sexta-feira, fevereiro 24, 2006

A GUERRA CIVIL NO IRAQUE

iraque
A destruição da Mesquita Dourada de Samarra, o santuário xiita, onde está o mausoléu do décimo imã, Ali al-Hadi, e do décimo primeiro imã, Hassan al-Askari, o avô e o pai do "imã escondido", que voltará no fim do mundo, para restabelecer a justiça, prova que não haverá paz no Iraque. A guerra civil a que os peritos têm chamado "guerra de baixa intensidade", um eufemismo particularmente obsceno, passará pouco a pouco a uma "intensidade" sem qualificação, apesar do exército americano e da fantasia e de um governo "unitário" e de um parlamento "eleito". A experiência de nation building, que excedeu em cegueira e arrogância, qualquer precedente histórico moderno, acabou de vez. Mas não acabou ainda o efeito que vai ter sobre o Ocidente.
A América está metida, ou se quiserem ele própria se meteu, num beco sem saída. Não pode "pacificar", um "país", dividido por uma querela religiosa de um milénio e meio (já para não falar em divisões de etnia e de tribo), mesmo que aumente o número de tropas no terreno para um milhão ou mais (coisa que os militares insistentemente recomendam e que nem Bush se atreve a propor). Não pode escolher e apoiar um lado, no caso a maioria xiita, sem perder para sempre o Islão sunita (incluindo um aliado indispensável como a Arábia de Saud), perturbar catastroficamente o equilíbrio regional e, em última análise, entregar o Médio Oriente à hegemonia do Irão. E não pode, quanto mais não seja por razões de política doméstica e prestígio internacional, conservar indefinidamente cento e tal mil homens no Iraque, sem espécie de missão compreensível, no meio de um sarilho que não lhes diz respeito.
Infelizmente, inventar uma desculpa e fazer as malas também não é hoje uma solução. Se a América saísse do Iraque a guerra civil muito provavelmente alastraria aos territórios vizinhos, com consequências catastróficas para o Ocidente e para o mundo inteiro. Não há sequer a possibilidade de uma retirada parcial, que isole o Iraque do exterior e limite o conflito a fronteiras defensáveis. Bush criou um problema irresolúvel e, pior do que isso, incontrolável. E, como parte da "Europa" se comprometeu no exercício ou não tem força e resolução para intervir, o Ocidente ficou sem um único recurso eficaz, diplomático ou militar, e na iminência de uma derrota total. A bomba do Irão e a campanha contra os cartoons foram, de resto, o anúncio muito claro dessa nova realidade.
vpv
(publicado no Público)

69 comentários:

Anónimo disse...

Essa da «eminência» da guerra total não percebi...

Anónimo disse...

Perdão, da derrota total.

Omar Khayyam disse...

Ó VPV, o senhor não acha que chegou tarde, pelo menos, e pelo que diz, um milénio e meio, para dar razão a Saddam Hussein, esse "tiranete" que gaseou e prendeu umas centenas, na forma como mantinha o país pacificado, laico e, ao que consta, com liberdade religiosa, vejam-se os cristãos e os judeus que mantinham importantes comunidades no Iraque.
Saddam matou umas centenas, a democracia americana está a matar milhares e, pelos vistos, ainda chegará aos milhões. Sabe sr. doutor VPV, como sempre, a essencia da porcaria está no facto de tudo depender do cu de onde ela sai. Os americanos não sabem nada de culturas milenares, porque a deles tem o tempo de um donut comido sofregamente pela manhã acompanhado de mau café. Mas, pelos indícios por si apontados, a coisa ainda vai evoluir, para melor claro, só não me apetece dizer na perspectiva de quem. Pelo menos que sirva de lição e, pelo menos ainda, que sirva para que aqueles que atacam o MNE do Amaral e os seus coleguinhas de escolinha europeus pelas posições tomadas a propósito dos cartoons. Há culturas que só se agigantam quando atacadas, mas que, sabiamente, se confinam quando se lhes passa a mão pelo pelo. O MNE do Amaral, salvo a patetice do campeonato euro-árabe, ia pela estratégia correcta. Se calhar sem querer, é certo, mas ia... está-se a perder por causa de uns bem pensantes como vocelência.

Mario Figueiredo disse...

"We live today in a safer world" - George W. Bush

piscoiso disse...

Um problema só não tem solução para quem não o sabe resolver.
Se a solução é desfavorável a A ou B, já é outra questão.
A minha tia Dulce pôs-se a fazer um pão-de-ló. Saiu-lhe mal e teve de o deitar fora.

Devaneios Desintéricos disse...

Lembram-se daquele caricatural dia 1 de Maio em que um napoleónico Bush declarou, em plena plataforma do porta aviões USS Abraham Lincoln o fim completo das "major hostilities"? E lembram-se que, por detrás dele pendurado na ponte do navio, um imenso placard referia "Mission accomplished"? Tem piada, não tem? Se calhar para os iraquianos não tem nenhuma. Mas, pelos vistos, ninguém no gritante amadorismo que é o planeamento geoestratégico da Casa Branca se lembrou deste "pequeno" detalhe...

Os melhores cumprimentos

o bom selvagem disse...

Inteiramente de acordo na questão da guerra e do erro absolutamente estrondoso que foi a invasão do iraque.

No entanto, este texto de VPV é demasiado cronocentrista e dramático para nós.

É verdade que esse conflito dura há mais de mil anos mas precisamente por isso é que se deve relativizar os acontecimentos recentes quanto ao seu impacto numa escalada global do conflito.

1- O problema da bomba do irão resolve-se em menos de 24 horas com alguns mísseis de cruzeiro. Os EUA de clinton dispararam misseis tomahawk (em plena crise da Mónica Lewinski) sobre fábricas, que por acaso eram civis e já rebentaram com uma embaixada chinesa na jugoslávia. 3ª guerra mundial? Pfff... é a força da globalização, os negócios falam mais alto.

2- Recue alguns anos até à sagrento Irão Iraque e descobrirá que nesse tipo de conflito, quem perde é o Médio Oriente, e não o Ocidente. A "guerra civil" sobre uns despojos de um país moribundo e em ruínas como o Iraque só se faz com armas por petróleo. Angola aguentou assim mais de duas décadas. O ocidente tem experiência em lidar com campos bem mais "claros" como o de uma guerra civil, muito mais que o do terrorismo.

