domingo, fevereiro 05, 2006

O MUNDO NÃO É PERFEITO

Lamento, mas esta não é uma questão de gosto. O valor ou a oportunidade dos cartoons publicados no Jyllands-Posten, o já famoso jornal dinamarquês, não são para aqui chamados. Nem me parece razoável passar-se um atestado de ingenuidade a quem supostamente não reconhece o carácter gratuito e provocador dos ditos cartoons. Pessoalmente acho-os deploráveis, como acho deploráveis muitas das manifestações anti-religiosas que por aí pululam. Desagrada-me a forma gratuita como, por vezes, é ridicularizada a fé e ainda me desagrada mais a forma como isso, entre nós, se banalizou. Mas entre o meu legítimo desagrado e a ilegítima censura sobre o que me desagrada, não tenho dúvidas: prefiro o meu legítimo desagrado. Defender o direito de publicação de uma dúzia de cartoons sobre Maomé não me obriga a defender o seu conteúdo e muito menos a concordar com os objectivos explícitos (ou não explícitos) dos seus autores: obriga-me apenas a defender uma coisa tão simples como a liberdade de expressão. Se a liberdade de expressão se mantivesse sempre nos limites do “aceitável”, como alguns pretendem, não precisaria de ser defendida. São precisamente os excessos que a põem à prova. E são quase sempre esses excessos que nos parecem deploráveis. O mundo não é perfeito.
ccs

55 comentários:

Marco disse...

Muito bom! Concordo plenamente.

mariazinha#2 disse...

o excesso, a sátira fazem parte da caricatura deste o Rafael Bordallo Pinheiro, Daumier até aos dias de hoje...o mundo cada vez está mais assustador...

Anónimo disse...

no entanto por cá,

http://www.thefileroom.org/documents/dyn/DisplayCase.cfm/id/577

Mª Lurdes Delgado disse...

Para meu esclarecimento as pessoas que hoje defendem à outrance o direito dos muçulmanos à indignação {eu sou mis terra a terra e chamo-lhe barbárie e histeria} não são as mesmas que estavam do meu lado da "barricada" quando se tratou do episódio Sousa Lara {belo golpe de marketing senão hoje ninguém saberia o nome deste especimen} ou das patetices despoletadas pelo "Je vous salue Marie"? É que se são, tenham decoro e sejam coerentes.

JV disse...

Os cartoonistas têm absoluto direito de fazerem a sátira ao que quiserem nos moldes que entenderem: e quem não gostar, que se acomode, ou então que regresse à sua Jordânia/Síria/Arábia Saudita natal, e goze das esplêndidas condições de vida que tais Estados proporcionam (a par do integral respeito pelo Islão, ora pois, porque "Allah O Akbar")...

Anónimo disse...

Digo com todas as letrinhas:
A liberdade de expressão tem limites.
Isso faz de mim fascista ou ditador?

Joao

zazie disse...

este Espectro pode durar pouco mas só por este fogo a meias valia a pena andar por cá!

Anónimo disse...

Atã vocêses nã tan vendo que a panela está quase arrebentar de tanto ferver! Ele foi o Afeganistão. Ele foi o Iraque, mais a Palestina. E o Irão que nã pode ter a sua bombinha. Nem os arabes podem lá gostar mais do seu profeta que das tais liberdades cá nossas de imprensa e o diabo a quatro. Atã vocêses nã vêem que isto está quase a dar o peido. E depois os amaricanos que nos acudam.

Mario Figueiredo disse...

Concordo inteiramente CCS.

Olindo Iglesias disse...

Todas estas coisas têm que ser vistas em contexto... A razão de ser dos cartoons é porque quando o jornal quis publicar um lvro sobre os Islão, os mulçumanos contactados disseram não conhecer ninguém disponível para ajudar porque tinham medo de represálias, ie, de serem fisicamente eliminados.

Obviamente, num Estado democrático e tolerante isto chocou. Como forma de demonstrar a quem quer que fosse que na Dinamarca as coisas funcionam segundo a maneira de ser dinamarquesa (de forma aberta, plural e tolerante), e que os dinamarqueses se recusam a ser reféns de culturas estrangeiras no seu próprio país, o jornal desafiou os cartoonistas a desenharem Maomé, A paz esteja com ele.

