quarta-feira, fevereiro 01, 2006

LIBERALISMO À PORTUGUESA

00006a kertész
Portugal está cheio de liberais, mas de uma espécie rara que não se preocupa muito com a liberdade. Não vi um único sinal de incómodo com o chamado "cartão do cidadão", que o dr. António Costa se prepara para "experimentar" (?) até ao fim do ano. Esse cartão vai ser ao mesmo tempo cartão de contribuinte, cartão de saúde, cartão da segurança social, cartão de eleitor e bilhete de identidade. Por outras palavras, o Estado tenciona reunir num rectângulo de plástico quase tudo o que há a saber de relevante sobre um indivíduo (só me espanta que o sr. Costa se esquecesse da carta de guiar e do registo criminal). Pior ainda: com essa informação o Estado pode averiguar os mais pequenos pormenores da vida de cada um: quanto ganha, que impostos paga, que doenças tem, que medicamentos toma, onde trabalha, quem é o patrão, onde mora, quando vota ou não vota, quem são os pais, com quem se casou, se foi ao estrangeiro e por aí fora. Claro que o Estado já pode meter o bedelho onde lhe apetecer. Só que dantes lhe custava mais. Com o novo cartão, basta carregar em meia dúzia de botões e uma pessoa fica instantaneamente nua para exame e gozo da autoridade. De qualquer autoridade, reparem bem, na prática irresponsável e sem nome, que a decida investigar. O dr. António Costa, ministro da GNR e das Polícias, que anunciou o seu cartão com a vaidade provinciana do indígena numa conferência com Bill Gates, também disse que não o move o menor "preconceito contra o Estado" e garantiu que não "abdicará" de nenhum serviço e de nenhum funcionário. Inesperado, não é?
Na América e na Inglaterra, ainda não existem documentos de identificação universal (como coisa distinta da carta de guiar, por exemplo) legalmente obrigatórios.
vpv

54 comentários:

Nuno disse...

Na America e Inglaterra não existe esse tipo de identificação mas certamente são os paises onde mais se vasculha e viola a vida dos cidadãos, incluido as chamadas telefonicas de qualquer habitante. Quanto à questão do cartão único não tenha medo porque a informação não vai estar guardada no cartão, o cartão funciona apenas como uma chave de acesso tal como os vários cartões que temos.
Estes medos (compreensiveis) de expor a nossa vida já deviam ter aparecido há mais tempo já que todos somos fácilmente analizados pelas grandes empresas banca/telecomunicações/comércio

sniper disse...

Caro VPV, os documentos de identificação, tal como os conhecemos, como por exemplo o famoso B.I., foram e são utilizados em países onde as liberdades foram ou são reprimidas.Para além de subscrever inteiramente o escreveu, gostava de acrescentar o referido cartão vai fazer por exemplo, as delícias das companhias de seguros nos mais diversos ramos de actuação, para não mencionar os contratos fabulosos para a produção do mesmo. Para terminar, só queria referir que estou absolutamente certo que a moda do roubo ou cópia ilegal desses mesmos cartões vai pegar de imediato, tornando a violação do segredo de justiça uma brincadeira de crianças. Estamos completamente lixados, para não dizer outra palavra muito mais expressiva. Neste manicómio chamado Portugal onde reina a maior das impunidades, o aparecimento deste cartão preocupa-me muito, para não dizer que fiquei estarrecido.
P.S.- Os únicos liberais portugueses que conheço, são alguns amigos meus, que após uma valente jantarada, vão para o Elefante Branco apanhar uma não menos valente bebedeira! É inarrável...., mas são naquelas breves horas, em que o amanhã seria absolutamente dispensável, os verdadeiros liberais da nossa praça.

Anónimo disse...

Eu também tenho muito medo que saibam coisas da minha vida mas essas coisas não estão em cartões ;)

magnuspetrus disse...

Será isto preferível ao sistema britânico de constante vigilância das pessoas e do actuar quase sempre violento da polícias?
A meu ver, sim. Até porque quem não teme, não deve...

Anónimo disse...

ó homem, é carta de condução, carago!

Jota Pê disse...

O Estado sabe um conjunto de trivialidades sobre as pessoas! Não é o cartão único que lhe vai facilitar grande coisa já que essa informação já lá está! Quem sabe TUDO sobre as pessoas é o Ricardo Salgado, Teixeira Pinto etc. Certa vez um funcionário de uma instituição bancária levantou dinheiro no multibanco do casino do estoril e no dia seguinte foi chamado à "gerência".Bom, perorar contra o cartão único sempre serve para encher artigos de jornal e entreter o pacóvio.