3- um conflito desta natureza concentrará, no seio do Médio Oriente fundamentalista, o foco do conflito. Subitamente as questões como as "caricaturas" e o grande satã americano desaparecerão. Aliás, basta ver que mais de 99% das vítimas dos atentados são muçulmanos civis e não ingleses ou portugueses.

4- a merda que os EUA e pandilha criaram vai ser toda sofrida na pele pelo povo iraquiano. Esse sim é a grande vítima, não é nem nunca será, o ocidente. Não se esqueça que a guerra é uma indústria ocidental e uma parte tão importante da acção governativa ocidental como o desporto ou a cultura.

Anónimo disse...

Cada dia que passa mais lamento a sorte dos Iraquianos, que para além de lhes terem destruido uma cultura milenar - coisa que os americanos nem sonham o que é - como alguém acima refere a cultura deles tem o tempo de um donuts - destroem-lhes a vida - o passado, o presente e o futuro. Lamento muito os inocentes que caem por causa da estupidez e da cegueira dum Bush, Blair, Aznar e sr.barroso. Estes sim, mereciam a fogueira e as bombas - porque surdos e cegos aos avisos daqueles que insistiam não haver armas de destruição maciça no Iraque. Mas nós sabemos que é preciso petróleo, testar armas e acima de tudo vendê-las ao mundo e há sempre aqueles gnomonos que querem ficar na fotografia para depois poderem rapar as migalhinhas do tacho.

Anti-critico do Freitas! disse...

Fomos lá...

Agora temos de aguentar!

Bem dizia o Freitas!

ruy disse...

Pois é, veja lá quanto custa a mentira de Bush, Blair e companhia ( as armas bilológicas recorda-se?)O certo é que o petróleozinho continua a jorrar e a encaminhar-se para a América.
É que esta luta intestina sabe tão bem aos interesses americanos e companhia, nè.
Longe de pensar, claro está, que foram os serviços secretos americanos que fizeram explodir a mesquita Xiita.

maloud disse...

O Dr. Pulido Valente já que escreve no Público fale com o José Manuel Fernandes e verá que, em dois tempos, ele lhe explica as vantagens da invasão do Iraque. Se mesmo assim permanecer céptico, marque um jantar com o Pacheco Pereira {vocês conhecem-se todos}, que esse então, é um expert nestas questões. Convém é ser num sítio recatado. Não, não é por causa da coscuvilhice dos malditos jornalistas. É, porque o Pacheco Pereira gosta de começar a explicitação da sua teoria com a frase "Estamos em guerra" e imagine o sobressalto, que isso pode provocar em comensais que estejam próximos. Eu engasgava-me e morria sufocada. Seria a nossa primeira baixa.

Anónimo disse...

Esse argumento do petróleo está mais que gasto. Se fosse só pelo petróleo mais valia não ter invadido o Iraque.

ruy disse...

Claro que não foi pelo petróleo, meu caro anónimo. Foi para impôr a "democracia", com a mesma vontade com que os americanos invadem os paises africanos, onde as ditaduras, assassinam dezenas de milhar de cidadãos. Os americanos estão sempre prontos em África (os paises que não têm petróleo por coincidencia)a intervir impondo a democracia, nè?

Anónimo disse...

Pode ser que, com a retirada dos americanos, os estádios do Iraque voltem a animar-se com o espectáculo tipo circo romano, com as multidões ululantes a aplaudirem os assassínios de pobres vítimas indefesas, imoladas à "cultura" milenar daquele povo.
Aliás, Bush já encontrou parte da solução: investir no desenvolvimento das energias alternativas, concluindo que grande parte das fontes petrolíferas estão nas mãos de inimigos. Depois, pensará ele, o fogo ateado entre xiitas e sunitas tem grandes hipóteses de alastrar sem controlo.
Os americanos pouco terão aprendido com o Vietname, é evidente, e a saida será mesmo sair. Ficará a Europa com o problema à porta, bomba do Irão incluída, a menos que os Dinamarqueses com o seu esforço de conciliação, ou o Prof. Freitas com o futebol, consigam algum milagre.

Anónimo disse...

Pode ser que, com a retirada dos americanos, os estádios do Iraque voltem a animar-se com o espectáculo tipo circo romano, com as multidões ululantes a aplaudirem os assassínios de pobres vítimas indefesas, imoladas à "cultura" milenar daquele povo.
Aliás, Bush já encontrou parte da solução: investir no desenvolvimento das energias alternativas, concluindo que grande parte das fontes petrolíferas estão nas mãos de inimigos. Depois, pensará ele, o fogo ateado entre xiitas e sunitas tem grandes hipóteses de alastrar sem controlo.
Os americanos pouco terão aprendido com o Vietname, é evidente, e a saida será mesmo sair. Ficará a Europa com o problema à porta, bomba do Irão incluída, a menos que os Dinamarqueses com o seu esforço de conciliação, ou o Prof. Freitas com o futebol, consigam algum milagre.

maloud disse...

Isto é o eco na blogosfera?

Anónimo disse...

Pode ser que, com a retirada dos americanos, os estádios do Iraque voltem a animar-se com o espectáculo tipo circo romano, com as multidões ululantes a aplaudirem os assassínios de pobres vítimas indefesas, imoladas à "cultura" milenar daquele povo.
Aliás, Bush já encontrou parte da solução: investir no desenvolvimento das energias alternativas, concluindo que grande parte das fontes petrolíferas estão nas mãos de inimigos. Depois, pensará ele, o fogo ateado entre xiitas e sunitas tem grandes hipóteses de alastrar sem controlo.
Os americanos pouco terão aprendido com o Vietname, é evidente, e a saida será mesmo sair. Ficará a Europa com o problema à porta, bomba do Irão incluída, a menos que os Dinamarqueses com o seu esforço de conciliação, ou o Prof. Freitas com o futebol, consigam algum milagre.

Anónimo disse...

