domingo, fevereiro 05, 2006

A LEI DO MAIS FORTE

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O primeiro-ministro Sócrates declarou que "o uso gratuito e irrestrito" da liberdade de imprensa pode conduzir "à lei do mais forte". Nas "sociedades democráticas, segundo Sócrates, a imprensa deve ser "responsável" e "respeitar a dignidade" do próximo. D. António Marta, bispo de Viseu, concorda: nada de "extremos"! E até D. Januário, mimo episcopal da esquerda, vai avisando que "há limites". Tudo isto, como se calcula a propósito dos cartoons dinamarqueses, que para D. António, "acenderam um rastilho difícil de controlar". Que dizer disto? Em primeiro lugar, que a linguagem hipócrita da Ditadura volta sempre à superfície com assombrosa facilidade. Salazar teria aprovado fervorosamente Sócrates, D. Januário e D. António. Passou a vida a pregar o mesmo. Só insistia na censura, e com muita pena, jurava ele, precisamente para evitar "o uso gratuito e irrestrito" da imprensa, garantir a "responsabilidade", estabelecer "limites", proibir "extremos" que "acendessem rastilhos". Afinal, o homem tinha razão. Não se devem deixar à solta os jornalistas. Existem "valores" com que não se brinca e que a autoridade, com a sua superior moral e sapiência, está por natureza obrigada a defender.

Claro que sem liberdade de imprensa, por muito relativa que ela fosse, a Europa seria hoje muito diferente. Sem Erasmo, a Reforma, o iluminismo e o socialismo; e sem a arte, a ciência e a crítica bíblica, a Europa ocidental, para sossego e conforto do seu espírito, seria agora quase oriental e, com sorte, até talvez muçulmana. Uma hipótese que aparentemente agrada a toda a gente que por aí rasteja para não ofender ou amansar a conhecida susceptibilidade do Islão. A tirania do "politicamente correcto" já não permite pensar que a civilização greco-latina e judeo-cristã da Europa e da América é uma civilização superior; e superior, muito em especial, à civilização falhada muçulmana e árabe. Mas, quer se pense quer não, o facto permanece e a subserviência do Ocidente perante a intimidação islâmica, a propósito dos cartoons da Dinamarca ou de qualquer outro pretexto, envergonha e humilha.

Principalmente porque, ao contrário do que Sócrates resolveu explicar, com o seu oportunismo e a sua absoluta inconsciência cultural, a liberdade (no caso, da imprensa) não leva à "lei do mais forte". O que leva à "lei do mais forte" é o petróleo e o dinheiro do petróleo. Quando o Islão berra, a Europa treme. O resto, a baixa retórica do relativismo, não passa da eterna sabujice da dependência.
vpv
(publicado no jornal Público)

52 comentários:

Planície Heróica disse...

Completamente de acordo.
No limite, ao que parece, a liberdade económica pode colocar seriamente em causa a liberdade de expressão.

P.S.: Mais a mais, os bonecos em causa não são nada de transcendente...

Um abraço,
Francisco Nunes

Marco disse...

Que declarações vergonhosas!

tr disse...

"Uso gratuito e irrestrito" da liberdade de expressão não coincide obviamente com concentração económica dos meios de comunicação, pelo contrário. A crítica à racionalidade editorial associada ao monopólio informativo é genuinamente liberal e não resulta, por necessidade, de nenhuma propensão intrusiva do Estado face à liberdade no sector da comunicação. Deverá, isso sim, procurar desactivar os bloqueios à sua organização concorrencial. Ao mesmo tempo, a sobranceria lançada ao "uso gratuito e irrestrito" da liberdade expressão, por si, é, como foi bem assinalado, a manifestação de um anacronismo civilizatório que, por mais que procure reeditar-se, não colherá apoios nem silêncios. Espero.

Tiago Ribeiro

biscuit disse...

O seu raciocínio neste poste é pardoxal, como é seu apanágio, e no limite você defende a selva, embora a encapote com a economia, mas, verdadeiramente, você está é a soldo dos lobbies da comunicação social.
Faz um excelente trabalho ao seu patrão Belmiro de Azevedo, não tenho dúvidas!

Anónimo disse...

