sábado, fevereiro 18, 2006

VALE A PENA?


Animado dos melhores propósitos o ministro da Saúde achou que tinha chegado a altura de brindar o país com uma luminosa evidência: se a despesa não parar de aumentar, os doentes vão ter, mais dia, menos dia, que começar a pagar a Saúde. Caiu-lhe o país em cima, é claro. Os partidos da oposição mostraram-se imediatamente dispostos a defender com a vida o Serviço Nacional de Saúde. E até o CDS, num acesso de entusiasmo, recorreu à Constituição (a mesma que o partido quer alterar) para recordar “a gratuitidade tendencial” do sistema. Tentando (em vão) acalmar os ânimos, o PS prestou-se aos esclarecimentos habituais, esclarecendo que a ideia do ministro (a existir alguma ideia) só se concretizaria num futuro longínquo, depois de esgotadas todas as possibilidades do sistema e de se realizarem todos os estudos possíveis. Tudo isto, presume-se, não passou de um “balão de ensaio” para testar a abertura da sociedade a eventuais alterações na Saúde. Infelizmente, pelo caminho, testa-se também o funcionamento dos partidos. Na oposição, o PS criticou asperamente o aumento das taxas moderadoras proposto pelo defunto Governo de Santana Lopes. Agora, no Governo, “descobre” a necessidade de um novo financiamento do sistema. No governo, PSD e CDS propuseram o aumento das taxas moderadoras. Agora, na oposição, agarram-se com unhas e dentes à gratuitidade do sistema e aos pergaminhos da Constituição. Vale a pena levá-los a sério?
ccs

32 comentários:

Anónimo disse...

"Vale a pena levá-los a sério?"
Claro que não.

ruy disse...

Liquidação do SNS

Depois de ter rebentado com as políticas dos governos anteriores (PSD) acabando com os hospitais SA, vem agora o "iluminado" ministro da saude Correia de Campos, com a lata que lhe é habitual, propôr, sem mais nem menos, a liquidação do Sistema Nacional de Saude, na vertente constitucional de "universal, geral e tendencialmente gratuito".
O atrevimento de avançar com tal proposta só é possível, dado o descaramento e a arrogância deste governo que vive com a complacência de uma comunicação social demasiado dócil e serena. Outros tempos outra comunicação social.

O certo é que o dinheiro não estica. E depois do regabofe da governação Guterres, com a criação de Institutos, Empresas Municipais, Empresas Públicas, Comissões Reguladoras, Fundações, etc, etc, que aumentou a despesa pública em pelo menos 3,75% do PIB, o que passou a constituir um défice anual crónico, seguramente que o dinheiro nos cofres do Estado é curto.

Mas, estes iluminados governantes, não se lembram em cortar tais despesas, acabando de vez com todas estas entidades dirigidas por gestores de nomeação política. Não pensam em diminuir os privilégios que possuem nem acabar com os escandalosos vencimentos dos gestores públicos.

O Povo, que nada beneficiou com a criação daquelas entidades, (não parece que qualquer serviço prestado pelo Estado tenha entretanto melhorado), é que tem que aguentar com tal desgovernação, sofrendo o agravamento de impostos e a degradação da qualidade de serviços prestados pelo Estado. E, o mais lamentável, é que tudo isto tem tendência para agravar-se, uma vez que todos os dias assistimos à criação de mais empresas municipais e outras entidades igualmente inúteis, ineficazes e despesistas.

klasspolitika.com

daniel disse...

Não os levo a sério, a Senhora ao que parece, é que os leva...

ccs disse...

daniel, é natural que não leve e é natural que não perceba por que é que seria importante levar.

Anónimo disse...

O dr. Correia de Campos fala compulsivamente e a maior parte das vezes diz asneira, seja sobre o número de oftalmologistas ou otorrinolaringologistas no hospital dos Capuchos (não tenho a certeza de qual das especialidades se tratava) seja sobre os genéricos ou a gripe das aves e respectiva vacina. Mas não me admiro que queira estabelecer pagamento diferenciado para os serviços de saúde consoante os rendimentos. Já ensaiaram essa medida mum governo anterior e Jorge Sampaio vetou. Cavaco Silva, sem dúvida, fará coisa diferente.

Rantas disse...

Julgo que nesta questão há dois aspectos relevantes:
1 - A gratuitidade tendencial do SNS é um conceito generoso e idealista, mas cada vez mais se revela menos exequível e mais longínqua a sua concretização; por estranho que pareça, o aumento das taxas moderadoras não pretende aumentar as receitas mas sim reduzir os custos. As taxas são uma percentagem ínfima no "bolo" do financiamento, sendo a sua finalidade evitar utilizações abusivas ou desnecessárias do SNS. Ou seja, se as taxas fossem abolidas, por exemplo, haveria um baixo impacto nas receitas; contudo, seria expectável um aumento nos custos por via de uma maior afluência...