Pode ser que, com a retirada dos americanos, os estádios do Iraque voltem a animar-se com o espectáculo tipo circo romano, com as multidões ululantes a aplaudirem os assassínios de pobres vítimas indefesas, imoladas à "cultura" milenar daquele povo.
Aliás, Bush já encontrou parte da solução: investir no desenvolvimento das energias alternativas, concluindo que grande parte das fontes petrolíferas estão nas mãos de inimigos. Depois, pensará ele, o fogo ateado entre xiitas e sunitas tem grandes hipóteses de alastrar sem controlo.
Os americanos pouco terão aprendido com o Vietname, é evidente, e a saida será mesmo sair. Ficará a Europa com o problema à porta, bomba do Irão incluída, a menos que os Dinamarqueses com o seu esforço de conciliação, ou o Prof. Freitas com o futebol, consigam algum milagre.

Anónimo disse...

Pode ser que, com a retirada dos americanos, os estádios do Iraque voltem a animar-se com o espectáculo tipo circo romano, com as multidões ululantes a aplaudirem os assassínios de pobres vítimas indefesas, imoladas à "cultura" milenar daquele povo.
Aliás, Bush já encontrou parte da solução: investir no desenvolvimento das energias alternativas, concluindo que grande parte das fontes petrolíferas estão nas mãos de inimigos. Depois, pensará ele, o fogo ateado entre xiitas e sunitas tem grandes hipóteses de alastrar sem controlo.
Os americanos pouco terão aprendido com o Vietname, é evidente, e a saida será mesmo sair. Ficará a Europa com o problema à porta, bomba do Irão incluída, a menos que os Dinamarqueses com o seu esforço de conciliação, ou o Prof. Freitas com o futebol, consigam algum milagre.

BLUESMILE disse...

Uma análise lúcida e assustadora da realidade.

Anónimo disse...

Não há guerra civil nenhuma.

A Invasão do Iraque impediu os recursos ( incluíndo o conhecimento, centros de investigação do Iraque estarem a ajudar a Jihad internacional). Além de ocupar uns bons milhares de combatentes. Mas talvez vpv preferisse que nos viessem visitar...

"Pois é, veja lá quanto custa a mentira de Bush, Blair e companhia ( as armas bilológicas recorda-se?)"

Ligeireza e ignorância.



"Cada dia que passa mais lamento a sorte dos Iraquianos, que para além de lhes terem destruido uma cultura milenar - coisa que os americanos nem sonham o que é"

Pensava que eram os Iraquianos ou Árabes que andavam a matar Iraquianos.
E por essa ordem de ideias porque não defendes que os Americanos se transformem num novo Saddam?
e matem assim uns bons milhares de uma vez indiscriminadamente para provar a superioridade da "civilização milenar"?



lucklucky

Anónimo disse...

EMINÊNCIA, ou iminência, Sua Eminência?

zazie disse...

e o VPV foi das poucas pessoas que por cá disse que isto ia acontecer...

Anónimo disse...

Ele e toda a esquerda...

Não por ser conscienciosa, mas por estar do contra, claro.

De resto, era óbvio qu eisto ia acontecer.

E o pior está para vir.

Anónimo disse...

Iludidos pelos media...
Um ataque terrorista dos mais arriscados para os próprios terroristas é visto como uma vitória destes...
Por que raio é que os terroristas tiveram de atacar um dos edifícios mais sagrados do Iraque?
Porque falharam todas as outras tentativas.


Comparamos com a Colômbia ?


O pior está para vir mas não vai ser no Iraque.

lucklucky

maloud disse...

Zazie,
Você desculpe, mas à parte o à época chamado José Mel Durão Barroso, o Paulo Portas, aqueles dois srs. que eu citei mais acima e aquele, que há dias se demitiu do PSD, o Rato, eu não me lembro de um grande entusiasmo por este desastre anunciado. Você lembra-se?

Anónimo disse...

Sim...

Infelizmente também há-de calhar a Europa...

E a avaliar pelos comentários entusiasticos anti muçulmanos isso parece agradar e até ansiar a muitos!

maloud disse...

Anonymous das 6.05 PM,
Esse número do investimento em força nas energias alternativas, já ele fez no primeiro mandato, também num discurso do Estado da União. Você acredita?
A única coisa em que eu acredito é que nós os temos à porta, enquanto o Bush, esse iluminado, tem todo o Atlântico a separá-lo da embrulhada em que se e nos meteu. Isto não vai ser só petróleo. Ou me engano muito ou vai ser mais complicado

maloud disse...

Piscoiso,
Que é que sugere que se deite fora? Os sunitas? Os xiitas? o Iraque? O Médio Oriente? Os muçulmanos em peso? ou o Bush? Isto na suposição que não está a pensar na Dinamarca.

Sílvia disse...

Cá por mim, escorraçava "o amigo americano" do solo xiita e sunita. É que ele, afinal, revelou-se um amigo da onça...

Anónimo disse...

Maloud,
Como deve calcular, os estimados 40 anos que ainda vai durar o petróleo, virão cheios de problemas e mais problemas, sempre acompanhados das permanentes chantagens. Sendo assim, por que razão há-de o Ocidente andar permanentemente de joelhos se tem quase ao seu alcance a resolução do problema da energia que, dizia-se, só estava em stand by enquanto o petróleo não ultrapassá-se os 40 dólares?
Qual é o preço do adiamento? Há alguma dúvida que na génese das actuais e próximas tensões está e estará o petróleo? Reparou na provocadora oferta da tecnologia nuclear feita pelo Irão à Venezuela?

sniper disse...

Aconteceu o que os EUA queriam. Agora até lhes vão pagar para eles lá ficarem. Vizinhos, e não só, já têm que chegue, e algo parecido com o Iraque para estes é impensável. O petróleo tem que continuar a chegar aos EUA, China, India, etc... Vão ficar a políciar as cidades,as infra estruturas indústriais e as petrolíferas, portos e aeroportos. O resto fica para os iraquianos se entreterem, com os mais sinceros votos dos EUA, para que os sunitas acabem depressa. Acredito que um muito ténue precesso de clarificação vai ter início no Iraque por causa da mais horrendas razões. As guerras exitem, e vão continuar a existir também para isto.

maloud disse...

Caro Sniper,
Estou boquiaberta. Então era isto que os EUA queriam? Não era implementar uma democracia? Como vê, a preto ou a azul, hei-de ser sempre a mesma ingénua.
Cordialmente

sniper disse...

