terça-feira, fevereiro 21, 2006

A OPOSIÇÃO


Há muitos anos que a oposição em Portugal é uma ficção democrática sem grande valor. A opinião pública despreza-a. O Parlamento ignora-a. E o país lembra-se dela, em momentos particulares, quando se quer vingar do Governo e dos “vigaristas” que o enganaram. Até lá, a oposição vegeta, entregue a meia dúzia de entusiastas que se arrastam pela paisagem, sem meios, sem apoios e sem vozes “autorizadas” que se dignem dar a cara por uma alternativa credível.
Ao contrário do que a expressão indica, o líder da oposição não é um líder: é uma figura ornamental do regime, uma sombra esbatida do primeiro-ministro, com um estatuto diminuído e um raio de acção diminuto. A Assembleia da República, o seu lugar por excelência, é vista pelo país (e pelos partidos) como um depósito de inutilidades avulsas que não sabem o que hão-de fazer na vida. Para cúmulo, o regimento não ajuda: os debates mensais com o Governo são feitos para o primeiro-ministro brilhar e não para a oposição debater qualquer política governamental.
Os governos-sombra acabam inevitavelmente na sombra: as caras são poucas, os porta-vozes têm mais que fazer e as venerandas figuras que cederam generosamente o seu nome não têm disponibilidade para criticar o Governo. Num país pequeno, onde as oportunidades são escassas, a sociedade civil (esse sonho de todos os renovadores) prefere ter boas relações com ministros e com secretários de Estado a dar apoio a uma oposição que tem apenas a oferecer um futuro remoto e nada prometedor.
O resto, as diferenças ideológicas e as alternativas políticas, não existe: a crise económica não oferece muitas saídas e o eleitorado não se revê em grandes reformas. O resultado salta à vista: um discurso cuidadoso que não assusta, nem compromete e que rende votos no famoso eleitorado do centro. Foi assim que Sócrates ganhou. E foi também assim que Cavaco Silva chegou a Belém. Perante isto e para responder ao Paulo Gorjão: tenho sérias dúvidas de que a oposição, apesar das condições adversas, pudesse ter feito melhor. Mesmo sem Santana Lopes!
ccs

45 comentários:

paulof disse...

Ou seja (e concordando também com a sua pertinente análise )estamos perante um problema já não de partidos, mas do Regime em si...

Anónimo disse...

Esta opinião da Constança tem muito que se lhe diga... não vamos cá atirar areia pós olhos da malta:
Então e quando tínhamos o Marcelo no PSD e o Portas no CDS, os xuxas não se esgroviavam todos?
E o próprio Louçã não conseguia irritar permanentemente o Durão, manchando as suas prestações?
Isso da figura ornamental é quando os líderes são fracos. O que é o caso actual do Marques Mendes e do Ribeiro e Castro. O resto é conversa.

Carlos Malmoro disse...

Penso que após o 25 de abril, sempre que existe mudança na cor política do governo, ela acontece não por mérito da oposição, mas derivada do voto de protesto contra o Governo vigente.

Jose Sarney disse...

Ehhhh pá, começo a desconfiar dessa "fixação" no Flopes!

O homem que disse que abandona a política após um "gag" do João Baião, no célebre (ao tempo) "Big Show Sic", até parece que não foi eleito para a Câmara "provinciana" da Figueira da Foz, e da "elitista" Lisboa!

Quem é que o pôs lá? E não o colocaram lá, depois de ele aparecer "n" vezes em revistas cor de rosa, de aparecer no "cruzeiro da Kapital", ao pé da "pitinha", de "fita na testa".

Toda a gente, bateu palmas. Votaram nele. E agora, lá porque governou QUATRO meses, e depois o Jorge "Dorminhoco", fez um Golpe de Estado Constitucional, não por demitir o governo, mas por dissolver uma maioria democráticamente eleita!

Agora, o Flopes, que qualquer um com "bom senso" (em Portugal espécie muitíssimo rara), via que era uma abécula, que pelos vistos deve ter dotes "na horizontal", foi o Monstro do período 2000-2006?

Por amor de Deus!

Arranjem outros "bodes expiatórios". Até podem começar pelo Cavaco, que constituiu o MONSTRO, que é hoje a FUNÇÃO PÚBLICA.

E o Guterres, que se baldou, logo ao primeiro obstáculo!

Tenham dó!

Vão dar banho ao bobby e ao tareco!

