sexta-feira, fevereiro 24, 2006

O ESFORÇO


Afinal parece que a “digestão” dos resultados eleitorais, no PS, está a ser mais difícil do que Sócrates nos quis fazer crer. Na sua primeira entrevista depois das eleições, Manuel Alegre disse que era “tratado como um inimigo” pelo PS. E lá veio mais uma vez com a velha história de Churchill que explicava que os inimigos se encontravam na sua própria bancada e não na dos seus adversários. A mesma história com que abrilhantou toda a sua campanha presidencial. No que toca ao PS, Churchill transformou-se na grande referência de Alegre: fala-se do PS, Alegre responde com Churchill, reduzindo o PS a um desprezível grupo de pequenas intrigas. Ele e Churchill, claro! é que sabem os inimigos com que se cosem. Tentando desfazer este desagradável equívoco, o PS e Vitalino Canas explicaram às hostes que Manuel Alegre não tinha razões de queixa: o partido, segundo dizem, está a fazer um “esforço grande e a todos os níveis para receber de novo o deputado Manuel Alegre”. Um esforço violento ao que parece!
ccs

23 comentários:

rb disse...

Será que ainda vale a pena perder tempo a falar do Alegre?...

Anónimo disse...

Sinceramente, esta história das queixinhas do Alegre, por mero acaso proposto pelo PS para vice-presidente da AR, já não só chateiam como enjoam.

Anónimo disse...

E o q tem a Inês Pedrosa a dizer disto?

Gaspar VS disse...

sinceramente, eu axo k o Alegre deve ser comentado a proposito do movimento k por casualidd acaboua liderar e a esse eu nomeio de Esquerdalho, epíteto sob o kual designo este movimento de eskerda radical k merece uma análise aprofundada para que se perceba as suas origens e pequena história... por exemplo neste momento em França o Esquerdalho tomou posse do partido de eskerda moderado, e a frança perdeu um partido k nesse campo actuasse, e por isso a direita liberal e nao tanto conservadora viu-se de caminho aberto a uma governação sem forte oposição... os Esquerdalhos são movimentos reformadores dos partidos de centro-eskerda. no caso portugues, bem como am alguns outros, estes movimentos, sem apoio social para se afirmarem por si só, vivem na eterna oposição interna, e aspiram ao poder dentrode um partido k por definição não tem os seus ideais.

Gaspar VS disse...

Análise
Dos Movimentos Reformadores
Dos Partidos De Centro-Esquerda
– (Esquerdalho)*
* Esquerdalho – Expressão não depreciativa que abrevia a designação destes movimentos.

Gaspar VS disse...

• O esquerdalho fomenta o discurso político muito comum entre a direita, que critica tudo e que coloca o actual estado de coisas, da sociedade, na mais profunda degradação (lol, vem aí a retoma! [Prova: investimento do Belmiro]). O que não é verdade. Para justificar o aparecimento de um salvador. Por isso Manuel Alegre é patriota, muito curioso, hum?! Diz que a pátria não é o problema, mas o Estado que existe! A direita usa este discurso de auto-flagelação da sociedade para justificar os seus grandes líderes como salvadores, mas também para justificar a sua transição para um sistema profundamente liberal, praticamente anarco-capitalista. Além deste discurso, também usado pelo esquerdalho, ser saudosista, sebastianista, ou messiânico, é também radical, e aproxima-se muito da linha original do marxismo-leninismo, defendendo reformas radicais sem ter em conta as consequenciais desvantajosas que daí advêm, para uma sociedade que queira vir a ser socialista. Assim, com este discurso o esquerdalho adquire, com esta crítica e escárnio do Estado e das instituições públicas nacionais, a imortal reivindicação e postura revolucionária de quem não tem responsabilidades e dispensa a moderação, porque aquilo que supostamente deseja se afasta demasiado da realidade. Mais! Dizem que se aproximam do povo e dizem que tanto eles, o esquerdalho, como o povo, estão desesperados e impotentes, mas que com a revolução ganham uma nova força. Não têm que ser responsáveis ou moderados, porque o sistema está viciado, e se fossem moderados nada acontecia. Desta forma, são forçados pelas circunstâncias adversas ao radicalismo, pois sem revolução não conseguem fazer nada para mudar a sociedade que está tão absolutamente inaceitável e de má qualidade para viver, com desigualdades brutais etc etc... A irresponsabilidade é isso. Apesar de justificarem o radicalismo com as circunstâncias, é o radicalismo que querem por definição, porque isso concentra e outorga-lhes muitos votos e apoios, dos revolucionários da esquerda, de quem se sente inspirado pelas ideias revolucionárias, ou quem se sente de facto mal com a sociedade existente, ou quem se sente aparentemente mal com a sociedade que existe, sempre pessoas perdidas entre as soluções sérias e sem escolher nenhuma, escolhem uma que não é séria, que não se preocupa com a realidade, mas apenas com o idealismo da revolução. Para ter estes apoios e votos, o esquerdalho e os seus membros, apregoam que a revolução é uma cosia que nunca acaba e por isso nunca haverá necessidade de a deixar, sob pena de cair nos mesmos vícios em que hoje nos vemos imbuídos, oriundos da responsabilidade e da moderação! Com isto, associam a moderação e a responsabilidade, a postura governativa, que se preocupa com o equilíbrio, com a seriedade, organização e optimização do Estado, com os males da sociedade em que vivemos, e o esquerdalho, associam-no à revolução, daí as constantes alusões ao 25 de Abril, a uma reorganização profunda, a uma reestruturação de tudo o que existe para construir um mundo ideal.
Manuel Alegre uniu o esquerdalho nas eleições internas do PS e candidatou-se às eleições presidenciais já com a máquina do esquerdalho pronta e com circunstâncias favoráveis para disputar aquelas eleições particulares. O esquerdalho a longo prazo não tem espaço nem no PS nem na sociedade democrática moderna – o esquerdalho é um produto da insegurança e da diversidade tolerante dos partidos de centro-esquerda
porque faria todas as mudanças para tornar a sociedade socialista, estão ao nosso alcance se estivesse ao seu alcance, se com a rédeas do Estado estivesse,

