos, tiro e queda, certo de certeza certinha, é que quem os lê e alimenta( ego,alcova e mordomias nos Média) é infinitamente ainda pior. Vejamos a lista dos intelectuais que apoiaram o Cavaco, e está tudo dito. Os meus caros, que reagiram tao bem ao meu repto, leiam o "Professor do Desejo", do incontornável Philippe Roth, para refazerem os sentidos e recuperarem os bons sentimentos. Niet

sniper disse...

Heydrich,

Com todo o respeito lhe digo que não parece. Já li e reli o que escreveu, e só lhe digo que a tal hipótese "francamente ridícula", é o pão com manteiga deste e de outros governos.

Heydrich disse...

Reparo agora que VPV não faz uma ligação directa de causalidade ou sequer correlação entre a vulgaridade dos media e a intromissão do Estado. Antes, apresenta ambos os aspectos como causas da suas angústias de envelhecimento. Por tal equívoco, causado pela minha leitura apressada do artigo, as minhas desculpas.
De qualquer forma, a minha interpretação da nostalgia de VPV pela "liberdade" de que dispunha (em Portugal, e também noutros paises europeus) é a de que se trata de uma nostalgia por uma liberdade essencialmente imoral.
Esta liberdade, existia para pessoas da sua classe, que podiam debitar as suas elocubrações académicas sem que ninguém lhes fizesse frente, pois as classes abaixo apenas se podiam preocupar com a sua sobrevivência imediata. Mas talvez ainda bem que essa liberdade agora não existe, pois VPV e outros académicos manifestamente precisavam de mais preocupações com que ocupar o seu tempo do que aquelas de que dispunham à época.

Anónimo disse...

Caro Pirata depois dos esclarecimentos da Maloud
»...procurando não violentar o dos outros»

penso que a hora do medo passou, agora podemos guerrilhar sem receios

Anónimo disse...

Maloud, estamos consigo.

Sílvia disse...

Querida Maloud,
faço das palavras do Sniper as minhas palavras. Este blog e toda a blogsfera nacional ficará muito mais pobre sem as palavras da minha amiga.
Conto com a sua coragem.
Sílvia

tenho dito disse...

Concordo com a Maloud

Até uma dona de casa com empregada tem mais que fazer
Passem bem , isto no minimo é ridiculo, embora a Maloud por desconhecimento de consequencias fale sempre em seu nome pessoal e das suas experiencias e como tal fique sujeita ao julgamento dos outros que não tiveram a sua sorte , acho ridiculo que se a abusar de um bom espaço de opnião, seja para falar da Maloud ou de outros particpante na forma pessoal, uma vez que estes e as suas filosofias nada tem que ver com o assunto em discussão.
Tenho dito

outro disse...

Maloud,
Compreendo-a, mas, permita-me a irreverência do conselho, tente adapatar-se ao meio (a Net), porque a adapatação é uma característica da inteligência. Procure utilizar algumas técnicas comuns a quem por cá anda, para em golpes de rins, passar ao lado das provocações que atingem fundo. As questões de ética podem, inclusivamente sofrer algumas adaptações. Se a intenção é comunicar, mude de nick, arrange um heterónimo, e goze o pagoge.
Saudações.

piscoiso disse...

ops
adaptação

sniper disse...

Maria de Lurdes,

Não me diga que temos de fazer um abaixo-assinado! Faça como o "outro" diz, ou então mantenha o mesmo. Maria de Lurdes, " fogo à peça "!!!

Anónimo disse...

O anónimo culpado da reacção de abandono da Maloud devo ser eu. Peço desculpa,mas houve mesmo um malentendido.Enganei-me no respeitante ao seu nome.Sendo estreante nesta caixa, enganei-me numa suposição precepitada. Mil perdões.

assim como assim... disse...

mais valia levar a tonta da Sílvia, o roto do Pirata e mais uns atentos e uns Anonymous que por cá andam que também não fazem falta nenhuma.