Jose Sarney disse...

"mas do Regime em si... "

É evidente. A III República, que se baseia na Constituição de 1976, esvaziou-se. Não tem solução. Não se auto-renova!

O povo tem que vir para a rua, para ver se os "off-shores" perdem um pouco de "share"....

xatoo disse...

"a oposição arrasta-se pela paisagem"
pudera!
senão há nada para roubar, dissolve-se (temporáriamente) a Associação de Malfeitores.
(é válido tanto para um lado como para outro - pelo menos dentro do paradigma vigente nos ultimos 30 anos)
E se mudássemos de paradigma para variar?

xatoo disse...

Jose Sarney disse...
já morreu o homem que desmontou esse mito do Flopes ter ganho a CML - ganhou por 800 votos, depois que foi roubada uma urna de uma junta de freguesia. O caso chegou a tribunal, mas o autor da acção judicial que coligiu as provas entretanto faleceu.

Américo de Sousa disse...

Concordando embora com muito do que CCS descreve sobre as sucessivas oposições e o próprio modo como tem funcionado o Parlamento português, discordo, no entanto, da resposta que, já no final, dá ao Paulo Gorjão. É que, ao contrário, tenho sérias dúvidas de que outra qualquer oposição pudesse ter feito pior do que esta pois esta, muito simplesmente, não tem existido. Aliás, nunca se viu um Primeiro-Ministro passear tão descontraidamente pelos debates mensais e isso, seguramente, que não ocorre apenas por mérito seu. Teve a "sorte" de lhe calhar um inofensivo e tecnicamente muito impreparado Marques Mendes. Foi o que foi.

Mário Figueiredo disse...

A oposição é realmente fraca. Acontece porém que O PSD vêm de uma crisa profunda provocada pelo vazio deixado pela saída do Barroso. Marques Mendes é um líder fraco (quantas vezes desejem Ferreira Leite). Julgo, escolhido única e exclusivamente para preencher um período de 3 anos de forma a preparar uma figura muito mais poderosa para o ano que anteceder às eleições. Figura essa que, ou muito me engano, ou já a referi neste parágrafo.

José Ribeiro e Castro prometeu no congresso. Mas foi tudo fogo de vista. Fraco, fraquinho. Ele, como todo o CDS, é vítima de um Paulo Portas que, na minha opinião, leu muito para além do resultado das últimas eleições legislativas. Onde ele, Ministro PP, viu uma esmagadora derrota, eu vi apenas a penalização de um bom jogador pela má performance de toda a equipa. Seria hoje talves o líder mais forte da oposição.

...

Existe a meu ver uma tendência algo recente e pouco saudável de se elegerem lideres fracos durante os periodos de oposição. A ideia seja talvez abrir caminho para as próximas eleições de formar a não desgastar uma qualquer figura mais capaz. No entanto acho isto pouco saudável:

- Gera a apatia na assembleia e possibilita a tomada de medidas com pouca ou nenhuma discussão pública.

- O governo "passeia-se" na agenda política do país, enquanto que a oposição pouco ou nenhum trabalho desenvolve, dando ao primeiro todo o protagonismo.

- As decisões, políticas ou medidas tomadas durante o periodo de governação (boas ou más) são quase todas da responsabilidade dos Governos. Não há actuação da oposição. Por outras palavras a oposição não se esforça por convencer o Governo.

- Abre caminho para governos de 8 anos que, fortalecidos pelo protagonismo oferecido de bandeja, têm poucas dificuldades em derrotar oposições até então anémicas.

Mario Figueiredo disse...

O meu post anterior contém alguns erros gramaticais imperdoáveis. Peço desculpa e escondo-me no adiantado da hora e no dia de ... que tive.

RPM disse...

Com V/ licença deixo aqui umas breves notas sem qqr pretensão "gorjónica" que diz o óbvio e passa a vida a blogar como quem anda à volta da nora: cita os colunistas de serviço, uns notáveis fora de portas conseguindo, uns papers, uns docs, enfim, multiplica proezas: um blog que mais parece uma bussola fragmentada pelo mastro do navio.

Mas o essencial creio que foi dito pela narrativa de CCS descrevendo realisticamente as relações poder-oposição.É sp difícil e doloroso para a oposição montar-se no cavalo em andamento, até num cavalo de pau de mais pequeno porte..

