domingo, fevereiro 19, 2006

UM AVISO


Quem abre a televisão tem assistido dia a dia ao protesto geral contra a "racionalização" da rede escolar. Professores, pais, Juntas de Freguesia rebentam de indignação. O governo, Lisboa, a gente sem forma e figura humana que todo lo manda quer tirar ao bom povo a escola da aldeia e subtrair as criancinhas ao olho vigilante da família. Surpreendentemente, os manifestantes, quase sempre entre os 30 e os 40 anos, viveram toda a sua vida em democracia e assistiram, ou sofreram, a prodigiosa transformação do interior. Mas resistem à mudança, com um genuíno desespero, sem perceber que para os filhos uma escola com meia dúzia ou dúzia e meia de alunos, isolada e primitiva, só os pode prejudicar. Claro que o governo, como de costume, começou pelo fim, ou seja, começou a "racionalização" sem escolas modernas, que demonstrassem materialmente a superioridade do ensino e a diversidade da experiência de que os "transferidos" passariam a beneficiar. De qualquer maneira, é lógico supor que bastaria o alargamento do convívio, a especialização dos currículos e a maior competência dos professores para convencer os pais. Não bastou. A coisa foi vista como um insulto e uma imperdoável atropelo.
Sucedeu o mesmo com a "racionalização" da "rede de saúde". O ministério resolveu fechar umas dezenas ou centenas de "centros", que não serviam para nada ou quase nada e tinham um número ridículo de consultas, para concentrar e melhorar os meios de tratamento. Em princípio, esta pequena reforma parecia benéfica e urgente. Engano. Houve cenas de fúria, entre o melodrama e a violência, a que as Juntas de Freguesia também deram o seu autorizado contributo.
Políticos são políticos, estejam onde estejam, e quando chegou a vez delas, as Juntas por um pouco não morriam de raiva. Das 3.000 e tantas que existem por esse país fora, uma larga parte não é útil, nem justificável. Fundir as mais pequenas nas grandes traz vantagens de eficiência imediata e aumenta o poder negocial das que ficarem. Infelizmente, também aqui, não vale a pena argumentar. O bom povo quer ouvir. E porquê? Porque usa a Junta como posto médico, caixa de correio e pronto-socorro. Por causa da história, da tradição, da vizinhança. Numa palavra, por patriotismo. Por essa espécie patriotismo de paróquia que ainda em 1980 fazia com que as pessoas se matassem em nome da fronteira entre Vila Velha e Vila Meia.
Os retóricos da "inovação", de Cavaco a Sócrates, que se excitam com o Portugal da "Europa", do telemóvel e do computador, nunca medem bem o peso e a pertinácia do outro Portugal, do Portugal imóvel, arcaico, conservador, que detesta o governo como um inimigo e um ladrão e aspira principalmente a que o deixem em paz.
vpv
(publicado no Público)

48 comentários:

biscuit disse...

Desta vez concordo consigo. Excelente análise.

Anónimo disse...

Mas existe alguma diferença entre Portugal e o islão?

Anónimo disse...

Grande parte das freguesias, enquanto núcleos populacionais, com uma identidade definida, é anterior à propria nacionalidade. E é de supôr que haveria alguns protestos se se avançasse com o projecto de fundir Portugal na Espanha, em nome da eficiência e do poder negocial...

Mª Lurdes Delgado disse...

Está a esquecer-se daquele espectáculo com cobertura mediática nacional e que durou uma eternidade para baptizar uma barragem? Crestuma e Lever em pé de guerra, de forquilha na mão, até que alguém lúcido e principalmente receoso que a forquilha saltasse da mão associou Crestuma a Lever com um hífen.
Pois é, este Entre Douro e Minho é imperdível. Começámos com a Maria da Fonte, prosseguimos com os Avelinos, as Fátimas e os Majores e pelo meio aparece-nos o bem pacato hífen.

Sílvia disse...