Manuel disse...

Oh Homem, já descobriu o que são e para que servem os blogs, mais um bocadinho e domestica o Google. faça ums pesquisazinhas antes de disparar, vai ver que faz jeito, quanto mais não seja para que depois não digam coisas destas de si...

"As pessoas que escrevem nos blogues, como muitas que escrevem nos jornais, como as que falam na televisão, dão aquilo que elas julgam ser opiniões. Políticos falhados, jornalistas frustrados e tanta outra gente completamente iletrada, que não conhece os assuntos, e podiam dizer aquilo, ou o contrário, que era igual ao litro"

meanwhile...
23 de Novembro de... 2003
11 de Julho de... 2005
29 de Outubro de... 2005

Mas tem razão... apesar de ser português estou longe se ser liberal como 'eles'. Boa sorte, pois na caça aos gambozinos.

E dedique é essa verbe a malhar no estranho 'passeio' do Bill Gates. Condecoração, adjudicações milionárias sem qualquer sombra Concurso, dignas dum país dp terceiro-mundo, e por aí além. Vá, deixe-se de ninharias. 'Bora pró serviço público, ou também vai perder tempo a seguir com o casalinho lésbico que foi ao cartório ?

Mário Figueiredo disse...

Prefiro pensar no "cartão único" como uma vantagem no peso da minha carteira e num (talves) sinal de desburocratização. No que diz respeito às minhas liberdades, existe uma grande diferença entre agregar cartões de plástico e agregar sistemas informáticos e departamentos governamentais. O cruzamento de informação não é fácil em Portugal.

Anónimo disse...

Não ligue ao Nelito da Loja do Queijo. O JPP também não liga e faz muito bem.

Sílvia disse...

VPV:
«Não tenhas medo à verdade, ainda que a verdade te acarrete a morte.» Marquês de Peralta, Caminho n.34

FMPires disse...

Não percebo o intuito do post... a informação do cartão já está toda do lado do estado, só que custa-nos a todos 4 vezes mais do que poderá vir a custar.

A informação não "despe" ninguém pois só se refere às relações da pessoa com o órgãos do Estado. Se não usar a segurança social ou for a hospitais privados o cartão não mostra essa informação.

Mas pelos vistos o VPV acha que a liberdade se conquista disseminando a informação por inúmeros departamentos inúteis, usando a kafkiana burocracia que nós temos como despiste para a busca de informação.... bom,sempre a aprender....


Cumprimentos

Robespierre disse...

O Estado devia era também preocupar-se em vigiar seriamente os funcionários públicos que têm acesso a estas.

Conheci um tipo que trabalhava num serviço fiscal e tinha acesso à declaração de rendimentos dos contribuintes. A declaração de rendimentos dos amigos, inimigos, figuras públicas e semi-públicas era muita vezes discutida em jantaradas.

O cartão do cidadão vem apenas ampliar o problema.

Pressupondo que tem que haver sempre alguém no Estado que tenha acesso aos nossos dados, o que importa é que o Estado garanta o cumprimento do dever de confidencialidade por parte dos seus funcionários.

Mas se com o segredo de justiça é o espectáculo que se tem visto, a esperança em conseguir o cumprimento em assuntos destes é praticamente nula.

esgoto disse...

em bom português - estou-me cagando para o cartão, os cartões, as fichas, as informações: podem saber tudo a meu respeito. Não pretendo comprar nada e tenho nada para dar.

LV disse...

Finalmente um cartão que me ajude a esvaziar a carteira dos arcaicos suportes de informação que trago dentro da carteira. Nem sabia que era ao Sr. Dr. António Costa que tinha de agradecer. Obrigado. Já que temos que ter um número que nos identifique no meio da marallha então que seja um só. Como não tenho problemas em saberem quanto eu ganho (declaro tudo nos impressos do IRS, ao contrário da minha empregada doméstica, do taxista que deixou há pouco em casa e do tasqueiro onde almoço), mesmo que precisasse de Viagra, pouco me importava que soubessem que medicamentos tomo ou que doenças tenho, como não trabalho em negócios escuros não me importa que saibam com quem trabalho, a minha morada vem na lista telefónica, se junto com o número de eleitor não ficar o registo de quem eu votei... etc etc.