Os seus argumentos são um pouco etnocentricos, com essa da superioridade da civilização ocidental. Se para si o é, para outros pode não o ser. Isto da superioridade das civilazacções depende muito do tempo historico, eles tambem já foram "superiores", como tambem os chineses, etc...
Parece-me que para si o mundo existe entre os Urais e a West Coast, e é um lugar bem simples.

JAM disse...

VPV,

e o respeito, no meio disso tudo ?
Onde é que o coloca ?

.

EUROLIBERAL disse...

Caro Vasco, não ouviu falar lá em Oxford de uma coisa chamada "common sense" que os verdadeiros gentlemen tomam habitualmente e em doses elevadas, tal como o chá ?

Não será por isso que os anglo-saxónicos, pour une fois, se comportaram decentemente, evitando divulgar as blasfémias de um pasquim dinamarquês da extrema-direita xenófoba ?

Não será porque pensam que todos os direitos devem ser excercidos com bom senso e bom gosto, o que equivale a não ofender gratuitamente as convicções íntimas de 1.500 milhões de pessoas ?

Não será a defesa "à outrance" da liberdade de expressão e de blasfémia, independentemente da gravidade das ofensas e dos fossos daí resultantes, um vício jacobino dos reles sans coulottes sem pedigree ?

Quelle horreur, mon cher Vasco, você virou agora jacobino antisemita ? Shocking !

JV disse...

Bem vindo à blogosfera, caro VPV.

cris disse...

Há quem tenha caído na armadilha e quem nao tenha caído.

Os radicais islamicos necessitavam de alimentar a fogueira do seu odiozinho. Os suicidas devem estar a esgotar. E a extrema direita também deve adorar, que é para ter um inimigo a abater. Dantes eram os judeus, agora é o islao.

Nada melhor do que aproveitar os cartoons para o fazer, dado que eles sao na verdade ofensivos para o islao.

Pedro M disse...

E alguém já pensou que esses cartoons "malditos" podem traduzir, no fundo, o sentimento verdadeiro de uma boa parte da população europeia, sobre o Islão, e que já não engole as tretas do políticamente correcto?.
Independentemente das qualidades (ou falta delas), os cartoons fazem estalar o verniz e a tinta (grossa, grossa!) que cobre a cobardia e laxismo disfarçados de "tolerância" (tendênciosa)e "cosmopolitismo exótico" e isso é muito bom!

cris disse...

Também é capaz de beneficiar a opiniao publica, caso se decida pelo uso da força na palestina ou no Irao com bombinhas atomicas. Convém haver uma certa animosidade contra um povo inteiro. Enfim, triste mundo.

De onde partiu a armadilha, é que escapa à compreensao.

Pedro M disse...

"De onde partiu a armadilha, é que escapa à compreensao."

Isso, isso. Mais um pouco e vai-nos falar dos "Protocolos"...

cris disse...

Mas sou mais a favor da primeira hipotese. A armadilha partir dos radicais islamicos. Querem aumentar as hostes, até porque o Irao deve estar a preparar-se para o que vai fazer a seguir.

E se for atacado vai ter do seu lado a multidao já enraivecida pela porcaria de uns cartoons.

Curioso os media ingleses e dos estados unidos terem resistido até hoje na republicaçao dos cartoons e a bbc desfocar os cartoons na tv. eheh

cris disse...

de que lado ficará a China e a Russia? Do lado da razao ou do petroleo?

MªLurdes Delgado disse...

Não será porque os USA e o UK já estão aterrados com a quantidade de soldados seus mortos no Iraque?

Éme disse...

Ai que desperdício ... de pérolas.

f disse...

"Strange it is, that men should admit the validity of the arguments for free discussion, but object to their being 'pushed to an extreme'; not seeing that unless the reasons are good for an extreme case, they are not good for any case."

J Stuart Mill, "On Liberty"

Anónimo disse...

O que se passa no Glória Fácil tem muito mais nível...

esgoto disse...

a falta de sentido de humor é o principal sintoma da falta de inteligência. Tudo bem, se os néscios não governassem a minha vida. Já quem os lá pôs merece ser governado por eles.

jorge lami leal disse...

O conceito de liberdade de expressão é, pelos vistos, susceptível de interpretações discordantes. Os cartoons, enquanto sátiras, um produto da liberdade de expressão, conseguiram irritar uma parte do ocidente e o Islão. Mais que a palavra, desta vez foi a imagem!

