domingo, fevereiro 19, 2006

FÁTIMA

Ao país parecia que a hora do apocalipse tinha chegado e a ninguém mais do que aos católicos. Sob pretexto de que a Igreja insistia em manter comunidades religiosas (no caso, de freiras), seis bispos foram expulsos das suas dioceses só em 1917. A guerra, a mobilização geral e o exacerbamento da ditadura jacobina intensificaram também a perseguição ao clero menor. À medida que os desastres se acumulavam os padres e os católicos iam pagando o desespero dos "bons republicanos". Eram os culpados por excelência e as vítimas predestinadas de tudo o que corria mal, e quase tudo corria mal. Os portugueses não gostavam da guerra? Influência e perfídia da padralhada, mancomunada com os monárquicos. O povo revoltava-se nas cidades porque não tinha pão e, na província, por causa da requisição de cereais? Manobras do ultramontanismo. Os preços subiam? Intrigas dos jesuítas. Portugal não estimava o dr. Afonso Costa de acordo com os seus muitos méritos? "Monomania religiosa". As represálias vinham a seguir: padres presos por tocarem sinos; procissões interrompidas porque o bispo se atrevera a pôr vestes talares; igrejas fechadas porque tinham admitido mulheres e crianças durante o dia, ou porque o padre local dissera missa por um "conspirador", ou porque oficiais de uniforme haviam ajudado à missa (papel delicadamente descrito como "passar os panos"), ou porque o sacristão expendera na mercearia opiniões "defetistas" (derrotistas) e germanófilas.

Cem anos antes, em 1822, a causa realista fora reanimada por um milagre. A Virgem aparecera a duas pastorinhas em Carnide para lhes dizer que Portugal sobreviveria à impiedade maçónica. Sob o patrocínio de Dona Carlota Joaquina, grandes peregrinações se fizeram aos locais sagrados em que Deus garantira a dízima, os bens dos conventos e a perenidade do antigo regime. Infelizmente, uns meses depois um pronunciamento (a "Vilafrancada") acabou com esta devoção. Em 1915 e 1916, os "pastorinhos" Lúcia de Jesus Santos, de 8 anos, e os seus primos, Jacinta e Francisco, de 7 e 5 anos, viram oito vezes, em várias freguesias de Fátima, um anjo que declarou ser o anjo de Portugal, estando evidentemente entendido que a República era demoníaca. Ao princípio, o anjo não era muito nítido e não dizia nada. Mas pouco a pouco foi-se explicando. Ninguém deu importância a estas visitas, normais em adolescentes e na pastorícia. Em 1917, as coisas correram de outra maneira. Entre Maio e Outubro, a Virgem apareceu quatro vezes a Lúcia, Francisco e Jacinta (agora respectivamente com 10, 9 e 7 anos), sempre no dia 13, sempre à mesma hora e sempre na Cova da Iria (excepto em Agosto, por motivos de que não vale a pena explicar aqui). As relações das crianças com a Virgem variavam: Lúcia via, ouvia e falava; Jacinta via e ouvia, sem falar; e Francisco via, sem ouvir nem falar. Nunca se esclareceu a óbvia desconfiança da Virgem em Jacinta e, principalmente, em Francisco.
Lúcia e Jacinta receberam a "mensagem" do Céu, uma série de trivialidades evangélicas, com duas alusões à realidade, ambas sobre assuntos correntes. A Virgem comunicou, nomeadamente, que a II Guerra Mundial seria "horrível", quando o horror da primeira sufocava o país, e preveniu que a Rússia revolucionária se preparava para subverter o mundo, coisa que os jornais e os padres anunciavam dia sim, dia não, desde de Fevereiro. As profecias, manifestamente corrigidas por quem de direito, resumiam as preocupações do conservadorismo indígena e reflectiam as opiniões e os sentimentos do clero, esmagado pela ditadura jacobina. Que Deus partilhasse as aflições dos inimigos da República era um fenómeno insusceptível de espantar os bem-pensantes e a Igreja portuguesa em 1917. A fortuna posterior de Fátima deve muito à sobrevivência do regime até 1926 e à visão moderna da Virgem, que apareceu perto do Entroncamento, isto é, na confluência da vias férreas do centro e do norte do país. Tivesse ela aparecido em Tavira ou Bragança, dez anos mais tarde, nunca se teria sabido.
vpv
(Adaptação de A República Velha)

110 comentários:

pipilota disse...

a fome e a miséria ora provocam alucinações, ora ódios. Fátima é um dos EFES que traduzem a nossa constante pobreza. Estes 3 pastorinhos foram os que ficaram para a história, a visão da Virgem era frequente nesses campos esfomeados e desesperados. Agora nós, os desesperados, alucinamos e sonhamos com o euromilhões

Sílvia disse...

XXX
O sol rasgou nas nuvens
uma Mulher longa
recostada no vento
com blandícias de véu...

Povo: foram os charcos das nossas lágrimas famintas
que a desenharam no céu!

(José Gomes Fereira, Poesia - III)

Unreconstructed disse...

Finalmente, ao cabo de éne transmissões sobre Fátima, aprendi uma coisa de jeito: a mãe da Irmã Lúcia (poderei eu chamar-lhe Tia?) não acreditou nessa história das aparições e foi por isso, para retirá-la a essa inflUência "negativa", que o bom bispo de Leiria arrancou de casa a Pastorinha e trancafiou-a num Convento até morrer. Quem contou esta história edificante foi o grande promotor da beatificação da Irmã Lúcia (porque feitos? desconheço), um tipo com sotaque estrangeiro chamado Padre Kondor. Proponho que o naturalizemos e lhe aportuguesemos o nome para Padre Urubu.

unreconstructed disse...

Exame de admissão para a Universidade Católica, 2006/07: Explique, à luz da teodiceia cristã, católica & trentina, a carga de água que Deus Nosso Senhor mandou pela cabeça dos peregrinos abaixo no dia 18 de Fevereiro. p.p., ao tempo da trasladação dos restos mortais da Irmã Lúcia do Carmelo de Coimbra para o Santuário de Fátima.

unreconstructed disse...

Para que pode servir este post senão para permitir aos portugueses cépticos (que ainda são muitos, não obstante as investidas da televisão, valha-nos Deus) blafesmar um pouco e dizer alto a vergonha que sentem por esse sinal maior e inultrapassável do terceiromundismo pátrio que Fátima constitui?

Anónimo disse...

Os cépticos até se podem divertir a falar de cepticismo. Agora perder tempo com questões que só diz respeito à Fé dos outros é falta de jeito, uma inutilidade ou má consciência! O assunto preocupa-os? Escapa-lhes à racionalidade em que vivem?
Já agora: Lúcia era prima dos irmãos Jacinta e Francisco. Começa por se passar pelas pequeninas inverdades para se chegar às grandes e rigorosas leituras históricas...

Anónimo disse...

Os cépticos não podem perceber o que é a fé, nem porque não foram iluminados por ela.

piscoiso disse...