Cara Mª de Lurdes,

Antes de mais parabéns pelo seu novo estatuto; o azul. Receio que fique preto a vida toda...Mª de Lurdes, a luta pela democracia vai continuar, mas os EUA não podem também ser responsabilizados pelo facto dos terroristas optarem por matar os seus próprios compatriotas da forma mais cobarde do mundo. O ataque à Mesquita de Samarra vai ser o começo do "turning point" da situação no Iraque, ténue mais vai. Os sunitas estão a ir longe demais, e com o desespero vão fazendo erros que vão custar-lhes muito caro. Com estas acções, é a maioria xiita que exige para ela, a resolução do "problema interno", relegando os EUA para outras funções que assegurem as comunicações e o fluír dos dólares resultantes da venda do petróleo com o minímo de sobressaltos. Isto era expectável para quem se informe em todos os locais, excepto na europa. Eu acredito que a democracia por muito precária que seja nos próximos anos no Iraque, veio para ficar. Quanto à sua ingenuídade, estou certo que o seu estatuto azul, mais no alto, mais perto das estrelas, a vai ajudar a ver as coisas mais nitídas e globais, e eu é que serei o ingénuo...; o preto, ah,ah,ah !!!!

Cordialmente

tina disse...

"E, como parte da "Europa" se comprometeu no exercício ou não tem força e resolução para intervir, o Ocidente ficou sem um único recurso eficaz, diplomático ou militar, e na iminência de uma derrota total. A bomba do Irão e a campanha contra os cartoons foram, de resto, o anúncio muito claro dessa nova realidade.#

É esta a parte suja de VPV. Inventa artimanhas para tentar chegar a um ponto qualquer que lhe convém. Desta vez é para dizer que a cooperação da Europa na guerra do Iraque nos fragilizou em relação a qualquer conflicto com aquela parte do mundo. E vocês aí todos a concordar com estas parvoíces, a babarem-se até, porque o deus todo poderoso disse o que queriam ouvir. Por acaso não estarão a ajoelhar-se e a dizer que sim com a cabeça, estou mesmo a imaginá-los. Como é que podem ser assim tão burros?

tina disse...

O que vocês estavam todos a precisar, e este blogue também, é que a bomba atómica lhes caísse mesmo em cima da cabeça. Assim, calavam-se de vez. Ufa, que alívio!...

Anónimo disse...

Tina, você tem uma imaginação muito fértil. Essa de estar de joelhos a dizer que sim, leva água no bico.

EUROLIBERAL disse...

CHEGA DE MANIPULAÇÃO HISTÓRICA PELO NAZI-SIONISMO !

Verdadeira mistificação e manipulação da história esta concepção do carácter "único e específico" de Auschwitz. Isso serve os interesses sionistas de esconder por detrás dessa cortina de fumo os massacres, a limpeza étnica, o apartheid, a humilhação e infernização da vida quotidiana dos Untermenschen palestinianos que teimam em não ceder as suas terras imemoriais ao Lebensraum do Reich sionista. Sem a pornografia memorial do holocaustozinho, verdadeiro fond de commerce da diplomacia sionista, o mundo não toleraria um décimo do que se faz impunemente na Palestina desde a Nakba de 1948.

Logo, esta questão das dimensões exactas do holocaustozinho tem um relevância política e histórica extrema. Daí, o ela ser a única questão de investigação científica actual a ser "verrouillée" por um arsenal jurídico penal !

E isso leva a conclusões hilariantes. Pretender que o GRANDE HOLOCAUSTO russo (misto do Gulague e da invasão hitleriana, que vitimaram 50 milhões de russos) é irrelevante e quase desprezível face ao holocaustozinho do "povo eleito" (sim, porque os judeus não são uns reles gentios Untermenschen como a mujicada russa...), mesmo "inchado" até à cota 6 milhões por uma verdade dogmática blindada por uma couraça legal (20 anos de cadeia austríaca fazem ter juízo ao historiador mais afoito...), é, convenhamos, o cúmulo dos cúmulos.

E no entanto esta bizarria passa (ainda) por senso comum...

As explicações dadas são mais desonestas que as de Irving, quando este no passado negou completamente a shoazinha. Diz-se que o gulague é uma sobrevivência czarista. Ora esta, num período de ataques terroristas generalizados, vitimou cerca de 6000 vítimas. Nada de comparável ao gulague e à arma da fome que causaram 20 milhões de vítimas de 1917 a 1953, a que acrescem os 27 milhões de vítimas russas dos nazis hitlerianos, vencidos nas estepes russas em batalhas de titãs, e não nas escaramuçazinhas do lado ocidental.

Fala-se em especificidade racista e sistemática da shoazinha para a singularizar. Ora, nada disso Hitler inventou. Lenine e Estaline já o tinham feito. O gulague foi a aniquilação sistemática de etnias (alemães do volga, bálticos, tchechenos,inguches, cossacos, etc.), mas sobretudo de classes sociais.

Dizia um chefe da Tcheka já em 1918: "Nós não fazemos a guerra a pessoas em particular. Nós exterminamos a burguesia como classe. Não deveis procurar na investigação documentos ou provas do que os acusados fizeram contra a autoridade soviética. A primeira questão que deveis colocar é a que classe eles pertencem, qual a sua origem, educação, instrução e profissão"

Morria-se por pertencer a uma classe, apriori "culpada" pelo simples de facto de não ser o "proletariado". Um racismo de classe, portanto. Nisso, há equivalência como o holocaustozinho judeu. Só que não foram dois ou três milhões, como neste, foram 50 (com a II Guerra). E não falemos já do Holocausto chinês de 65 milhões e outros mais pequenos, mas que somam muitos milhões (ver o Livro Negro). Haja decoro ! Respeite-se o sacrifício de muitas dezenas de milhões de vítimas dos totalitarismos estalinista e hitleriano, de que os judeus são uma pequeníssima parte. Os sionistas querem monopolizar a compaixão e o luto mundiais pela pior das razões: ocultarem com essa manipulação histórica e emocional os horríveis crimes nazi-sionsitas que se estão a cometer no Médio Oriente !

CN disse...

sugiro que se pense na possibilidade da bomba ter sido posta a mando dos próprios americanos... para viabilizar a guerra civil e poderem, assim, esmagar sem dó nem piedade e ainda menos escrupulos os sunitas (que só andam a atrapalhar...).
e quanto mais guerra, menos razões os EUA terão para sair de lá... razões humanitárias, claro.

Anónimo disse...