À Sìlvia, pelos vistos, só internando-a de novo na Opus. E o Pirata está a precisar de outra coisa...

sniper disse...

Anónimo das 07.48 PM,

O fair play é uma das fundações da civilização. Maria de Lurdes, do que está à espera ?

maloud disse...

Drª Constança Cunha e Sá e Dr Vasco Pulido Valente,
Obrigada
Maria de Lurdes Delgado

Anónimo disse...

Vá lá Maloud, continue a escrever o que pensa sobre os temas, a blogar.
Acha que uns quantos, escondidos atrás do monitor, debitando meia dúzia de graçolas, chateiam alguém?
Força!

Sílvia disse...

O problema deste país está precisamente na mentalidade desta gente, armada em esperteza saloia, com baixo nível de testoterona, convencida que esta caixa de comentários é a ágora da sabedoria. Tristes pobrezinhos! Tristes anónimos com baixo nível de testoterona de todo o mundo, uni-vos! Vossas Excelências são a cloaca máxima, um espectro!

Anónimo disse...

Ai ai que houve uma lei que escapou ao Abrupto: as caixas de comentários passam por crises idênticas às dos blogues colectivos. E a terapia é a mesma: muda-se de nome (nick, in casu).

Anónimo disse...

o anonimo culpado do trauma da D. Marilû sou eu, não haja confusão

Que lata disse...

«Tristes pobrezinhos! Tristes anónimos com baixo nível de testoterona de todo o mundo, uni-vos!»

contratem uma funcionaria tornem-se donos lá em casa, sintam-se livres como se sente a Malou a blogar, paz ,façam a paz , com funcionarias, livros e muita riqueza para demonstrar - sejam livres

Anónimo disse...

A revolta de VPV e outros anarco-liberais contra o Estado acaba necessariamente na contestação ao Código da Estrada. A fuga aos impostos, desporto preferido dos independentes, é representada por eles como uma luta nobre, de ideais libertários, contra o monstro do Estado-que-se-quer-meter-nas-nossas-vidas. Mas, na comezinha realidade dos factos, não é nada disso. É mesmo só justificação do roubo que cometem no bolso do Zé Pagante

Amaral disse...

A Maloud é um optimo programa informatico, a Maloud quase não existe, vip, culta, dona de casa, mãe, patroa, ciberblogueira
Há poucas oportunidades na Net para ouvir a opnião desta franja da sociedade

pirata vermelho disse...

"Esta é a última vez que escrevo no Espectro"

D. Maloud (a computer program)
-----------------------------
Que a declaração anterior não obscureça as apatetadas manifestações de pesar que se seguiram. O programa fazia de si tema, falado na primeira pessoa e denotando a mais inconsciente vacuidade petulante, eivada de falsa modéstia.

sniper disse...

Meu caro Niet,

Como sempre eficaz e brilhante. Niet, lamento dizer-lhe mas o livro em questão e o autor, Philippe Roth, não são do meu conhecimento. Irei comprá-lo com certeza, e muito rápidamente, mesmo que não esteja editado em português. ( espero que haja em francês ou inglês ).
Depois digo-lhe as minhas impressões.

Um abraço

manuel villaverde cabral disse...

Como dizia Habermas,

-tudo se dissolve no mundo da pan-cultura dos media e na reiferação da consciência proletária pós moderna [Das ist das proletaire pos modernne Bewußtsein]

... Ich bin nicht, dafür auch gemacht werden…

If you catch my meaning...

MVC

rigoroso disse...

há que dar lugar ao contraditorio, a declaração do pirata é rigorosa analitica e merece ser pensada sem falsos amisticios
-------
o pirata levanta uma questão pertinente , a patetice demonstra que a Marilû foi traida pelos seus amigos, os fideis castros do costume

Anónimo disse...