"Atirem-lhe uma hóstia à boca fumarenta,
Preguem-lhe alguns sermões, ensinem-lhe a rezar,
E lancem na caldeira um jorro d'água benta,
Que com água do céu talvez não possa andar."

in "A benção da Locomotiva" de Guerra Junqueiro

Anónimo disse...

Haja respeito por quem acredita! Na sociedade tem que haver lugar para todos os credos e todas a opiniões. É preciso saber respeitar. Aqueles que julgam ser intelectuais, ao fazerem tristes comentários, só posso dizer que revelam a sua triste realidade de seres incapazes de compreender algo que a sua razão não consegue explicar....

unreconstructed disse...

Eu adorava que o assunto me escapasse (estou-me absolutamente nas tintas para a "fé") mas infelizmente a TV não deixa.

Anónimo disse...

Acabo eu de escrever, e já me dão razão... extraordinario!! Existem outras coisas mais interessantes para fazer do que ver televisão. Já inventaram DVD´s...

mariazinha disse...

Eu acho que a Santa da Ladeira é muito melhor que a Nossa Senhora de Fátima (faz milagres melhores).

sniper disse...

Caro VPV,

Sou cristão, não católico, e fenómeno de Fátima é mais complexo do que aquele que nos apresenta. Sem entrar em grandes explicações de outra ordem, eu acredito que foi possível ter acontecido, mas eu não acredito que aconteceu. E nesta parte fico por aqui. Vou agarrar em parte do último parágrafo do seu do post sobre as escolas, e vou citá-lo; "do Portugal imóvel, arcaico, conservador, que detesta o governo como um inimigo e um ladrão e aspira principalmente a que o deixem em paz". Este não é o Portugal de Fátima ? Quando vejo pela televisão " Fátima ", não vejo as grandes cabeças pensantes que nos governam, nem os Prof.(ss) Catedráticos que têm a mania que são ministros, e é só esquemas, nem os administradores da nossas empresas, a generalidade dos nossos parlamentares, etc, etc. O que eu vejo é o povo que você muito bem descreve no post anterior. Um povo miserável guiado por uma igreja católica não menos miserável, que só espera por milagre na doença, porque tem sistema de saúde governamental que é uma merda, e que o filhos do povo tenham sorte a arranjar um emprego, etc, etc. Confrangedor e desanimador. Os três "f(s)" para mim não pega. Há gente e instituições muito mais responsáveis, a começar pela igreja católica.

Anónimo disse...

Em dias de Fátima em três-canais-três, e de consequente sanha anti-clerical, até um poeta horroroso como o Guerra Junqueiro parece aceitável. Irra, que o Padre Eterno nunca mais morre!

Anónimo disse...

Não é a TV que não deixa: são as 250 000 pessoas que lá estiveram.

Anónimo disse...

Não é por capricho, ou respeito a todas as religiões que as televisões passaram o dia em Fátima. Fátima dá audiências porque Fátima interessa aos portugueses.

carlos arinto disse...

Os Rolling Stones tiveram mais gente, esta madrugada no Brasil.
Onde está o milagre?

Mª Lurdes Delgado disse...

Para este peditório não dou. Sou agnóstica, nem sequer por convicção, mas por educação e tanto quanto sei mesmo a Igreja Católica não obriga ninguém a acreditar em Fátima. Quando as minhas filhas andavam na Fac.Letras da UP, assistiram numa aula, ao frei Geraldo {VPV deve conhecer, porque é de História} a desancar uma aluna freira, por causa de Fátima.
Estou curiosa, porque desconhecia, era da ausência em Agosto. Como não acredito que tivesse ido a banhos, gostaria que VPV me{nos} desse uma explicação para a ausência.

Anónimo disse...

250.000 pessoas hoje em Fátima? Mas isso é o milagre da multiplicação dos crentes! Nem com toda a boa vontade das televisões (a que eu gostei mais foi a SIC, com os comentários do Roberto Leal) estariam lá mais de 20.000 ou 30.000 infelizes - ou felizes, se calhar vão para o céu...

Ricardo Leão disse...

Inacreditável esta licenciosidade de VPV. Eu proponho desde já uma manif de desagravo frente à sua residência, seguramente tão pacífica quanto costumam ser as manifs religiosas deste tipo. Vou ainda falar com o Freitas, que certamente me apoiará, e de quem espero um comunicado à altura da gravidade da situação. Vou tentar ainda convencer o Embaixador do Irão a estar presente por solidariedade com o Freitas. Aliás, acho que Fátima ainda é também um pouco deles. Contra o ateísmo, marchar, marchar!

Borges disse...

Fátima é treta, onde é que está a confusão? Vejam: deu-se o milagre do conhecimento: Fátima é treta! Fui abençoado com o conhecimento!
Construa-se um santuário eletronico aqui no Espectro!

Anónimo disse...

Fátima existe como fenómeno religioso. Agora, para sobreviver com o minimo de credibilidade, tem de acabar com as mistificações. O mundo de hoje (a TV também) é terrivelmente desmistificante.
250.000 pessoas, aonde?

JAC disse...

O mistério da fé… tão real como o próprio homem!




«Somos uma nação pobre (estéril) e castrada (infecunda) … somos um povo descaracterizado, humilhado e cobarde cujos ídolos são uns, alguns de nós, a correr atrás de uma bola num campo relvado. - JAC»

"Eis aonde se chega na estrada do politicamente correcto: a intolerância religiosa não é de quem quer proibir os "cartoons", mas de quem os publica.”

http://sal-portugal.blogspot.com/
JAC - Sal de Portugal

Carlos Malmoro disse...

Não acredito em Deus. Por essa razão, muito menos em Fátima. Mas acredito que sobre certas pessoas, Fátima tem um dom de último recurso, de possibilidade de ultrapassar a força e a inteligência humana.
Um grave problema de saúde afectou uma pessoa chegada. No dia antes da operação, acompanhei-a ao santuário. Céptico, mas acompanhei. E, por conhecer bem essa pessoa, sei que ela saiu de lá com um estado de espírito muito mais forte para aguentar a pressão que uma operação cirúrgica de mais de uma dezena de horas acarreta. Para que não se pense que era uma pessoa inculta, estamos a falar de uma neurologista, doutorada com 18 valores. Sinceramente, também acho que Fátima não existiu. Mas o simples facto de ter ajudado essa pessoa, leva-me, não a crer em Fátima, mas a respeitar muito mais o simbolismo e o poder que tem para certas pessoas.

haja pachorra disse...

Obviamente as multidões vão a Fátima... de comboio! Sempre foram...
Alguma vez o vpv terá passado de Alverca?

inaquim disse...

... pois, n vale a pena acreditar em Fátima... E nos politicos? E nos intelectuais? Nos comentadores, historiadores e colunistas? E no vizinho, no colega de trabalho?
por isso o povinho vai ao santuário mariano... porque no resto é que n vale mesmo a pena gastar a sua (deles) fé....

haja pachorra disse...