Caros Sniper e Maloud: Sei que nao temem o cansaco. E tenho lido coisas lindas. Eu ando por Georges Bataille, Sade e companheiros da radicalidade. O VPV espalhou-se ao comprido na questao do Iraque. Como já se tinha espalhado com o maistream de Yeltsin e Gorbatchev, lembram-se? O que está a acontecer no Iraque é da inteira responsabilidade, exclusiva,de Georges W Bush, do Partido republicano e dos Neo-Conservadores a ele aderentes. A mais ninguém se podem assacar culpas pela derrota anunciada e que, nas colunas do N.Y.Times tem vindo a ser escalpelizada, pelo menos nos últimos seis meses. A que membros influentes do PR de Bush, do Exercito norte-americano e peritos mundiais de geo-estrátegia aderem e fornecem provas.Tudo se inclina, todavia, para apostar numa alta manipulacao do gabinete de Dick Cheney,refém e
espoleta de uma conjura com lacos estreitos com os lobbies do armamento e do petróleo, tecida ao longo de mais de trinta anos; pois, Cheney fez parte do staff de Robert Nacnamara no consulado de Nixon... Nós conhecemos as ligacoes que o Sieur Dassault tem com o partido chiraquiano e o próprio PR, obrigando-o, a ele Jacques Chirac, a ir vender em saldo os Mirages-IV à India, no decorrer desta semana. Niet

Anónimo disse...

Oh anonymous Mirage IV ! velharia vetusta que foi retirado de serviço no ano passado...!

Lembem-se da Ofensiva do Tet...também foi um golpe de relações publicas.

Só se ataca uma mesquita milenar se se está a perder não é quando se está ganhar.

Quanto ao petróleo só começarei a ficar preocupado quando os Americas
começarem a tirar petróleo do Golfo do México perto da costa, os hoteleiros da Florida não gostam nada daquelas coisas por perto e por agora estão a ganhar. Ou quando a brancura do Alaska começar a ser perfurada e os ambientalistas ficarem irritados...

lucklucky

xatoo disse...

se eu fosse ao patrão do Publico não ia nesta.
Então VPV recebe a guita por um artigo vendido a um jornal,,, e depois escarrapacha-a na blogoesfera prá malta ler à borla?
Ou trata-se de publicidade dissimulada?

xatoo disse...

o bom selvagem disse...
"É verdade que esse conflito dura há mais de mil anos"
e fica assim subentendido que os yankees até foram lá só para dar uma ajuda à pacificação,,,
eheheh
se V. não tivesse estudado para idiota, confesse la´- gostava de ser articulista no Publico n`éra?

sniper disse...

Caro euroliberal,

Independentemente de ter razão ou não, você roça o brilhantismo quando fala de certos temas, excepto quando toca no " Dossier Islão ". Já trocamos umas impressões há umas semanas atrás, tenho acompanhado o seu "andamento" e caminho. Nos judeus, holocaustos, conflitos mundiais e regionais, ( repito, excepto o Islão), estamos quase de acordo em muitos pontos, e em outros não. Mas poucos. Obrigado por "desenterrar", nomes, citações e situações da nossa história que ainda me recordo bem, mas é bom de reler.

sniper disse...

Meu caro Niet,

Fulminante e brilhante como sempre, mas como pessoas civilizadas que somos, a diferença de opiniões é para mim, um dos maiores estímulos da vida e da evolução. A unanimidade como dogma ou não, foi e é na nossa história, a maior causa para os sucessivos atrasos na evolução humana em toda a sua abrangência, e mãe de muitas calamidades que nós hoje estamos a discutir.O "Islão nos une, e nos separa"..Acima, no meu comentário disse mais ou menos isto ao euroliberal. Sem querer ser redutor, atrevo-me a dizer que há sempre um "Bush" na nossa história. Penso que era mais importante sabermos lidar com esta realidade, do que tentar destruir muitas vezes sem nenhuma inteligência e pragmatismo , algo que já faz parte do nosso património histórico. Isto sem ser querer ser fatalista e redutor. Quanto ao Dassault, é o "canto do cisne" da indústria bélica europeia, na versão "latin america"..

Até sempre e com gosto Niet.

P.S. - Já reparou que a nossa querida amiga Mª de Lurdes está em grande? É em absoluto uma "natural born blogger" . Uma evolução meteórica, feliz e merecida. Não lhe dou um ano, sem ter o seu próprio blog. O meu nome favorito é " O Muro das Lamentações" .Já estou a ver um post do VPV e da CCS, " A blogsfera de acordo com a Mª de Lurdes " ou " Um dia com a maloud ".

Anónimo disse...

É o que faz a mistura de um "redneck" politico do Texas com um Yuppie retardado da velha Albion.
Julgavam que a velha máxima de Teddy Roosevelt ainda se aplicava (com a ajuda dos media, claro)"vamos correr o mundo á cacetada".Pelo caminho satisfaziam "os lobos" domesticos, ie, industria de armamento, petroliferas, Haliburton, etc.. Das opiniões publicas, ocupar-se-iam os media , mais os opinion leaders do costume.
Mas quiseram ir longe demais, não compreenderam (ainda) nem com a historia recente Vietname, que um País
não se conquista e "evangeliza" by the sword.Fez mais um espectaculo de variedades do Powell no Vietname, do que milhares de bombas, ou napalm.
Ainda por cima numa terra de cristos, que como o "historico" salvador, não se importam de morrer para salvar a humanidade.
Agora, a "coisa" está a dar para o torto, ah!já não se fazem guerras como antigamente, até os filmes de Hollywood agora andam estranhos. Já não se fazem filmes como Patton, é só Siryana's e coisas do género.Bom do GI Joe a lutar pelo Império, e retratam-no desta maneira, como se não fosse ele o mártir desta guerra como em Iwo Jima.
Isto está a ficar feio, até alguns "opinion(?) leaders" estão a virar o bico ao prego.
Mas como sair desta?
Chamar a "CIA" e fazer explodir umas bombas? Provocar uma guerra civil para pacificar isto? Jesus isto está feio.
Os iraquianos? mas quais iraquianos pá!este post não é sobre os iraquianos. Eles que se lixem mais a civilizacção deles. Isto é sobre a imagem da América e da civilizacção ocidental, pá. Isso é que me interessa!

sniper disse...

P.S.- Caro Niet, dê uma "vista de olhos" ao post " O novo estilo ". Se Portugal não é um manicómio, acho que na próxima segunda-feira vou para o "divã" de um psiquíatra, dar início a uma longa terapia..., desde de que possa continuar a beber o meu "whisky soda"..