Não interessa discutir se os cartoons são inócuos ou provocantes porque o grau de agressividade está na subjectividade da interpretação.

Deste descalabro há pelo menos três pontos positivos a mencionar:
1. Não há condições para a Turquia entrar na EU (vide o que aconteceu com a visita do Primeiro-Ministro turco à Dinamarca)
2. Finalmente, tornou-se claro para todos o que nos diferencia dos bárbaros
3. É hoje claro que o modelo de integração europeia fracassou e que o Islão se tornou um cancro (perigoso, fatal, e que alastra depressa).

Depois de tudo isto, dos atentados em Madrid, em Paris, da guerra do véu islâmico, da morte do Theo van Gogh, dos atentados de Londres, das demonstrações em Londres, FINALMENTE, a opinião pública europeia já não é indiferente ao que se passa.

Ra disse...

Finalmente um pst de CCS com o qual concordo na integra!

EUROLIBERAL disse...

Toda a gente inteligente e responsável, PR, PM, Igreja, Marcelo, PR's da Europa, e até os EU e Inglaterra, consideram provocatórios e blasfemos os cartoons do pasquim da extrema-direita xenófoba dinamarquesa (até a raínha careca é anti-árabe!). Só os histéricos anti-semitas, que sonham com novas cruzadas (depois do desastre absoluto que é a cruzada do Iraque, Hurrah!) é que querem continuar a provocar a heróica Nação árabo-muçulmana. Quererão novos Alcáceres-Quibir ? Problema deles, não da Europa...

De qualquer modo, é abusivo invocar a liberdade de expressão par defender propaganda reles e antisemita de um pasquin da extrema-direita dinamarquesa cuja agenda é a expulsão dos emigrantes.

Também a negação do holocausto é criminalmente proibida em muitos países europeus e a ninguém passa pela cabeça falar a esse respeito de violação da liberdade de expressão. A habitual hipocrisia e linguagem dos dois pesos e duas medidas, não é ?

EUROLIBERAL disse...

A prova de que os cartoons são obra da escumalha da extrema-direita dinamarquesa que apoia a criminosa cruzada dos terroristas bushistas no Iraque e que pretendia humilhar o Islão (do blogue Da Literatura):

"Toger Seidenfaden, director do jornal dinamarquês Politiken, título de referência, entrevistado por Ana Navarro Pedro: «No Verão de 2005 [...] um polemista dinamarquês, Kaare Bluitgen, muito conhecido pela sua islamofobia [...] escreveu um livro sobre a vida de Maomé, destinado às crianças e à juventude dinamarquesa, que apresenta o Profeta como um pedófilo e um criminoso de guerra. O livro é provocante e, na minha opinião, vulgar. [...] Bluitgen queixou-se publicamente que um ou dois desenhadores tinham recusado ilustrar o seu livro. Até hoje, não sabemos se isso foi um facto — o que sabemos é que publicou o livro, e com ilustrações.» Cf. Público de anteontem, página 5.

2. O Jyllands-Posten, jornal popular de grande circulação — «o mais lido» da Dinamarca, segundo Seidenfaden —, deu eco às queixas de Bluitgen e convidou 40 caricaturistas a fazer cartoons de Maomé. Doze aceitaram o desafio. Os 12 cartoons foram publicados na edição de 30 de Setembro, acompanhados de um editorial que reivindica o direito a «desafiar, blasfemar e humilhar o Islão».

A EUROPA CIVILIZADA NADA TEM A VER COM as actividades criminosas desta ralé nazi. Os muçulmanos têm todo o direito de defenderem a sua honra.

Anónimo disse...

O mundo não é perfeito.
Nem simples.

Jose Sarney disse...

De facto, a LIBERDADE de expressão tem que ter limites.....senão, haveria para aí gente a copular nas estações de comboio, à espera que este chegasse!

Mas, a publicação de uns cartoons num jornal menor da Europa, obriga a tanto HISTERISMO? Porquê?