Se Fátima vos faz comichão, peçam ajuda ao Moisés Espírito Santo, ao 'Padre' da Lixa ou à Fina d'Armada, esses é que são especialistas em fatimologia; o bom do vpv sabe de... comboios...

piscoiso disse...

Às vezes os números têm muita importância nesses fenómenos.
Teria sido por causa do dezoito ?

Anónimo disse...

"A fé não se discute, não se pode discutir, pelo simples motivo de que não pertence ao domínio do racional. Não se contesta um sonho por parecer inverosímil."
Hayat, Faíza, Xis (Público), em 20060218

Mª Lurdes Delgado disse...

Ninguém me explica a ausência em Agosto, pois não?
Boa-noite!

Mario Figueiredo disse...

Não faço a mínima ideia, M. Lurdes.

Cada vez que alguém diz "por motivos de que não vale a pena explicar", fico sempre com a ideia que vale a pena explicar. Só não se explica porque:

A. Na realidade não se sabe, mas fica bem fazer de conta que se sabe.

B. Sabe-se muito bem, e até é importante. Mas esconde-se porque se gosta de ficar com a noção de que se sabe sempre um pouco mais que os outros. E deleita-se com a ideia de ver os outros a perguntar insistentemente "o quê?"

C. É-se intriguista. Não há nenhuma razão particular para se dizer aquilo. Mas sabe-se que adiciona um pouco de intriga e segredo à coisa.

"C" é o único caso em que nunca se revelará o que está por detrás de "por motivos de que não vale a pena explicar".

Ana Cláudia Vicente disse...

[Aos dois comentadores anteriores, caso a(s) pergunta(s) não seja(m) retórica(s)]

A informação é pública e bem conhecida: Lúcia de Jesus, Francisco Marto e Jacinta Marto não compareceram na Cova da Iria no dia 13 de Agosto de 1917 porque foram nessa mesma manhã levados para Vila Nova de Ourém pelo próprio Administrador do Concelho, Artur de Oliveira Santos, para interrogatório relativo aos acontecimentos ocorridos nos meses anteriores; aí ficaram detidos, durante 48 horas.

apatrida disse...

Vivam as virgens!...(Fogo! Todas as TV's tugas estiveram no domingo em directo com uma coisa! Com o Futebol, que nunca falta!, e Fatima de regresso estamos fodidos, meu caro VPV!

pipilota disse...

Ainda por cima o santuário de Fátima é feio e tudo aquilo à volta é deprimente.
As partes do corpo em cera, santos, terços, frascos de água benta. O império delirante do kitsch.
Eu tinha 8/9 anos quando foi visitar Fátima com os meus pais e me impediram a entrada por ter uma camisola de alças.

pipilota disse...

Hoje a minha dúvida é: a nudez dos meus braços de criança era obscena perante a Virgem ou era apenas uma medida de precaução para não ser assediada lá dentro por alguém?

San disse...

E o dinheirinho, senhores! O vil metal que desagua a rodos em Fátima e que suscita a cobiça da Grande Meretriz!
Ecumenismo? Pois, pois!
Estamos a falar de milhões. E quando se fala de milhões fala-se de crença, sim, e fé!
Quanto às origens ideológicas do fenómeno estamos explicados. A espiritualidade da coisa, eu sinceramente prefiro o chaparro que cheira a rosas. Mas agora é um negócio imparável que vive (e alimenta)a sobrevivência de uma casta e do sofrimento dos humildes.

Saloio disse...

Se tiverem curiosidade e quizerem saber mais alguma coisa sobre o assunto, leiam o livro de Fina D`Armada, "Fátima - O que se passou em 1917", da Livraria Bertrand, primeira edição em 1980, e que é uma separata da obra "A Mulher Portuguesa na Primeira República".

Neste trabalho que terá durado 8 anos, a autora recorre aos arquivos sobre a matéria e a depoimentos de alguns sobreviventes, além da sua própria interpretação, que reputo de historicamente mais actualizada - tendo em atenção a ufologia.

Com a humildade do pouco que conheço, pareceu-me o livro mais imparcial entre obras de crédulos e de incrédulos.


Saloio

Omar Khayyam disse...

Fátima, pastorinhos...1917 - 2005. Mas todo este frenesim não faz tocar as sinetas de alarme. Para que fique claro, quanto a mim, prefiro ver aquela gente("o povo") de lenço branco na mão no santuário, que a pensar. Enquanto acenam, não pensam, e enquanto não pensam, não actuam e enquanto não actuam, estes "perversos" comentário ainda podem ser feitos. Imaginem aquela gente a substituir o lenço branco pela gadanha!!! E mais, enquanto depositam no regaço da Virgem a esperança para a sua salvação terrena e metafísica, não chateiam o eng. Sócrates. Como já não chatearam o dr. Oliveira ou o prof. Caetano. Quanto ao resto... prefiro os lenços brancos aos archotes que andam a queimar consulados lá do outro lado. Se bem que, a longo prazo, não sei o que queimará mais!! Mas anda uma brisa passadista no ar, um sopro de retrocesso a sair de algumas mentes iluminadas à vela. Vale a pena estar atento!

rb disse...

Excelente texto! Agora só falta um fadinho para completar a nossa trilogia idiossincrática.

Mª Lurdes Delgado disse...

Não! A minha pergunta não era retórica. Desconhecia completamente as razões.
Fico grata a quem reparou nela e a quem me informou, ao Mário Figueiredo e à Ana Cláudia Vicente.

Jose Sarney disse...

"Sou cristão, não católico"

Ora bem,

1. É o seu povo, VPV, quer goste ou não.

2. Afonso Costa mandou 17.000, para a "urna" Belga!

3. As élites aparecem sempre em Fátima (desde Ramalho Eanes, a Fátima Felgueiras).

4. A Igreja Católica, é a mesma do colaboracionismo com o regime nazi, ou a da Inquisição!

5. Fátima é ASSUMIDO pelo poder político, como "turismo religioso" com muito potencial a explorar!
-------------------------------

Cá por mim, continuo a acreditar no maior REVOLUCIONÀRIO da História: Jesus Cristo.

Mª Lurdes Delgado disse...

Esta coisa do traje próprio é uma dor de cabeça.
Em Sevilha não me deixaram entrar de calções até ao joelho, mas aceitaram a mini-saia.
No Vaticano os calções do meu marido até ao joelho não deram entrada. Eu, à cautela, agora ando sempre de pareo na mala. Entretanto aqueles espectáculos de strip-tease, na rampa de acesso, sob um sol abrasador, para vestir a roupa adequada, nâo ofendem e são bem vindos.
Em Siena uma filha minha de 14 anos foi advertida por causa do ombro, mas a mãe, que ia de umbigo ao léu, não lhes causou problema.
Eu só ainda não percebi, porque é que não fazem como nos Mosteiros Ortodoxos. À entrada há sempre umas saias compridas de elástico na cinta, que a gente enfia e uns lenços para tapar os ombros. No fim devolve-se. Parecer-me-ia do mais elementar bom senso e não deve levar a Santa Sé à ruína.

xatoo disse...