Para alguma esquerda, o problema está na “orientação” do jornal. Fosse publicado num qualquer pasquim de esquerda e a opinião seria outra...

JAC disse...

Vergar a esta pressão será perder a nossa liberdade como povos com direito à diferença…

Há formas de manifestar o nosso desacordo mas estas não podem passar para além da liberdade do outro.

"Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os "cartoons", mas de quem os publica.”

Subscrevo.

Os povos que se considerem ofendidos, e têm motivos objectivos para o estar, têm o direito à indignação mas não desta forma selvagem.




Somos uma nação pobre (estéril) e castrada (infecunda) … somos um povo descaracterizado, humilhado e cobarde cujos ídolos são uns, alguns de nós, a correr atrás de uma bola num campo relvado.

"Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os "cartoons", mas de quem os publica.”

http://sal-portugal.blogspot.com/
JAC - Sal de Portugal

Teófilo M. disse...

Caro vpv,

desculpe-me em primeiro lugar este tratamento inormal, pois não o conheço de parte nenhuma, e pode ser considerado um abuso, mas a liberdade tem destas coisas.

E a propósito da dita(liberdade)da imprensa, ainda não entendi em que é que uma caricatura, que segundo a definição mais corriqueira do dicionário on-line da Porto Editora é um substantivo feminino, e pretenderá significar:
1. (desenho, descrição, etc. ) retrato de pessoas ou acontecimentos que assenta no exagero cómico de alguns dos seus traços distintivos;
2. figurado, pejorativo tentativa falhada de imitação de pessoa, coisa ou acontecimento;
3. figurado, pejorativo pessoa, coisa ou acontecimento ridículo;
(Do it. caricatura, «caricatura»), poderá ser qualificada como imprensa, uma vez que vulgar e habitualmente entendemos imprensa, como o suporte de informação que pretende esclarecer, investigar e comentar, em vez de ser um veículo promocional de bizarrias mais apostadas no sencionalismo ou desaafio à vulgaridade comezinha do nosso enfastiante dia-a-dia.

Erqueu-se a sua pena, desta feita, para clamar contra o Sócrates e dois bispos, em nome da defesa de uma liberdade de imprensa que lhe tem permitido exprimir a sua opinião que parece não-alinhada, mas que não passa de uma interessante encenação de uma hipotética consciência moral de burguês bem instalado na vida e sustentado pelos seus masoquistas consumidores.

Nunca entendi como é que o insulto gratuito pode ser confundido como a liberdade de alguém poder insultar, porque a ser assim, deveria na sua coluna começar a defender a liberdade de actuação para os que agora incendeiam carros e promovem manifestações de desagravo, pois a liberdade quando nasce deverá ser para todos, ou não será assim?

A minha liberdade, por muito que lhe possa eventualmente custar, termina exactamente no local e na hora em que ameaçar a sua, e é um equilíbrio delicado que, se fosse respeitado por todos, evitaria que muito poucos dominassem muitos, e que essa sim, é a lei do mais forte, muito embora à primeira vista possa parecer o contrário.

Quanto ao relativismo, não é sabugice, é apenas uma questão de modas.

Cumprimentos

Teofilo M.

cris disse...

M Lurdes, pode ser.

Parece-me excelente é o facto de a esmagadora maioria dos media e países nao ter caído na tentaçao de republicar os cartoons e ido atrás da coisa.

Como os fundamentalistas começaram
a incendiar embaixadas e a manifestaçoes mais exageradas, pode fazer com que nao consigam o apoio de todo o Islao e em vez disso apareçam outras vozes de Islao a contrariar a violencia dos marados.

Pedro M disse...

Já agora, o que me dizem desta obra?
E porque não mereceu semelhantes manifestações de repúdio à escla planetária?
Porque é que é mesmo merecedora de "criticismo estético" que procura conferir-lhe uma aura de respeitabilidade?

http://en.wikipedia.org/wiki/Piss_Christ

Paulo Pisco disse...

Sobre este assunto ver http://memoriasdeadriano.blogspot.com/

cris disse...

Pedro M: porque o mundo nao estava à beira de uma guerra com países cristaos, como está agora com países islamicos?

Pedro M disse...

"Pedro M: porque o mundo nao estava à beira de uma guerra com países cristaos, como está agora com países islamicos?"