A Europa e, sobretudo, os EUA, não são frouxos e JAMAIS se colocarão de cócoras perante este radicalismo.

No Médio Oriente e nos muçulmanos, há muitíssima gente culta, inteligente, pacífica, que nada tem a ver com esta "intifada" de abandonados, pelos Mullahs e pelos Mubarak's da região!

manuel duarte disse...

A diferença entre cópula numa estação de comboios (assumindo que é uma expressão, mas há gente para tudo) e um cartoon num jornal é evidente: ninguém obriga à compra do jornal (eu não o comprei), ninguém obriga os cartoons a serem vistos. O jornal, ao contrário da estação, não é um espaço público. E por isso os proprietários e os leitores podem usá-lo para o que bem entenderem. Até para pregar o ódio e a blasfémia. Isto, claro, também se aplica a discursos anti-holocausto e anti-estado.

A liberdade de expressão TOTAL, não significa que seja tudo uma pândega. Estamos a falar na liberdade de publicar ideias. E isso não deve ter limites.

josé disse...

Tendo a concordar com o postal, mas várias perplexidades se me deparam:
1. Deve a liberdade de expressão ser ilimitada? Claro que não, como se pode ver pela punição das difamações e abuso de liberdade de imprensa e pela própria regulamentação do segredo de justiça.
A lei já estabelece limites.
Então, fora desses limites, deve ser tudo permitido?
Também não, parece-me.
Vilipendiar símbolos nacionais, mesmo de outro Estado( o nosso nem se fala, pois está logo previsto no artº 332º do C.Penal), por exemplo, é considerado crime.

O artº 323º do Código Penal, diz assim:
"Ultraje de símbolos estrangeiros
Quem, publicamente, por palavras, gestos, divulgação de escrito ou outro meio de comunicação com o público, injuriar bandeira oficial ou outro símbolo de soberania de Estado estrangeiro ou de organização internacional de que Portugal seja membro é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias."

Então quer dizer que quem se manifestou ou manifesta, em qualquer lado, mesmo blogs pelos vistos, contra a ONU ou contra os EUA e a bandeira das stars and stripes ou ainda contra outra bandeira ou organizaçãoo qualquer, não tem efectivamente liberdade de expressão, pois a lei penal não deixa que tal aconteça- mesmo que nada aconteça...o que é norma também- mas neste caso, consuetudinária.

piscoiso disse...

O ponto 9. do link, está bem esgalhado:
Kama Sutra com a rainha da Dinamarca.

Comum dos Mortais disse...

A maior de todas os "pecados" é a enorme cobertura que se dá a assuntos sem o minimo de interesse, criando o efeito exactamente pretendido. Quantas vezes Cristo foi satirizado? E se os católicos reagissem da mesma maneira. Deixaria de ser normal. um dos porblemas é que já entendemos estas inacreditáveis manifestações como normais ou culturalmente explicaveis. Haverá dois tipos de civilização e civismo? Da próxima vez que os EUA envadirem um qualquer país, com razão ou sem ela, pegamos fogo à embaixada. Talvez achem normal...

Missold disse...

Lá se está outra vez a debater se a liberdade de expressão tem que ter limites... se a religião tem de ser respeitada..., etc., etc., etc. E o facto de um governo se ter desculpado publicamente quando um jornal nacional "violou" a liberdade de expressão? Será que ninguém questiona isto????

Anónimo disse...

Eu, por mim, aconselho toda a gente a ler (muito atentamente) Cioran... Sobre o Mundo e o Homem, claro! E, por que não?, também a lere, Foucault, sobre o Mundo e o Direito, claro!

Apatrida

Anónimo disse...

Quem é que aqui já alguma vez criticou a al jazeera pela sua excesso de " liberdade de imprensa"?

Anónimo disse...

... e, depois disso, a deixarem de comentar merdinhas ou de forma tão moralista!... agora, vejam os primeiros filmes de Benigni, em particular um com a sua versão sobre o milagre do tal jesus a caminhar sobre a água! Depois riam-se e deixem-se de merdas... (Esta é para todos, sobretudo para VPV, CCS e Daniel Oliveira)

Apatrida

Olindo Iglesias disse...