Até sempre

piscoiso disse...

"MALOUD disse...
Piscoiso,
Que é que sugere que se deite fora?"
.
O bolo do "nation building"
e o tolo do Bush.
O bolo tá podre.
O Bush tá tolo.

Anónimo disse...

Todas as perseguições, matanças, extermínios, são condenáveis e era bom que constituissem uma lembrança de tempos passados e irrepetíveis. Mas, ao mesmo tempo, não negar nenhum deles, sob pena de intolerável branqueamento.
Ora, o que se passa aqui, é que, ao falar-se de um caso, logo aparece um coro: "e os outros? por que não se fala deles?"
Sendo assim, a pergunta que se coloca é: poderá discutir-se um qualquer destes casos, serenamente, sem que a falta de referência aos outros seja considerada uma falta ética grave?
De gustibus et coloribus non disputandum?

EUROLIBERAL disse...

Mesquita de Samarra: a mão da MOSSAD...

Ahmedinejad afirmou-o e é bem provável que ele tenha razão. É sabido que a Mossad actua em força no Iraque, a partir do Curdistão, onde tem bases permitidas pelo governo curdo. Espia o Irão a partir daí, e dentro do Iraque a sua agenda é a divisão deste através de uma guerra civil que enfraqueça o país. Tal como na guerra Iraque-Irão, em que Saddam foi incitado a invadir o Irão komeinista pelos americanos e israelitas. Depois, estes apoiavam sempre a parte que estivesse a perder. A velha táctica de dividir para reinar. Que isso implique milhões de mortos e a miséria dos países envolvidos, pouco importa aos nazi-sionistas... para quem árabes e muçulmanos são sub-homens... É a prova de que a entidade nazi-sionista-apartheidesca deve ser aniquilada e desaparecer, através de uma mudança de regime... Só então acabarão de vez as provocações, massacres, limpezas étnicas e a desestabilização de toda a região que precisa de viver em paz sem cruzados sionistas ou bushistas...

maloud disse...

Caro Sniper,
Tinha uma inveja imensa do seu azul e, vai daí, pedi ajuda no Espectro e estes "colegas", que normalmente são muito carinhosos, deram-ma em catadupa. Escolhi a sugestão que exigia menos neurónios, como já deve ter notado os neurónios não são o meu forte, e passei a azul.
Com o azul disseram-me, não sei se é verdade, que o idiota de serviço do dia não pode escrever em meu nome {Not in my name!}. Claro que pode continuar a ser o idiota {temos sempre necessidade de um, para animar o diálogo, não é verdade?} e insultar meio mundo {normalmente a idiotia é incompatível com o humor}, mas como os meus "nervos não são de aço" e não sou mais que uma provinciana habituada ao "cházinho", assim acho que resisto melhor.
Como o leio sempre e não só o que me é dirigido, porque é que julga que de há uns anos para cá, eu dou regularmente ao psi 100 €? Pois é meu caro a Pátria fica-me por um balúrdio. Claro que no tempo do Pedro espacei um pouco os 100 €, porque ria de manhã à noite e agora vou retomar esse "espaçamento", porque isto de blogar também me diverte. Tenho uma amiga, é das Antas mas não é uma das impagáveis "tias das Antas", que compra trapos para não dar os euros ao psi. Eu blogo o que fica muito mais em conta.
Um abraço
Maria de Lurdes

e-konoklasta disse...

Foi, também, com o apoio do Berlusconi, Aznar, Durão Barroso e Portas, que Bush se lançou no ataque ao Iraque. O que lucrou o Aznar e o Berlusconi com isso não se sabe ou certo. O Aznar lá teve que consolar-se, na propriedade do Bush, pela derrota eleitoral. O Portas lá levou umas medalhas americanas... e Durão Barroso, depois de andar a servir de lacaio nos Açores, foi "brilhar" para Bruxelas a pedido da direita conservadora (maioritária no Parlamento) mais uns reconhecimentozitos dos conservadores americanos. Também estes participaram na "grande mentira" e daí tiraram algumas vantagens. Não foi o mundo que ganhou alguma coisa, nem os iraquianos, que estão cada vez mais longe da democracia ou da paz, e a desordem na "região" e no mundo muçulmano é tão grande que ao mais pequeno rastilho... mas os senhores da guerra enriquecem e de que maneira, e, para cúmulo dentro de alguns anos, vamos ter que contar com a candidatura à presidência da R do Durão Barroso que nem sequer foi capaz de desempenhar o seu papel de PM de forma satisfatória, deixando o PSD nas mãos das fracas pilecas que são o Santana e o MMENDES... (isto não é profecia, é lógica) E O MUNDO QUE SUPORTE O SALDO DA GUERRA DO IRAQUE... o fim do mandato do Bush também nos vai remeter para outros possíveis.

maloud disse...

Caro Niet,
Quanto ao nosso Sniper não sei, mas eu estou morta de cansaço. É o aniversário do que me atura há longos anos, e eu que gosto do 2 em1, aqui abro excepção e faço 1 em 2. Como ele faz muita questão de ter a progenitora nesse dia, senhora adorável, por arrasto também vem a minha, menos adorável, e para aguentar as duas, convido umas “tias das Antas” com os respectivos {nós odiamo-los a todos} e dou um café-dessert muito requintado, só para esmagar as “tias” e à meia-noite lá temos a sacramental cena do sopro na vela. Depois a coisa prolonga-se mais duas horas, e damos ordem de debandada, alegando que as velhotas estão exaustas e é preciso levá-las aos respectivos ninhos. Claro que hoje me levantei tardíssimo e azuratada. Agora já estou na preparação de um dîner mais intimo só com a prole, mas pelo menos neste a conversa sempre é mais interessante e rimo-nos muito mais. Este Fevereiro mata-me!
Stutgart já tem recolha dos lixinhos ou isso ainda está num impasse?
O Bataille e o Sade deixei-os num canto do meu cérebro há mais de trinta anos. Vou ter de procurar, tirar as teias de aranha e o pó. Isto se os encontrar..O Robert Macnamara desconhecia que tivesse andado de braço dado com o Nixon. Julgava-o mais amigo do Keneddy. Mas você já me conhece as falhas. Conte-me do Chirac {o homem é uma delícia, não é?} e do Dassault {outra delícia} e desse saldo indiano dos Mirage IV. Porque é que isso está a acontecer?
O Muro das Lamentações esqueça. Não comento, senão zangava-me com o Sniper {já viu a piroseira do nome?} e eu gosto dele e de si também.
Um abraço
Maria de Lurdes

jose fgerreira disse...