2 - A "má memória" dos políticos, ou a forma como defendem uma coisa e o seu inverso conforme estejam no Governo ou na oposição, é um dos factores que mais contribuem para a péssima imagem que os políticos têm generalizadamente. É uma questão de bom-senso que quem está na oposição esquece frequentemente. E aqui é de saudar a atitude responsável de Marques Mendes na oposição. ser sério e responsável não é mais do que se lhe exige, mas infelizmente é tão raro nos nossos políticos que devemos realçar os bons exemplos.

koelhone disse...

Pois é, em política cada um faz aquilo que lhe parece momentanemente mais proveitoso, em vez de fazer aquilo que acha sinceramente ser correcto.

Ai o governo teve a distinta lata de apresentar uma medida concreta? Temos que fazer barulho, de modo a que passe no telejornal e a malta lá em casa fique a saber que andamos a ser mal governados. Pouco interessa se a medida em questão faz ou não sentido, é ou não necessária.

E grande parte da malta lá em casa vê a coisa como se de futebol se tratasse. O líder do meu partido está a favor: então acho muito bem. Se está contra, então é uma pouca vergonha...

daniel disse...

CCS, não sou eu que tenho um blogue e mesmo que tivesse jamais faria um poste sobre este tema, principalmente nos moldes em que fez o seu.Isto é, tenho muitas dúvidas que se preocupe se o sistema de saúde deve continuar a ser tendencialmente gratuito.
Parece-me é que pretende dar importância à inutilidade da alternância democrática tal como ela se configura desde o 25 de Abril de 1974 e nessa medida dá-lhe a devida importância, senão o seu blogue não tinha razão de existir.
Por mim, vivo bem sem blogues.

Anónimo disse...

1 - É evidente que não vale a pena levá-los a sério;
2 - Se cidadão comum deseja manter-se informado, conhecida a força da informação independente, não é inocente menosprezar o papel dos blogs;
3 - Para quem passa bem sem eles, óptimo: passe ao lado.

Anónimo disse...

Os políticos dizem o que lhes parece mais conveniente dizer de acordo com a situação concreta, (serão todos leninistas?) Todos sabemos que assim é e eles sabem que "nós" não estamos atentos mas a ver o "levanta-te e ri". Arriscando levantar outra polémica e outros comentários pouco delicados, não consigo deixar de chamar a atenção para alguns factos:
1) Correia de Campos não descobriu nada que não soubesse já antes de ir para o governo, parece pouco clara a sua proposta actual mas seria bom que lêssemos o que escreveu toda a vida.
2) Há uma esmagadora maioria de homens no parlamento, estará a coerência dos mesmos relacionada com este facto?

Anónimo disse...

Se o país está mal e o governo não está disposto a reduzir a despesa e a estabelecer prioridades, achando que deve levar por diante as obras faraónicas, como está a acontecer, é seguro que o Serviço Nacional de Saúde, mesmo mal como está, vai acabar. É que o Governo já deve ter percebido que o dinheiro não estica, mas parece que perdeu o pudor quando se trata de ir-nos aos bolsos, o único caminho para manter a sua delirante megalomania!

Mª Lurdes Rainho disse...

Ainda bem que há pessoas que vivem bem sem blogues. Eu também vivia até há três semnas atrás. Claro que não tinha acesso, mas isso é outra história.
Eu só gostava que me explicassem porque é que quem vive bem sem blogues, volta meia volta escreve neles. É como viver bem sem foie-gras e Sauternes e em dia de festa, já agora? porque não?
Também vivia bem sem foie-gras e Sauternes, até os conhecer. Agora o preço leva a que só de vez em quando. Convenhamos que o preço do blogue não é impeditivo de uma maior frequência e como já os conheço, porque não?

daniel disse...

mª de lurdes rainho ou delgado ou seja lá o que for, fico-lhe muito agradecido pelas suas confidências domésticas e culinárias. Encontra-se tudo no Gourmet do El Corte Inglês e é por isso que eu vivo melhor sem blogues...

Mª Lurdes Delgado disse...

Daniel,
Se não se importa Delgado.
O Gourmet do El Corte Inglês, não existe no Porto e eu quando saio do Porto não vou às compras.
Respeito em absoluto o facto de viver melhor sem blogues, mas dê-me a liberdade de gostar.
Cordialmente

daniel disse...

Rainho Delgado? ah, desculpe!

daniel disse...

Senhora D. Maria de Lurdes Delgado,
Apesar de reiterar a minha aversão por blogues, também hoje me sinto no dever de confidenciar o seguinte:não sei porquê, mas cada vez que leio um comentário seu, a Senhora convoca-me para a Dr.ª Maraia de Belém Roseira.
Desculpe-me a insensatez, mas pergunto-lhe, ainda são familiares?

esgoto disse...

só os néscios levam a sério um poder que não exercem.

Mª Lurdes Delgado disse...

