quarta-feira, fevereiro 01, 2006

VELHOS CONHECIDOS

Descobri para o meu espanto que o liberalismo enfurece as pessoas como antigamente o marxismo e, como é óbvio, o "socialismo real". Não admira que os métodos de argumentação se pareçam. Ao fim de 20 anos, acordei num território muito conhecido. Thatcher e Bush não são liberais? Se quiserem. Por volta de 1970, Marx não era bem marxista e o "socialismo" apareceu e desapareceu sucessiva ou simultaneamente na URSS, na China, na Jugoslávia, em Cuba, no Vietnam e na Albânia. Só peço que me digam em que governo estão ou estiveram os liberais de facto, autênticos, com marca de água. E não façam batota: Gladstone, além de ser tarado, já morreu. De resto, mesmo ele…
Quanto às contas sobre a sra. Thatcher que me ofereceram para provar o contrário do que eu disse, não provam nada - ou provam o que eu disse. Peço desculpa.
vpv

29 comentários:

Mário Azevedo disse...

Uma pergunta: e o senhor é liberal ou não? Leio sempre os seus artigos no Público e ainda não percebi. Posso já dizer-lhe que eu sou um dos que se sente enfurecido com o liberalismo, do mesmo modo que com o marxismo, a verdade seja dita.

Anónimo disse...

“O filme do Carlos Coelho da Silva («O crime do Padre Amado») é considerado pelos intelectualóides de serviço como uma «obra prima», e justificam a classificação pelos resultados de bilheteira. O povinho só foi ao cinema para ver a rapariga nua e não a seca da história. Se tirarem a moça e puserem-na também descascada na montra duma qualquer loja chinesa e substituirem-na pela Odete Santos, a referência cultural passa a ser o espaço do senhor Li Chin Fu.” – Quitéria Barbuda in “Cultura à Chinesa”, Revista “Espírito”, nº 25, 2006.

www.riapa.pt.to

rb disse...

O liberalismo é coisa do Sec. XIX e não entendo o interesse da discussão em temos de filosofia política. Já se centrarmos a questão na necessidade de emagrecer o estado para libertar a economia, já a discussão se torna mais prática e com interesse actual.
Mas voltando ao liberalismo: "Fernando Pessoa, definiu o liberalismo como:
... a doutrina que mantém que o indivíduo tem o direito de pensar o que quiser, de exprimir o que pensa como quiser, e de pôr em prática o que pensa como quiser, desde que essa expressão ou essa prática não infrinja directamente a igual liberdade de qualquer outro indivíduo." (in http://www.liberal-social.org/liberalismo). Se isto é que é o liberalismo, então eu sou um liberal convicto.

João Nuno Morais disse...

Há por aqui uma grande festa, a Constança atirou os foguetes, o Vasco canta no coreto e uns quantos comentadores apanham as canas e embasbacam-se com a animação. É pena que os foguetes sejam virtuais e o Vasco cante em playback.

Valerá a pena argumentar que ninguém se enfureceu e que os números não confirmam o que disse o vasco?

O Espectro ainda é um bébé mas tem sempre razão mesmo quando não tem.

josé disse...

Fernando Pessoa era um poeta- e um escritor. Isso, para além de empregado de escritório.

Pode perguntar-se se teve o direito de pensar o que quis- e responder que sim.
Se teve o direito de exprimir o que pensava como queria -e apesar de algumas dúvidas, também admitir que sim.
Se teve o direito de pôr em prática o que pensava, como queria- e aí as dúvidas têm de enfrentar uma dificuldade: o regime salazarista permitir-lhe-ia tal liberdade? Parece que não...
Mas apenas por um motivo: o regime tinha um entendimento da liberdade sui generis. A liberdade do outro, era definida por um sistema de normas, em Consituição desde 1933, que impedia uma série de coisas.
É a natureza desses impedimentos que define um regime, mas não pode dizer-se que a definição de F.Pessoa sobre o liberalismo pudesse deixar de fora o salazarismo.

Ou estarei equivocado e escondido em falácias?

João Boaventura disse...

Na História da Legislação Liberal Portuguesa, Thomaz Ribeiro (1891: I, 199) falando dos primeiros deputados do liberalismo opinava: ”Sacerdotes da liberdade, proclamaram-se infalliveis, e fiseram-se inquisidores na sua religião. Elles, só elles a mandarem. O rei que os servisse incondicionalmente, e todos os mais que obedecessem. Era o preceito.” Concluí daqui que todos os partidos são liberais, e que todos os deputados são sacerdotes infalíveis. Tudo confirmado pelo médico Sousa Martins quando esclareceu que a Câmara dos Deputados era uma “fábrica de leis por atacado e por retalho” onde os operários-deputados se classificavam em três categorias: ”Os de língua dourada, os de língua danada, e os de língua calada”(in Imprensa Médica, 1993 – Número especial dedicado à sua memória).

