sexta-feira, fevereiro 17, 2006

DIAS SEM ÁGUA


A EPAL persiste em me deixar sem água entre 15 e vinte vezes por ano. Por causa de uma "ruptura" na minha rua, na rua do lado ou na rua da frente. Sempre uma ruptura "imprevista", que surpreende a EPAL e provoca "perturbações no abastecimento". Ontem e hoje, à mesma hora, houve imprevistamente "perturbações". Ontem, como de costume, telefonei à EPAL e fui informado por uma voz langorosa de que "a situação" seria "normalizada às 20" (eram três da tarde). Às 20, nada; e às 21, ainda sem água, fui informado de que a "situação" seria "normalizada às 23", coisa que de facto aconteceu, se a lama que saiu das torneiras se pode considerar normal. Hoje já me disseram (por volta das cinco) que "a situação" seria "normalizada" "às 20", para me dizerem depois que será "normalizada" às 23. Por respeito pelo consumidor, as mentiras da EPAL nunca são imprevistas. A EPAL só não consegue prever rupturas nos três colectores do bairro desde 1991. O longo prazo excede a capacidade da EPAL.
O meu problema é um velho problema do jornalismo português: o que fazer? Ramalho, a quem tinham cortado a água, não conseguiu cortar nada à "Companhia" da altura. Por mim, pensei em organizar uma campanha a exigir a privatização da EPAL, o que, pelo menos, dava uma causa ao "imparável movimento" de Alegre. Mas, privatizado ou não, um monopólio é um monopólio e não me cheira que ganhasse muito com isso. Fica a paciência. Em Portugal, um fim nada imprevisível para uma ruptura imprevista.
vpv

33 comentários:

azeite disse...

solidário com este post. ontem deitei-me à meia noite, sem pinga na torneira, nesta casa do bairro alto. quando hoje acordei às 6h30 para partir para o dia de trabalho, a torneira continuava a cumprir na perfeição sua função de ornamento balneário.
a mesma voz langorosa lá me informou que "o técnico" (esse deus ex-machina) estava no local. e a minha higiene que aguardasse, pois quanto ao tempo de espera pela solução do problema, nem água vai, nem água vem.
"paciência", lá me dizia aquela voz de torneira entupida. paciência.

piscoiso disse...

Um dia destes aconteceu-me o mesmo, quando me levantei.
Tive de lavar os dentes com Scotch.

Anónimo disse...

Se eu estivesse no seu lugar ia passar o fim de semana a um bom hotel e mandava a conta à EPAL. Se calhar a EPAL não pagava mas entretanto eu sentia-me bem mais confortável.

unreconstructed disse...

Mude de bairro - essa sim, é uma solução portuguesa (a última vez que tentaram lixar-me, no emprego, mudei do dito).

Anónimo disse...

Se tudo está bem, para que serve este teatro aqui? Para vaidades? ... Uma coisa demonstra com certeza, que o sr. VPV é incapaz de resolver o problema.

Então um monopólio privatizado ou não, resta um monopólia. V. tem cá uma grande inteligência. E quem é que lhe disse, que após a privatização, o monopólio ficará um m.? ... Bom divertimento com a sua torneira.

Fale com a torneira ou chame um psicanalista.

Um técnico da EPAL!

RICARDO LEÃO disse...

Esperamos a todo o momento um comunicado do MENE (nome por que o Freitas agora se dá)sobre o assunto. A falta de água vai ser dentro de pouco tempo um dos graves problemas da comunidade internacional. Convém, por isso, ao MENE ir marcando posição, tanto mais que ela escasseia muito na maior parte dos países árabes.

Anónimo disse...

O mais irritante é que pagamos a conta que a EPAL nos manda para casa sem poder refilar nem procurar alternativas nem sonhar com as leis do mercado.
Monopolista deste que eu me lembro a Companhia das Águas de Lisboa há-de ser privatizada um dia destes pelo preço que eles quiserem e sem que uma migalhinha chegue aos utentes que ajudaram a engrandecê-la, pagando as contas. Acontece o mesmo com a companhia de telefones que tinha monopólio, com as companhias que vendem combustíveis e tinham preços tabelados, e com a TAP que ainda tem exclusivo de voos para algumas ilhas dos Açores, onde não se pode chegar nem de barco nem a nado. Uma miséria.