Esta mania da perseguição de vpv e outros é que me parece incompreensivel bastante saloia. Provinciano é aquele que tem recorrer aos exemplos de outros paises como a Inglaterra para justificar os seus temores

LV disse...
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LV disse...
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LV disse...
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JF disse...

Um cartão. Menos burocracia. Qual é o problema?

xatoo disse...

bom,
com esta pedalada a "plantar" posts os leitores vão ter de controlar os seus tempos livres muito bem controladinhos, como diz a Constança ali eem cima. Somos uns leitores de sucesso, portanto.

lusitânea disse...

Eu acho bem.Para já deve haver muita malta que fica sem papeis porque documentos falsos devem ser aos montes.Depois estou farto se pagar e os outros não...CONTROLEM AO MM...O pessoal ainda não se deu conta de que cada vez mais existem saudades dos bons velhos tempos...

rb disse...

Cartão único: boa medida! Desburocratizar é preciso. Facilitar a vida aos cidadãos e agilizar o estado. O único óbice é a sigla: CU. - Ó faixavor. Mostre-me lá o seu CU. Etc ...

pipilota disse...

Finalmente, carago, bou ter o cartão de saúde! tenho uma folha A4 provisória há 2 anos. Acho que o Basco tá a implicar com a coisa, só pra chatear. Agora até as crianças da escola têm esses cartões, para não se roubarem uns aos outros e para picarem o ponto à entrada e saída das grades da escola. É a bida , a bidinha digital, deste que morra antes do chip debaixo da pele, tá-se bem! por enquanto só suporto o chip contraceptivo 'Implanton' debaixo da minha pele, para não ter que ir à Clinica dos Arcos tratar do desmanche.

crack disse...

Bem me parecia que não lhe poderia ter escapado o provincianismo bacoco do Costa, mais o seu cartão, que, a reboque da sofisticada campanha publicitária de Gates, fez um lamentável número de vendedor de banha da cobra.Que se aproveite a qualificação do tal milhão de portugueses, e que, destes, não emigrem muitos, é o que se espera que fique deste folclore todo.

pipilota disse...

Ó faixavor, faz-me lembrar o libertino, não confundir com liberal, ó faixavor, tenho que lá ir contar-lhe que o vpv e a ccs têm um blogue!! mas já debe saber há munto tempo, k'um caneco, o berdadeiro argonauta!

pipilota disse...

é bom comentar aqui, carago, sabendo deste logo que o vpv está-se nas tintas para a malta, nem vai ler esta porra! Gracias, Basco por não perderes tempo com esta logorreia!

Pina disse...

Como já foi dito aqui o Cartão não contem NENHUMA INFORMAÇÃO pessoal...
O cartão é apenas um identificar, assim como o cartão de Saude apenas lá tem o nº para os funcionarios porem no Computador, o cartão de Eleitor apenas contem o nº, para os funcionarios riscarem nas listas... O cartão de contribuinte apenas contem o seu número, não contem as suas declarações de IRC ... Etc, etc, etc...

Ou seja, em vez de andar com 50 cartões com 50 números diferentes, anda apenas com 1, que tem os vários números de cada Dept. do Estado.

Hoje em dia se lhe roubarem o cartão de utente dos hospitais, pode saber que doenças tem? Só se tiver acesso aos computadores de um Hospital para por lá o nº...
Ou seja, se for a uma companhia de seguros, eles não podem saber que doenças teve, apenas o nº de doente...


Quando não se sabe, mais vale estar calado...
Já parece a historia das listagens das chamdas, e dos filtros de Excel, ninguem sabia nada do que se passava, mas cada um queria mandar o seu bitaite...

Abraços.

Musicologo disse...

Quem não deve não teme. O que estiver no cartão toda a gente pode saber que não me incomoda. Tem assim tanto a esconder?

Lord Jeremias disse...

como bem disse o "pina" o cartão único não vai ser um bilhete único com número único, expressamente proibido pela nossa constituição, vai ser um suporte digital que acumule todos os identificadores que tem nos 5 ou 6 cartões actuais. se só puder aceder ao número fiscal as máquinas fiscais que por sua vez são as únicas a conseguir aceder à base de dados das finanças, então não há grande problema em entregâ-lo ao enfermeiro que só vai ter acesso ao seu número de doente nas máquinas dos hospitais que são as únicas a ter acesso à base de dados de saude certo?
existem preocupações legitimas acerca de como isto vai ser feito tecnologicamente mas realmente aqui foi um tiro ao lado.