Caro VPV;

Devido à facilidade com que se acede à "informação" qualquer pessoa se sente detentora de conhecimento e saber. A experiência pouco conta, que tudo hoje é descartável e imediato, sobretudo a sabedoria que se vende aos quilos ao premirmos um qualquer botão. Isto é tudo fantástico VPV - bué de fixe! Automaticamente sabemos, conhecemos e... opinamos! Ainda te admiras, excepções à parte, que o produto resultante redunde na mediocridade?

Os tempos são outros, como sabemos, e até gostava de dizer que em muitos aspectos mudou para melhor... mas tal não é possível ao observar tanto desprezo, indiferença e boçalidade.

Ainda que compreenda a ideia de que "o indivíduo morreu" (o que em muitos casos até seria bom :) prefiro (devido ao exemplo que quero passar) dizer que o indivíduo caiu. Antes, quando se via alguém caído, prestava-se auxílio. Actualmente, observa-se e nada se faz. Que significa isto? Para lá de tanta coisa: que a realidade se tornou num mero prolongamento dos écrãs. A partir daqui, tudo se torna mais fácil de entender...

Abraço

Luís

sniper disse...

VPV e CCS, por favor, "postem" alguma coisa. Isto está ficar claustrofóbico e esquizofrénico.
Obrigado

Anónimo disse...

toda a gente sabe que não se deve movimentar os feridos, antigamente não havia INEM

manuel villaverde cabral disse...

Der Pirat ist das blöd und es hat gern im cu zu heben

If you catch my meaning...


MVC

mrs quing disse...

o pirata esta condenado hoje - um chama-lhe roto, o outro cu zu

sniper disse...

Meu caro Niet,

Estou certo que fala alemão. Faça-me um favor, tome conta desta ave rara, o Dr. MVC.

Obrigado/Abraço

Anónimo disse...

a Maloud já mudou o nick

Anónimo disse...

""Não temos nada nosso, a não ser o VPV, mas já muito azedado."""

Calma aí pá, dispenso a minha parte e ja agora leva Vilaverde, estamos numa fase de promoções, na compra de 1 levas 2, e ainda.. senha de desconto 5 centimos por litro na gasolina, ate ao maximo de 200 litros.

pirata vermelho disse...

Ah...Herr Cabral-d'apelido! Wie geths?¨
Sie sprechen nicht mal ein bitchen Deutsch aber... Sie können wieder zitate an bringen!

pirata vermelho disse...

'gehts', natürlich, bitte.

punição exemplar disse...

«Querida Maloud,
faço das palavras do Sniper as minhas palavras. Este blog e toda a blogsfera nacional ficará muito mais pobre sem as palavras da minha amiga.
Conto com a sua coragem.»

Gosto de malta sensivel, bonita solidariedade, pena que não lhe oferece companhia

rigoroso disse...

É urgente encontrar o anonimo ou o falso anonimo, ou o anonymous , ou o traidor responsavel pela queda da Maloud, para ouvir as suas alegações

Corsário vermelho disse...

Ó Pirata Vermelho, esse programa maloud não é grande coisa!
Volta não volta repete:
"Sou uma simples dona de casa provinciana, que procura estar mais ou menos informada."

Esse algoritmo de geração aleatória de frases sem interesse nenhum está com ciclo curto.

Aconselho-lhe um algoritmo baseado na área da esfera. Raramente se repete.

pirata vermelho disse...

meu caro corsário,

elas são todas iguais, umas galinhas chocas

manuel villlaverde cabrãl disse...

Eu é que sou a maloud!

Pirata azul disse...

Qualquer dia como a Silvia!

corsário vermelho disse...

não quer concretizar de forma mais material a pirataria meu caro Vermelho...

Anónimo disse...

PHILIP ROTH está editado em português pela Bertrand e pela Dom Quixote

PilhasAlcalinas disse...

Por mares nunca dantes navegado, quem se lixa é cá o perna de pau

Anónimo disse...