Anónimo disse...

Deixe lá que a Constança, com a água que tem metido, serve para as faltas.

Mª Lurdes Delgado disse...

Mas os meus caros amigos onde é que vivem? Como isto vem tudo escrito em português suponho que num qualquer PALOP. Embora, há dias com tanto árabe à mistura tenha desconfiado que haveria alguma parceria com Marrocos.

João Boaventura disse...

Já um deputado do vintismo dizia que este país não tinha emenda, donde resultou o António Vitorino concluir com o "habituem-se".

d disse...

...

Anónimo disse...

António Vitorino está um pouco cínico e muito bem instalado na vida. Não vale a pena chamá-lo para a conversa, ou as desgraças do Vasco ainda nos parecem mais pungentes.

CN disse...

acho curioso que a maior parte dos comentários feitos neste blog sejam de tipos anónimos ou que não deixam link para eventual contra-argumento. isto é, são feitos por gente que teme dar a cara pelo que diz. enfim...

Anónimo disse...

Enquanto V. mostra a cara, os óculos e uma mão. Bravo!

Anónimo disse...

Por mim falo: não é dar a cara,é tão só poder-se ser tímido.
Não se ria, porque há muita gente assim.
Dos anónimos não reza a história, mas também não matam ninguém e para quê mostrar uns símbolos que tb podem não ser verdadeiros?

Anónimo disse...

Parece-me um eufemismo muito grande dizer que o Vitorino está um pouco cinico. Será um pouco, poucochinho? Essa é para rir!
Já olharam bem pró homem, para as poses, para a meiinha branca, para a barriguinha (esperemos que não tenha que usar banda gástrica senão o Correia de Campos dá-lhe cianeto)para a presunção do discurso?
São todos o mesmo e eu não me habituo.
Haverá alguém com dois deditos de testa que se goste de rever nestes políticos acépticos?
Se as televisões não dessem guarida a estas estirpes onde seriam eles conhecidos? No círculo dos mesmos.
A propósito, basta lembrar o 'enfant terrible' do Carrilho. Não foram as televisões que o publicitaram e esqueceram ao mesmo tempo? (Note-se que não tiro o valor profissional ao Vitorino, mas há tantos e tão bons por aí, que me atrevi a escrever isto), em defesa de valores esquecidos.

Anónimo disse...

Pois gostei muito de ler...

Carlos N. Costa disse...

Sou seu vizinho aqui da Rua Ana de Castro Osório pelo que sinto na pele a desgraçada qualidade do serviço da EPAL, que mete àgua por todo o lado excepto, para nosso infortúnio, nesta nossa rua... Cumprimentos.

patrick blese disse...

há já algum tempo que desconfiava q eramos vizinhos- desde q li uma entrevista sua em q falava de uma sala envidraçada com vista para um certo "aquário" - agora tenho a certeza.
cumprimentos

Anónimo disse...

Eu deixei de ser adepto das coisas públicas porque a experiência diz-me que, normalmente, o tratamento que recebemos como clientes, ainda por cima atados de pés e mãos ao monopólio, é o que se encontra evidenciado neste post. Depois há as alcavalas da administração que, despudoradamente incidem sobre as facturas. Um exemplo:
No Verão passado, estive quase dois meses fora de casa, período quase coincidente com a facturação da EPAL, que se discrimina:

água 0.25
quota de serviço 7.18
adicional cmlisboa 0.18
saneamento variável 0.35
saneamento fixo 2.15
iva 0.37
total 10.48

Vejam como estes habilidosos, tão maus a prestar serviços, são exímios a pendurarem em 0.25 de água, uma alcavala de 10.23 euros!

Anónimo disse...

De facto, privatizar ou qualquer coisa que mude isto porque, para pior, já basta assim.

jorge disse...

Que Allah o misericordioso olhe cá para baixo e derrame a sua Ira sobre os monopólios Portugueses.
Aqueles que provocam a cólera do Altissimo reencarnarão na próxima vida como Utentes do funcionalismo Público do Al-Andaluz ocicental.
Que Muhammad seja louvado.

Anónimo disse...

O Sr. agora bebe àgua?

Anónimo disse...