Por vários motivos, desde a ganância de uns à estupidez e oportunismo de outros. Pessoalmente já não estou interessado em justificações únicas ou simplórias que em nada alteram ou resolvem os problemas actuais. Apenas sei de que lado estou. E conheço um bocadinho daqueles sítios, onde muitas vezes se defeca onde se cozinha ou se bebe água.
E com mais certezas fico ao ver imagens como as que podem encontrar em

http://www.garfos.letrascomgarfos.net/archives/2006/02/05/a-religiao-da-paz/

Que me dizem dos personagens?

cris disse...

Diria que os cartazes foram todos escritos pela mesma pessoa , é a mesma letra. E se calhar eles nao sabem ingles ..lol

cris disse...

Esses cartazes eram mesmo agressivos. Vi na BBC uma entrevista a uma senhora islamica que tinha ido a essa manifestaçao que dizia precisamente que nunca pensou que as mensagens fossem assim.

Há até ameaças. Isso é que é dificil de tolerar e já devia ser caso para tribunal.

Jose Sarney disse...

Tudo muito incomodado!

E Ruschdie? Não foi CONDENADO à pena de morte, pelos "versículos satânicos"?

E será que o Idi Amin que foi protegido na Arábia Saudita, depois de ser um "comedor de gente"? E ninguém se preocupou nas Arábias.....

E as BURKHAS?

E as mulheres que não podem conduzir nas Arábias?

E o poder absoluto das Monarquias e dos Mubarak's ETERNOS?

Afinal, onde está a Democracia? No esgoto? Não, porque os valores do Liberalismo não permitiriam NUNCA.

Não se pode conceder UM MILÍMETRO. A LIBERDADE é SAGRADA.

cris disse...

e a bola de Berlim e o pastel de nata?

Pedro M disse...

"e a bola de Berlim e o pastel de nata?"

Isso não é nada:
- E o rojão?

Em defesa do rojão
lutemos contra o Islão!
;)

Ahab disse...

Brilhante, assino por baixo!

Mariazinha disse...

Confesso que já sofro de islamofobia. Agora temos o Irão e a questão nuclear mais os cartoons dinamarqueses, é um mundo de loucos...

pequenito disse...

cris said

então se amulher ia de burca,esperava que visse?
E vendo, saberia lêr?

Mas foi e se calhar, aprendeu evive dos parvalhões da UE.

Como os ciganos;
.... do rendimento mínimo, com Rolls à porta e ouro, muito ouro,muito mesmo.

Pior, com as finanças que só não "têm medo" dos andrajosos deste país. Sim, com p pequeno.

Anónimo disse...

Que maçada. Será que os tipos do Islão não percebem que se não houvesse jornais que publicam tudo não os víamos aos berros? nem havia terrorismo?

Zecatelhado disse...

"Lillah Kabir Kwayyis"

Já toda a gente opinou em público neste país; Escutei opiniões doutas e sapientes, opiniões da ralé de pé descalço e, claro, tomei notas.
Estou a referir-me concretamente ao problema dos cartoons "ofensivos" à Nação do Islão.
Na minha modesta opinião, nós Ocidentais temos o mau costume de medir os conceitos da virtude e da ignomínia do mundo pelos nossos próprios conceitos, o que a meu ver é tão ou mais intolerante que tudo o resto.
Se alguma cultura tem a "ousadia" de pensar de modo diferente, está "feita ao bife" connosco: Selvagens, bandalhos etc..., são apelidados de tudo a mais umas botas! Mas que arrogância do caraças!
O Islão é conservador a roçar o reaccionarismo no que ao conceito religioso diz respeito segundo os nossos olhos Ocidentais? Se calhar é! Mas isso dá-nos o direito de os ofender maliciosamente como fizeram esses "jornalistas"? Não dá! A nossa tão apregoada liberdade deve sempre PARAR ONDE A DOS OUTROS COMEÇA!
Que diriam os Judeus se os Árabes fizessem um cartoon com a Tora a servir de vibrador a um rabi?
Ou o que diria o Ocidente Católico se eles fizessem um cartoon com Jesus Cristo a posar para a Playboy?

A verdade é que anda por aí muita gente interessada em acirrar os ânimos contra os povos do Médio Oriente, e nós, se não formos todos uma cambada de parvos, até sabemos quem são eles.