Parece-me, segundo reza a história, que o "opositor" leva sempre mais de um ano até cavalgar a onda do poder, mormente com M. Mendes - que não obstante a estatura pode ser elástico no salto. Isto apesar dos debates da AR não lhe terem sido mto favoráveis, e até já teve o seu PIB à la Guterres.

Mas uma coisa é certa: ninguém esperaria que aquele que lia o teleponto - o mesmo que o prof. Martelo acusava de ser um néscio da política sem capacidade de comunicação política veio a revelar-se, afinal, um guerrilheiro da palavra, esgrime bem os argumentos, é implacável com os opositores, ofende-os em directo e em tempo real, etc, etc... Até Cavaco se surpreendeu com ele, Marcelo também - embora oculte essa surpresa.

Quem tiver dúvidas de que neste momento não é possíel fazer mais e melhor na oposição feche os olhinhos por uns instantes, e imagine-se no papel de M. Mendes e depois verifique a figura que faria nesse role-playing.

É o António Borges que faria boa oposição? É a fada Ferreira Leite? É o Meneses de Gaia? Por amor de deus..

O Borges era trucidado quando deixasse de falar de números e de estatísiticas; a Manela F. Leite era trucidade por ela própria e pela sua cosmovisão de bairro falando e repisando o orçamento, pois tb n sabe falar de mais nada; o Meneses punha a AR a chorar entre sulistas, nortistas e oportunistas - que seria mais uma 3ª categoria emergente..

De tudo acho que o M. Mendes está a portar-se mto bem: é sereno, é resistente e não muda nem claudica ante as dificuldades. Sabe falar e comunicar. Tem um método claro, revela objectivos, veremos se tem uma estratégia de fundo, sabendo antecipadamente que a nebulosa da globalização anula qqr estratégica política, empresarial, pessoal.. É que hoje a contingência, a incerteza, o risco, são, de facto, as principais caracterísiticas da conjuntura, e querer governar sem atender a estes múltiplas contigências é incorrer no maior erro de casting político post-25 de Abril, ié, é multiplicar o chamado efeito S. Lopes na política à portuguesa. E isso, certamente, ninguém de bom senso quererá.

MM terá de fazer uns ajustes internamente, cmo é óbvio, designadamente na Distrital de Lx, doutro modo ficará ainda mais prisioneiro do que Valentim, Isaltino e conexos..É que a ética não pode ser só aplicada selectivamente ao Norte... tem de ser estendida à Kapital onde pairam suspeições de colarinho preto, branco, perdão.

Bom, eu n vou aqui citar o sr, Gorjão pq nunca encontro nada no seu blog que valha a pena citar, ele que me desculpe este elogio, mas que tem um nome sonante lá isso tem.

Mas isso pode suceder a qqr um de nós, basta acedermos a uma cisterna e gritar por algo, e logo ouviremos o nosso nome num tremendo eco. Uma vez experimentei fazer isso dentro do Castelo de Marvão e disseram-me que o meu nome se ouviu em Espanha)))) Foi aí que tive a consciência da importância do m/ nome.

Mais uns meses e Sócrates perde o charme, tudo o que tem acção sofre um desgaste, e depois é a lei da vida a funcionar, a crista cai, os analistas mudam as pilhas e esquecem-se rapidamente dos erros de vaticínio que formularam, etc, etc. Outras esperanças emergem, outros "Borges" pontificam, outros "gorjões" inundam a blogsfera com um balde cheio de nadas, e assim flui o mundo - por entre bloguices que depois nenhuma (cor)relação têm com a realidade - ela própria sempre a mudar, como diria o Luís Vaz..

Mas ao menos com MMendes pode-se n encontrar um rasgo estonteante que façam dele um líder carismático em ascenção meteórica (que era isso que o PSD queria - pois trata-se dum partido sem paciência e repleto de ejaculações políticas precoces), mas pelo menos MM n suscita vergonha nos apoiantes e simpatizantes no PSD.

O mesmo já não se poderá afirmar com o governo "provisório" legado pelo sr. Barroso ao sr. Santana e qdo aquele deixou o país a arder em nome dum capricho pessoal, que transformou Portugal numa monarquia constitucional investida pelo PR que meses depois acaba por o demitir - a pretexto do sr. H. Chaves, lembram-se!?

Estes pretextos são tramados. Aqui há dias uns cromos mais radicais e situados noutras latitudes tb resolveram implicar com o Ocidente europeu a propósito dum pretexto, desta vez parece que por causa duns cartoons.