Mª Lurdes Delgado
Em Itália, em qualquer kioske há um pequeno livrinho à venda chamado "Como comportarsi in Chiesa"
Convem comprar para não andar a fazer figuras tristes,

ass2006 disse...

Hi, a nice blog you have here. You will surely get an bookmark :) phentermine

xatoo disse...

A “Opus Dei”, grupo ultra-conservador inserido na Igreja Católica, de que faz parte o Doutor (pela esconsa Universidade de Navarra) Ramalho Eanes primeiro mandatário nacional da candidatura do Sr. Silva a Presidente, exige que a produtora Sony-Columbia faça alterações no filme “O Código Da Vinci”, que tem a estreia mundial marcada para 17 de Maio, na abertura do Festival de Cinema de Cannes.

Mª Lurdes Delgado disse...

Xatoo,
Agora é que me diz?
Eu ia lá imaginar que no quiosque havia o dito livro! Só comprava os postais e os selos, porque os cigarros levava-os de cá. Ao que eu fumo, mais dois da prole, sempre era uma poupança.
Para a próxima, e graças à sua ajuda, já não andarei a fazer figuras trites

Anónimo disse...

A televisão induca e o futebol instrói.

Davide E. Figueiredo disse...

Ontem parecia a Volta a Portugal Em Caixão.
Eu gostei bastante e estou à espera que façam uma coisa parecida dos Jerónimos ao Panteão, a A Meia Transladação de Lisboa :)

Anónimo disse...

. Esperava-se mais rigor nas pequenas coisas. Verificáveis e incontestáveis.
Não estão ao nível do VPV - historiador.
. Quanto às interpretações e enquadramento, tem direito a interpretar como quiser.

e-konoklasta disse...

Viva a verdadeira separação da Igreiiija e do Essstado... com 3 canais de TV a transmitir de Fátima e só a 2 com futebol (sempre é mais cultural). Assim vai o reino de Portugal e dos Algarves...

Mario Figueiredo disse...

Entre futebol e Fátima, prefiro a TV Cabo. Sorry e-konoklasta.

Anónimo disse...

Qualquer católico que viva a sua fé de forma discreta e verdadeira concerteza se sentirá incomodado com o circo montado pelas televisões tanto nesta como noutras ocasiões.
Não há forma mais eficiente de ridicularizar a igreja católica do que os exageros televisivos que refere no seu post, passando a mensagem "subliminar" de que os seus crentes não passam de gente ignorante e inculta.

Anónimo disse...

Substitua-se, no comentário das 3:31PM, "que refere no seu post" por "referidos ".

Mosca disse...

Enganaram-se foi no dia.
No proximo fim de semana, podiam juntar aquilo ao Carnaval de Torres, e fazer um cortejo e peras

Anónimo disse...

Como cristão, católico e cada vez menos romano, envergonhei-me desse deprimente espectáculo, e muito rápido se desligaram os televisores cá de casa.Não imagino nenhum País Europeu, com constituição laica, ter espaço para tão ridículo escárneo dos valores religiosos.Gostaria, e para tal faria penitência, saber o que pensa exactamente o Papa actual deste folklore, embora o anterior bem alimentasse a cretinice simplória dos milagres por medida.Lamentável tudo isto.

Anónimo disse...

Anónimo das 4:21, não acha que o papa terá mais que fazer do que comentar audiências e programações das televisões?
As televisões reflectem o nível cultural do país... e ma nada!

Mª Lurdes Delgado disse...

Eu ri com muitos dos comentários, mas nenhum me levou até às lágrimas como o do David E. Figueiredo

Anónimo disse...

Isto não é lugar para se falar a sério, mas vá lá por esta vez. Caro Vasco: alusões à Rússia nos relatos de de Lúcia e dos seus primos, em 1917, PURA E SIMPLESMENTE NÃO EXISTIRAM. Lúcia, que viveu exilada (pela Igreja) na Galiza de 1925 a 1946, só por volta de 1930, com 23 anos, é que introduziu o tema Rússia nas visões nocturnas que tinha na capela das Doroteias de Tuy. Isto depois de Pio XI ter lançado, desde 1928, uma campanha de denúncia das perseguições religiosas de Estaline e de ter ordenado que se rezasse pela "conversão da Rússia".
Em 1917, em Fátima, sobre a Rússia, não há uma única palavra. Nem nos anos seguintes! Em 1917-18, Bento XV sentiu chegado o grande momento, com a queda do czarismo, de lançar a ofensiva final de reunificação do rebanho cristão sob o pastor romano. Foi essa a grande preocupação do seu pontificado até à exalação do último suspiro. Com os czares, mesmo os mais abertos ao Ocidente (Pedro I, Catarina II, Paulo I, Alexandre I), nunca Roma tinha conseguido avançar. Czarismo, Império Russo e Ortodoxia eram, como sói dizer-se, um só combate! Bento XV viu em Lenine o agente providencial da terra queimada que permitiria o avanço das tropas missionárias romanas sobre os ansiados escombros da Igreja Ortodoxa (João Paulo II voltou a pensar isso nos anos 90, mas voltou a enganar-se). Bento XV e Pio XI andaram anos em tractações com os bolcheviques, com os quais chegaram a concluir uma acordo secreto (1921). Deram-lhes auxílio monetário e alimentar durante as grandes fomes dos anos 20. Rússia não era tema público para grandes combates católicos nessa época, isso não passa dum anacronismo.

Como autores católicos mostraram já, Lúcia e a Igreja lusa incorporaram a Rússia retrospectivamente no "segredo" da mensagem de Fátima, já em plena II Guerra Mundial e com o aval de Pio XII, quando os alemães avançavam na frente Leste e os Aliados bombardeavam as cidades de Itália. Saudações do Zé Barreto

paulof disse...

Vpv, faltou dizer no seu texto, porque é que o filho da puta do pior ditador da história de Portugal,Afonso Costa, era alcunhado na altura por "o racha-sindicalistas"...

Mª Lurdes Delgado disse...

Tinha cá uma suspeita que a Lúcia não devia conhecer a revolução bolchevique, Mas sempre pensei que o sr. bispo de Leiria tivesse colmatado essa falta de informação atempadamente. Incompetente!

Joaquim disse...