O culpado é o Socrates que nunca mais promove o Choque Tecnologico

lavador disse...

oh sniper
este buraco, está impossível.

tem uns por cima dos outros.

tenho a sensação que o pireya vermelho e o gajo dos eles, andam embrulhados.

cada texto, aparece sobreposto.

vou ao anterior.

parece haver comadres zangadas... .
e sabe que mais? as políticas não respondem às minha sprovocações sérias.

por outro lado, este pessoal gosta de "se defender" com idiotas (sérios), que pensaram há colhões de anos.
è que estamos em 2006...

Anónimo disse...

AGORA QUE A MIUDAGEM JÁ FOI PARA A CAMA E QUE OS PIRATAS CORSÁRIOS E OUTROS SEM ABRIGO FICARAM SEM CRÉDITO NO CARTÃO, JÁ SE PODE INTERVIR.

É SÓ PARA DIZER QUE GOSTEI MUITO DA VIVACIDADE INFORMAL DO DEBATE. A TROCA DE GALHARDETES ESTEVE ELEVADA E O INSULTO COMEDIDO. O ELEMENTO FEMININO LEVOU AMPLAMENTE DE VENCIDA O MASCULINO, NO QUAL ABUNDOU A VERBORREIA PRESUMIDA. SILVIA GANHOU NO PLANO FÍSICO, HÉLAS, SEM CONCORRÊNCIA. A DRA. MALOUD TEM O ÓSCAR PELA SUA PERFORMANCE EM "DONA DE CASA INDIGNADA".

FORMULO O VOTO DE QUE SÍLVIA SE APRESENTE MENOS VESTIDA NO SEU ÍCONE, QUIÇÁ INTEIRAMENTE DESNUDA. COMO JÁ NÃO ESTÁ NA OPUS DEI, NÃO SOFRERÁ REPRESÁLIAS. A NÃO SER DO BOM DEUS, MAS ESSE É MISERICORDIOSO, SEMPRE OUVI DIZER.

Anónimo disse...

Caríssimo Sniper: Claro que a factura do alemao do antigo Reitor da U.Clássica de Lisboa é, de rompante,de principiante. Será melhor que ele alugue uma polaca ou ucraniana com estágio na Alemanha, pois, geralmente aprendem-falam e dao licoes ao preco da uva mijona. O alemao é mesmo um quebra-cabecas e necessita de jardim-escola de berco. A nao ser que haja muita cama... Conheco diplomatas que se fechavam em casa durante meses para aprender a língua de Goethe. O fabuloso Wladimir Nabokov recusou sempre aprendê-lo, refugiando-se nos EUA nos anos 40. Quer o Sartre, quer o Raymond Aron, que estiveram na Casa da Franca em Berlim no tempo do Hitler, por pouco tempo, nunca conseguiram falar ou escrever bem o alemao.Et pour cause. Conheco um gestor hoteleiro alemao casado há mais de 30 anos com uma portuguesa, que conheceu em Londres, que me disse alto e bom som que a sua(dele) esposa precisa de mais 10 ou 20 anos para falar bem a língua comum.O que eu acho é que o Prof. Herr MVCabral lê, e bem, é o inglês e o francês... De qualquer maneira, Sniper-maloud & Banda, aprofundem os vossos dotes linguísticos para os combates futuros. Roth está traduzido( pouco) em Portugal.Também gosto muito, há muito, do Rubem da Fonseca, para mim um dos maiores escritores mundiais. Mas para quê citar e falar em coisas, se depois ninguém discute ou o evita ?!?. Isso é um sintoma inquietante do Portugal 2006? Há, nao se esquecam ,que o Prof Herr MV C. interveio na Campanha Presidencial torcendo pelo nosso egrégio Aníbal, abrindo caminho para o reforco dos poderes presidenciais com perfume de apelo a um golpe de Estado Constitucional. Habermas tem umas polémicas com Rorty e Foucault, mas que a nova vaga dos politólogos yankees esmagou... Schüss bis dan... Niet

Capitão Tony Ventoinha disse...

