terça-feira, fevereiro 14, 2006

UM PAÍS ROSA


Peço desculpa: entretida com os cartoons de Maomé e com a nossa nova diplomacia, não reparei que, de há uns tempos para cá, o país mudou. As presidenciais, com todos os candidatos a zurzir na crise e no flagelo do desemprego, desapareceram e, com elas, desapareceu a crise. O desemprego, infelizmente, teima em subir mas, sabe-se lá porquê, deixou de ser um flagelo Como ainda agora ouvi, é um problema “estrutural” pelo qual o Governo não pode ser responsabilizado. É verdade que o eng. Sócrates, no delírio da campanha eleitoral, prometeu criar 150 mil postos de trabalho. Mas isso são águas que já lá vão e a legislatura, como se sabe, ainda agora vai a meio. Haja fé. E tudo se comporá! Entretanto, os salários “sobem” com menos retenção de IRS e embora na prática não subam, vão subindo entre aspas o que é uma magnífica notícia para qualquer agregado em dificuldades. A Opa do eng. Belmiro, sobretudo se for contrariada por uma contra-Opa, revela a surpreendente vitalidade da nossa economia, ainda há uns meses de rastos. Afinal, a confiança, esse bem inestimável, que o prof. Cavaco Silva nos oferecia, estava aí, ao virar da esquina, à espera de se manifestar. E a Segurança Social, falida e à beira do colapso, de repente, passou a dar lucro e é fonte das maiores alegrias. O país mudou, de facto. E nós a perdermos tempo com Maomé!
ccs

31 comentários:

cbs disse...

Mas até agora, grosso modo, ainda não vi o governo sócrates fazer nada que outro governo qualquer não fizesse pior.

incluindo na politica externa, que se armar em valente, como gostariam os que andam para aí a bramar (bramaram por razão contrária quando o Barroso foi ao Bush), expunha a maiores riscos todos portugueses em países islãmicos.

Paulo Pisco disse...

A isto pode-se chamar um país ciclotímico, ora andamos de rastos ora nas nuvens. Tudo normal graças a deus. Ou a Maomé, quem sabe.

Bart Simpson disse...

Alá é grande... e viva o Salgueiros!
Piri-piri no cu dos outros, para mim é refresco!

rb disse...

Bem esgalhada esta medida da redução da retenção do IRS. Que sentido fazia a maioria dos portugueses, trabalhadores por conta de outrém, ano a ano, receberem o reembolso do IRS. Lá para Agosto, normanlmente, lá vinha a bolada do IRS. Na prática funcionava quase como um empréstimo ao Estado. Este recebia das empresas o imposto e, invariavelmente, embora dependendo do volume de despesas, devolvê-lo-ia ao contribuinte, aí passado um ano ou mais. Para mim não estava certo, como costuma dizer-se, mais vale tê-lo deste lado, a se for a render, melhor ainda. Enfim esta medida era uma coisa tão simples e nunca ninguém se tinha lembrado de fazê-lo. É fantástico.

Anónimo disse...

Peço desculpa mas o termo falência aplica-se a empresa com passivo, actvio e capital. Quando o capital acaba a empresa abre falência. Na segurança social só com 100% de desempregados é que teremos colapso e bancarrota. O problema é que a segurança social DEPENDENTE DO ESTADO vive de políticos que mentem e os sistemas DEPENDENTES DP MERCADO com capital vivem de gestores que traficam (vide enron).

pipilota disse...

Parece-me uma estratégia inteligente, mesmo sendo totalmente ignorante na matéria. Concordo com o Atento. A esta bato palmas e faz-me ter esperança que afinal'isto', leia-se país, não está perdido! Estive em Madrid e vim deprimidita...aos nossos vizinhos a 'vidinha' corre-lhes bem! e isso sente-se no ar e nas pessoas.

Bic Laranja disse...

Será uma nova caricatura? Ou é liberdade de a imprensa desdizer todos os dias a verdade? Cumpts.

Anónimo disse...

Deus é grande e Sócrates é o seu Profreitas.

Anónimo disse...

Estimada Constança Cunha e Sá,

tu ;-)

não perdes tempo com o impotente
Maomé, tu perdes é o teu juízo.

Como disse a Pipilota?
"Estive em Madrid e vim deprimidita"

Tudo dito. Sócrates é como Maomé outro impotente.

O regime cubano só permite a 120.000 dos seus 11.300.000 queridos habitantes acesso à internet.

Triste PS, miserável Bloco de Esquerda.


A irmã de Constança Cunha e Sá

Devaneios Desintéricos disse...

É, grosso modo, o Portugal de sempre que acredita ver revitalizada a sua economia numa suspeita OPA: Investimento que não cria nenhuma riqueza adicional ao país nem tão pouco mais postos de trabalho. Apenas concentra mais do mesmo nos "suspeitos" do costume.

Anónimo disse...