Muito bem! Subscrevo a totalidade das suas palavras.
Por cá,em Arouca, compete aos nossos autarcas calcetarem caminhos e estradas para que transportes escolares decentes possam deslocar, com segurança, as nossos crianças e jovens para escolas dignas desse nome. Quanto aos pais dos alunos...acho que deveriam voltar à escola.

Marco disse...

Concordo com a sua análise. No entanto, espero que não transfiram os alunos para outras escolas igualmente "primitivas". Se formos realistas, claro que em alguns casos isso irá acontecer e assim obrigaremos alunos a ir para outra escola, longe de casa e da família, apenas para poupar dinheiro. Devia ser feito um estudo sobre as condições das escolas que se pretendem fechar, pesar as vantagens e desvantagens e não fazer as alterações a partir de um número.

pipilota disse...

Boa Silvia! e já agora que o transporte escolar não demore mais de 2 horas a recolher as crianças. Não sei o que é pior; se uma escola com 5 alunos ou um levantarem-se às 5 da manhã...pedagogicamente, claro.

Sílvia disse...

Cara Pipilota,
não é importante que a escola e o hospital fiquem perto de casa; o importante é ter bons acessos e transportes para chegar até eles.

Tita disse...

Cara Sílvia,
Porque Portugal está longe de ser uma planície (pelo menos aqui no Norte), os bons acessos e os bons transportes serão continuarão bastante limitados pelas condicionantes do terreno.

Mª Lurdes Delgado disse...

Se bem notaram a Sílvia pelo menos vive em Arouca. Aquilo é um bocdinho sinuoso, cheio de curva e contra-curva. E é no Norte.

Sílvia disse...

Sim, sou natural e residente em Arouca e sou professora da única escola secundária do concelho e, por isso, conheço muito bem a realidade das acessibilidades e transportes escolares, bem como as necessidades e os anseios dos jovens desta terra que teima em ser pobre e bela.

Anónimo disse...

há uma contradição na análise (se é que podemos falar em contradições depois das teses do abrupto) que tem a ver, justamente, com o facto de organizar manifestações ser mais do domínio dos "retóricos da inovação" do que do "portugal imóvel e arcaico". É que na verdade nestas manifestações os paizinhos e mãezinhas são os idiotas úteis. As manifestações são organizadas e manipuladas pelos professores que até chegam a dizer às famílias que se as crianças forem para as escolas maiores nas cidades e vilas são mais fáceis de apanhar para o consumo de drogas.

Real

Carlos Indico disse...

Mais uma vez o vpv depois de dizer horrores do governo, talvez a enésima,mas faz as pazes, estende a mão,..... como com o Sampaio, o Mário, o Eanes, .....todos.Agora o Sócrates, em breve o Cavaco.
Não é boa companhia.

pipilota disse...

Silvia, acho que a reforma da rede escolar fez todo o sentido, mas o que eu já não confio é na capacidade de organização das autarquias, para se responsabilizarem por um transporte escolar eficaz e digno.

Sílvia disse...

Cara Pipilota,
a autarquia tem o dever de proporcionar transporte seguro, confortável e gratuito às crianças e jovens que se encontrem na escolaridade obrigatória. Se, por acaso, o serviço de transporte escolar não obedecer aos requisitos básicos de eficácia e segurança, existe sempre a possibilidade de se denunciar o não cumprimento da lei, preferencialmente em órgãos de gestão e administração escolar do Ministério da Educação onde os representantes da autarquia também têm lugar e responsabilidades.

nelio de sousa disse...

