sábado, fevereiro 11, 2006

NOVIDADES

KERTESZ1 internacional
Os leitores começam a reclamar. Estão fartos da história dos "bonecos", das ruas do Islão, das bandeiras queimadas, de abaixo-assinados, de manifestações à porta da embaixada da Dinamarca e de discussões esotéricas sobre a liberdade de expressão. Os leitores, como todos nós, exigem novidades constantes. A novidade é um vício que se esgota em dois tempos: um debate dura três dias e uma notícia umas horas. As “aberturas” das televisões ditam as regras: trinta minutos de neve, neve a cair em Lisboa, bonecos de neve no Alentejo, um manto de neve na Figueira da Foz, ruas com neve no Algarve. E chega de neve. Segue-se a “Teresa” acompanhada pela “Lena” e pelo casamento dos homossexuais: conservatória à pinha, políticos em bicos de pés, convidados em estúdio, reportagens de fundo, um debate prometedor. Cai o debate. Entra Maomé: cartoons ofensivos que as imagens não mostram, multidões em fúria, embaixadas destruídas, tiros no Afeganistão, jornalistas dinamarqueses, choque de civilizações, xeques e imãs para todos os gostos. Saem os xeques e os imãs. Surge Belmiro de Azevedo, envolto numa Opa hostil: conferências de imprensa, editores de economia em estúdio, os passos da operação, análise de cenários, agitação na Bolsa, a reacção da PT. E Belmiro de Azevedo acaba por ser substituído. A novidade deixou de ser novidade. Por razões que valeria a pena indagar, em Portugal, só as novelas é que têm o privilégio da durabilidade.
ccs

11 comentários:

CMF disse...

Não percebo a mania "blogosférica" de mostrar fotografias sem referir o autor. "Andre Kertesz", por favor, por respeito a uma grande obra!

Vera Cymbron disse...

Este post parece-me um SOS para termos um fds calmo e longe das tontices do que acontece à nossa volta. Parece-me bem...

psac74 disse...

Tudo se resume a efémero...

Anónimo disse...

realidade a bater novela?

http://www.correiomanha.pt/noticia.asp?id=191193&idselect=181&idCanal=181&p=0

Margarida Marante vive momentos dramáticos depois de ter sido raptada e violentada por Francisco Farinha Simões. A jornalista continua a sentir-se insegura na sua casa e, ontem, decidiu revelar toda a história. Ao CM, Marante explica que optou por tornar o caso público devido às chantagens de que foi alvo por parte do criminoso

Fernando Bravo disse...

Porque as novelas têm o privilégio da durabilidade? Ora, porque têm novidades todos os dias. E não muito diferentes das que referiu...

Mª Lurdes Delgado disse...

Eu não protestei, até dei uma dica, para o caso de estarem com problemas de guião. Está bem! Já sei que não foi aceite, mas que me esforcei, é inegável.
Agora, com a pontinha do véu, que a Constança fez o favor de levantar, julgo ter adivinhado o tema da próxima semana: TVI! Esse será palpitante, até porque a actriz principal {acho até, que só por inveja da Academia não foi nomeada para um Óscar},a Manuela Moura Guedes, só ela dá para uma boa dúzia de posts, cada um, no mínimo, com cinquenta réplicas.
Claro que há aquele problema de a Constança ser a editora da política, da estação, mas, como julgo que não tem nada a ver com o resto que se lá passa, nós, os seus dedicados e leais leitores, estaremos à vontade para comentar aquelas reportagens em que a mãe morreu tuberculosa, o pai tem sida, o avô é alcoólico e os filhos, 'tadinhos são o amparo da casa e, no fim, a jornalista pergunta o que é que sentem.
Acho que, na próxima semana, inevitavelmente O Espectro vai destronar o Abrupto. Também já não era sem tempo!

Woman Once a Bird disse...

Não me parece que a bola esteja (só) do lado do público. A informação que se faz é enviezada, deplorável e sensacionalista. E Quando faço uma afirmação destas, não a endereço só a uma estação televisiva. Ainda assim, restam-nos alguns bons orgãos informativos (pelo menos no que diz respeito à imprensa). Suponho que o público esteja maioritariamente farto é da forma como se faz informação em Portugal. Eu sei que estou. Novidade seria se isso mudasse...

esgoto disse...

infelizmente nem só as novelas. A perenidade afecta os chicos-espertos, a saloiada, a intelectualidade diletante, a classe política que desde sempre criou raízes, enxertada da velha monarquia e os neo políticos pós revolução dos cravos que procriam entre eles, alegremente como moscas. O resultado está à vista.

zazie disse...

porque não acontece cá nada ":O)))

sniper disse...