Por acaso ninguém se lembrou do texto de Adriem Molle (estará bem escrito? - não tenho o livro à mão) em que aquela torneira não deixava de pingar e a mãe dele não tinha nada a ver com as mães da Televisão?
Em Portugal só se sobrevive com muita imaginação. Mas não desanimen, qq dia a SIC vai fazer umas reportagens sobre o desperdício da água e talvez possa concluir que é melhor assim, por causa do degelo dos glaciares.

Anónimo disse...

Versos para Maomé & Companhia


Meus senhores eu sou Maomé

que lava a cara, que lava os olhos

que lava a rata e os entrefolhos

que lava a nabiça e os agriões

que lava a piça e os colhões

que lava as damas e o que está vago

pois lava as mamas e por onde cago.


Meus senhores aqui está o Profeta

que rega a salsa e o rabanete dos mouros

que lava a língua a quem faz minete

que lava o chibo mesmo da rasca

tira o cheiro a bacalhau da lasca

que bebe o árabe que bebe o porco

que lava a dona e o berbigão


Meus senhores aqui está o Profeta

que lava os olhos e os grelinhos

que lava a cona e os paninhos

que lava o sangue das grandes lutas

que lava sérias e lava putas

apaga o lume e o borralho

e que lava as guelras ao caralho


Meus senhores aqui está o Profeta

que rega as rosas e os manjericos

que lava o bidé, lava penicos

tira mau cheiro das algibeiras

dá de beber às fressureiras

lava a tromba a qualquer mouro e

lava a boca depois de um broche.

QUAES CUNQUE FINDIT
MAOMÉ É RABO !
Quitéria é Grande !

www.riapa.pt.to

sniper disse...

O comentário do " Técnico da EPAL " é no minímo lamentável, e só tenho vontade da perguntar-lhe a que quinta ele pertence nessa mesma companhia. Ele e a empresa a que pertence, é que tem de resolver o problema, não somos nós. A EPAL recebe dos seus clientes as verbas necessárias para produzir, transportar e distribuir água, em condições impáres de ausência absoluta de concorrência, ditando as condições e os termos em que o faz. Tal como eu já escrevi aqui acerca de negócios felizes, a EPAL é o exemplo perfeito de uma SONEFE, ou seja, Sociedade de Negócios Felizes. É evidente que a EPAL não o faz por muitas e variadas razões, e qualquer tipo de privatização teria que passar pelo despedimento de mais de metade dos funcionários, de quadros, ou melhor de pseudo-quadros e da totalidade das conhecidas vacas sagradas que por lá pastam. Não há governo nenhum no domínio das suas faculdades que aceite uma privatização nestas condições; primeiro porque se arricava a perder votos e influência nesta e em outras áreas,( o ambiente está namoda ), e segundo porque a EPAL juntamente com a holding Águas de Portugal, são dos derradeiros redutos ou oásis onde podem empregar os seus boys em abundância. O Ministro das Obras Públicas, é o Grão Mestre da pouca vergonha que se passa neste sector.
A EPAL é o exemplo acabado de uma empresa autista e com graves problemas de competência, que derivam básicamente da sua situação monopolista no mercado, e com todos os graves defeitos de uma empresa pública estratégica, e que sabe muito bem que é impossível comprar água em Espanha, e colocá-la na sua rede de distribuição, fazendo uso desta situação sem paralelo no mercado, com uma atitude de doentiamente prepotente e déspota. São insuportávelmente vaidosos e arrongantes. Mais grave ainda é facto de nas Águas de Portugal, à semelhança de outras empresas públicas tuteladas pelo estado, a palavra de ordem para todas as empresas do grupo, é adjudicarem todas as obras, equipamentos e serviços pelo preço mais baixo, facto que remete para o cano de esgoto qualquer ponderação relativa à qualidade dos equipamentos e serviços oferecidos por outras empresas, em que o cujo o preço se reflete naturalmente a qualidade. Bom e barato, não há. Aliás estas posições são um convite aos empresários aventureiristas e paraquedistas portugueses, para ganharem dinheiro sem investir nas empresas de forma a puderem oferecer qualidade. Nivelar por muito baixo. Para terminar, porque este tema dava GBytes de escrita, não só sobre a EPAL, mas em relação a outras empresas do mesmo calibre, podemos perguntar a razão deste frenesim economicista num grupo em que actua sem concorrência? Poderia entender, ( mal, é claro ), uma eventual e temporária quebra de qualidade de serviços, se esta empresa estivesse sobre um ataque cerrado e demolidor de concorrentes, que obrigariam a um esmagamento de margens operacionais. Não é isto que acontece. O que acontece é simplesmente o facto desta e outras empresas públicas, serem geridas por administradores políticos 100% incompetentes, que não percebem nada poda e do assunto. Uns nabos vaidosos e arrogantes. Hoje estão na EPAL, amanhã deslocam-se para a PT Telecom, depois passam pela Galp, fazem uma aterragem nos CTT, e acabam a planar na EDP. Outro facto grave comum a todas as empresas deste calibre, é a renovação dos quadros ser feita pelo critério principal, em que o novo elemento a admitir, ser sem sombras para dúvidas, no presente e num futuro a curto médio - prazo, incapaz de manifestar qualquer tipo de competência que possa ofuscar as suas chefias , nem que ele se borre todo. É preverso e confrangedor. Sou 100% a favor da importação de clones do Fernando Pinto da TAP, para as nossas empresas. É uma vergonha, mas é a verdade e a realidade.