Eh pá pessoal isto não é um CHATo ROOM acho eu...

Capitão Tony Ventoinha disse...

ah... se calhar até é... desculpem estava enganado e parece que o sr autor do texto até tinha razão: "Numa parte remota da minha cabeça, admito que devia aprovar a ignorância e a vulgaridade democrática."
Ainda bem que não sou muçulmano nem judeu, Safra

lavador disse...

VPV

ISTO, SÓ PODE ESTAR "vigiado".

Os PIDES voltaram, de certeza.

NÃO SE CONSEGUE LÊR!

SÃO TODOS UNS POR CIMA DOS OUTROS.

QUE É ISTO???
HUM...HUM...

Anónimo disse...

NIET,
PHILIP ROTH está muito traduzido em Portugal. Junto a mim tenho cinco livros, uns editados pela Bertrand, outros pela Dom Quixote.

Capitão Tony Ventoinha disse...

Isto de estarem uns por cima dos outros é do frio, ó lavrador, que aqui o pessoal do burgo não está habituado ao frio do campo, por isso vive em prédios.

Capitão Tony Ventoinha disse...

Eu vi logo, foram todos ver os óscares, por isso a coisa acalmou. Ai a ilusão a ilusão.

Maizum disse...

E não é que eu, com 37 anos, sinto a mesma angústia?

Anti-critico do Freitas! disse...

Parece-me que o sr. VPV foi feito mesmo para isto.

Até vive disto e para isto!

Não renegue a sua vocação!

escritor principiante disse...

E não lhe ocorreu que é esta mesma sociedade que o faz ser lido por milhares de pessoas e admirado por qualquer aspirante a cronista?

Você também faz parte dela e por isso não sente a liberdade, não consegue destacar-se dela. Ao contrário do que diz, não há polícia nenhuma em cima de si, é o contrário. Por mais que seja politicamente incorrecto, vai passar incólume porque tem um estatuto de intocável, a não ser que realmente chateie um interesse económico do jornal para onde trabalha, como sucedeu a Marcelo Rebelo de Sousa na TVI.

eu não faço parte dela, da sociedade, e sinto-me tão livre, e que escrever é tão importante para mim, como certamente seria para si.

E para mim, pesssoas como VPV, são importantíssimas. Adoro-o homem. Bleurk, nem acredito que disse isto.

Anónimo disse...

Caro Sniper E Maloud 1.a version: Os meus caros perdem também o pé?!? Nao há feedback?!? A obra do Ph.Roth é vastíssima e, a nao ser que o seja no Brasil, em Portugal era desconhecido por... ser amigo de outro Philipe, o Sollers, fundador da Tel Quel, depois da L´Infini, casado com a Julia Kristeva e amante, pelo menos, da Kenza, revelacao fantástica no Big Brother gaulês, e da velhota Dominique Rolin...O Herr Prof. MVC deu às de vila-diogo... Ou estará à espera de ser chamado para expert-reader´s-digest do seu ídolo do momento, o egrégio Aníbal... a caminho de Belém?!? Ah, já me esquecia: tudo leva a crer que o blogue de CCS/VPV pulverizou todos os máximos de audiência na blogosfera lusitana, pois, em 30 dias, atraiu mais de 250 mil leitores, uma média de 8 mil consultas demoradas por dia. O que prova que as ideias sao o capital mais precioso! NIET

Anónimo disse...

PHILIP ROTH
A Mancha Humana
A Conspiração Contra A América
O Complexo DE Portnoy
Traições

Como vê caro NIET a obra do Philip Roth não é desconhecida, mas não são as ideias o capital mais precioso. Nisso engana-se.

Maizum disse...

Academic, Heal Thyself

Anónimo disse...

Qualquer pessoa que considera que estamos no caminho de regresso para o estado novo deve estar a precisar de fazer um TAC. Sim meus amigos... o tempo em que era preciso uma licença para ter um isqueiro no bolso já la vai.