Ainda a história de Fátima:
Gostava que alguém de boa fé me explicasse como é que a Revelação, que terminou com o último livro do Novo Testamento, se articula com a "mensagem de Fátima". Como é que eu devo entender a história de alguém que vem do Céu para me dizer duas ou três pachochices (quero que rezem o terço; quero que façam aqui uma capelinha...)e depois se vai embora deixando que a mensageira Lúcia seja fechada num convento e sejam os padres ( a quem a dita Senhora não apareceu!)a "pregar" a tal mensagem?
Como é que uma História religiosa que tem profetas como Isaías, Moisés, Jonas, Ezequeiel, Daniel etc, se articula com uma pobre labrusca que, na primeira vez que apareceu publicamente em Fátima, com Paulo VI (e eu vi na TV) se limitou a acenar parolamente aos peregrinos, rindo como uma pateta?
Quem alguma vez visse a "Senhora mais brilhante do que o Sol" não seria capaz de calar. Gritaria aos quatro ventos: Eu vi! Eu falei com ela!
Isto é: colocando-me dentro da Igreja Católica não consigo perceber como é que Fátima se justifica teologicamente.
Tentei perceber mais uma vez no dia da transladação do corpo da pobre mulher. O que ouvi deixou-me estarrecido. Um bispo na Homilia, dizia esta preciosidade: "Olha, írmã Lúcia, nós sabemos que já viste Deus, estiveste face a face com ele. Dá um beijinho nosso à Jacinta..." - e fazia uns requebros de voz tão ridículos que eu pensei que aquilo era uma rábula do Hermman Sic. Francamente! Há gente neste país que vive num estado lastimoso de debilidade mental! Bispos, padres ( diz que eram 250!, e povo, aquele povo alarve, ignorante, contentinho umas vezes, outras sofredor até ao absurdo...
Percebe-se a distância entre isto e a inteligência!
Não quero ofender ninguém, mas é preciso ser muito burrinho para aceitar estas tretas. Ou então é a outra coisa: o tal medinho da morte que faz aceitar tudo!

E esta gente não vê que tudo aquilo é um negócio revoltante?
Têm razão muitos dos "comentadores" que aqui li: Fátima é a pior propaganda à religião de Cristo!
E há ainda outra coisa: o culto à Virgem é uma afronta às nossas mães!
Olha se elas fossem virgens!!...
Não percebo como é que são as mulheres quem mais reza à dita Virgem, não vendo que se estão a apoucar. Não há glória nenhuma em ser-se virgem! A virgindade é, do ponto de vista da criação divina, um absurdo evidente. Glorificá-la é, repito, um insulto ao amor dos meus pais que me geraram e criaram.
Claro, a razão só pode ser a dos eunucos-funcionários-de-deus que se babam de joelhos perante uma imagem de mulher, masturbando-se mentalmente, incapazes como são de amar uma mulher verdadeira, com os seus cheiros e mazelas, a sua ternura e sensualidade, para as quais é preciso ter a coragem de ser homem e amar com o corpo !

Fátima é uma coisa tão triste! Tão feia!
Acorda, povo castrado! expulsa os vendilhões do templo!
O padre Mário de Oliveira anda há anos a pregar isto mas poucos o ouvem...

Anónimo disse...

Viva Afonso Costa, homem genial, a quem os "amigos" e o 28 de Maio impediram de levar a cabo a limpeza dos piolhos que pululavam no cérebro dos imbecis que criaram a fantochada que se designa por "Fátima".
Com Afonso Costa no poder, não havia estas palhaçadas.
Alás, acho que isto se resolve com facilidade - é só fazer uns telefonemas para uns países muçulmanos, a dizer que andam a fazer pouco do Profeta num lugarejo obscenamente apelidado de "Fátima" (para os menos atentos, a filha preferida de Maomé, que casou com o Ali, ainda hoje adorado adorado pelos xiitas... aplausos, momento cultural), para que rapidamente o assunto seja resolvido como deve ser - à bomba!!!

Agora um pouco mais a sério (mas só um pouco mais...) - talvez haja esperança para este país, tendo e consideração que o número de circo teve tão poucos espectadores. É sempre bom saber que os portugueses preferem ficar em casa , do que ir apanhar uma pneumonia para assistirem às viagens de um caixão contendo os restos de uma velhinha... Acho que já não há pachorra para estes números de circo. Se gostam de ajuntamentos, mudem-se para Meca. Mal por mal, e parecendo diferente, é tudo a mesma Me(**)a ...

Anónimo disse...

Os milhões de pessoas que visitam Fátima não são todos anormais e analfabetos, nem sequer uma fatia considerável. Sempre houve e há-de continuar a haver muitas Fátimas pelo mundo fora. A que tem mais peregrinos fica no México: 12 milhões anuais. Na Europa, Medjugorje, na Bósnia, tem tantos ou mais peregrinos do que Fátima e nem sequer é reconhecida pela Igreja. Os crentes gostam, aquilo faz-lhes bem. É verdade que Fátima faz bem a muita gente! Perguntem-lhes!

Eu não sou cristão, mas não quero ensinar fé a ninguém! Porque é que os não crentes têm que "denunciar" essa "coisa feia" de Fátima, sobretudo nos termos do 'joaquim'? Não gostam? Ponham na borda do prato e sigam em frente. Façam zap! Há dvd-s, como já aqui disse alguém. Há quem prefira a TV Cabo... Vão passear para o campo, respirar ar puro e mexer essas pernas!

d disse...

...

Anónimo disse...

Se o Afonso Costa era genial, porque é que o país real se virou contra ele? De génios incompreendidos está o luxuoso exílio parisiense cheio!

Marco disse...

As crianças da aldeia em Portugal têm visões da Virgem Maria e não da deusa indiana Kali. Os nativos norte-americanos nas suas transes têm visões de animais norte-americanos e não de animais africanos. Assim, parece que as experiências religiosas por muito intensas e arrebatadoras que sejam, estão sujeitas a constrangimentos por parte das normas culturais e religiosas da pessoa a quem ocorre.

Anónimo disse...

Onde quer chegar, Marco? Que Nossa Senhora "não existe"?

Joaquim disse...

Caro Anónimo, fala o Joaquim:

Claro, para que é que gastamos tempo e pachorra com tretas, né?
É isso que deve pensar aquele velhote que está ali no banco, mãos cruzadas no cabo do chapéu, olhando à esquerda...depois à direita...de novo à esquerda...até se fazer horas da janta.Depois, cama!E assim sucessivamente, né?
Mas não sou capaz de ficar quieto, calado, indiferente. Sobretudo sabendo que, se tivesse sido essa a actitude prevalecente ao longo dos séculos, nós ainda estávamos na Idade Média, com a ICAR a queimar hereges e a tratar a mulher como "deus mandava"!
Não me esqueço que ainda há trinta anos se queimavam sedes de partidos políticos em Portugal! Que havia manif's contra filmes sobre a virgem maria! Que um livro do Saramago era censurado pelo governo porque "ofendia a crença católica da maioria do povo português". Que em muitas aldeias de Portugal os tolerantes "crentes""obrigam" crentes e não crentes a ouvirem de meia em meia hora o "avé de Fátima" em sinos e relógios electrónicos colocados democraticamente nas torres das igrejas.
Não, meu amigo, a Igreja hoje só é tolerante e amigável nos lugares onde os não crentes a enfrentaram e denunciaram. Não esqueço os perseguidos de há séculos neste país: os "maçons", os "pedreiros livres", os "comunistas", os "ateus". Não esqueço que a mais recente sé episcopal contruída em Portugal - a de Bragança - ainda tem no cimo da alta e arrogante torre uma coroa real, dedicada ao culto de "Cristo-Rei", desvirtuando assim as palavras do fundador "aprendei comigo que sou pobre e humilde de coração". Vão lá e vejam como se comporta ainda hoje a Igreja nas terras em que se julga dona e senhora.
É por isso que é necessário denunciar, denunciar sem descando a alienação.
Claro, há muita gente inteligente por esses santuários do mundo: é o medo da morte, meu caro! Só e unicamente isso! Eu, quando estou doente, sinto o mesmo. Misérias...
O que é revoltante é uma casta de homens (os funcionários religiosos) falarem em nome de deus, arrogando-se um poder imenso sobre os outros. Que, está bem de ver, aceitam e até gostam...
Mas que a religião é a maior causa de guerras, perseguições e irracionalidades, é um facto que todos os dias comprovamos.
É ou não é?