Pedro M disse...

"Mas que arrogância do caraças!"

Também é preciso saber ser arrogante. E mau. E injusto.
É o que dá estar vivo e querer viver.

"A verdade é que anda por aí muita gente interessada em acirrar os ânimos contra os povos do Médio Oriente, e nós, se não formos todos uma cambada de parvos, até sabemos quem são eles."

Talvez seja verdade. Mas nós, os presumíveis civilizados, somos conduzidos à emasculação por uma mentalidade que abomina tudo o conceito da força, da violência, do confronto. Porque sem força, a única coisa que se consegue fazer é escrever textos de indignação em blogues.
Já agora e como provocação, acrescento que não é possível alguém dizer-se português e orgulhoso da sua história sem ter em conta a violência que a permitiu.
Por demissão e comodismo deixamos que os outros decdam o nosso destino.

Já agora, o zecatelhado é a favor de um substancial incremento do nosso orçamento para a Defesa?
Ou prefere resumir-se ao direito à indignação?

Ricardo disse...

Viva,

Estou de acordo com o texto mas esta questão não é assim tão simples. Temos ou não temos na nossa lei limites à ridicularização de símbolos nacionais? Parece que sim! Então porque é que em relação a símbolos que não são os nossos não devemos ter o mínimo cuidado com o bom gosto e o bom senso? O que está mal em toda esta situação é o radicalismo com que o Islão respondeu exigindo respostas oficiais e queimando embaixadas e bandeiras. Mas, provavelmente, a Europa ou os EUA também não aceitariam de bom grado se a figura, por exemplo, do Papa fosse ridicularizada. Mesmo quando isso é feito por nós - e por nós entenda-se ocidentais - como fez em tempos o cartoonista António as reacções foram exageradas. Feita por terceiros parece uma provocação gratuita.

Liberdade de Imprensa sim mas com responsabilidade! Se até a nossa lei impões limites a essa liberdade - os tais símbolos nacionais, os atentados contra a honra de terceiros, entre outras situações - então em relação a símbolos que não nos dizem respeito esse cuidado deve ser ainda maior. Eu, como leitor, achei de mau gosto a publicação. Daria razão aos que acusam o jornal de não ter tido bom senso. O que estraga toda a argumentação aqui exposta por mim é o fanatismo que não tem justificação em nenhum contexto. Mas aqui está um incidente que o bom senso, de ambas as partes, podia ter facilmente evitado.

jose sarney disse...

"Mas aqui está um incidente que o bom senso, de ambas as partes, podia ter facilmente evitado."

Isto, faz-me lembrar Chamberlain, em 1936 ou 1937! Depois, o Adolf até fez o acordo com o Molotoff.

No dia em que Israel se baixar....Ciao! Mas, eles respondem-lhe à letra, com a ajuda do "papá" americano! E fazem bem, para sua sobrevivencia....

Ricardo disse...

José Sarney,

Aí está uma analogia com um contexto dificilmente comparável! Em resumo do que defendi nada justifica a reacção do Islão mas este caso pode, num contexto não legal, servir de reflexão para os profissionais da Comunicação Social. Não estou a defender, por isso, uma limitação legal mas simplesmente uma reflexão quanto ao carácter gratuito do tipo de imprensa que invade a Europa.

Mª Lurdes Delgado disse...

Relendo tudo isto descobri duas coisas aterradoras:
1ª VPV está a soldo do capitalismo e heresia das heresias, quem lhe paga ao caracter, como dizem os informáticos, porque eu aprendi carácter, é um homem cá do burgo
2ª Ajudei a eleger um homem sem sentido de humor e agora tenho de ser governada por ele
No que a mim diz respeito, concordo em absoluto. Que saudades daqueles seis meses de stand-up comedy, em que gargalhava todo o dia!

António Viriato disse...