No meu caso, não aprecio mto BD.
Boa noite que já se faz tarde
RpM

Anónimo disse...

Não há nada pior do que os "mornos"....

www.ilhadautopia.blogspot.com disse...

A CCS tem um fetiche escondido com o Pedro Santana Lopes, sempre a facadinha do costume...deve estar a precisar...
www.ilhadautopia.blogspot.com

RC disse...

Eu nunca hei-de perceber porque é que em Portugal se diz sempre que a oposição tem que funcionar como uma força de bloqueia e de crítica aos sucessivos governos! Será que os partidos não recebem os votos dos eleitores para trabalharem em conjunto pelo bem do país? Ou será que os recebem para trabalharem contra aquele que for eleito!

Elucidem-me se conseguirem!

Cumprimentos

Anónimo disse...

A sra CCS sempre a tentar animar as hoste da direita a ser mais espectACULARES.

nEM QUE SEJA CRITICANDO-OS!

eSPECTÁCULO PARA O POVO.

xatoo disse...

mornos, cinzentos e grunhos

Rui Martins disse...

O fenómeno não é estritamente português, mas repete-se por toda a Europa e até nos EUA... Os índices de apoio a Bush e aos seus neocons são hoje os mais baixcos de sempre, e os Democratos continuam divididos e desorientados sem conseguirem fazer uma oposição eficaz e concertada, ainda sofrendo os efeitos da derrota Kerry. Apesar do Mau governo, a oposição americana (má) arriscasse a ganhar as próximas presidenciais, não pela suas virtudes endógenas, mas pelo simples, mas poderoso, "voto de protesto". Porque é que cá havia de ser diferente?

AM disse...

Quer a CCS quer o VPV estão fartinhos de saber que nisto de quem está no poder e de quem está na oposição, de quem sobe e quem desce, e quando e como mudam as cadeiras, tem muito mais a ver com a realidade vistual que ELES (a CCS, o VPV e todos os outros ccs e vpvs que por aí andam) criam, imaginam, inventam e vendem, como se fosse real, a mando dos seus patrões (os Balsemões, os Pais do Amaral, os Oliveiras e os que a gente nem sonha).
Quem fez os Santanas e os Sócrates, quem fez o execrável Barroso, e o fantasmagórico Cavaco,quem decidiu que Marques Mendes não vende minutos de TV, mas ainda não está certo que Menezes ganhe o casting.
Quem empurrou Alegre para a ribalta, quem nos vendeu os Valentins, os Avelinos, as Fátimas os Isaltinos, os Jardins e os Rios?

Tenham vergonha
AMNM

paulof disse...

Caro AMNM:

Brilhante, um tiro certeiro na Mouche o seu post aqui acima: é por isso que quem é verdadeiramente democrata e percebe como as coisas estão montadas, rapidamente se apercebe que está montada de novo um regime de ditadura, pior porque mais disfarçada, onde o pensamento ( logo, o voto!) do povo são condicionados para pensar assim ou assado e votar neste(s) ou naquele(s).

Mas claro, como se associou, repetida e marteladamente, censura ao outro regime do tempo da velha senhora ai daquele que disser " que falta faz a censura" - com uma comissão à sèria nomeada pelos principais partidos, para defender o povo das manipulações.

Claro que convém portanto que o povo não se aperceba deste esquema, caso contrário este deixa de funcionar, e se deixar de funcionar lá se vão as mordomias e regalias da incompetente nomenklatura e dos seus serviçais corruptos...

AM disse...

Caro Paulof

Obrigado pelo seu comentário :)
Estou habituado, quer no SEDE (onde tento "semear"), quer nas caixas de comentários que parasito, a levar logo bojarda ou (pior) a ser ignorado.
Elogios ou até simples concordância é raríssimo, mas que sabe bem, sabe :)

Mais uma vez obrigado e, quando puder ou lhe apetecer, visite-me(nos)

AMNM

BrunoM disse...

Eis um conto de fadas:
Era uma vez um país (de nome X) onde os deputados (independentemente das suas cores)trabalhavam em conjunto para o objectivo que é a qualidade de vida dos habitantes de X. Pois as suas motivações políticas não tinham base em fama, prestígio e dinheiro para o próprio bolso...
Um país onde existe diálogo... E políticas construtivas e oposições ainda mais construtivas... Onde a mudança de estatuto (governo vs. oposição) não significa mudança de opiniões (como a OTA e o TGV)...
Onde os interesses financeiros não influênciam (e muito menos ditam) as políticas...
E viviam todos felizes para sempre (ou caso não o fossem... a culpa não seria dos políticos...)