Permita-se a discordância, pelo menos em parte. O fecho de uma escola até pode ser justificado, mas com que critérios? A racionalidade, a lógica e a economia não justificam tudo. O progresso é ambivalente: há aspectos negativos ou colaterais que não podem ser esquecidos.
O bem-estar e a felicidade das pessoas não se faz só com racionalidade e lógica. Fechar uma escola cegamente, sem atender ao seu contexto e particularidades, apenas porque é preciso fechar um certo número em todo o país, cheira a corte no investimento no sector da educação, acima de tudo, e não só ou sobretudo a vantagens pedagógicas. Afinal, não era suposto a educação ser a prioridade da sociedade - além do sustento e da sobrevivência? Ou será apenas prioridade na teoria - o betão parece continuar a sugar o grande investimento.
Além do mais, transformar as crianças em tecnocratas desde o berço pode ser ilusório. Os pais têm de decidir que ensino e educação querem para os filhos. Que pessoas querem que eles sejam. Porque não há um caminho único. É tudo apresentado como se não houvesse alternativa à opção do governo (será ela inquestionável?), como se não fosse possível um meio termo, como se a decisão do governo fosse o céu e a alternativa fosse o inferno ou o caos ou condenação ao atraso.
Por exemplo, o critério do insucesso escolar para encerrar uma escola pode ser enganador, porque a razão desse insucesso pode não dever-se ao factor do número reduzido de alunos. O número reduzido de alunos muitas vezes significa mais atenção do professor e mais oportunidades de sucesso. Estar numa escola grande (escola-fábrica ou escola-armazém em certos casos) e fazer muitos km diários em transportes não traz só vantagens. Nem é líquido até que as vantagens sejam maiores que as desvantagens. Depende das situações e contextos.
Saudações.

psac74 disse...

O engraçado disto é que o que está em causa não são as crianças (alunos), mas sim muitos outros factores!
Mas, na defesa dos argumentos, lá puxam os factores pedagógicos para o barulho, para defenderem os seus argumentos...

Viva a hipocrisia!!!

Mario Figueiredo disse...

Muito bem Nelio.

Existem uma série de condicionantes que já há muitos anos para cá -não- são analisados sob pretextos menos claros de ordem económica ou mesmo profundamente ambivalentes como o do sucesso escolar.

Cada vez que uma escola fecha porque "não é economicamente sustentável", "tem más condições" ou "sofre de um acentuado insucesso escolar", pergunto-me se realmente existiu algum cuidado nessa escolha.

Não ser economicamente viável é claramente um erro do governo que tem como por obrigação financiar o ensino público. É também um claro erro de análise uma vez que o ensino deve ser um dos objectivos da economia, e não o seu motor. Ter más condições é também indisculpável pelas mesmas razões acima. É dever do governo zelar pelo seu património. Enquanto que fechar uma escola por razões de insucesso escolar é no mínimo irónico, uma vez que não me parece que deslocar os alunos para mais longe não tenha outro efeito senão o de agravar esse insucesso. O que se consegue talvez é diluir os seus pobres resultados num meio muito mais vasto de uma escola maior e assim, enganar os números.

Não é fechando escolas que se resolve o problema do ensino. Quanto muito resolve-se o problema das contas públicas. Ora, quero acreditar que as contas públicas não fazem parte da reforma escolar.

Anónimo disse...

Se ouvirmos atentamente as palavras do Sr.PM, vemos que não resistem a uma análise mais profunda. Um dos argumentos que lhe ouvi brotar da boca foi - " Estas escolas têm de ser encerradas... os pais não compreendem que em escolas com menos de dez ou oito alunos, as crianças são excluídas. " Excluídas de quê ? Não seria até preferível termos escolas onde um professor se ocupasse de um número menor de crianças ? É que o problema não é este, todos o sabemos muito bem. Podíamos ter escolas excelentes com seis alunos, oito ou dez. A verdade é que, na maioria dos casos, são más. Quando vi no telejornal o que se passava com 19 alunos que foram deslocalizados compreendi as palavras do Sr.Ministro. Uma carrinha com capacidade para 10 pessoas transportava 19 miúdos para a nova escola " central ", sem cintos, tudo ao monte e fé em Deus. Assim já faz mais sentido a palavra " excluídas "; os miúdos são, no fundo, excluídos de terem segurança na estrada. E com algum azar serão exlcluídos do ensino... Se houver um acidente com estas crianças depois ouviremos o Ministro dizer - " Estão a ver agora, percebem o que eu queria dizer quando dizia que estes miúdos estão excluídos ? "
Por favor, não gozem com a nossa cara!!!

pipilota disse...