Manuel Alegre usa palavras de Oliveira Salazar: “Debalde porém se esperaria que milagrosamente, por efeito de uma varinha mágica, mudassem as circunstâncias da vida portuguesa.”

Mario Figueiredo disse...

Entretanto o movimento de cidadania de Alegre não se pronuncia uma única vez sobre a forma como os Portugueses vêem a Justiça, não se insurge uma única vez sobre a forma como o Ministério Público tem actuado, sobre o quase diário crime de fuga ao segredo de justiça, sobre o fenómeno aterrador de crianças assassinas, sobre o papel da sociedade portuguesa na europa, sobre os direitos das mulheres, sobre ....

O movimento de cidadania de Alegre e Alegre, ele próprio, preferem ser politicos profissionais.

rb disse...

E tem a desfaçatez de dizer que está à espera dum contacto de Sócrates para conversarem, quando agora confessou que ele lhe ligou após as eleições, mas nessa altura Alegre recusou porque estava a descansar, ou melhor, de baixa ...

Anónimo disse...

A geringonça do Alegre não se chama mic? Basta esse nome...

Anónimo disse...

e esse manuel alegre quem é? nunca ouvi falar

maloud disse...

Que saudades que eu tinha do Alegre, ou melhor dito, que a Drª Constança falasse do Alegre. A Pátria, sem, volta meia volta, o citarmos, definha e o PS esse então estiola e fica moribundo. Como a Drª sabe, eu preocupo-me com a saúde da Pátria, mas muito principalmente com a do PS.
Ora a Pátria desde que o Alegre se lhe dedicou de corpo e alma {só intervalou para umas visitas de cortesia aos bustos e a um cemitério}, não consegue avançar sem o apelo daquela voz poética. Creio mesmo que o eng. Belmiro e o filho Paulo, sem o ouvirem declamar pela enésima vez "A Trova do Vento que Passa", nunca se abalançariam naquela OPA à PT. É que aquilo cala fundo e desperta o patriotismo do coração mais empedernido {o eng. Belmiro não tem lágrima fácil} e, como cada um dá o que tem, o homem da Sonae para acompanhar a cavalgada patriótica do Alegre, sacou do livro de cheques e para não se arriscar a ficar sem cobertura, garantiu que aquele Banco que agora alberga a fina-flor da política lhe cobrisse qualquer pequena diferença, e zás animou a Bolsa da Pátria e as páginas económicas dos jornais da Pátria. Foi um reboliço patriótico como há muito não se via.
Quanto ao PS, sem o Alegre aquilo estava sem vida, sem chama. Claro que o ministro Diogo fez os impossíveis para animar as hostes, nestes últimos tempos. Mas o resultado foi frouxo, talvez porque ele não é bem um socialista, embora, se quer que lhe diga, já tenha andado mais longe. Está a fazer a transição do BE para o PS, depois de ter feito outras transições. Ainda dizem que neste país só há imobilistas. Ingratos! Mas voltando ao meu querido PS, estou convencida que aquela ala alegrista vai rejubilar de contentamento. Aquelas flores que estavam um pouco murchas a Belém, o Cravinho, e os outros de que não me lembro vão abrir as pétalas e animar aquele grupo parlamentar, que andava um pouco monocromático. Agora, para além de discutirem aquela seca das leis, haverá belos discursos sobre a língua portuguesa, a cidadania, os movimentos imparáveis que emergem da sociedade civil. Enfim! As TVs que se ponham a pau, porque vão ter um concorrente de peso: o canal Parlamento. Claro que isto é bom, mas não chega. Falta o encontrozinho com o Sócrates. Mas logo que o Manuel Alegre encontre um furo na sua agenda, tenho a certeza que o nosso 1º, nem que tenha de faltar a um Conselho Europeu, lá lhe dará o abraço diante do esperado atropelo de fotógrafos e de camaramen.
Assim já durmo mais descansada.