Anónimo disse...

COMO EU CONCORDO COM O AMNM DAS 10.56!
SÓ FALTA MESMO ACRESCENTAR: POBRE PAÍS O NOSSO, OU O MEU, QUE TAL GENTE PROMOVE.

Omar Khayyam disse...

Basta estar atento aos gastos de campanha e às pantagruélicas somas que são necessárias para fazer política em Portugal para se saber com uma exactidão milimétrica que os partidos não são independentes, que as lideranças não são democráticas e que os governos têm compromissos que desfazem quaisquer veleidades de governar para o povo. O resto é palha grossa para dentes estragados.

Mª Lurdes Delgado disse...

Amnm,
Quando o Guterres fugiu, inaugurando um belo período em que era fino fugir, surgiu o nome de um sr. Prof. António Borges, que acredito já fosse muito conhecido nos meios académicos e nos da alta finança e , concedo, em Avis onde parece que era presidente da AM. O Expresso do inenarrável candidato ao Nobel, José António Saraiva, lá iniciou uma bela operação de marketing e todas as semanas, fatal como o destino, levávamos com este supra sumo, de que eu nunca tinha ouvido falar, apesar de ler o Público. Parece que o produto era apetecível, porque, em pouco tempo, os diários de referência também cavalgaram a onda. Claro que teve imediatamente direito a entrevista no programa da SICN da Mª João Avillez, onde se mostrou modesto: -“ não, a presidência do PSD é muito interessante, mas falta-me tarimba partidária” e, lá revelou que era pai de uns jovens que ao que parece, queriam estudar em Portugal, mas a dificuldade era concentrá-los no objectivo, porque a Pátria oferecia trabalho diversificado e gratificante aos ditos jovens. A entrevistadora, simpatizante confessa do PSD, não conseguiu esconder a estupefacção e rematou: “ Ai, sim! Interessante”. Eu mais prosaicamente engasguei-me. Estávamos em pleno período da” tanga”, eu tinha uma desempregada qualificada dentro de casa e vinha este iluminado dizer que bastava dar um pontapé numa pedra para surgir o trabalhozinho.
Pois é, lançado pelos media cá temos, ou melhor, lá têm essa reserva de competência, sapiência e faro político para o que der e vier. Um bocadinho de tarimba “e é já a seguir”.

Vera Cymbron disse...

Srª Maria Delgado, os bons não se querem chatear . final, paragrafo.

piscoiso disse...

"He has been a consultant to the US Electric Power Research Institute, US Treasury Department, OECD and the Portuguese government. He was a board member of Citibank Portugal, Petrogal-Petroleos de Portugal, Vista Alegre Group, Paribas, Sonae and Cimpor-Cimentos de Portugal. He is currently on the Boards of Jerónimo Martins and Sonae.com and is a member of the Supervisory Board of CNP Assurances. He chairs the Audit Committees of Banco Santander Portugal and Banco Santander de Negocios Portugal. He is on the Advisory Boards of several European and US corporations and foundations and is Chairman of the European Corporate Governance Institute."

Xiça, que sumidade. Até da Vista Alegre e do Pingo Doce!

Mª Lurdes Delgado disse...

Vera Cymbron,
E depois da tarimba acha que já estarão disponíveis para a "chatice"?

rb disse...

O M&M (falo do actual lider da oposição e não daquelas conhecidas bolinhas de chocolate) não tem hipóteses para, sequer, sonhar ser PM de Portugal. Está demasiado colado ao passado. Nos debates paralamentares mensais, concordo com CCS que são desiquilibrados, soberetudo pela disposição dos intervenientes no parlamento)eletem levado baile do Sócrates. Acho que o António Borges seria a melhor opção, pelo menos para o país, não sei se para o PSD. Tendo o PS de Sócrates absorvido o centrão. É necessario uma oposição mais liberal e mais à direita, para se apresentar como verdadeira alternativa. Uma espécie de Angela Merkel. Talvez também Ferreira Leite seja uma boa opção, sobretudo por ser mulher. Seria uma (quase) novidade de poder bem-vinda, já que dizem que são as mulheres que melhor gerem (será?). Claro que isto são tudo hipóteses apenas para 2013, data limite do mandato de PM, segundo a nova lei de mandatos políticos ...