BONIFÁCIO disse...

Talvez que mutos signifiquem no liberalismo, actualmente, um vale-tudo, um salve-se quem puder, quem tem unhas é que toca guitarra...

A selva do desenmerde-se

Neue disse...

Toda a teoria política está perto do fim. As conceptualizações do futuro terão que incluir a noção de "pasta indistrinçável" para descrever os novos movimentos económicos, as suas intenções e as suas interpretações.

VPV disse...

-Posso dizer uma coisa? As pessoas que escrevem nos blogues, como muitas das que escrevem nos jornais, como as que falam na televisão, dão aquilo que elas julgam que serão opiniões. Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro. Mesmo a maior parte dos cronistas são ignorantes, e o que escrevem são crónicas desnecessárias ou desabafos, aquilo a que chamo jornalismo da indignação. Mas faz muito sucesso, porque como as indignações são básicas, há muita gente a partilhá-las, e a ficar feliz por o senhor X, que até escreve no jornal, pensar como elas.- Vasco Pulido Valente, Notícias Magazine", Janeiro de 2004

Estava no blog http://razaodascoisas.blogspot.com/

Anónimo disse...

Esse, vpv, é o problema da democratização das coisas. O que está a dizer disse-o também, e muito antes, Ortega Y Gasset.

Mas a questão é que também existe um lado positivo na balbúrdia da participação-livre: as pessoas aprendem, levam na cabeça, revêem as suas posições, etc, etc, e eventualmente um número significativo vai melhorando o conjunto. É preciso ter paciência. E uma certa fé.

RS disse...

E, de repente, o singular no nome deste blog perde sentido. Ou o sentido do seu singular nome ganha uma nova dimensão.

nota:
Quanto a providenciar o "previdente", estamos esclarecidos, ou melhor, providenciados.

:)

RAF disse...

Caro VPV,

Como escrevo no Blue Lounge, mais do que saber quem são os governantes - e se são ou não «liberais praticantes» - importa perceber «o quê» - ou que tipo de atitudes tomam.

Não deixa de ser curioso que alguem cuja marca d'água é remar contra a corrente se tenha colocado nesta atitude apenas provocatória de «comentador de bancada».

http://blueloungecafe.blogspot.com/2006/02/ordem-espontnea-ou-determinismo.html

Unreconstructed disse...

Caro rs: o nome deste blog é tão singular quanto a sua ignorância do Rodrigues Sampaio.

rb disse...

Está o VPV, subtilmente, a sugerir-nos que não comentemos porque somos todos uns ignorantes iletrados. Soberba e presunção cada um toma a que quer.

Unreconstructed disse...

Caro atento: Não sei por quem me toma, mas eu não sou VPV coisa nenhuma (cruzes!) e não quero coartar o seu direito ao disparate; o comentário acima lembrou-me foi uma oral, há anos, na Faculdade, em que o prof. perguntou à examinanda (por sinal uma jovem da JSD, que faz carreira na política) quem administrava a justiça no séc. XII em Alcobaça e depois, tendo-lhe ela dita, assim a medo, que eram os franciscanos, concluíu para a história: -Ó minha senhora, franciscana é a miséria da sua resposta, volte em Outubro!

Sílvia disse...

"os liberais de facto, autênticos, com marca de água" ainda estão presos na Bastilha... Agora, só p'ro Verão!...

rb disse...

Caro unreconstructed, o VPV falou mais em cima, obviamente não era para si o meu comentário.

Funes, o memorioso disse...

Isto está óptimo.
Já não me divertia tanto desde o tempo da saudosa polémica com o Dr. (ou seria Doutor) Canaveira. Lembram-se?
O último artigo da série acabava assim (cito de memória):
"Dois conselhos, Sr. Canaveira:
1- aprenda a escrever;
2- evite graçolas acerca do nome dos adversários, que são a marca de água do cretinismo polémico."

Anónimo disse...

Ai, ai, eu desmaio novamente.

Mas, ó rapaziada.
O que é isto aqui?
Teatro absurdo?

Ó VPV,
mas afinal, que problema
tenta resolver hoje?

Nenhum?

Tem demasiado tempo útil?

O VPV cria problemas,
só cria problemas, ai, ai.

Quem tem problemas
destes tem mesmo boa vida.

Ele não gosta do liberalismo?
E depois. Quem é que se interessa por isso?