Senhor Indivíduo Satanhoco disse...

Caro VPV
Respeito os seus pontos de vista, que sempre que possível tento ler, mas só os vejo como tal...É notório que tem sido visitado por muitos fãs, para quem os seus pensamentos são dogmas!!! Mas a mim este parece-me mais um dos seus pontos de vista do contra... às vezes até tenho algumas dúvidas, não sei se o considero um comentador ou “contrariador”!!! o que nem sempre é bom...NEM SEMPRE!!!
Eu acho que este cartão é uma vantagem a todos os níveis... a informação existe, aqui apenas se está a agrupar... sinceramente não percebi qual era a preocupação!

Anónimo disse...

Boa questão.
Penso que a maior parte do liberalismo ou neo-liberalismo é de cariz economico e não de cariz social ou pessoal.Porque não abdicam do controle.
É frequente ver um neo-liberal ser contra os impostos mas abdicar do liberalismo em questões como o aborto, emigração, homosexualidade, droga, etc...veja o coro de "virgens" ofendidas
aquando do debate Soares-Cavaco.
Tudo se resume ao dinheiro, não ás pessoas.
É uma boa questão porque em termos de conceitos e praticas um anarquista ou libertário está muito mais proximo da "aniquilação" do estado e sua autoridade do que estes neo-liberais de pacotilha.
Para mim o unico Português que se assumia e praticava saudavelmente a "resistência" contra este tipo de controle foi Agostinho da Silva.
Era livre, não pertencia a grupos ou comitês de pensamento ou reflexão nem tinha bilhete de identidade.Porque a identidade não cabe num bilhete nem numa carta de condução.

Adriano Volframista disse...

Lá está voçê a desconversar.
Há assuntos mais interessantes, mas...
Há uns trinta anos, por alturas da guerra do YOM Kippur, conta-se que o embaixador britânico comentou,(citação livre) para o seu homólogo françês:"Que os israelitas assim, desapareceriam em pouco mais de trinta anos", tendo em conta o número de árabes); reza a história que o françês comentou: "Não, aguentam-se pelo menos mais 100, não se esqueça que (os inimigos) são árabes".
Serve esta pequena história ilustrativa para, parafraseando, afirmar que não se esqueça que somos portugueses.
Ainda voçê era uma criança e já existia o ignóbil BI com impressão digital; serviu para alguma coisa, além de sujar o dedo? Nem sequer tinhamos uma base de dados com as cópias?!!!
Há mais de 15 anos que existem computadores nas Finanças só agora estamos a cruzar dados, algo que qualquer mentecapto poderia concluir assim que soubesse quais os dados que as finanças possuem sobre o cidadão.
Acresce que, o ser humano ministro é o autor, mentor e implementor da lei de escutas telefónicas. Acha que é necessários dizer mais alguma coisa?

Cumprimentos
Adriano Volframista

rb disse...

Não percebo qual o problema em ter um C.U.. Tem é de ser estimado.

Ricardo Francisco disse...

A questão não é se o estado tem ou não autoridade. É bom que a tenha.
A questão não é se o estado tem ferramentas para o auxiliar com as suas funções com autoridade.
A questão liberal é quais são as funções do estado e até onde pode aplicar a sua autoridade sobre os cidadãos.
Em Portugal o problema não é do cartão único. O Problema são as funções/papel que o nosso estado tem...o que adicionado com um ferramenta poderosa...sim...podia fazer medo a liberais.

Mas VPV, e porque não continuar com o cartãozinho, e alterar as funções do estado. É que as segundas é que são fundamentais, o segundo é instumental....

Alice disse...

Eu concordo com o cartão e acho muito bem que o Estado/Autoridade controle a vida dos portugueses se assi for necessário.

O facto de não existir nem na América nem em Inglaterra não significa que não possa existir cá. Aliás, porque é temos de ser sempre os últimos ter algum resto de inovação. Por uma vez sejamos pioneiros, nem que seja no C.U.

Sérgio Aires disse...

Po acaso até houve quem se sentisse incomodado.

Anónimo disse...

Concorde-se ou não com o C.U., é espúrio o argumento "não tenho nada a esconder". Suponho que também estão à vontade com buscas ou escutas sem mandato judicial. Como não têm nada a esconder...

patricia veiga disse...

existem na dinamarca e dão imenso jeito. os maus-usos isso é outra questão e não deve ser confundido com o principio de simplificar o sistema...

esgoto disse...