Só o facto de vivermos em sociedades democráticas e aqueles selvagens viverem em Estados autoritários e despóticos já diz tudo. Excuso-me a fazer mais comentários.

JAM disse...

Parabéns Constança.
Nunca, em duzentas palavras, uma controvérsia tão grande foi tão bem explicada.

Anónimo disse...

... hoje estou para aqui virado. O que por aqui aparece nos textos e coments faz-me lembrar a diferença entre o Saramago e o Lobo Antunes. Todos são Saramagos (querem remendar o mundo) e não Lobo Antunes (que esse vai ao fundo... abala todas as vossas crenças sobre o mundo e por exemplo a liberdade de expressão - AH Guy Debord!... porque não te leram ou te esqueceram? - como o Cioran, claro!)

Apatrida

josé disse...

CCS:

Peguemos num pequeno exemplo, para ilustrar o seu postal.

Aqui há tempos, num certo blog, um indivíduo que costuma assinar com nome, e é renitente a anónimos, mesmo formalmente, colocou uma imagem ofensiva da honra e consideração de alguém. A meu, ver, o procedimento foi grave e sem desculpa, a não ser da própria vítima...e disse-lho em directo apelando a umas desculpas imediatas pelo mau gosto e atitude burgessa.

Alguns colegas do tal blog, por entenderem que o indivíduo passou das marcas, no que era useiro e vezeiro, aliás, cortaram a colecta e sairam no sítio, não sem antes se terem solidarizado com a vítima e vituperado de modo suave o prevaricador.
Fui dos que defendi a legitimidade da publicação do postal ofensivo, em nome da liberdade de expressão, mesmo ofensiva da honra de alguém e por isso defendi na altura o prevaricador, contra aqueles que o vituperaram por escrito, onde manifestavam o repúdio por actos daquele género e logo apelando a uma censura moral e prática desse tipo de condutas que afectam outrém, fazendo-se representantes dos visados, mesmo sem procuração.

Pergunto agora:
Defenderia o mesmo, agora que sabe o que sabe?

Escreveria também, a propósito disso que "são os excessos que põem à prova a liberdade de expressão"?

Ou faria distinção, no caso concreto?

piscoiso disse...

A minha tia Vintage-2003, diz que só o excesso permite determinar o limite.

Rui Borges disse...

Passo a passo, os radicais arrastarão, na sua marcha, os moderados...

http://www.meforum.org/article/687

Teófilo M. disse...

Cara CCS,

inteligentemente fala em liberdade de expressão e não em liberdade de imprensa, o que me faz estar perfeitamente de acordo consigo.

Misturar liberdade de expressão com liberdade de imprensa é que por vezes me confunde, porque como todos muito bem sabemos a chamada imprensa livre não é ne realidade tão livre como parece, ou não será assim?

Cumprimentos

Teofilo M.

Mª Lurdes Delgado disse...

Vou já à Galeria dos Vinhos, passe a publicidade, procurar o néctar e pôr-me em contacto com a Casa do Douro {afinal sou sócia} para ver se abicho algumas garrafas a preço de amigos. Ai este xico-espertismo tão português!

Éme disse...

Cara Maria de Lurdes,

Não pretendendo abusar, faz a fineza de me trazer uma caixita de Barca Velha que depois fazemos contas em Itália?

Obrigado

Ministério Público disse...

parabens pelo blog! já era hora de o vpv se render à internet e entrar no século XXI, pois andava enfronhado no século XIX que tanto estuda! (estou a brincar!)

Continuem parabens!

http://idadedoferro.blogspot.com

http://annalesnonfabulae.blogspot.com

http://expresso-oriente.blogspot.com

Ministério Público disse...

Só acho é que o olindo iglesias deve ser um grande gordalhão, já que deve estar imensamente inchado de orgulho por ser um europeu civilizado e de raça superior e não um bárbaro atrasado e inferior que deveria ser recolonizado!

Mª Lurdes Delgado disse...

Caro éme,
Não vá pelo óbvio! Tente o Duas Quintas, a Quinta do Côtto, o Lavradores de Feitoria...e depois brindaremos em Itália.
Far-me-ei acompanhar do scontrino {é assim?}
Um abraço

Anónimo disse...