Em 2003 fui trucidado por um comboio de blogues.
Você é um historiador eu sou um curioso.
Mas tal como os americanos que se dão ao luxo de passar ao lado da história, por ignorância, eu não.
Previ isto tudo mas, para tal não era preciso um grande conhecimento, bastava saber que esta terra foi o berço da humanidade: A Mesopotâmia.
Agora ?
Como dizia o outro: Bate chapas e tinta robialac.

Assino por baixo
José Manuel Santos Ferreira

Anónimo disse...

Passei por aqui e estaria espantado - se alguma coisa ainda me espanta - com a quantidade de amigos e protectores que o Sadan tem por cá, certamente desgostosos dos tempos de paz e harmonia que reinava naquela região, no seu tempo, onde era figura de proa duma civilização milenar - dizem os seus acólitos - quando deviam dizer que mandava despoticamente num espaço que, em tempos longínquos tinha sido berço de uma avançada civilização, o que não é a mesma coisa.
Posto isto, admitindo que houve muitos erros e partindo do actual equilíbrio geo-estratégico, qual a alternativa que propôem?
É que o papel das oposições é apontar caminhos alternativos e há muita gente neste forum ávida das vossas ideias para salvar o mundo!

José Ferreira disse...

Saddam ???
Ao pé disto era uma virgem
Tudo sossegadinho, tudo quieto.
Viviam bem.
Tinham uma classe média próspera.
Restaurantes de primeira.
Uma cidade linda.
Conheceu-a ? Eu conheci.
Palácios luxuosos.
E, depois, era como no tempo do Tito na Jugoslávia.
Quem levantava o cabelo levava com o cajado.
A alternativa à ditadura ?
É o estado actual, no Iraque e no Cáucaso.
Falta de sensibilidade.
Ou pensam que esta gente sabe viver em domocracia ?
Querem que não os chateiem e que o país ande .....sem grandes convulsões.
Como a Jordânia. Como a Síria. Como o Irão. Como o Egipto. Como a Tunísia. Como a Argélia. Como Marrocos e agora, espante-se, como a Líbia.
É claro que alguém já está a tratar da desestibilização da área.
Quanto maior a confusão, melhor.
Os judeus vão-se reorganizando.

Anónimo disse...

Compreendo-o José Ferreira e, olhe, vendo o que está a acontecer, reconheço que mais valia não nos preocuparmos muito com a falta de democracia deles.
A este rol e pelo mesmo motivo, considerando as votações maoritárias que, invariavelmente ali ocorrem, até me apetecia acrescentar a Madeira , por cá tão vilipendiada. É que cada vez que lá vou fico impressionado pela beleza da ilha pela paz e serenidade que ali se respira, pelo arranjo cuidado de quase tudo, coisa que por cá raramente se vê. A democracia, de facto, é um conceito complexo... Talvez tenha razão.

Anónimo disse...

José Ferreira, ainda mais; olhe que uma bengalada, com refere, na altura certa e em determinadas circunstâncias é mesmo o indicado para atalhar males maiores.

Anónimo disse...

Maloud: O Cheney pertenceu foi ao staff de Gerald Ford. E o Rummsfeld tem a mania de ser o clone do Robert Macnamara. O seu a seu dono: fica feita a ratificacao. Isso sao coisas que se " picam " nos textos do NY Times, onde cada página tem mais texto do que meio diário europeu... O Georges Bataille interessa muito pela crítica de Marx e dos fenómenos de heterodoxia e soberania, que se prolonga no " radical impensável " do Cornelius Castoriadis. Sao tudo coisas optimas para pensar!!! O Chirac e os Mirage e Rafale da fábrica de avioes da família Dassault- dinastia às portas de Paris- serviu ,tao sómente, para ilustrar a " porosidade " dos interesses e negócios entre os oligarcas que vendem e os que fazem política. Nunca esquecerei, jamais, uma frase que li no "Le Canard Enchainé" do Jacques Chaban-Delmas sobre o actual PR... que fez felicissimos os seus archi-inimigos Giscard D´Estaing e seguidores. Sem ler nao se pode escrever, nao é? Atenciosamente.FAR

maloud disse...

José Ferreira,
Eu conheci a Jugoslávia do Tito. Não, não fui numa daquelas viagens turísticas organizadas {nunca fui, mas tenho horror}. Fomos de carro, não tivemos problemas na fronteira, onde nos explicaram algumas regras com a máxima civilidade e só nos vaticinaram alguns problemas, porque não tínhamos hotel marcado. Aterrámos em Makarska, num 5 estrelas ao preço da chuva e fizemos dele a nossa base. Não vi miséria, embora não tivessem a sofisticação que nós possuíamos a vestir. Não vi corrupção aparente. Tentámos gratificar com alguma generosidade o director do hotel, porque rapidamente nos tinha mudado para o melhor quarto e ele recusou firmemente. Os pagamentos tinham todos que ser feitos em dinares, porque recusavam os dólares e os francos, não permitidos. Só a alimentação me colocou problemas, porque detestava tudo aquilo. Como sou magra, mas bom garfo, claro que não poderia estar lá indefenidamente. Saí de lá esquelética. Quando regressei à Pátria entrei pela estrada de Chaves em direcção ao Porto e os buracos da dita deram-me as boas vindas. Na Jugoslávia não vi buracos.
Fiquei chocada com tudo o que posteriormente aconteceu à Jugoslávia. O povo que eu conheci não parecia merecer aquilo. Mas afinal...eu não os conheci.

maloud disse...

Caro FAR,
É. Mas eu já lá muito atrás confessei que tenho dificuldades com o inglês. Sou daquela geração que só tinha 3 anos obrigatórios e, depois, como fui para Românicas, mandei o inglês às malvas, não adivinhando a falta que me faria.
Cordialmente grata

Anónimo disse...