Só por estas últimas intervenções de VPV já se justificou amplamente a sua entrada na blogosfera. São cada vez em menor número os que, no Ocidente, ousam enfrentar a exaltada verborreia fundamentalista islâmica. Os compassivos, amáveis e, no fundo, complacentes coadjuvantes ocidentais de um Islão sempre em crescendo de fúria e de intimidação : cristãos, agnósticos ou ateus, todos infiéis para aqueles fundamentalistas, como se sabe, fazem aqui as figuras dos idiotas úteis de má recente memória política. É caso para se dizer : Longa vida, na blogosfera ou fora dela, ao comentador, intelectual, felizmente não alinhado, VPV, verdadeiro azorrague infatigável de um corte de bem pensantes e politicamente correctos, por esse mundo fora. Continue, pois, VPV a manejar com perícia essa fulminante arma de destruição maciça de idiotices, preconceitos e demais embustes, que é a sua contundente crítica política, para nossa comum sanidade mental, seriamente ameaçada por tanto dislate estipendiado que a maioria da Comunicação Social veicula e amplifica, com os efeitos deletérios que se podem comprovar numa simples leitura de blogues.
Boa semana com inspiração continuada.

Anónimo disse...

A diferença entre as declarações de Jose Socrates e as suas, são as que vão do estatuto e responsabilidade entre um 1º ministro e um comentador.Nem mais, nem menos.

Mário Azevedo disse...

Já pensou que se o politicamente correcto tivesse vingado no século XIX, provavelmente o holocausto não teria acontecido. Basta procurar a bibliografia desse século para perceber como a dificuldade de entender os judeus era a mesma. Até o nosso Eça escreveu textos antisemitas.

MP-S disse...

A liberdade da imprensa deve ser defendida de forma intransigente pois e' essencial para o funcionamento de uma sociedade democratica. De acordo.

A questao mais relevante, porem, e' a seguinte: sera' que as maiores ameacas 'a liberdade de imprensa nas nossas sociedades proveem dos muculmanos? Sera' que o assunto mais importante e' mesmo saber se podemos publicar uns cartoons sem interesse sobre Maome (que fossem sobre Cristo, ou o Papa, e' indiferente...). Alguem duvida que vamos continuar a publicar os tais cartoons na Europa e nos EUA?

Sera' que se esta' a querer moldar o debate publico no sentido de obter consentimento da populacao europeia para uma politica mais musculada em relacao ao Islao, ao Irao, ....?

Dom Quixote disse...

Como não poderia deixar de ser, depois de ler alguns dos comentários, vejo que continuamos a viver no país dos velhos costumes.
Não questionar os valores e respeito máximo para com uma moralidade que é hipócrita e mediocre. O politicamente correcto já sofoca.
Quanto aos bonecos. So What?
Respeito pelas ideologias sim mas nunca receio pelos radicalismos.

Anónimo disse...

“Os árabes estão mesmo a um nível inferior do desenvolvimento humano. Os cartoons foram publicados em Setembro e só agora é que os atrasados mentais reagem. Durante esta espécie de «Ramadão» os seus amigos radicais tiveram tempo de tirar a bomba da cabeça do atleta e pô-lo numa cama a ter relações sexuais com um suíno”. – Quitéria Barbuda in “O Suíno Sagrado”, Revista “Espírito”, nº 25, 2006.

QUAES CUNQUE FINDIT


www.riapa.pt.to

Anónimo disse...

Se Sócrates não queria ofender ninguém, ficava calado.

As maiores ameaças ás liberdades, a todas elas, não vêm dos muçulmanos mas dos nossos concidadãos mais "responsáveis" e pragmáticos.

E porquê? Perguntem a pessoa scom menos de 30 anos qual é a importância da liberdade de expressão, por exemplo.

Muitas delas não sabem... Não sabem que essa ausência implica a liberdade para a tortura e não sabem que quando se tortura não se tortura só os "culpados" mas quem nos apetece, etc...

candida disse...

concordo inteiramente. a liberdade de expressão é um valor indiscutível.

Anónimo disse...

sim, o petróleo, sempre o petróleo... e o hidrogénio, onde está a famosa alternativa energética? Afinal, estamos à espera do quê para nos tornarmos na tal "civilização" europeia, dita "ocidental", dita "avançada", quiçá "superior"? Pois, anda para aqui aos tombos, aos mandos e desmandos das ditas civilizações "inferiores"...

Heydrich disse...

A razão que leva os ingleses a não não publicarem os cartoons não tem nada a ver com a conduta de gentleman ou qualquer suposto respeito pelo islão. Fazem-no simplesmente porque têm o país a abarrotar de paquistaneses... e aqui entra o common sense, numa versão bem mais pragmática do que alguns imaginam...