Concordo consigo. Mas tambem não gosto de me sentir um idiota util, que serve os interesses de grupos neo-nazis. E aqui o gelo é muito fino, e as fronteiras muito ténues. Não vou atras da horda, que de um momento para o outro se assanha contra o outro.Seja ele preto (arastão lembra-se?), cigano,judeu,muçulmano, hindu, cristão, budista ou adorador do diabo.
É estranho como alguma "intelectualidade" lusa perde a lucidez e de repente (e com alguma cobardia) começa a pedir que se retalie em nome de pretensas superioridades civilizaccionais.
Faz-me lembrar a "noite de cristal" embora noutro enquadramento.
Isto cheira-me muito mal.
A mais em nome da liberdade de expressão e não de imprensa (como bem frisou o teofilo m.)defendo que o D. Oliveira possa e deva ter a opinião que quiser ( que para mim até me parece equilibrada e de bom senso)e não ser "atacado" pela coragem de a ter. Neste caso ele fez mais pela liberdade de expressão que os defensores dos cartoons.Foi neste principio civilizacional que fui criado.Respeito pelo diferente, é a base de qualquer liberal.

Éme disse...

Cara Maria de Lurdes,

Diz muito bem, "scontrino fiscale".
Faço notar no entanto que "lo scontrino fiscale debba indicare: eventuali rimborsi per restituzioni di vendite o imballaggi cauzionati", a utilizar caso a mercadoria não esteja à altura do exigido pelo cliente.

Abraço

O nem Bom nem Mau Selvagem disse...

Nós vivemos é em sociedades muitos chatas e repetitivas. É uma chatice. Não se pode fazer nada, não se pode dizer nada, cai-nos logo uma treta de uma ideologia qualquer em cima.

A liberdade, meus caros, ainda ninguém a conquistou, porque não é uma coisa que esteja para a frente. É uma coisa que ficou para trás, quando éramos caçadores-recolectores. Isso era liberdade; o resto é mentira.

zazie disse...

«Escreveria também, a propósito disso que "são os excessos que põem à prova a liberdade de expressão"?

Ou faria distinção, no caso concreto?
»

esta pergunta retórica do José é pertinente e ainda ontem estava a pensar noutro caso em que também se coloca. Ainda assim creio que o José neste caso deixou passar uma diferença que altera tudo.

Qualquer reacção individual pode pisar as regras dos princípios de liberdade. Isto parece paradoxo mas só o é se a ilegalidade ou resposta reactiva individual também não fizesse parte da legitimidade individual.

Não é lei infringir-se a liberdade mas a lei não obriga a que todos a não infrinjam. Pune-os.

Um exemplo que me passou pela cabeça várias vezes.

O Diário Ateísta é um site que ofende e repugna a inteligência de qualquer pessoa saudável. Para além disso é deliberadamente ofensivo e aí sim, há intuitos de explícitos de apelar ao ódio contra católicos para além de serem insultados e perseguidos por portas travessas à custa da dita Associação para a Laicidade.

Pois bem. Eu acho que eles têm o direito de existir e até de publicar tudo isso. Se o fizessem por meio de jornais por mim eram livres. Defendo que a sociedade deve permitir isto e muito mais, incluindo apelos teóricos a ideais nazis ou quejandos. Desde que não pratiquem os ditos.

No entanto também muito pessoalmente já tive vontade de informaticamente fazer implodir aquela porcaria.

Só ainda o não fiz porque não consegui arranjar parceiro técnico.

E agora, como é? sou contra a liberdade pelo facto de legitimamente por defesa achar que devia infringi-la?

Não. Não é isto que conta. Só contava se com isto se universalizasse a prática. Se o Sócrates ou o Cavaco viessem dizer que respondiam pelos meus actos é que a coisa tinha direito a generalização social.

Um indivíduo ou vários podem infringir a liberdade. Pagam pelo facto. Não se pode é dizer que globalmente essa infracção é legítima.

A mim dá-me vontade de implodir os Ateus militantes mas nunca colocaria o meu nome num abaixo assinado que pretendesse silenciá-los.