Um CU, sem homorroidal, dá sempre jeito.

Anónimo disse...

Geezzuz,que cambada de ignorantes. Como qualquer pessoa minimanente informada sabe, um cartão (e número) único é o exemplo cláussico das delícas de qualquer estado autoritário. E quanto ao facto do cartão físico não conter informação (well, duh), um NÚMERO único permite uma centralização e um acesso imediato a uma série de dados que estão por enquanto disperos (ainda que, claro, acessíveis). E claro que não se deve poupar trabalho ao estado neste aspectos. As nossas liberdades estão, como é óbvio, a serem limitadas.

Luc ("hope you guess my name").

Anónimo disse...

Um C.U.até é capaz de ser muito eficiente na carteira de cada um, uma vez que desanuvia o peso (será que também serve como c.de crédito para pagar as dívidas?)mas aqui, nesta santa terra, é uso e costume mudarem-se as moscas e a m.... fcar na mesma. Não vale a pena, por isso, grandes folclores à volta do mesmo,porque o ar provinciano de quem os inventa ou anuncia como sendo a descoberta do séc. demonstra bem o estado em que nós estamos. A partir de Março, (será o mês certo?) o ramalhete fica completo. É caso para lembrar 'Casablanca': 'prendam-se os do costume'.

rb disse...

O maior problema é sabermos que o Estado estará sempre com um olho no CU. Mas desde que esteja limpo, qual é o problema.

vital disse...

Sr Vasco,o sr tem assim tanto medo que o Estado vasculhe a sua vida?O que é que esconde? Eu não sou pedófilo,não sou bombista,não fujo ao fisco, não sou contrabandista, não me interesso muito com a vasculhisse do Estado, o que queria era ter só um documento para tudo. A América e a Inglaterra não têm? Azar.

Ricardo Francisco disse...

Caro anónimo das 3:09,

É óbvio que as nossas liberdades estão a ser limitadas? Se calhar quer dizer que é óbvio que esta ferramenta PODE contruibuir para limitar as nossas liberdades.

É a mesma coisa que dizer que por se aumentarem o número de polícias, as nossas liberdades são obviamente limitadas.

Não me entenda mal, não defendo como acima de qualquer suspeita as intenções do legislador. Este cartão de facto pode facilitar o cruzamento de informação para o controle da vida privada dos cidadãos. Prefiro pensar que tambem pode ser usado para controlar a vida pública dos mesmos (os bons dos impostos e essas "coisas"), e pelo caminho, desburocratizar um pouco a relação do cidadão com o estado....e claro, eliminar umas quantas estruturas redundantes da administração pública.

Entretanto, não discordo de si, quando diz que o cartão único é a delícia de qualquer estado autoritário. MAs o nosso estado não o é. É "pulha" como dizia outro "bloguista", mas não é autoritário...não nesse sentido.

Anónimo disse...

Duas coisas: Discordo que não tenha havido sinal de incómodo! Perante o meu desconforto, foi me dito que o tal do cartão do cidadão não vai ser ao mesmo tempo tudo isso isso que diz ser..... cartão de segurança social, etc. Vai é ser um cartão que irá conter todos os outros cartões que já existem e continuarão a existir, com número individuais.... É uma espécie de carteira com muitos porta moedas! Foi o que me venderam. Portugal quer é o bem estar prático dos portugueses!

Anónimo disse...

Caro Ricardo Francisco,
O argumento dos polícias não é válido, trata-se da potenciar ou tornar eficientes meios legítimos existentes. O cartão único dá, pelo contrário, (por exemplo, aos polícias) uma arma perigosa que permite limitar as liberdades de cada um de nós, tendo acesso a dados privados - arma essa que pode ser mal utilizada. Por isso, não sendo nós um estado autoritário, não será prudente dotá-lo de meios que o permitam ser. Exactamente por causa dos (inévitáveis) abusos.
Quanto às afirmações várias do "Quem não deve não teme" (que validam, por exemplo, escutas ilegais) são feitas por quem (entre outras características intelectuais evidentes) não preza a liberdade individual, a privacidade, et al. Penso que era sobre isso que o VPV escreveu, tendo razão, como se vê por estes comentários.

O Anónimo das 3.09 (aka LUC)

ricardo francisco disse...

