terça-feira, fevereiro 14, 2006

PHILIP LARKIN (1922-1985)

philip lark
Ontem, fez 20 anos que morreu Philip Larkin. Só dei por isso à noite, com o noticiário da Sky. Em Portugal pouco gente conhece Larkin: e é pena num país que não deixou ainda de confundir a dicção alta, ornamental e nobre com a dicção poética. Larkin limpou esse lirismo morto. Coloquial, cínico, vulgar e sempre em tom menor, foi um herói da minha geração. Um exemplo:

This be verse

They fuck you up, your mum and dad
They may not mean to, but they do.
They fill you with the faults they had
and add some extra, just for you.

But they were fucked up in their turn
By fools in old style hats and coats,
Who half the time were soppy-stern
And half at one another's throats.

Man hands on misery to man.
It deepens like a coastal shelf.
Get out as early as you can,
and don't have any kids yourself
.
vpv

23 comentários:

Anónimo disse...

portugal só se interessa pela dicção da mediocridade.

antónio morais

Anónimo disse...

Isso cantado a ritmo de hip-hop era um sucesso.
Basta ter a f -word para ter ritmo

S.José disse...

Imensa gente conhece Larkin! Dizer que "em Portugal pouca gente conhece Larkin" é quase uma afirmação religiosa. Baseia-se em quê? Numa impressão?

s.josé disse...

(esqueci-me)

Pedro M disse...

Momento de fraqueza sua, Vasco. Esse texto confunde cinismo com cobardia. E o resultado desses "pensadores" é observado no Reino Unido de hoje, onde legalmente se procura cada vez mais retirar o poder e as responsabilidades dos pais educarem os seus filhos, deixando essa tarefa ao Estado e ao políticamente correcto.
Poema destrutivo, decadente e destruidor de instituições e valores que levaram milhares de anos a evoluir.
Só destroi, apenas para que das ruínas torne a surgir tudo de novo (para que se descubra o mesmo caminho) com todo o sofrimento que isso acarreta.

Leia Dalrymple (Theodore), Vasco.

(É para mim uma honra dirigir-me a si pelo primeiro nome. Não me leve a mal.)

unreconstructed disse...

Ao dono do blogue: eu também gosto de Larkin, e para além disso imagino-o culto (a si) pelo que lhe peço que se dispense de partilhar connosco as suas emoções, literárias ou outras, porque não só a malta vem aqui só p'rá política como este blogue se arrisca ainda a ficar perigosamente parecido com o Abrupto, avec son air un tout petit peu parvenu.

piscoiso disse...

Um poema bem arrancado às tripas.
A minha tia Cláudia ia tendo um orgasmo.

Anónimo disse...

Há mais gente a conhecer Larkin, VPV, do que a sua filosofia imagina. Mas nem é grande coisa esse Larkin. É mais o vento que a substância. Horácio, Lisboa

Anónimo disse...

Finalmente, um post sobre coisas importantes!

Anónimo disse...

Se algum dia tiver um filho chamo-lhe Horácio Rotto.

Viva o pré-romantismo!

Anónimo disse...

Larkin ?
Este vpv tem uma cóltura .....
O que ele vai buscar ?!?!?!
Somos una tótós.
Sé ele é que sabe, conhece, discute.
O Larkin.
Quem não conhece ?
E os poemas ?
Brilhantes

Anónimo disse...

Bravo VPV.O que vale "a espuma" politica dos dias contra a poesia ou literatura?
De repente e noutro contexto este poema faz-me lembrar o H.Bazin.
BIS!

piscoiso disse...

"Eu sempre fui de direita. Eu suponho que identifico a direita com certas virtudes e a esquerda com certos vícios. Tudo muito injusto, sem dúvida. Parcimónia, trabalho árduo, reverência, desejo de preservar - estas são as virtudes, caso você queira saber; e, por outro lado, preguiça, cobiça e traição..." (Philip Larkin)

A prosa é mais explícita.

RS disse...

Imagino vpv a ouvir Phillip Larkin via The Wall, dos Pink Floyd...

Is it possible?

:)

A.de Anónimo disse...

VPV: Leia um bocadinho de Bucowski que também é capaz de gostar!!

a.de anónimo disse...

Bukowski...desculpem-me o erro..

pataphisico_azul disse...

Era alguma coisa ao Sousa Franco?

Mª Lurdes Delgado disse...

Para enorme decepção de um anonymous que vagueia por aqui, não comento. Falta-me cultura anglo-saxónica.

IAS disse...

Larkin morreu a 2 de Dezembro de 1985, não a 13 de Fevereiro de 1986. De qualquer forma, obrigado por me fazer lembrar tão genial poema.

Anónimo disse...

Em tudo muito parecido co o Luís Pacheco...

Anónimo disse...

Eu conheço Larkin... e esse é um dos meus poemas preferidos!! :)

Míope disse...

Desconhecia Philip Larkin, mas achei este poema construtivo. O problema não é ter ou não ter filhos, mas antes tê-los ou não tê-los sem que se trate duma escolha pensada. Ao explorar uma das opções, o poema ajuda a pensar e escolher. Quem sabe se não seria essa mesma a intenção do poeta: mais do que arregimentar, expor um ponto de vista sombrio e incómodo que ajude sobretudo quem tem filhos a fazê-lo por opção consciente. O mesmo se poderia aplicar a muito do que Álvaro de Campos escreveu: ler "Se te queres matar, por que não te queres matar?" num esforço de contra-argumentação de cada verso pode no fundo constituir uma boa vacina contra a tentação do suicídio. Sem dúvida que escrever poemas assim é, em certa medida, brincar com o fogo. Ainda assim, é bom que haja quem aborde assuntos destes sem pèzinhos de lã.

o cão entre as nádegas disse...

tens toda a razão com essa cena do hip hop.já prevejo um disco do sam the kid com letras do Larkin