Caros amigos,

numa análise pituitária sobre os comentários deste blogue, faço minhas estas citações em directo do nosso nobre 2º Canal sobre arte contemporânea (canal que agora é muito mais representativo da sua ontologia, porque se auto-define como ":2". Lembro que as tabernas também passaram a "cafés" ultimamente, e que neste passo vai toda a diferença no sentido da representação do ser sobre o seu espaço cognitivo, que pode ser um hiper-realismo sobre o seu próprio espaço-acção).

Vamos lá:

«as pedras que se tornam esculturas, são alguns dos exemplos destas surpreendentes instalações de arte contemporânea.»

«quatro artistas portugueses reflectiram sobre o espaço vazio que existia previamente ao tempo da exposição, e exploraram a sua inclusão nos objectos agora visíveis...»

«a pele é um suporte para a pintura exposta...»

«esta exposição é uma amostra das diferentes possibilidades da essência de um suporte...»

«as esculturas de (fulana tal) fazem referência a objectos distantes no tempo, que representam a superação da realidade...»

«nestas esculturas de objectos orgânicos, ouvimos referências a coisas distantes...»

Como na Grécia Antiga, «Aqui, estamos livres do pesadelo do corpo...»

«...e vamos chegar àquele ponto em que liberdade e destino estão perfeitamente conjuntos» (Agostinho da Silva)

«Homem porque é homem, terá sempre o ideal de apaziguar o seu corpo...» (ibidem)

«É preciso para apaziguar o seu corpo, que o Homem entenda que o Capitalismo existe... e superar isso: ser poeta do Mundo, porque o Mundo existe. A melhor maneira de ser revolucionário em Portugal é ser conservador do século XIII. Isso é aquilo que podemos chamar liberdade.» (very sick, ibidem)

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Excusez-moi o rol de citações, mas não consigo deixar de fazer o paralelo com os comentários deste blogue. Mas «O Futuro está por cumprir!» (ibidem)

«E as pessoas que têm tempo livre, talvez no futuro nunca mais trabalhem» (ahahah, sick)

"Meu amigo," -diz em diferido o excelso professor Agostinho- "Não sei descendemos dos um Zulus, mas estamos completamente enganados". "Isso", claro, "faz parte de uma geometria fractal", porque "...os portugueses descobriram que havia um Portugal na Península". (sick again).

No fundo, «Estamos, como todos, sobre a relva verde» (ultra sick)

em resumo, "Assim como regularmente acontece com as nações, com todas as suas variantes", oxalá o não-lugar cognitivo do comment deste blogue seja uma representação cósmica das variantes do conhecimento, na perspectiva da aquisição simbólica das realidades em permanente contradição com o seu ser mais íntimo, imperceptível, bem como com as matérias que definem o ser em todas as suas possibilidades de ruptura com o presente. No fundo, a rescisão com a representação instituída do real, que se define pela negação própria dos objectos da instalação. Aqui, cada palavra, é um universo particular de elementos precisos, que contrastam com as ambivalências subjectivas do quotidiano.

«Eu não acredito, tenho a quase a certeza».

Anónimo disse...

gostei sobretudo da "geometria do fractal"...

Anónimo disse...

O que é preciso é começar a nao andar todos os dias a deitar o país para baixo, a dizer que está tudo mal, muito bla bla bla e sempre a falar na cauda da europa e que a irlanda é que é magnifica e que o outro país é que sabe.

Um bocadinho de optimismo à oposiçao e menos politiquice de chacha.

Anónimo disse...

Bem observado. Se a Europa tem cauda, então somos os que estamos contentes!

Anónimo disse...

Pois é. No fundo, somos filhos de um grande Boi. A mãe era uma aldeã maluca.

Veliberalino disse...

A cauda da Europa é nossa!
É nossa!
É NOSSA!

Anónimo disse...

E temos mais profetas do apocalipse do que outro país qualquer. Sempre que estao na oposiçao o país está no caos. Até lutam para conseguir aumentar o número de desempregados. Ontem a satisfaçao como atiravam os números como politica.

Neste caso nao estamos na cauda da europa. Estamos na média.

Anónimo disse...

Quem é que já nao anda pelos cabelos com os profetas da cepa torta?

e-kanoklasta disse...

A cauda da Europa é nossa, ao menos vá de garantir essa posição de ranking, essa será garantida... e a Constança contente com ela, assim terá sempre assunto para desfolhar rosas, mas será, no caso dum governo de direita, que ela se pusesse a espremer laranjas ?

Sílvia disse...

Como anja trombeteira do apocalipse, também estou a ficar "deprimidita"...
Alá é grande, esperemos...

Vera Cymbron disse...

Entristece-me num país de "rosas" os espinhos manterem-se anónimos. Meus amigos dêem a cara, liberdade de expressão, podemos não concordar com CCS, como me acontece muitas vezes, mas ao menos não descemos ao ridiculo.

Esta do país rosal só pode ser piada... acordei estupidamente feliz com o meu mundo e dei umas boas gargalhadas, ignorei a tristeza de analisar a questão.

xatoo disse...

sempre quero ver até onde é que "aguentam" a caixa dos comentários aberta.
Tambem não adianta. O Sr.VPV pouco ou nenhum cartuxo passa aos comentadores.