E quanto à alimentação? Nem todas as escolas do 1º ciclo públicas garantem as refeições. Em lisboa é assim, só as mais organizadas com uma boa associação de pais garantem certos serviços... ATL actividades extras curriculares e catering! como será numa escola recõndida em que as crianças vão por tradição e economia familiar almoçar a casa? E os outros que vêm de fora? Levam o farnel??As Dras dos gabinetes ministeriais que nunca tiveram os filhos em escolas públicas não atendem aos detalhes fazem o quotidiano das pessoas e são esses detalhes que transformam e melhoram ou não a qualidade de vida e de ensino. Receio que o MN e as Câmaras ( no 1º ciclo têm responsabilidades conjuntas) não tenha previsto e preparado as escolas receptoras.

San disse...

Claro que inevitavelmente algumas(provavelmente muitas)escolas terão de fechar com os prejuízos, sim, prejuízos pedagógicos e culturais que tal pressupõe (e só que não vive nas localidades em causa ou não as conhece, e não trabalhou em escolas de província é que pode fingir não perceber isso). As razões são económicas, fundamentalmente. Mas, como de costume,o problema são as alternativas. E essas, diz-nos o conhecimento da realidade e a prática do ME e dos municípios, costuma ser bem pior.

Anónimo disse...

Abrir a televisão? Nem consigo ler o resto...

Sílvia disse...

Era uma vez uma senhora professora efectiva na escola da aldeia onde residia e que um dia ficou sem alunos. Essa senhora professora nesta situação, teria que se deslocar para uma outra escola, da mesma freguesia, para continuar a exercer a sua profissão. Mas, o engenho e a arte da própria professora e de mais alguns obrigaram uma criança de seis anos de idade daquela aldeia a matricular-se no 1º ano, naquela escola, ilegalmente, para, assim,assegurarem o lugar da referida professora naquela escola, a um passo da porta de sua casa.
Este é apenas um caso concreto, mas há mais... muitos mais!

alice disse...

Estive mesmo agora na escola básica 2,3 Fernão Lopes de Lisboa que foi transferida do largo do Carmo para a rua das Chagas e ocupa as instalações da antiga David Mourão Ferreira que entretanto fechou. Acontece que substituiram uma escola secundária por uma 2,3 ciclo sem atenderem às necessidades específicas e fundamentais daquelas idades: não há espaço para o recreio e para a prática de Educação Física. Ninguém que eu conheça quer por lá os filhos...Mas não acaba aqui a confusão: a Fernão Lopes vai ser de novo transferida e fundida com a Passos Manuel que tem os requisitos mínimos para receber crianças dos 10 aos 12 anos...Confuso, não é? e o desperdício de tempo, energia e de dinheiro, com estas trapalhadas? E agora onde é que vou matricular a minha filha?

Anónimo disse...

Mas qual é o problema de as crianças se levantarem à cinco da manhã? Aprendem a ser homenzinhos, ora essa! Educação inglesa! E as crianças já passam demasiado tempo com os pais, é o que eu acho. Só os mimam! E concordo com a Silvia. Em tendo alguma coisa a tratar, tratam em reuniões de conselho, invocando a lei. Não andam em arruaças, com cartazes para as câmaras de televisão! Mas o povo é assim, o que é que se há-de fazer! Isto, o povo, é preciso ter uma paciência de job… Já tiveram uma “prodigiosa transformação do interiro”, como diz, e muito bem, o vpv, o que querem eles mais?

caramelo

Anónimo disse...

.
Apoiado

Miguel Sousa disse...