CCS, excelente post. O privilégio da durabilidade não é só um exclusivo das novelas, mas sim de todos os acontecimentos que entusiasmam e estimulam os portugueses. Esses acontecimentos e respectivo grau de entusiasmo, estão directamente relacionados com o nível cultural deste país. Fico neste particular por aqui, para não ferir sensibilidades. Temos em Portugal um caso fabuloso de durabilidade, com abundante informação diária em pelo menos três jornais diários desportivos. O fenómeno desportivo, ou melhor futebolístico, é um caso que não pode ser considerado novela, e que na realidade e na teoria não tem material e acontecimentos para tanta página escrita, mas os factos apontam noutra direcção, a qual é uma história de sucesso a todos os níveis, garantindo quase "ad eternum" uma perenidade nas histórias com clientela garantida. Parecem blogs impressos. Não quero de forma nenhuma ensinar o padre nosso ao vigário, para isso pode a CCS ensinar-me se assim o quiser e entender, mas de facto e para a outra informação que não a desportiva, os jornalistas que irei chamar de primeira linha, não se identificam com o mercado consumidor de informação, que é em grande parte condicionado pela sua vertente cultural. Não estou a advogar a 100% uma informação do tipo " Correio da Manhã" ou "24 Horas" numa "primeira linha" de informação, mas também lhe posso dizer que esses jornais podiam ter muito mais sucesso se soubessem contar os acontecimentos, pricipalmente o follow - up dos mesmos, da mesma forma com que os desportivos o fazem, agarrando os leitores muito mais tempo, passando muitas vezes informações intressantes aos leitores, que de outra forma não teriam receptividade se não houvesse o tal acontecimento inicial contado com uma desenvoltura intelectual e cultural ao nível dos leitores.Os mesmo se passa nos blogs, onde o mercado se mede pelo número visitas e comentários, e respectivo perfil cultural dos mesmos. Cara CCS, não estou a ver num horizonte muito distante blogs com publicidade, patrocínados, ou de blogs pagos para se ter acesso. Penso que o blog vai ser a informação do futuro, onde o cliente está onde gosta, a ler a informação que quer, na mais completa privacidade, e ainda por cima com um bónus fabuloso de ler as notícias-análises-posts, poder comentar, e saber mais informação sobre essa notícia através um manancial aparentemente infindável de fontes de informação, que são os comentadores dos posts. Não vejo grande futuro na imprensa escrita, que para além de ter todas as limitações de ordem tecnológicas que são óbvias, é uma indústria não amiga do ambiente, uma edição dominical de um jornal tipo NY Times" são dezenas de hectares de floresta na Amazónia ou no Oregon, e não sei quantos milhares de metros cúbico de água para o esgoto, e os jornais também não permitem qualquer tipo de interactividade, assim como não podem conter notícias em formato de "filme", como nos telejornais, etc, etc. A sociedade da informação é esta. Haja vontade de a construir e participar. O post que escreveu num futuro próximo, não será necessário escrevê-lo no dia em que os blogs forem o veículo de informação por excelência, porque alguém da sua "estrutura" o irá fazê-lo para a manter informada sobre os apetites do mercado. Este país está cheio de "Mães de Bragança", que aparecem sempre quando alguém pretende inovar seja naquilo que fôr.......

Anónimo disse...

CCs, então quem é que trabalha numa cadeia de tV? Nós?
É você.Já indagou?Não? Se demorar algum tempo mais, não faz mal, nós esperamos pacientemente.
Mas vale a pena pensar no seguinte: Toda a gente gosta duma boa historia.
Ninguem gosta de ser manipulado.
Acontece que o jornalismo de hoje não tem credibilidade.Nenhuma.
Quantas peças vão para o ar sem se "checar" a sua credibilidade?
Quantas peças servem sómente para testar o bom humor do reporter e desqualificar o politico, empresario,futebolista ou cidadão?
Aquando do arrastão, alguem pediu desculpa?
Mas alguem com cabecinha no jornalismo julga que isto alguma vez funciona?
O pior é que aparentemente, (poucos mas existem) só alguns jornalistas admitem reflectir sobre isto.