O liberalismo está longe,
muito longe de ser implantado,
neste país, que enfrenta sérios problemas. Uns tem emprego seguro,
e os outros não. Aqueles que não o tem, andam a financiar os outros com emprego seguro.

Pensar pode ser bastante fácil.
Parem com a falsa eloquência,
já mete nojo. Realmente.

Teatro absurdo.

A irmã de Constança Cunha e Sá

P.S:
Eu amo-te VPV, mas tenta resolver
problemas, e não criar ... :-)

Grande beijoca para ti.

Unreconstructed disse...

Caro atento (mas pouco): uma das delícias da blogosfera, caso ainda não tenha dado por isso, é o anonimato, que no caso dos ingénuos da sua espécie tem um picante muito especial: pois então você acredita (parece que estou a falar com o meu filho mais pequeno...) que alguém, só porque assina "a irmã da Constança Cunha e Sá" é REALMENTE irmã da Constança Cunha e Sá, ou porque assina VPV é MESMO o VPV? Atão o homem é dono do blog e faz comentários para quê, para despistar? (se for a si não é necessário, você perdoe-me a franqueza mas já me parece um bocado perdido).

Ricardo Francisco disse...

Existem intelectuais e dirigentes....A grande diferença é que apenas os primeiros não estão presos à realidade. Os segundos têm que que se adaptar ao contexto e contingencias e na maior parte das vezes concentrarem-se no caminho a percorrer até à utupia preconizada pelos intelectuais. Em democracia o caminho faz-se com evoluções, não revoluções (por mais que custe a espera).

Qualquer político quando chega ao poder, pode ter que tomar políticas afastadas do que a sua ideologia manda, ou mais "fracas" ou mesmo contraditórias ( 1 passo atrás para dar dois à frente). Dito isto, poderíamos encontrar, em teoria, dirigentes liberais com políticas mas "socializantes" ou socialistas com políticas mais "liberais" ou conservadores com políticas mais liberais. Dito isto, não é o caso de Tatcher e Bush, que vêm ambos de escolas conservadoras...acontece que o país em que vivem é ao nível económico muito mais liberal do que o Português. De aí a tendência de os chamar de liberais...de facto não são.

O exemplo Irlandês. Este texto foi retirado de um website ( http://www.wsws.org/news/1998/jun1998/celt-j16.shtml ) que publicou em sequência de um artigo de um autor insuspeito (quem quiser saber mais que leia) . Escolho-o não devido à qualidade mas devido à insuspeição.

O que foi feito?

"

How has this been achieved?

Government subsidies and tax breaks have played an important role in securing international investment. Company tax rates were reduced from 50 percent in 1988 to 36 percent in 1996, and are to be progressively reduced to 12.5 percent by the year 2010. Previously, both multinationals and Irish companies did not pay any taxes on export profits, but this was changed on EEC insistence. A 10 percent rate now operates in certain zones. There is no wealth tax, only limited Value Added Tax coverage and the top rate of income tax has been reduced from 65 percent to 48 percent.

The key to Ireland's "miracle", however, is the corporatist partnership between the Irish government, the trade unions and big business. The four "national recovery programmes" implemented over the last decade have been used to discipline the working class, prevent strikes and hold down wages.

The Programme for National Recovery that began in 1988-90 secured trade union support for cuts in public spending. This was followed by the Programme for Economic and Social Progress 1991-93; the Programme for Competitiveness and Work 1994-97 and finally Partnership 2000 agreed at the end of last year.

"

O Irónico é que foi conseguido com a concertação dos partidos de "esquerda", após o falhanço dos conservadores de "direita". Por isso é que a mim, como a outros, custa que digam que liberais são de direita. Há liberais em partidos à direita, à esquerda e ao centro, tanto em Portugal como em muitos outros países...

Faço notar que não se atingiu o paradigma liberal, que alguns dos mecanismos usados não foram liberais, mas as políticas sim, foram assumidamente liberais.Dá igual o nome do(s) partido(s) ou o nome dos dirigentes.

PS: Sim VPV, é bom termos estes espaços para exprimir o que vai na alma...

Cumprimentos,

Ricardo Francisco

mateiro disse...

boa noite

o 24 horas, referiu o blog.
Giríssimo, o blog...
à portuguesa.

Com 2 figuras de proa e sempre, com referências
históricas, como convém
para confundir o pessoal.

Eu sou mateiro, perito em abater árvores que expiraram o prazo económico,adoeceram ou estão a mais ambientalmente.