O FAR é o Niet e vice -versa. Vou a correr ler mais umas páginas do bataille- parece um filme da época suica do Godard- sobre o Dali aos gritos com o Sade. Quem nao sabe inglês, nao pode servir-se bem dos PC, Maloud. Fraternalmente. Niet

maloud disse...

Mas pode blogar e recorrer ao Google. Para mim foi um grande salto. Não me tire esta felicidade.
Um abraço

Sofocleto disse...

A América não está metida em nenhum num beco sem saída. E não existe nenhuma querela religiosa no Iraque.

A América está no Iraque para controlar o petróleo e para estabelecer bases militares para melhor dominar todo o Médio Oriente e o Cáspio. A «guerra civil» é fomentada pelos americanos para justificarem uma presença permanente.

paciente inglês disse...

É evidente que os USA, o Iraque, o Mundo está metido numa alhada incontrolável e de pouco servirá estarmos a apontar este ou aquele a dedo, acusando e dissertando do alto da nossa sapiência.
Aquilo a que assistimos é uma espécie de concurso de meninos espertos que não se cansam de afirmar "Eu bem dizia, eu já sabia, estava-se mesmo a ver".
Bush é o que é, mas só falta proporem a canonização de Saddam.
O que impressiona é haver tanta gente com certezas e com explicações. Para tudo, mas só para o que aconteceu. Treinadores de bancada que só falam depois do jogo. Mas para a saída desta gigantesca crise, nada, niet.
Foi o que li ontem na crónica de Clara Ferreira Alves, no Expresso.
A senhora escreve bem, é verdade, mas considera-se dona da verdade e superior a toda a gente. Com uma arrogância diletante, sobranceira e condescendente, ela distribui orelhas de burro a toda a classe política internacional, Solana, Chirac, Kofi Annan, Merkel, Barroso, Bush... Só Blair vai à oral, mas à justa.
Afinal, os grandes cérebros estão em Portugal, uns a porem-se em bicos de pés nos blogues, outros a exibirem a sua vaidade e pretensa erudição nas colunas do Expresso ou na SIC, no "Eixo do mal".
Esta senhora devia ter vergonha, porque, fazendo parte dos apoiantes de Mário Soares, teve a lata de lhe consagrar uma crónica desesperada com elogios dilacerantes, na VÉSPERA da eleição presidencial.
Se calhar, a esta hora, ainda está à espera da grande surpresa que o velhote andou, pateticamente, a prometer até ao último minuto.
Um pouco de modéstia não faria mal a muita gente...

Anónimo disse...

Aha Rafale sim é um pouco mais moderno ;-)

Vamos supor que o Iraque se parte isso é mau ou bom?


lucklucky

Anónimo disse...

Como diria o Schopenhauer," todos parecem aptos para raciocinar, mas poucos se podem abalancar a julgar". E assim se faz Portugal,uns pensam bem, outros mal... Niet

maloud disse...

Niet,
Se você torna a citar o Schopenhauer a maoir parte dos cérebros vão fundir.
Também temos o problema da cedilha, não é?

Euroliberal disse...

O que é preciso é contra-terrorismo semântico... (resposta a A. Figueira no Aspirina B)

O nosso bravo A. Figueira (claro que há muito pior...) está feliz. Encontrou um pretexto para não ter de responder, ou melhor, para não ter de mostrar que não tinha resposta... O velho golpe do "estão verdes"...

Nestas questões de guerras, muitos esquecem que a principal é a da legitimidade, da semântica (antes dizia-se, da propaganda...). Ora, a partir do momento em que os nazi-sionistas conseguem generalizar como "neutro" e aparentemente anódino, o tratamento de "terrorista" em relação aos movimentos de resistência à ocupação, a guerra "tout court" torna-se muito mais difícil. Porque o "terrorista", mesmo agredido, ocupado e com a razão do direito, é necessariamente "culpado". O que eu faço, como amigo da verdade e do direito internacional, é contra-terrorismo semântico. Não é puro acaso nem obssessão gratuita se para mim não existe um "estado de Israel" mas sim uma mera entidade de facto nazi-sionista, fundamentalista, terrorista, anti-democrática e apartheidesca, tal como para mim não há "tropas da coligação" no Iraque mas apenas terroristas cruzados. Ceder à manipulação histórica e chantagem emocional dos nazi-sionistas (designando, p.exº, o holocaustozinho judeu por "O Holocausto", como se não houvesse, infelizmente, mais e maiores) é fazer o seu jogo, mesmo que se diga o contrário. Res... non verba. O mesmo se diga quando, mesmo defendendo abertamente a causa palestiniana, se deixa cair um escandaloso apodo de "terroristas" a propósito dos patriotas da resistência armada ao ocupante, pelo simples facto de não matarem com mísseis, Apaches e tanques, mas artesanalmente, transformando o próprio corpo em míssil ou avião...

Cedências gratuitas, sem base legal e ética, no campo semântico aos nazi-sionistas, os grandes mestres da manipulação dos midia a nível mundial, equivalem a alinhar com estes, diga-se o que se disser. Eu não alinho. E tanto pior se as marias-que-vão-com-as-outras se escandalizam. Eu não estou aqui para fazer fretes, mesmo que embrulhados em hipócritas prevenções inconsequentes. Mas nunca invoco as "diferenças de linguagem" de um contraditor para fugir com o rabo à seringa. Não lhes dou esse prazer. Rebatendo a sua perfídia semântica, ataco-os forte e feio sobre o fundo da questão, deixando-os encostados ao muro e de calças na mão, exibindo a crua nudez da sua ignorância e desonestidade intelectual... É que eu tenho argumentos... e não preciso de pretextos, muito menos dos "puxados pelas orelhas"... Chacun son truc...

P.S. Infelizmente não fui eu a inventar a categoria do "racismo de classe". Lia-a na variada bibliografia hoje existente sobre os crimes do estalinismo. E os Holocaustos existem porque de facto existiram. E não apenas a partir do momento e com a relevância conferida pela sua divulgação no ocidente, qual nova moda, por este ou aquele intelectual, de acordo com a tese figueirina.

Se assim fosse, então teriam razão aqueles que conferem ao holocaustozinho um "carácter único": De facto, o holocaustozinho do "povo eleito" tem mil vezes mais "trombeta" que O GRANDE HOLOCAUSTO RUSSO... Falta de humildade evidente de intelectualóides que pensam que a realidade não tem existência real e prévia à sua "autenticação" pelas suas cabecinhas...