Mª Lurdes Delgado disse...

Atento,
Olhe que não! Eu se gerisse levava em dois tempos a família à ruína. É que não basta ser mulher.

A. Castanho disse...

Pois é pena que o estilo ponderado, sereno e educado de Marques Mendes não "venda" em Portugal. O defeito não estará certamente nele, mas no atraso socio-cultural, político e jornalístico do nosso País.

Eu, que (em 23 anos de oportunidades para isso!) nunca votei no PPD - apesar de me situar ideologicamente na área da social-democracia, ou socialismo democrático - e até nem tinha qualquer simpatia política por ele, tenho de confessar que me tem agradavelmanete surpreendido como presidente do PSD (não acho que se lhe deva chamar ainda líder da Oposição).

Julgo mesmo que é o melhor presidente que o PSD já teve desde os inícios de Cavaco!

Admirei a sua atitude firme e coerente nas autárquicas - que venceu - e, ao contrário do que muita gente pensa, Cavaco muito lhe deve igualmente a sua vitória, pois a Esquerda nunca o teria "deixado passar" com outro tipo de gente à frente do PSD (e do CDS).

Há que reduzir urgentemente os níveis de sofreguidão e ansiedade na nossa rasteira classe político-jornalística (que se alimenta das constantes "mudanças", que parasita os chamados "factos políticos")!

Marques Mendes não é "obrigado" a derrotar Sócrates em 2009. Nem nenhum outro o conseguiria, aliás.

Mas seria muito bom sinal para Portugal conseguir finalmente ter uma Oposição a sério, responsável e construtiva, tanto à Direita como à Esquerda - pois não é Sócrates um líder centrista? -, em 2013.

E a menos de novos valores que entretanto despontem (espera-se que sim, mas tarda...), não vejo ninguém melhor para o fazer no PSD - se não se esfumar até lá - do que Marques Mendes...

Vera Cymbron disse...

Srª Delgado,
não! Acho que vão continuar no seu canto. Não sei se é bom ou não- podia até dizer que na minha opinião há uns quantos bons "com tarimba" que podiam arregaçar as mangas- tenho medo de desilusões... Até digo mais, talvez já não seja medo, é cepticismo. A minha fé tem dias menos bons.

e-konoklasta disse...

O que esperar dum líder de oposição que apenas está a guardar o lugar para o próximo candidato a PM ? Num país onde tudo está em estado de hibernação, o crescimento económico, a reforma da justiça, etc... etc... até os portugueses estão em estado de hibernação pelo menos há 500 anos. Neste estado de hibernação geral, até Socrates e o governo parecem ter bichos carpinteiros, já há muito que não se tinha visto nada assim, em Portugal... Mesmo os jornalistas estão ultrassados !

Davide E. Figueiredo disse...

Eu gosto bastante do senhor doutor Luís Filipe Menezes:

1- É uma pessoa simples porque fala sempre nas bases do PSD e não gosta das elites do algarve.

2- É uma pessoa com valor e de quem os poderosos têm medo.

3- É um autarca e os autarcas em Portugal são quem realmente mete as mãos na massa.

4- Não tem papas na língua. Eu gosto de pessoas assim, corajosas, que dizem o que querem dizer sem medo de ninguém.

5- tem mais 20cm que o doutor Marques Mendes e tanto em política como nos jogos olímpicos,1 cm pode fazer a diferença entre perder ou ganhar.

6- É uma pessoa sensível e que não tem medo de chorar em público. Eu desde que vi Brokeback Moutain passei a apreciar isso nos políticos e nos toureiros.

Jose Sarney disse...

"Quem empurrou Alegre para a ribalta, quem nos vendeu os Valentins, os Avelinos, as Fátimas os Isaltinos, os Jardins e os Rios?

Tenham vergonha
AMNM "

Não acredito que se assuma já hoje, que o 25 de Abril de 1974 foi um EMBUSTE!

Então, nos idos de 74 e 75, o "obscurantismo do Ditador Salazar" era justificação para tudo. Não se deixavam as pessoas progredir, em termos de formação e informação. Era o "orgulhosamente só"! Tudo isto com um único objectivo, dar ao povito: Fátima, Fado e Futebol!