Saudações!

João B. disse...

Claro que a Nossa Senhora existe. No mesmo plano de existência que Romeu e Julieta, e todos os exemplos que possam aqui querer juntar.
É pena a igreja não ter provas disso*, pois assim depende apenas da própria capacidade para "vender" o conceito, e a capacidade dos crentes "comprarem" o conceito, e ambas as capacidades, ao longo dos tempos, têm tido bons e maus momentos.
Apesar de ainda suspeitar do fanatismo católico, parece-me ser esta época um dos bons momentos. Nunca teve a igreja tantos crentes esclarecidos e com capacidade de abstracção, assim como ferramentas para se informarem, creio que isso faz deles melhores crentes do que os "anteriores".


*provas que não incluam exaltações de fé, promessas de "feliz daquele que acredita sem ver" e outros rodeios cuja intenção é confundir/distrair quem procure explicações.

Omar Khayyam disse...

Então mas ninguém se lembra que a irmã Lúcia era uma proeminente internauta... tinha na sua cela particular uma poderosa máquina com adsl. E isto não é gozo, o bispo de Leiria, ou alguém em seu nome, disse-o.

Anónimo disse...

joaquim said:
«...é o medo da morte, meu caro! Só e unicamente isso!»

E acha pouco?

Anónimo disse...

joaquim said:
«...Mas que a religião é a maior causa de guerras, perseguições e irracionalidades, é um facto que todos os dias comprovamos.
É ou não é?»

Não, não é. Se é marxista, leia Marx. Se não, leia também, que sempre aproveita qualquer coisa.

O petroleozinho, caramba! A porra do poder! A posse das terras, carago! Atá a porcaria da água causa mortes, caramba! A religião aparece depois, para consolar, para mobilizar, para justificar.

Em si

Anónimo disse...

Em si, a religião não é pela guerra nem pela paz. Pode ser por uma e pode, também, ser por outra. Ou tem dúvidas que a religião pode ser utilizada para a paz?

Anónimo disse...

joão b. said:
«Claro que a Nossa Senhora existe.»

Pois existe, João. Existe na cabeça de muitos devotos. É um software... Tem mais utilizadores que o Windows XP!

Anónimo disse...

Mª Lurdes Delgado said...
«Tinha cá uma suspeita que a Lúcia não devia conhecer a revolução bolchevique, Mas sempre pensei que o sr. bispo de Leiria tivesse colmatado essa falta de informação atempadamente. Incompetente!»

Em 1917 não havia bispo de Leiria, querida Mª de Lurdes. Só a partir de 1920... Além disso, a Rússia ou o comunismo eram temas desconhecidos e sem qualquer interesse para os milhares de devotos de Fátima. Mesmo os padres da diocese tinham mais em que pensar. Eles queriam um santuário para fazer renascer a fé católica, tal como a sua homónima Lourdes tinha feito em França. A descrença era obra dos mações e dos anarquistas, não dos comunistas, que ainda nem sequer existiam em Portugal em 1917!!!

Localmente, também se queria promover o turismo religioso, com certeza.

Mª Lurdes Delgado disse...

Anonymous das 7:30 PM,
Como já deve ter percebido eu desconheço a maior parte deste fenómeno. Agnóstica por educação, eu sei que não é desculpa, mas francamente nunca me interessou e o da minha homónima também não. Julgava que em 17 já havia um bispo de Leiria. Agradeço a informação e retiro o que anteriormente disse.

Mª Lurdes Delgado disse...

das 7:33 PM e não das 7:30 PM

Eurico disse...

Ha uma obra interessante sobre Fatima: NA COVA DOS LEOES, de Tomas da Fonseca, que esteve presente em Fatima no dia da apariçao de Outubro(13). Parece-me que foi editada no Brasil e ha 40 anos que n/lhe ponho a vista.Quem a encontra? Quem a reeditaria?

Sílvia disse...

Se bem me lembro, na primeira e última visita que efectuei ao museu de Fátima, a guia do museu, uma freira italiana, revelou que o bom povo de Fátima sofria, na época, com a angústia e o medo da revolução bolchevique e a mortandade da 1ªGrande Guerra...

Arrebenta disse...

As 10 Leis da Blogosfera, de acordo com Arrebenta

O tema ainda me interessa menos do que a Irmã Lúcia, mas aproveito, já que uma figura menor, como Pacheco Pereira, parece provocar, através das suas banalidades, tanta polémica, aproveitar as banalidades dele, para atear ainda mais incêndios.

As Leis da Blogosfera, de acordo com Arrebenta:

1ª Lei) Tudo o que não é publicado no "Abrupto" ou é contraditório, ou rapidamente se revela uma ignóbil contradição.

2ª Lei) A ferocidade dos comentários é directamente proporcional ao estrago que o "post" provoca no Sistema, e é geralmente fruto de anónimos bloguistas, com nomes realmente sonantes na obscena hierarquia desse Sistema.

3ª Lei) A esmagadora maioria dos temas, comentários, reacções, alinhamentos e posições é sintomática do estado de atraso e iliteracia do país de onde provêm.

4ª Lei) Tudo que não se insere no anterior, deve ser rapidamente abafado, através de comentários anónimos, violação de blogues, intimidações, e profanação de computadores e caixas de correio.

5ª Lei) A Blogosfera tem horror de pachecos pereiras.

6ª Lei) O carácter lúdico dos blogues diminui à medida que se aproxima dos verdadeiros temas gangrenosos da nossa sociedade.

7ª Lei) As Sociedades Secretas que nos governam na sombra estão em assanhada disputa pelo espaço (ainda) livre do Discurso Blogosférico.

8ª Lei) Tudo o que devia aparecer na Blogosfera deveria cumprir as regras, submissões e compadrios vigentes na Atmosfera, o que, graças a deus, ainda não acontece.

9ª Lei) Na Blogosfera, o lixo de Pacheco Pereira só atrai lixo ainda mais lixo do que o lixo de Pacheco Pereira. Todo o restante é publicado -- imagine-se -- sem nunca pensar em Pacheco Pereira, ou, sequer, saber de quem se trata, ou do que ele escreve, ou pensa.