Esta discussão é absurda e confusa, esperava que servisse para colocar argumentos válidos, por exemplo, como fica a desertificação se fechamos as escolas desses locais? Esse neo-liberalismo provinciano apesar de ter muitos adeptos ´continua sem colher o suficiente. Já agora, acho que os jornaleiros deviam ter algum cuidado com as opiniões que dão, saber um pouco mais dos assuntos e demonstrarem imparcialidade..coisa que ñunca foi demonstrada pelo autor desta cronica..

Anónimo disse...

Portugal arcaico e conservador? E com muito peso, é?

Um País de cegos a caír da tripeça, que vai à final em casa e perde com a Grécia, é o que é...

Mas eles, esses jornaleiros incompetentes, serôdios e monoculares, sabem sempre tudo e sobretudo sabem que só têm sucesso enquanto Portugal for assim...

Vão para o Diabo que os carregue!

Anónimo disse...

VPV «esquece» que o Portugaleco triste, cobarde, feio, pobre e desprezível que temos - e que ele, aliás, não suportaria ver um dia evoluir! - não é o resultado dos liberais, dos progressistas, dos "mata-frades", dos anarquistas, dos jesuítas, dos sindicalistas, dos estrangeirados, dos maçons, dos republicanos, dos socialistas, dos democratas - ou mesmo dos comunistas (cujas costas não param de alargar desde 74) -, mas sim o aborto fedorento e inútil parido pelo concubinato obsceno e incestuoso da ICAR com a Casa de Bragança, salvo numa incubadora inglesa em segunda mão e amparado pelo capitalismo internacional, através dos lacaios de ocasião em todas as gerações. De D. Miguel a Cavaco, passando pelo Sidónio e o Salazar.

Haverá alguém que lhe diga isto na cara?

jose fiaes disse...

Admito que muitos erros têm sido cometidos, mas temos que respeitar a forma como Sócrates e o seu Governo têm posto mãos-à-obra,sem olhar a interesses instalados. Está no bom caminho, tem que ser apoiado por quem quiser que este País seja viável e se chegue aos demais parceiros Europeus. Não podemos ser toda a vida os parentes pobres.
Veja-se como não se deixa intimidar pelas corporações da justiça, em especial pelos juízes, que sempre se consideraram uma classe de altos privilégios que teimam em manter; também no ensino, os professores habituaram-se ao "bem-bom" com altos salários e pouco trabalho, é preciso mexer e isso está a acontecer.

Sílvia disse...

Caro caramelo,
ironia à parte, mas a verdade é que os pais e encarregados de educação ainda não estão familiarizados com o novo modelo de gestão e administração das escolas públicas e, por isso, talvez ainda não tenham percebido a força que na realidade têm na defesa dos interesses e aspirações dos seus educandos. A luta por uma escola pública de qualidade deve, por princípio, nascer de uma vontade política e da conjugação de esforços dos intervenientes da comunidade educativa de cada escola, nomeadamente a autarquia, associação de pais, etc. Não aprecio "Patuleias", mas se um dia, e em último caso, for necessário defender à força os interesses dos meus alunos, obviamente que estarei na primeira fila, armada até aos dentes, pró que der e vier. Viva a Maria da Fonte!

Anónimo disse...

Pois, pois, Silvia, a vontade politica e de conjugação de esforços dos intervenientes e tal.

caramelo

Mª Lurdes Delgado disse...

Ó Sílvia essa do Viva a Maria da Fonte! não faz o seu estilo, pois não? Ou então eu sou uma péssima avaliadora de estilos.

Davide E. Figueiredo disse...

Eu estudei numa escola primária totalmente isolada. Só tinha um colega da minha idade mas que sofria de trissomia 21 pelo que as aulas eram dadas num ritmo mais lento.
Quando cheguei ao ciclo preparatório foi um bocado um choque porque ainda só tinha aprendido a picotar bonecos e fazer cadeirinhas com molas de roupa.

Anónimo disse...