Então, agora, em que há Universidades e Politécnicos quase ao nível do "concelho". Agora, em que há centenas ou milhares de escolas com menos de 10 alunos! Agora, em que há milhares de Professores no desemprego, vem-se dizer que o povo é BURRO!

Sim, porque quem põe a "cruzinha" não é o Sr. Balsemão, ou o Sr. Pais do Amaral! Quem pôe a cruzinha somos nós!

Ou será que vivemos numa Ditadura? Ou não viveremos nós na "era da internet"? Eu leio quase diáriamente a CNN, o FT, e o "news.google", o que me dá uma imagem global.

Agora, vir cá com a construção dos "poderes ocultos", apenas e só para explicar o ESTRONDOSO FALHANÇO do modelo que existe na Constituição de 1976, é digno de "vidente de Fátima"!

Será que toda a informação que fizeram correr os "media" de que o Isaltino é aquilo que sabemos, não seria suficiente para que não fosse eleito? Ainda por cima, num conselho elitista junto à capital?

Não. Parece-me que se confirma o "mito" do que disse o "General Romano": "há para ali um povo na Ibéria, que não se governa, nem deixa governar"!

Atenção, que o país vive na ESTAGNAÇÃO desde Guterres! E vai continuar.

rb disse...

MLD: há sempre excepções que confirmam a regra ...

rb disse...

Davide E. Figueiredo disse... "Eu gosto bastante do senhor doutor Luís Filipe Menezes". Santana Lopes, versão norte, NÃO.

Mª Lurdes Delgado disse...

DrªConstança,
Eu hoje cheguei atrasada ao "trabalho", dispersei-me nos comentários, quando o post é que é a substância.
Já reparou que o Durão Barroso não brilhava, porque era tarefa inglória junto do "picareta falante"{com a devida vénia ao criador}; o Ferro Rodrigues, porque andava a tentar desmontar a cabala, trabalho para uma vida; o Marques Mendes, porque tem o fantasma do que "anda por aí", mais aquele grupo parlamentar, todo muito competente e que atinge o zénite no Raul dos Santos, representante do distrito do Porto, depois da transladação, cujo cortejo começou em Ourique. Do meu modesto ponto de vista, na AR, a história recente prova que é difícil fazer frente ao Governo, a não ser que este já só consiga sobreviver ligado ao ventilador.
Claro que há diversas personalidades, todas muito competentes, que poderiam dar uma ajudinha. Mas ser-se dos partidos da oposição é duro. Há menos lugares para abichar nas EPs. Ainda estou para perceber o caso do António Mexia, mas suspeito que foi dedinho daquele rapaz que preza muito a ética republicana e que, nos intervalos da sua vidinha, faz uns biscates na AR. Acha que sim?
Claro que tínhamos a resistente da Manuela Ferreira Leite. O PSD era governo e lá ia ela para uma secretaria ou para um ministério. O PSD saía do governo e a senhora tomava lugar na 1ª fila da AR. Mas a resistência tem limites e agora já mais ponderada, sem aqueles arrebatamentos juvenis, lá aceitou o cargozinho na administração do Banco, para confraternizar com o António Vitorino, o Eurico de Melo e todos os coleguinhas de quem estava cheia de saudades.
O melhor, talvez seja, se queremos oposição, juntarmo-nos ao "camarada" Jerónimo e andarmos a gritar nas ruas. Eu, pelo menos, teria autocarro pago, ida e volta.

Mª Lurdes Delgado disse...

Atento,
Então você agora chama-me excepção?
Que acha como nick name, se passar a azul? Quando tiver a lição no Espectro, faço isso. Percebeu o que eu queria, não percebeu?
Quanto ao autarca de "Marrocos" ser outro Santana Lopes, olhe que não! Em VNGaia o homem não plantou só palmeiras. Vendo bem, acho que nem plantou palmeiras. E resolveu um problema próprio do nosso grau civilizacional: as milícias populares de Francelos. E olhe que aquilo não era fácil.
Claro que ele não tem a sofisticação que a frequência do Lux e da Bica do Sapato emprestam. Ele é mais pacato. Só no S. João {você já veio ao S.João? Olhe que é a maior e mais antiga rave do mundo. Venha.} é que ele atravessa a ponte, depois de esmagar o Rio com os foguetes, e baila com a mulher em Miragaia.
Claro que eu não o quero para 1ºMinistro, mas ele não é bem um clone do Pedro.

JAC disse...