Daniel,
Não, não somos, nem sequer temos qualquer laço de parentesco. Posso afirmar-lhe isto com toda a convicção, visto ambas as famílias, a dela e a minha serem da mesma zona, do Douro.
Quanto aos meus comentários o convocarem para a citada senhora, confesso que me surpreende. O percurso dela é sobejamente conhecido e eu dispenso-me de o comentar. O meu é o de uma dona de casa do Porto, com três filhos adultos e sem ambições políticas.
Quanto ao temperamento também é muito diferente: eu sou extrovertida, passo na vida com uma certa "leveza", incapaz de andar naqueles jogos partidários e muito menos disciplinada e resistente. Francamente a única coisa que eu poderei ter em comum com a citada senhora é o facto de tentar não magoar os outros, visto sempre me ter parecido, que ela o tentava fazer em relação aos interlocutores. Se por vezes falho e magoo faço os possíveis por pedir desculpa. Se inadevertidamente o magoei peço desculpa.
Há, ainda outra coisa, que eu gostaria de esclarecer. Quer essa senhora, quer eu crescemos no Porto, mas eu morava à época na Boavista e ela nas Antas. Quando saímos, porque os nossos cursos não existiam cá, e terá sido na mesma altura, ela foi para Coimbra e eu fui para Lisboa. Só quando acabei é que voltei ao Porto definitivamente, e aí sim, para as Antas, pois os meus pais tinham resolvido trocar a casa por um andar. Quando casei também comnprei um andar nas Antas, mas a drªMaria de Belém, já não vivia no Porto.
Sempre cordialmente
PS Por razões que eu já expliquei, aqui eu uso o meu apelido de solteira e agradecia que respeitasse esta minha opção.

Conselheiro disse...

Correia de Campos oscila entre a ânsia de protagonismo e a propensão para a asneira.
Tudo bem, portanto.

Dores disse...

Dores says...

A little for fun: Estava a ver que ninguém chamava a atenção para o facto. O CDS!!! O mesmo que, além de querer mudar a Constituição, pretende a "liberdade de escolha": SNS para quem não tem outra escolha; qualquer outro sistema (melhor) a quem o possa suportar e, de caminho, poupar alguns tostões em impostos.

José Ferreira disse...

O RUY É BURRO
Então a política para ti só começou em 1995 ?
--------
Vale a pena vale.
Porque hoje lança-se a "manilha" e daqui a uns tempos vem o "ás".
Não os avisei ?
Não há dinheiro !!!

Sílvia disse...

Há sempre quem obtenha dividendos em espalhar o medo e a angustia nos mais crédulos. Mas, apesar da selvajaria deste país,quero acreditar (!...) que o Serviço Nacional de Saúde veio para ficar.

Anónimo disse...

Boa pergunta. Mais humor que estes "partidos" só o "I.P." ("Inimigo Publico" passe a publicidade).
Chico

Anónimo disse...

Essa é boa do Serv.Nac.de Saúde vir para ficar! Só para rir. Quando se deita o barro à parede para ver se pega como fez o ministro, é porque a coisa vai ser levada a sério e agora com o Cavaquinho é trigo limpo. Sim, porque dificuldades, dificuldades, quem as tem são eles, coitados, que ganham pouquissimo, correm o risco das empresas onde trabalham poderem ser deslocalizadas, ou do Banco de Portugal ter que ir para a Polónia, eu sei lá a desgraça que paira sobre a cabeça destes senhores. Franchement! bem podiam ser mais compreensivos com estes pobretanas. O povo está a cair de podre de rico. Desde o tempo de Guterres que já nem sabe onde guardar tantos lucros. Tenho cá uma fezada que amanhã vão todos em oferenda à campa da irmã Lúcia deixar o cheque excedente.

Sílvia disse...

Ora, "Todos têm direito à protecção da saúde e o dever de a defender e promover." Assim diz a nossa Constituição no seu Artigo 64º...

Sílvia disse...

"tendencialmente gratuito" - alínea a)do ponto 2 do Artigo 64º da Constituição da República Portuguesa, 2001.

daniel disse...

A Sílvia já ouviu falar de Constituição da República em sentido informal?

Sílvia disse...

Caro Daniel,
a Lei Fundamental não pode sofrer desvios à vontade do freguês. Pense nisso...

Mª Lurdes Delgado disse...

Quererão explicar-me, porque é que um dos candidatos à PR, em cada intervenção exigia o respeito pela Constituição da República? E, se não for muita maçada, qual era o sentido?

Sílvia disse...

Cara MªLurdes Delgado,

como sabe,o PR é o representante máximo do Estado e este subordina-se à Constituição. O sentido a que se refere em cima, para mim, só poderia estar no amor que se dedica à defesa dos princípios fundamentais nela consagrados.

Mª Lurdes Delgado disse...

Cara Sílvia,
Como sempre clara e esclarecedora

Anónimo disse...

.
Fale-se de eutanásia