10ª Lei) Não se ponham a pau, e brevemente só haverá lugar, neste espaço de sombras, para as rebarbadas de perna-aberta do costume, vidé, marias elisas domingues, pachecos pereiras, marcelas, luíses delgados e quejandos.
Disse.

http://braganza-mothers.blogspot.com/

OLP disse...

Esta discução acabava se ameaçassem em deitar fogo á casa dos cepticos.
Começava a discução do bom senso ou porventura de alguma liga de futebol entre o vaticano e o resto do mundo.
Ministro para isso temos...

padeiraderaljubarrota disse...

VPV sabe que falar de Fátima dá audiência.
Eu cá, podem-me chamar de estúpida e analfabruta, prefiro a Fé do carvoeiro.

padeiradealjubarrota.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

BRAVO VPVALENTE!!!!! Começemos a falar do cerne da questão. A PADRALHADA, a ESCUMALHA!!!Fazem a cabeça das pessoas neste pedaço de terra, desde 1495 após a morte de D.joãoII... Mas leiam Fina D'armada, historiadora e investigadora do que se passou em Fátima em 1917 com Joaquim Fernandes, jornalista e investigador universitário. Leiam mais, muito mais. PENSEM... Vão à procura de TOMAZ DA FONSECA leiam dele Na cova dos leões, As cartas ao cardeal. E mais muito mais. A criatura anunciou à freira a revolução bolchevique!!! para os papalvos está bem está bem para quem quer saber está mal assim. OH! GENTES ABRAM OS OLHOS !!!!!!!

Anónimo disse...

Joaquim said "é ou não é?"
Anonymous reply "não. Leia mais um bocadinho... e não odeie tanto! É preferível gente ignorante que vai a fátima a pseudo-letrados carregados de ódio e raiva"

sniper disse...

A julgar pelos comentários, Fátima já não é mais o Altar do Mundo..É o Muro de Lamentações de Portugal. Vai sobreviver por muitos e longos anos..

Anónimo disse...

Esse Joaquim é ridículo nos seus comentários.

Joaquim disse...

Só para acabar a minha participação nesta troca de impressões sobre Fátima:
1º- É certo e sabido que perante opiniões vigorosas apareça sempre gente a dizer que elas estão cheias de ódio e raiva. Parece-me falta de treino na nobre arte de dialogar.
2º- Tudo pode e deve ser discutido. Essa é a base da nossa liberdade.E há sempre quem não goste disso,também entendo.
3º - Concedo que às vezes sou impaciente para com quem não está na minha onda em matéria de religião. Desculpem, também aturo as impaciências dos outros. De qualquer modo,se exagerei, peço que me relevem a falta.
4º- Quanto à dita e redita Fátima: eu fui crente, oH! se fui! Fiz uma peregrinação a pé, era eu miúdo. E não esqueço que a minha infância e adolescência foram assombradas pela culpa, o pecado, a necessidade de fazer penitência porque "Nosso Senhor está muito ofendido", sacrifícios pelos pecadores, etc.
O pavor de dormir em pecado mortal por ter cedido à tentação de "bater uma..."antes de adormecer! E ir confessar, na manhã seguinte, de joelhos aos pés de um homem mal-cheiroso que me agarrava o rosto para eu beijar o crucifixo, rebolando os olhos em arroubos místicos, a dizer: "ele morreu por ti, ele morreu por ti!"
Vivi isto, era miúdo, tinha treze ou catorze anos, vivia numa família de terço diário. E não era caso único, sei-o bem.
De facto, só quem viveu esse pesadelo pode denunciar com a veemência com que eu o faço!Só quem passou por isso perceberá.
Como dizia Brecht ( cito de cor, só a ideia): critica-se o rio por ser impetuoso mas esquecem-se as margens que o comprimem!

Felizmente os meus filhos já não viveram isto!
Não odeio. Mas não esqueço! E denunciarei sempre!

Pedro Oliveira disse...

vpv, compreendo que tenha pouco tempo para rever os seus posts. No entanto, acho que devia ter mais cuidado com a sintaxe. Olhe reveja as frases seguintes: "Em 1915 e 1916, os "pastorinhos" Lúcia de Jesus Santos, de 8 anos, e os seus primos, Jacinta e Francisco, de 7 e 5 anos, viram ..." [Os pastorinhos Lúcia e os seus primos?!?]; "(excepto em Agosto, por motivos de que não vale a pena explicar aqui)" [não vale a pena explicar "de" quê?!?]. Para a próxima tenha mais cuidado, sim?

padeiradealjubarrota disse...

Falar de política, futebol ou religião dá pano para mangas.Mas ainda não consegui perceber porque é que os intelectuais(?...) têm de ser lívidos, anémicos, mal escanhoados, borbulhentos e deslavados, e todos os outros seres pensantes a quem se detecte borrifos de àgua de colónia, ou um arzinho da sua graça...ou, pior ainda, tenham laivos de Fé num Deus,lhes seja passado um atestado de estupidez.
Esta deve ser para o Sherloch Holmes...

padeirade aljubarrota disse...

PS:o VPV é excepção à regra, não é borbulhento nem mal escanhoado. Nem pseudo intelectual vestido de negro.É simplesmente polémico e isso tem graça.

Anónimo disse...

Essa imagem do intelectual é um estereótipo, claro.
Na realidade eles hoje vestem sobretudos de marca, andam em "bombas" de dez mil contos e vão todos os meses a Londres ou N.York copmprar livros. Depois arrotam alto nos artigos de opinião de certos jornais e revistas. Vivem bem! E ainda bem!

Anónimo disse...

Senhor Eurico: segundo me contaram, o livro "na cova dos leões", considerado no meio intelectual como o máximo anti-Fátima, foi editado em Portugal e no Brasil. Porém, apesar de ter esgotado rápidamente, nunca mais foi reeditado pela mais simples de todas as razões: o Igreija Católica comprou os direitos de autor aos herdeiros de Tomás da Fonseca, e não permite nenhuma reedição.

Saudações do Saloio.

Anónimo disse...

É sempre bom saber que há quem impeça a publicação de lixo. A liberdade de expressão é muito bonita, desde que não seja para sujar as livrarias.

Sílvia disse...

Caro Saloio,
isso é, nada mais, nada menos, que um milagre da santa intransigência, da santa coação e da santa desvergonha.

Anónimo disse...

Ó Joaquim, responda-me lá honestamente. Tem filhos? O que faria se um filho seu se convertesse a uma religião? Eventualmente à católica?

Sílvia disse...

Ó Joaquim, responda-me lá honestamente. O que faria se um filho seu fosse "capturado" aos 14,5 anos de idade pela Opus Dei, sem o seu conhecimento e sem o seu consentimento?

Joaquim disse...