O acto é meu. A contradição é individual.

Creio que é parte disto que está em causa nas manifestações dos árabes e no modo como se lê a reacção que passa do individual para a governamental.

zazie disse...

errata: o acto não é meu. Infelizmente ainda se fica apenas pelo desejo

Filipe Alves disse...

Completamente de acordo consigo, CCS. Os cartoons em causa são preconceituosos e de muito mau gosto (e foram um gesto de provocação desnecessária), mas a sua difusão deve ser livre. O problema é que muita gente misturou tudo, trazendo à discussão assuntos que nada têm a ver com esta questão e fazendo disto uma questão de superioridade civilizacional. E a reprodução nos jornais franceses e espanhois foi um acto de pura estupidez, das coisas mais palermas a que já assisti. Os cartoonistas têm o direito de fazer as palermices que quiserem, mas que não se estranhem que os muçulmanos se sintam ofendidos. Estão também no seu direito (mas claro que a violencia é indesculpável).

josé disse...

Bem, por mim, os ateístas e muitomentirosos, têm direito a existir sem incómodos de censuras.

Aliás, nem vontade tenho de os apagar virtualmente. Basta não me apetecer visitar os sítios.

No entanto, há uma diferença também que pode ser relevada:

Esses sítios radicais, como também os racistas e os de conteúdo sexual explicitamente ofensivo da moralidade vigente como é a repugnância pela pedofilia, podem atingir os limites da lei expressa.
Nesse caso, impõe-se a actuação.
Uma coisa será então a posição teórica e de princípio, em que se podem conferir asas à liberdade mais ampla e situo-me nesse campo de voo livre; outra coisa, será reconhecer limites legais existentes e positivados.

No que se refere à violação de direitos de personalidade,com protecção penal, escusado será dizer que a maioria deles é de índole pessoal e serão susceptíveis de disposição. Só exerce direito de queixa quem quiser e pode dispor desse direito, renunciando ou desistindo.
No entanto, há outros que relevam de direito público.
O dever de não ultrajar símbolos de bandeiras nacionais ou estrangeiras é imposto sem dependência de queixa.

Logo, nem adianta defender a liberdade de expressão para esses casos, porque a lei já lhe definiu os limites. A não ser para defender a modificação da lei.
E por mim, também concordo.

Mª Lurdes Delgado disse...

Caro éme, `
Com tanta cláusula e ainda me arriscando a vir com as garrafas para trás, devemos fazer isto à Tuga, sem factura e pouparemos o TVA.
Mais um abraço

Anónimo disse...

"E agora, como é? sou contra a liberdade pelo facto de legitimamente por defesa achar que devia infringi-la?"

E apenas imbecil e cretina, mas nao se chateie, esta longe de estar sozinha.

Mª Lurdes Delgado disse...

Caro Anonymous
Partindo do princípio que não me está a chamar imbecil e cretina {ou está?} ponha um cabeçalho, uma dedicatória enfim qualquer coisa que identifique o destinatário, senão somos levados a pensar que se destina ao autor{a} da ´"pérola" anterior. E imbecil e cretina de uma vez só, temos que convir que é forte!

Éme disse...

Cara Maria de Lurdes,

Vejo que a levei ao bom caminho e recordo que foi você que falou em facturas.
Ora como diz, o portuga é avesso a esse tipo de documento, o que aliás faz todo o sentido, pelo menos para mim, uma vez que não é dedutível nos impostos como acontece por exemplo nos EUA.
Portanto vamos numa de boa fé e que se dane, o que é preciso mesmo é o tintol.
E agora não sei se a abrace se a beije, criou-me aqui um problema terrível.
Olhe, abraço-a e beijo-a, prontos.

Cavalo Marinho disse...