piscoiso disse...

Beba um copo de água e retome o fôlego.

Mª Lurdes Delgado disse...

Caro Sniper,
Os gestores públicos conseguiram, há muitos anos, pôr as fábricas de cerveja a dar prejuízo. Nem nos países que andamos a discutir há duas semanas, eles conseguiriam esta proeza.
Cordialmente

Anónimo disse...

sniper: tem todo o meu apoio e de certo o de milhões de portugueses que estão fartinhos de boys e de girls a fingirem de directores, administradores, gestores e outros estupores. Qualquer dia imigro para Marte ou Plutão porque este país, este governo e os outros que lá estiveram, fazem-me nojo.
Será que este regabofe, este encher dos bolsos de incompetentes não tem fim, nunca mais acaba?

sniper disse...

Caro anónimo,

Temo que nunca mais acabe. Já faz parte das regras do jogo democrático português. Uma espécie de dote de casamento para o partido que ganha as eleições. Veja o " O Independente " desta sexta-feira. Por isto, e por outras, é que eu penso que só nos resta o fundo, e bem fundo. A presidência da república que deveria ser o derradeiro recurso, tem uma atitude bovina e complacente com este regabofe.

Peixoto disse...

Não foi o Ramalho, foi o seu amigo(?) Eça.

Anónimo disse...

Não foi Ramalho mas Eça... Como muito bem diz o blog "Minha Rica Casinha".

Carlos Medina Ribeiro disse...

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ESTA "capacidade" da EPAL em resolver problemas, faz-me lembrar uma história que se passou comigo:
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EM TEMPOS que já lá vão, um administrador de uma empresa muito conhecida disse-me que pretendia contratar um gestor de obras - e perguntou-me se eu conhecia alguém que estivesse disponível.
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Depois de alguns contactos, consegui desencantar um colega que se mostrou interessado e que me apressei a recomendar recorrendo ao que - pensava eu...- era o melhor argumento em seu favor:
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«Ele é óptimo a resolver problemas!».
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No entanto, e para minha grande surpresa, o meu interlocutor abanou a cabeça, sorriu, e, com uma paternal palmadinha no ombro, deu-me a seguinte resposta que nunca mais esquecerei:
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«Obrigado, meu caro, mas eu não preciso de quem RESOLVA problemas; gente dessa há por aí aos pontapés. Eu preciso é de quem saiba ANTECIPÁ-LOS, para que não cheguem, sequer, a surgir».
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E rematou, ao mesmo tempo que me estendia a mão, dando a conversa por encerrada: «Nunca se esqueça que, nos negócios, como na política, GERIR É PREVER».
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Fiquei sem saber o que dizer, mas lembro-me sempre das suas palavras quando ouço pessoas a gabar-se de que são os melhores para resolver os problemas da empresa, do país, ou da autarquia.
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Mas o certo é que, pensando bem, talvez estas tenham alguma razão, pois uma empresa de consultadoria estrangeira concluiu, recentemente, que «os gestores portugueses são muito bons a resolver os problemas que eles próprios criam»...