“A Assembleia da República, o seu lugar por excelência, é vista pelo país (e pelos partidos) como um depósito de inutilidades avulsas que não sabem o que hão-de fazer na vida.”

Não podemos reduzir o número destes?



«Somos uma nação pobre (estéril) e castrada (infecunda) … somos um povo descaracterizado, humilhado e cobarde cujos ídolos são uns, alguns de nós, a correr atrás de uma bola num campo relvado. - JAC»

http://sal-portugal.blogspot.com/
JAC – Sal de Portugal

Anónimo disse...

Apenas uma pequena nota a um comentário de José Sarney. Meu caro, apesar das escolas, das universidades e do acesso à Internet, de que fala, o povo está a leste de tudo isso. Eu vivo numa pequena aldeia do norte e acredite que, aqui, o povo ainda vota no partido que está à frente da autarquia porque, dizem os meus conterrâneos, se votarem em branco, não votarem ou votarem contra, quando de precisarem alguma coisa da câmara não a obterão. E não pense que isto não se passa nas cidades. As razões que determinam o voto de cidadãos com idades adiantadas, são de toda a ordem, menos de racionalidade. A minha sogra com mais de 80 anos, sempre votou Soares e na sua ausência, o que fosse PS.

Relativamente ao objecto do post, tanto o mesmo como a generalidade dos comentários, fazem parte do mesmo folclore. Governos e oposições. Promovem a continuidade. Há muitos anos que a vida dos portugueses se degrada, e na sua profunda ignorância ou boa fé, o povo elege governos, alguns até com maioria absoluta, que prometem endireitar o país (seja lá o que isso for), à custa do rigor, que traduzido para linguagem corrente, significa simplesmente; à conta do povo, com agravamento de impostos, com diminuição de benefícios, com a delapidação do património público, etc., acreditando este (povo) que com mais uns sacrifícios, saímos da crise.

Quem olhar para trás, facilmente verifica que a qualidade de vida do cidadão comum se tem deteriorado (o país tem neste momento 20% da população no limiar da miséria e uma taxa de desemprego que parece ter ultrapassado os 10%) na proporção inversa com que tem melhorado a qualidade de vida (entenda-se riqueza) da classe política e empresários ligados à mesma.

Serviço público seria educar politicamente este povo, ensinando-o a distinguir propaganda de realidade, a exigir contas aos governantes que governam mal, a exigir a prisão dos corruptos, etc. Dizer-lhes que dever cívico não é apenas votar. Dever cívico é fiscalizar os governos e exigir a sua demissão quando governam mal.

Desculpem a irritação.

JERTEL

Davide E. Figueiredo disse...

O Steve McQueen recusou o papel principal no Encontros Imediatos do III Grau do Spielberg porque envolvia cenas de choro e ele não sabia representar choro. E então o Richard Dreyfus é que insistiu com o Spielberg que ele sabia chorar e que por isso devia ficar com o papel. E ficou!

Por isso não se subestime o talento e potencial de Luís Filipe Menezes.

rb disse...

MLD: olhe que eu estou mais perto do que julga. S.João da Madeira, conhece?

Adriano Volframista disse...

Sabe, o Dr MMMendes cumpre com alguma proficiência o que se espera de um líder da oposição em Portugal:
Gerir o partido a que pertence, se possível, irradiando algumas tribos mais incómodas;
Manter o partido no horizonte do acontecimento, para que não se esqueçam dele;
Negociar os lugares que o número de votos e os interesses instalados consideram adequado, no aparelho de Estado.

Alguns dão-se bem nessa função, veja o caso do cessante PR, outros fartam-se rapidamente, (quem se recorda de Fernando Nogueira?).
Dado que o cidadão MMendes é um elemento saído da política,ou muito me engano, vai conseguir aguentar-se sem sobressaltos, ainda mais um ano a ano e meio.
Nessa altura teremos: o ,já, incontornável Meneses e a futura estrela em ascenção, Pedro Passos Coelho,para desafiarem o cidadão MMendes.
Durante esse tempo, o duche escoçês será providenciado pela imprensa.
Para quem gosta e quem corre por gosto não se cansa....
Cumprimentos
Adriano Volframista

Mª Lurdes Delgado disse...

Claro que conheço, mas já não vou aí há vários anos

mcarvalho disse...

mcarvalho

como se pode fazer oposição a alguém que faz o que gostariamos de fazer se tivessemos mais coragem?!