Anónimo disse...

Que contente que a CCS fica com algum "fumo" de instabilidade no PS...

Ganhe vida querida!

jose fiaes disse...

Roma não paga a traidores!
Que é que o Alegre quer? Depois de ter traído o partido, quer vê-lo de joelhos?
Fia-se no milhão de votos; numa breve análise dos resultados é fácil de constatar que há alí votos que fazem uma manta de retalhos. Da extrema esquerda sempre descontente, passando pelo PC, PS, PSD e mesmo pelo CDS que alberga a extrema direita, há ali votos.
Avance o seu grupo com uma de ideia de rotura a ver o que acontece!!!

Anónimo disse...

Ao estado a que a política portuguesa chegou, parlamento incluído, inconsequente, sem qualquer rasgo que ultrapasse um medíocre servilismo, trauliteiro, pode ser que, com um poeta enganado há longos anos - não conseguiu ler no vento que a palavra, no PS, vale o que vale - agite aquelas águas estagnadas e torne menos menótono o espectáculo naquele semi-círculo do nosso atraso.

maloud disse...

Ó Mário Figeiredo, a Inês Pedrosa também já é política profissional? Eu que só a conhecia da Única do Expresso e das apresentações hiperbólicas, quando se trata da Agustina Bessa-Luís e de andar na campanha do Alegre a dizer: "Ó Alegre, não fique alegre!" que como todos notámos, na devida altura, era uma piada o mais subtil possível. Já sei que escreveu uns livros, mas eu não li.
Estou espanmtada!

Alice disse...

Diz no texto:

"Alegre responde com Churchill, reduzindo o PS a um desprezível grupo de pequenas intrigas"

Sinceramente, não sei até que ponto o PS não é o que Alegre diz...

Saloio disse...

Cara ccs: a senhora não gosta mesmo do poeta, ou é impressão minha? Parece uma fixação.

É que a posição política de MA é absolutamente irrelevante para o país. Fáça-nos um favor: olhe mas é para o Engº Sócrates e seus amigos...como aquele senhor que é administrador da Iberdrola e, ainda tem tempo para acomular com o posto de deputado.
E pergunte sobre a OTA, o TGV, a indemnização à Eurominas, etc., etc.

Cumps do Saloio.

maloud disse...

Anonymous das 5.30PM,
Não seja injusto. A Drº Constança só ficou decepcionada pelo grupo parlamentar do PS não acolher o Alegre com Champagne. E eu também. Seria da mais elementar justiça.

Anónimo disse...

Tem razão Alice: é isso mesmo!

Anónimo disse...

Oh José Fiais, e eu a julgar que todos os votos contavam tanto como os do PS...

quintoimperio disse...

Manuel Alegre deve o que é ao PS e nunca se lhe viu nada de relevante quanto à política do PS. Agora tem dúvidas sobre o Ps que ele sempre cavalgou e serviu. Renovação política? Prefiro o Quim Barreiros a cantar o bacalhau quer cebola!

Anónimo disse...

Maloud, Você está uma cronista catita. Como diria o nosso caro Sniper.Vejam lá bem aonde isto vai: a defender com unhas e dentes o manuel Alegre, o nosso reincarnado Camoes. Merece o nosso preito de homenagem. Como dizia Nietzsche, " quem nao sabe pôr as suas ideias no congelador, nao se deve aventurar no calor da discussao ". Alegre ma non troppo, porque ele só pode atrazar o desenvolviemento do processo de autonomia radical do povao.( Faltam os tilts, por causa do teclado teutónico). Niet

maloud disse...

Caro Niet,
O Alegre foi quem me levou a votar como votei. O terror de na 2ª volta levar com aquela cidadania toda, decidiu-me. O teclado tedesco faz os seus comentários muito mais divertidos, se é que isso é possível
Um abraço {nunca perco esta efusividade latina}