Caro LUC,

O argumento dos polícias é válido exactamente porque o cartão único apenas potencia e torna mais eficientes meios legítimos já existentes. O cartão único per si não permitirá ao estado fazer nada que não conseguisse fazer antes. Antes o processo seria é muito mais ineficiente. Podiam-se arranjar melhores exemplos, como um sisitema de informação que permitisse gerir a força policial de forma online, qualquer coisa desse género.

Entretanto, não apliquei o argumento do "quem não deve não teme", pois não? Digo isto porque quem ler o seu post vai pensar que sim.

Lord Jeremias disse...

mais uma vez ocmo disse anteriormente, o cartão único como o propõe o governo NÃO É UM CARTÃO COM NÚMERO ÚNICO! é apenas um cartão que inclui todos os números actuais, sem os unificar num único. número único é expressamente proibido pela nossa constituição [artigo 35º paragrafo 5]. ou seja o CU é apenas um suporte digital que inclui todos os números que actualmente ocupam 5 ou 6 cartões. desde que se restrinja as máquinas e agentes de determinado ministério de acederem a todas as outras bases de dados não relacionadase de outros ministérios, não há problema nenhum!

Maria-Manuel L. Marques disse...

Cinco Notas sobre o Cartão do Cidadão


1. O Cartão do Cidadão não é um repositório de dados pessoais. Não contém informação sobre o meu rendimento, não diz se pago ou não meus impostos. Não permite saber se sou muito doente ou muito saudável.

2. O cartão permite apenas e com autorização do cidadão o acesso a diversas bases de dados autónomas, que hoje já existem, estão protegidas e não se cruzam entre si.

3. O cartão permite uma identificação mais segura, protegida de falsificações. Se o cidadão voluntariamente o pretender, o cartão permite ainda a identificação electrónica e a assinatura digital.

4. O cartão serve também para o Estado simplificar e poupar dinheiro na multiplicação de cartões e de sistemas de suporte, o que deveria ser creditado a seu favor ( e ao nosso já agora).

5. Projectos como este estão em curso ou já concluídos em muito países europeus. Por acaso nos mais desenvolvidos e liberais, como os países nórdicos.

joao disse...

"Por acaso nos mais desenvolvidos e liberais, como os países nórdicos."

Disse liberais e ao mesmo tempo países nórdicos ???


aiii,...o senhor vai ser excomungado na praça publica ..vai vai

Ameixoa com carosso disse...

Se o cartão é único, não interessa nada!
O que é importante é o NÚMERO único! Que... já existe há uns tempos. Chama-se Nº de contribuinte.
E está no Fisco, na Banca, nas Seguradoras, no Céu, na Terra, e em toda a parte!

Ameixoa com carosso disse...

Nota: há por aí muita ignorância quando se diz que as Bases de Dados existem, o problema é o CRUZAMENTO.
Basta que estejam "disponíveis":

"Select * from A, B, C, ...Z where NumContribuite = x"

1.Substituir A, B, etc, pelos nomes reais.

Voilà!!!
Tudo sobre o Sr. com o número de contribuinte x...

AR disse...

Porra vpv, desta vez desiludiu-me. O cartão único não tem mal nenhum e tem claras vantagens operacionais. Eu, tal como você, já vivi em Inglaterra e Portugal e nunca percebi a aversão que os ingleses têm ao BI. Na realidade, a inexistência de um BI em Inglaterra leva a que as instituições sejam obcecadas com a morada das pessoas e as "referências".
Eu, que também defendo as liberdades individuais, nunca senti as minhas ameaçadas pelo BI.

Nuno disse...

Estou pasmo com o que para aqui se tem escrito na caixa de comentários.

Aquilo que está em causa é liberdade das pessoas. O cartão é apenas um identificador, é certo, mas através dele pode-se ter acesso a todo o tipo de informações. As pessoa ficam facilmente sujeitas a todo o tipo de controlo. É isso que está em causa. O reino Unido não tem BI precisamente por causa disto.

De uma certa forma passamos para um estado como é descrito no romance de Orwel, 1984, em que o cidadãos são continuamente controlados. Não temos direito à privacidade, entramos no dominio do "Big Brother is watching you".

ringthane disse...

Bom, eu não tenciono ser detentor de um tal cartão. E agora? É como no julgamento do Hank Rearden?

"Apresente a sua defesa"
"Não quero ter qualquer defesa."
"Mas tem de apresentar uma"
"Recuso-me a tal."
"Isto é inaudito"
"Quer dizer que precisa que eu me defenda para poder acusar-me?"

:D