Daí entender que MS se devesse manter usufruidor,porque
é um gajo cheio de sorte, o ACS se pudesse candidatar,o MA não se devesse candidatar a chefe das forças armadas,
ou.... desarmadas.
( porque é um desertor)

FUNDAMENTALMENTE, que o PM começasse ràpidamente a não se entender no direito constante, de ser arrogante, SENHOR das decisões,da verdade,
da evolução teórica e programática (ou pragmática ?) e sobretudo, ser educado, objectivo e entender que os papalvos estão mais atentos do que ele julga.

Nestes últimos 2 dias, mais tiros nos pés, pior ainda do que PSL:

1 a não resposta ao coordenador "do choque"que se demitiu;
2 a afinal "desenhada" aproximação à microsoft;
3 a contratção da dependência futura e permanente, à referida marca;
4 o humanista dos refugiados, a fazer também os protocolos...
5 o futuro ex-PR a medalhar o BG

Bom, o BG tem todo o mérito,mas...

não são coincidências a mais?

VIVA o regabofe Português.

ps O Coelhone, vai agora fazer o quê?
Aparentemente, o lugarzito, já está desenhado.
Aguardemos.

Ricardo Francisco disse...

Já agora...uma teoriazita....

A "nossa" direita não gosta do exemplo celta porque foi resultados da esquerda "deles". A nossa "esquerda" tambem não toca neste exemplo porque a esquerda "deles" foi liberal, e logo de "direita". É o exemplo vindo da "terra de ninguem", ninguem o quer.

Filipe Alves disse...

Claro que não existem governos que sejam "liberais puros", da mesma forma que nunca houve um regime 100% marxista ou que não existem católicos 100% católicos (se o fossem, deixariam de ser cristãos... se viesse à Terra, Cristo não seria 100% católico). Voltando ao exemplo inglês, Se Tatcher - que era liberal, de facto - tivesse terminado com o subsídio de desemprego, não se teria dado o tal aumento de despesas sociais que referiu. E teria levado o liberalismo ao extremo. Mas nenhum governo democraticamente eleito conseguiria suportar as consequências de uma tal política (felizmente). Mas isto é evidente.

rb disse...

Caro unreconstructed, foi V. que se abespinhou com o meu comentário dizendo que não era o vpv e eu respondi-lhe que o comentário não era para si mas para quem assinou como VPV. Verdadeiro ou não, não sei, mas a citação é do próprio, portanto o comentário vale na mesma. Se calhar o seu irmãozinho mais oequeno tinha-me compreendido melhor ...

Unreconstructed disse...

Amigo Atento, desabespinhado por um agradável jantar, regresso à net e encontro em si um notável revisor da história - um rewriter, como se diz noutros sítios: pois onde disse que "o VPV escreveu mais acima" queria afinal dizer "alguém que assina VPV escreveu mais acima". Claro que você não é tanso, como eu terei insinuado, nem se parece com o meu filho mais novo; claro que não, porque o meu filho de nove anos já não prega petas a ninguém. Boa noite.

RS disse...

Caro unreconstructed,

Sinceramente, o espectro do Rodrigo Sampaio (e entenda-o romanticamente, se conseguir) não me parece inspirar este blog, o que não significa que tenha inspirado o seu baptismo.
Mas pronto. Serão singularidades desreconstrutivistas (um neoneologismo rival do seu pseudónimo) que nos ultrapassam a ambos, não tenha dúvida.

E nem o Rodrigo nem o seu espectro ou, já agora, o seu Espectro, têm nada que ver com o meu comentário mais acima.
Descomplique; que é como quem diz: Desreconstrua.
:)

Um abraço,
RS

Unreconstructed disse...

Caro rs: V. perdoar-me-á, mas eu não conheço o seu amigo Rodrigo; conheço um tal de António, Rodrigues Sampaio de seu nome, que deu nome a O Espectro propriamente dito, e é tudo; desculpe lá a complicação, mas as coisas são como são (rima e é verdade).

RS disse...

Caríssimo unreconstructed,

Tem tanta razão que me sinto obrigado a pedir-lhe desculpa.
A gralha é evidente, mas também é evidente que atingiu onde queria chegar.
E como as coisas são, de facto, como são, não me darei ao trabalho de corrigir o Rodrigo aqui, nem n'A Sombra.
Fica para a posteridade.

Quanto a dar a um pasquim o nome de outro pasquim... Nem queria ir por aí.
:)
Ao que consta, o original seria mais incisivo e menos comprometido.
Já o meu velho Bucéfalo, pasquim de 4 páginas, esse sim, ao tempo em que na minha Faculdade era Dario Alves presidente do Conselho Directivo, teria mais a ver com a ideia de Rodrigues Sampaio (sem gralhas).

Um abraço,
RS