Repudio a publicação dos cartoons em que figura o Profeta Maomé.
Trata-se de uma publicação gratuita, que não respeita a religião muçulmana, numa manifestação - mais uma - de um relativismo crescente que vem minando a civilização da Europa Ocidental.
Repudio ainda com mais veemência as violentas manifestações que radicais muçulmanos têm praticado um pouco por todo o lado, como resposta.
Tais manifestações são mais uma prova de que tais radicais reagem com injustificada violência contra quem não respeita a sua fé.
Mas são estes mesmos radicais que não respeitam as mulheres, que não respeitam a vida humana, que não respeitam os direitos humanos, numa espiral de violência que só o bom senso fará parar.
Ora, bom senso já se viu que é coisa que não abunda.
Do nosso lado e do outro.
Mas mais do outro.

Anónimo disse...

“Será que o Maomé também se peidava?” – Quitéria Barbuda in “Peidos Sagrados”, Revista Espírito”, nº 25, 2006.

QUAES CUNQUE FINDIT


www.riapa.pt.to

Raio do Trovão disse...

Coragem - precisa-se!
Como alguém há tempos disse, que o problema deste nosso país é agrícola, eu digo mais: Esse problema infesta o mundo ocidental. E que problema é esse, perguntam vocemecês? Eu digo: Excesso de nabos e falta de tomates!!!
Alguém se indignou com as decapitações dos ocidentais raptados, ao vivo e a cores? Alguém? Não falo de indignação "confortável", daquela que se tem no conforto duma poltrona ou à mesa de qualquer café tertular. Falo do tipo de "indignações" que eles têem. Físicas. Palpáveis. Directas. Batendo onde dói mais.
Se calhar o que eles precisam é de levar na mesma moeda. Olho por olho e dente por dente!... alguém ficará desdentado primeiro. E se ambos ficarem desdentados e cegos, ao menos fica o problema resolvido e acabam-se as angústias.
Ou talvez a Mãe Natureza trate do assunto. Talvez um destes dias, alce a perna e sacuda de uma vez estas pulgas que lhe sugam o sangue e lhe ferem a pele.
Nascerá então, a civilização das baratas.

Anónimo disse...

Deplorável é a intromissão da Igreja por tudo quanto é sítio:cruzes,cruzetas,e políticos-de-todos-os-portugueses nas missas e procissões. «Para Acabar de vez com o juízo de Deus»:

Deus será um ser?
Se é,é merda.
Se não é,
não é.

Antonin Artaud

Mª Lurdes Delgado disse...

Caro éme,
Um dia destes a CCS e o VPV expulsam-me e eu vou ficar muito triste. Mas enquanto isso não acontece recomendo-lhe um tinto Messias Reserva de 1996. Excelente!
Bebi ao jantar.
Agora é abraços ou beijos? é que eu já me perdi no meio desta salgalhada toda. Escolha

EUROLIBERAL disse...

Constança, afinal não se tratava de liberdade de expressão mas de pura islamofobia ! La preuve: o pasquim dinamarquês recusa agora publicar caricaturas anti-cristãs !

Danish paper rejected Jesus cartoons : Jyllands-Posten, the Danish newspaper that first published the cartoons of the prophet Muhammad that have caused a storm of protest throughout the Islamic world, refused to run drawings lampooning Jesus Christ, it has emerged today

Éme disse...

Cara Maria de Lurdes,

Acabo de meter uma cunha à Constança para que lhe perdoem os pecados.
Quanto ao Messias não fico cliente, mas agradeço a sua boa vontade.
Em relação a este problema que se avoluma e que tem a ver com os cumprimentos beijais e abraçais proponho-lhe que entremos numa quantificação espontânea de acordo com os sentimentos da altura, mas sempre enquadrada entre abraços e beijos.
Como exemplo, e para que entenda melhor a minha ideia, por agora deixo-lhe 5 beijos e 3 abraços.

Mª Lurdes Delgado disse...

Caró éme,
Belo país este, em que a cunha funciona às mil maravilhas. Será o choque tecnológico?ª
Tente o de 96 e verá que eu tenho razão.
Posteriormente dar-lhe-ei notícias daquela visita que já fiz. Comunique-me, quando se sentir um pouco mais macambúzio{vocês, os sulistas também usam este vocábulo?} que eu ponho-o a rir até pelo inesperado.
ªEu já fiz, para todo o sempre {nesta idade mudamos pouco}, a minha declaração de interesses neste Blog, pelo que escuso de a repetir

文章 disse...

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