Que tremenda confusão de idiotices empilhadas e amontoadas para aqui vai...

Anónimo disse...

Sem dúvida o pior artigo que alguma vez foi aqui publicado neste blog. Desprovido de qualquer verdade, valor, ou qualidade.

Ridículo.

escritor principiante disse...

Ao contrário do que aqui foi dito, este é simplesmente o melhor texto que já li de VPV, pelo menos, o menos artificioso e o mais sentido.

VPV já leu Joseph Conrad? Já que me fala nos livros velhinhos... As suas histórias dissem sempre respeito ao indivíduo, indifierentes aos contextos sociais, mesmo os contextos mais conturbados e selvagens possíveis. E por isso mesmo ele é tido por uma massa acéfala de literatos como "conservador", porque aparentemente não se preocupa "com os pobres" ou com "os escravos", o que é totalmente falso. Ele humaniza os indivíduos. Num navio é perfeitamente possível que os marinheiros, pobres, tenham uma verdadeira veneração pelo capitão. O indivíduo vive sempre. Sempre. O senhor VPV é que talvez tenha perdido o dom ou a faculdade de discernir as partes, as pessoas, e veja apenas uma massa uniforme e indistinta, especialmente os jovens.
Não sobrevalorize o peso da tv e dos media no indivíduo. Não vê aí que a internet galopa a uma velocidade inacreditável, potenciando o indivíduo, e que os meios de informação ou mediaticos, generalistas, perdem força nas elites?
Tenha fé na nova geração. Ela é tão boa, ou tão má, como a sua. E talvez seja isso que o assusta, se calhar preferia um upgrade.

Anónimo disse...

A Internet potencia o indíviduo? Sou um pouco céptico. É preciso absorver e usar a informação. Não basta tê-la.

AV disse...

É o que dá porem estes maricas a governar.

AV2

Palavras e Coisas disse...

"(...) Lorsque les lois d’un État ont cru devoir souffrir plusieurs religions, il faut qu’elles les obligent aussi à se tolérer entre elles. C’est un principe, que toute religion qui est réprimée, devient elle-même réprimante : car sitôt que, par quelque hasard, elle peut sortir de l’oppression, elle attaque la religion qui l’a réprimée, non pas comme une religion, mais comme une tyrannie.
Il est donc utile(38) que les lois exigent de ces diverses religions, non seulement qu’elles ne troublent pas l’État, mais aussi qu’elles ne se troublent pas entre elles. Un citoyen ne satisfait point aux lois, en se contentant de ne pas agiter le corps de l’État ; il faut encore qu’il ne trouble pas quelque citoyen que ce soit."

Charles-Louis de Secondat, baron de La Brède et de Montesquieu

DE L’ESPRIT DES LOIS

LIVRE VINGT-CINQUIÈME.
DES LOIS DANS LE RAPPORT QU’ELLES ONT AVEC L’ÉTABLISSEMENT DE LA RELIGION DE CHAQUE PAYS ET SA POLICE EXTÉRIEURE

Já agora, a citação em alemão não é feita por Habermas, mas sim por Alain Garay, cujo texto "Welche Freiheiten für die Kulten in Frankreich" das duas, uma: ou não existe em original francês (isto apenas é estranho porque o autor é francês) ou não está na rede.

Seja como for, bem fez MVC em citar em alemão, pois o texto em princípio apenas se encontra nesta língua.

Aliás, qual o problema de citar em alemão?

Bem-haja, MVC, por espoletar esta discussão. Assim se vê quem manda ;-)

P.S.1 - O texto de Montesquieu (original e não se preocupem por a página se chamar Voltaire - já basta de confusões): http://www.voltaire-integral.com/Esprit_des_Lois/L25.htm#L25_09

P.S. 2 - O texto de Alain Garay
www.aidlr.org/german/guv/download.cgi?../mag/57_136-182.pdf

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