O que faria?
Aquilo que sempre fiz e faço com os meus filhos: conversar. Converso muito com eles. Tenho uma relação calorosa e afectiva pai/filhos, sem entrar naquela de "os meus filhos são como os meus amigos". Sou pai, eles reconhecem-no e são filhos.
Aceito os seus percursos pela simples razão de que não foram impostos por ninguém. Dou-lhes conselhos quando os vejo abertos a isso ou mos pedem. Mas não me retraio em certas questões: o tabaco faz mal, as relações sexuais desprotegidas são perigosas, todos os funcionários ideológicos são de evitar (sejam padres, controleiros do PCP, deputados sem profissão estabelecida, etc).
Convivo bem com o padre da minha terra porque ele não me tenta catequizar e não se comporta como se tivesse a verdade no bolso. Foi ele que me recordou uma frase do Evangelho que diz que nos fim dos tempos virão muitos do oriente e muitos do ocidente e todos terão lugar na casa do Pai. Isto é: acredita na fraternidade fundamental dos homens,sem que ela passe pela água na cabeça ou "endoutrinações" abusivas. Se todos fossem como ele eu não gastaria algum do meu tempo a denunciar os abusadores do poder espiritual.

Sílvia disse...

"Se todos fossem como ele eu não gastaria algum do meu tempo a denunciar os abusadores do poder espiritual."

Nem eu, caro Joaquim, nem eu...

Luis Teixeira disse...

Acho Fátima uma perda de tempo excepto como case study. Mas pergunto-me: porquê tanta sanha contra o lugar e o mito? Obrigam-vos a ir lá? Amarram-vos à TV durante a transmissão? Não podem olhar para o lado? Ler um livro? Ir ao cinema? Dormir?Porquê essa sanha em insultar as crenças dos outros? Em fazer gala de não crença? Faz-vos sentir mais inteligentes? Superiores? Lisboetas? Cosmopolitas? E deixar os outros em paz? Não vos daria um ar um pouco mais educado? Lá em casa não havia ninguém para vos ensinar boas maneiras?

sniper disse...

O Muro de Lamentações merece o centésimo comentário...

Anónimo disse...

Olhe lá,ó Luís Teixeira:

Já reparou que o seu comentário se pode perfeitamente aplicar a si?
Porque carga de água é que os não crentes têm de ficar calados enquanto os crentes abusam e re-abusam da sua qualidade?
Somos livres de dizer "o rei vai nu"! Quantas vezes quisermos, percebeu?
Ou é dos que, no fundo, no fundo, têm saudades da Inquisição?
Quer-me parecer que sim...

Anónimo disse...

Fátima não é nenhum festival de católicos, ou uma feira de terços e muito menos um tema de conversa para o Roberto Leal e outros comentadores ridículos.

Esse "capítulo" de Fátima envergonha-me como católico (e imagino que a muitos outros também). Fátima não é só o que se vê nas televisões. Devemos distinguir aquilo que é autêntico do que é folclore.

Aquilo que é verdadeiramente autêntico é a fé, o resto, não significa nada. Dizer "o rei vai nu" a quem vai a Fátima passear e comprar Nossas Senhoras fosforescentes faz todo o sentido. Dizer o mesmo a quem acredita realmente, é um insulto.

Quintino Sutil disse...

ò senhor, vá para o raio que o parta!
Haja respeito pela instituição que é a Igreja.
Estes comunas... realmente só na Sibéria.

Quintino Fonseca disse...

Ó senhor, vá para o raio que o parta!
Haja respeito pela instituição que é a Igreja.
Estes comunas... realmente só na Sibéria.

Anónimo disse...

O Quintino é uma BESTA e vós sois todos uns alarves ide e festejai com o javardo da Madeira á frente a tocar a pandeireta......

Anónimo disse...

O mais instrutivo destas intervenções é a conclusão a que quase sempre (e salvas as sempre raras excepções) somos obrigados a chegar: os crentes católicos passam-se da cabeça quando alguém "toca" na sua fé.E aí são igauzinhos aos outros. Ou piores. Porque mostram à evidência que afinal não têm confiança na sua fé. Se a tivessem não se sentiriam ameçados e reagiriam com sabedoria. Com elegância, pelos menos. A reacção desabrida e abespinhada deles, é claro, pouco difere da que teria qualquer ser acossado. Sente-se ameaçado e reage mostrando os dentes. Onde está a humildade evangélica? Onde a fé no poder da oração? Poder que move montanhas quanto mais as mentes perversas de alguns ateus comunas desrespeitadores da santa madre igreja?!
Os bons católicos demarcam-se de Fátima? Raramente. Porque é que os bispos portugueses não denunciam aquela feira de bricabraque religioso que assola Fátima, antes a incentivam com a inacreditável (e anti-evangélica)cerimónia da benção dos objectos religiosos? Em princípio os bispos farão parte dos bons católicos...
Para já não falar no culto fetichista de "uma imagem". Se assim não fosse, qualquer imagem da Senhora de Fátima serviria para as cerimónias. Mas não! O Papa só quis em Roma "aquela", a dita "peregrina", que já correu o mundo inteiro. Deve ter uma virtude especial. Nisso a fé do Papa é igual ao de qualquer velhinha que só reza perante determinada imagem e se zanga com o prior quando este decide renovar os imagens do culto.
Desculpem lá, caros católicos esclarecidos: o ridículo é o pior inimigo da vossa fé. Não culpem nem amaldiçoem os "descrentes", seres dignos da vossa piedade e orações...

Confúcio disse...

Aprender sem pensar é inútil. Pensar sem aprender é perigoso.

Calvino disse...

O que se passa em Fátima não tem nada a ver com o Cristianismo, mas antes se refere ao eterno paganismo em que Portugal vive.
As pretensas aparições mais não foram do que a visão que as pobres crianças tiveram da mulher do engenheiro que por lá andava em trabalhos de estrada, e que, vestida de saias mais curtas e brancas que as da maioria das gentes da aldeia, espantaram-nas de tal modo que pensaram ver em movimento a imagem da sua capela.
Pergunta pertinente: como nos vamos libertar desta grande mentira e dos seus inventados segredos? Por acaso já leram o 3º segredo de Fátima, o que fala do regador de sangue? Alguém que me explique o que é que isto tem a ver com o Deus Vivo de que falava Jesus de Nazaré!Claro que, só os negociantes da religião vão aparecer, porque esses tem tudo a perder se o povo acordar desta triste e miserável sonolência em que vive.O Messias Jesus de Nazaré proclamou: NÃO TENHAIS MEDO!
Os inventores de Fátima proclamam o contrário,isto é, o fogo do inferno para quem não aceita as suas aldrabices.Povo de Portugal: é tempo de acabar com quem não deixa abrir os horizontes de liberdade que só a cultura pode trazer;é hora de voltar ás raízes dos cristianismos das origens, esses sim geradores de praxis proveitosas para a humanidade.

ermitao-pereira disse...

Os putos mais novos morreram tuberculosos por força da fome que passaram com tanto jejum para tirarem os pecados do mundo. A mais velha, a Lúcia,foi condenada a prisão perpétua porque não quis morrer à fome.

ermitao-pereira disse...

Os pára-raios nas igrejas/
vieram mostrar aos ateus/
que os crentes por muito que o sejam/não têm confiança em Deus.

O poema não é meu mas sim do grande escritor TOMÁS DA FONSECA