E as leis, claro, esquecia-me das leis. Mas qual força, afinal, Silvia? A força dos debates nas reuniões do conselho? E o vpv com estas suas análises geométricas muito arrumadinhas, muito sistemáticas, muito pronto a servir, sobre o que ele chama povo das aldeias e esta maçada toda que nos entra pelos telejornais, esta gritaria, estes miúdos com cartazes, estes presidentes das juntas, este pó... que ferro, como diriam os personagens do Eça...

caramelo

DNG disse...

excelente texto senhor pulido.

dng

Sílvia disse...

Caramelo,
posso estar enganada, mas acho que a Lei existe para proteger os mais fracos.
A força está na coragem determinada de exigir, em sede própria, o cumprimento da Lei. Obviamente que isso não é para qualquer caramelo...

Sílvia disse...

Maria de Lurdes,
eu também sou uma "Maria da Fonte"...

Mª Lurdes Delgado disse...

Sílvia,
Não acredito. Eu tenho-a lido e não acredito.

Sílvia disse...

Maria de Lurdes,
no fundo, eu sou uma rapariga do campo, apaixonada pela liberdade do vento que me sacode.

Anónimo disse...

Silvia, mas de que lei é que está a falar, afinal? que lei é que os pais podem invocar nas tais reuniões para reinvidicar melhores condições de vida para os seus filhos? É politica, Silvia! são opções politicas! e a lei também resulta de opções politicas, não apenas técnicas. Quando fala, a propósito de transporte seguro e eficaz, não sei bem do que está a falar. No aspecto da segurança, entendo que as carrinhas devem ter cintos de segurança, por exemplo. E mais? O que é, para o efeito, a eficácia? inclui também fazer melhores estradas e encurtar distâncias para as crianças não terem de se levantar às seis da manhã no Inverno?

caramelo

Sílvia disse...

Caro Caramelo,
neste momento eu estou na sala de estudo da minha escola, rodeada de miúdos óptimos que requerem a minha atenção. Mais logo, à tarde, eu respondo-lhe.
Tenha um bom dia.
Sílvia Carmo

Mª Lurdes Delgado disse...

Sílvia,
a Maria da Fonte não tinha as suas paixões. A histeria obscurantista era-lhe mais familiar.

Sílvia disse...

Caramelo,
existe, necessariamente, uma política de educação para a escola pública que obriga cada estabelecimento de ensino a definir o seu projecto educativo, o qual deve ser divulgado junto da respectiva comunidade educativa. Os pais e encarregados de educação têm o direito e o dever de conhecer o projecto educativo da escola do seu educando e de participar activamente na sua realização e avaliação periódica. Problemas com os transportes escolares, cantina, horários, turmas, etc., devem ser resolvidos na escola, em órgãos próprios, com a imprescindível colaboração dos representantes dos pais. Caso isso não se venha a verificar, convém dar a conhecer, por escrito, à respectiva Direcção Regional de Educação as irregularidades detectadas. Se a coisa não se resolver ou demorar a resolver, estou certa de que os pais arranjarão sempre uma forma criativa para reinvindicarem aquilo a que têm direito.
Quanto aos transportes escolares, compete à autarquia contratar o serviço de transporte, através de concurso público,para o qual há regras rigorosas de qualidade e segurança a cumprir. É evidente que o serviço de transporte dos alunos tem que existir de acordo com as necessidades pedagógicas dos alunos e nunca o contrário.

Anónimo disse...

Silvia, já conheço a lei. Basta ir à net, ao site do Diário da República, ou ao site do Ministério (que, ao contrário do primeiro, é de graça). Mas obrigado na mesma.

caramelo

Sílvia disse...

Boa, Caramelo! Olhe, se em cada escola houvesse meia dúzia de pais assim tão interessados, isto dava uma volta...Ó se dava!...

Anónimo disse...

"...o Portugal imóvel, arcaico, conservador, que detesta o governo como um inimigo e um ladrão e aspira principalmente a que o deixem em paz."

Que detesta o fisco mas pede privilégio, subsídio ou auxílio,
que abomina a política social, mas se queixa do crime,
que quer paz, mas chateia toda a gente.

Anónimo disse...

Viva Brutogal!