Rui Martins disse...

Na verdade, estou agradavelmente surpreendido com o governo Sócrates. Não tem sido completamente isento de asneiras (tb estamos em Portugal!) mas tem governado bem e sem grandes erros.

O Desemprego é contudo o grande problema que falta encarar. Mas poderá ser encarado, num país onde o dogma liberal da redução da intervenção do Estado na economia se tornou quase unânime?

piscoiso disse...

A minha tia Cacilda, sempre que lhe falam do país, olha para um crucifixo que tem na sala, comprado a um antiquário.
Mal sabe ela que foi roubado num cemitério.

BrunoM disse...

Um espaço de "conversa" como este é de valor. Contudo acho que pode ser ainda melhor...
Imaginemos conversas construtivas... Em que não basta apontar defeitos, mas sugerir soluções!
Eu também sou contra o desemprego!
Mas... E como solucionar!?
Compramos submarinos? Ou abatemos sobreiros?

Manolo Heredia disse...

O populismo é uma atitude inteligente porque usa o princípio de que "olhos não veem, coração não sente!". De facto a pré-ocupação não interessa a ninguém! Só nos deviamos ocupar com as desgraças que nos cabem a nós e quando nos batem à porta. O estado de preocupado é deprimente e convida ao lachismo, à falta de produtividade e de inovação!
Por isso, Sr. Sócrates, engane-me que eu gosto! e o País agradece!

paulascharf disse...

Sem querer mudar de assunto, vocè acha que neste país se podem atingir orgasmos sucessivos?

Mª Lurdes Delgado disse...

Mal eu imaginava a trabalheira que o S. Valentim me ia dar. O que vale é que a virose me retém em casa.

Caro Pisco,
O nome que os "psis" dão a isso é doença bipolar. Confie, porque eu sou frequentadora assídua {só espacei as visitas no tempo do Pedro} e, com tantos conhecimentos adquiridos, acho que o especialista está quase a convidar-me para assistente. Claro que só receberei casos benignos como o meu.
Em parêntesis, daqui a pouco, há-de saltar alguém dizendo que já suspeitava que eu não regulava bem do miolo.

Cara Pipilota,
Há anos eu vinha deprimidita quando atravessava os Pirinéus, agora basta um salto a Madrid {eu sou a excepção do Porto: não faço compras em Vigo} ou, até a Figueres {dobrei lá o 2005} e venho de rastos.

Caro Atento,
Essa não me serve de nada, porque aqueles de quem eu falei anteriormente consigo {se não viu vá lá espreitar} acham a medida, senão genial, também não se lhes pode pedir tanto, pelo menos do mais elementar bom senso.

Caro Anonymous 2:45 AM,
Lembra-se quando o Público denunciou a pobreza extrema em Portugal, no tempo do saudoso Durão Barroso, transmutado em José Barroso, desde que nos revelou a sua faceta de profiteur? Pois é, nessa 6ªfeira o Expresso da Meia Noite, debateu o assunto e o Prof. Bruto da Costa, especialista, julgo eu, incontestado na matéria, para grande espanto da dr. Mª José Nogueira Pinto, à época a dirigir os destinos da Santa Casa da Misericórdia {confesso que também nós, cá de casa, ficámos estupefactos} disse que o milagre irlandês tinha agravado as situações de extrema pobreza. Não, não era cavar o fosso entre ricos e pobres, especialidade em que não estamos na cauda da Europa, mas sim a comandar o pelotão da frente. Do que se tratava era de um absoluto.

Com todos cordialmente,

Anónimo disse...

Bem, o pior que nos está a acontecer, a avaliar pelos comentadores deste tópico, é que isto está-se a transformar num país de conformadinhos. Os governos não podem fazer mais? Olhem, talvez possam dar, agora, um jeito aos pescadores da pesca da sardinha a quem querem tributar a miserável teca, indo buscar os meios, por exemplo, à baixa de ordenados como o do Governador do Banco de Portugal que, além das benesses, ganha quase o duplo dos seus homólogos americano e alemão.
Quanto ao desaparecimento dos candidatos derrotados, deixe-os lá... Não diziam eles que a presidência da república era pouco mais que uma inutilidade, onde o PR nada podia fazer? O pior mesmo é eles continuarem a andar por aí.

rb disse...

Cara CCS: sobre o desemprego, esse flagelo social que urge atalhar, se me permite, sugiro-lhe a leitura do editorial do público de hoje, de Paulo Ferreira, o qual subscrevo inteiramente e destaco aqui o seguinte frase: "... é tão demagógica a promessa de criação de postos de trabalho , com fez JS na corrida para S. Bento (o n.º era 150 mil), como a responsabilização do governo de turno pelas oposições pelo aumento das filas dos centros de emprego ..."

Anónimo disse...

Sabem o que eu espero da OPA da Sonae? É que acabe com este monopólio da PT. Neste momento estou com 1 Kbyte pago como se tivesse 2 Mbytes! e não tenho alternativa. Onde o Estado está metido é isto.