quinta-feira, fevereiro 09, 2006

DEUS É DOS OUTROS

protestos
Bastou uma semana de ódio e de intimidação, de bandeiras queimadas e de embaixadas destruídas, de retaliações económicas e de sanções diplomáticas para que parte da opinião ocidental se vergasse perante os valores do Islão. No fundo, somos ocidentais, aceitamos os outros, compreendemos tudo e abdicamos de qualquer princípio que ponha em causa o sossego em que vivemos e os hábitos que adquirimos. Em questões de princípios somos prudentemente contidos. Se for preciso, descobrimos Deus: não em nós, como é óbvio, mas nos outros e no seu fundamentalismo. Este Deus, fanaticamente defendido, é o único que compreendemos na Sua infinita diferença. O nosso desapareceu, há muito, destruído pelo humor, pela análise, pela crítica, pelo desprezo e por uma indiferença mortal.
O cardeal Ratzinger, que o Conclave contra o espírito dos tempos nos impôs como Papa, representa para nós o pior da Igreja: o seu conservadorismo cego, a sua desumanidade perante o “drama” das mulheres, a “exclusão” dos homossexuais, o risco da Sida e tudo o resto que faz parte da nossa vida. No Ocidente, rico e ilustrado, a Igreja e o Papa e as suas encíclicas são analisadas à lupa, na sua intransigência absurda e no dogmatismo que lhes dá corpo. A opinião de um padre, de um bispo e de tudo o que cheire a sacristia está sob permanente escrutínio. Ao menor deslize, aparece imediatamente um Louçã ou um Rosas ou um outro qualquer da mesma família, disposto a dar a vida pelo laicismo e a denunciar os mais mesquinhos abusos.
Ainda há pouco tempo, em Portugal, neste Portugal que tão bem compreende o Islão, se armou um pé-de-vento por uma dúzia de crucifixos. Agora, recolhidos os crucifixos das primeiras páginas dos jornais, olhamos deslumbrados a violência e o fanatismo que nos chegam de todo o mundo, através das imagens da televisão. E compreendemos. Qualquer Francisco Louçã compreende incondicionalmente o fundamentalismo religioso que alastra pelo Islão onde a homossexualidade é negada, a mulher oprimida e as minorias um caso em vias de extinção.
Até o Governo, numa nota assinada em nosso nome, pelo ministro dos Negócios Estrangeiros, decidiu esclarecer o mundo que “Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos ou caricaturas que ofendem as crenças ou a sensibilidade religiosa dos povos muçulmanos”. Maomé não pode ser ofendido. “Cristo e a sua Mãe, a Virgem Maria” comungam também deste especial destino. Para o quadro ficar completo, só falta mesmo saber como é que o Governo vai manifestar a sua “discordância” no que toca à publicação de “desenhos ou caricaturas” que ofendam “as crenças e as sensibilidades dos povos”. O eng. Sócrates que se explique.
ccs
(publicado na revista Sábado)

40 comentários:

Manuel disse...

Lamento muito mas estamso perante um texto confuso, lamentável e gratuíto, escrito a metro, e bastante, muito, abaixo daquilo a que a autora nos tem habituado. O réu-béu-beu acerca de Ratzinger é tão fundamentado e perspicaz como a prozápia casseteira do Louçã acerca de tudo e mais alguma coisa. Diria mesmo que a incompreensão, por mera preguicite ou preconceito (recomenda-se a propósito um texto não muito antigo de VPV onde este explicava muito bem porque a irrazoabilidade das críticas ao então recém-eleito Papa, ou, porque não, a cobertura apócrifa da Loja...), patente no texto, do que se passa no seia da ICAR é inversamente proporcional à extraordinária solidariedade manifestada por bloquistas e similares acerca do Islão. É a vida.

ccs disse...

Caro Manuel
Curiosamente é isso mesmo que o meu texto procura mostrar: a irrazoabilidade das críticas a Ratzinguer e a imensa compreensão de que goza o Islão. Na europa, em portugal e com os mesmo autores. Alguns textos do Papa como "a igreja e a Europa" registam aliás essa diferença de critérios que temos no mundo ocidental: o "masoquismo" de uma civilização que convive mal com os seus pps valores.

ccs disse...

e já agora acrescento: grande parte da críticas que foram feitas a Ratzinguer foram críticas mal fundamentadas, feitas por quem não conhecia a sua obra e se deixou levar por uma "imagem" estereotipada que é sempre, como se sabe, uma imagem errada.

RS disse...

A julgar pela quantidade de juízos emitidos sobre uma realidade que ultrapassa claramente quem os emite, estou para ver o que acontecerá quando surgir um tema de debate que esteja à altura dos excelsos comentadores desta casa.
;)

Manuel disse...

Cara CCS,


Perdoe-me, mas confesso que o preâmbulo do segundo parágrafo dedicado não me pareceu especialmente irónico. Mea Culpa. Quanto ao resto nada a dizer, ou obstar, excepto talvez que há um ponto, pertinente que vc toca de relance e que mereceria ser aprofundado no mainstream. Critica-se, no Ocidente, o Ratzinger e tudo o que tem remotamente a ver com matérias de Fé porque se considera este 'superior' à religião. Já quanto aos 'outros', aos muçulmanos, 'inferiores', tolera-se, paternalisticamente, et por cause, o seu 'direito' à Fé, 'coitadinhos'. Ora, quanto a mim essa é das mais perversas formas de... superioridade e arrogância.

Anónimo disse...

Costumo gostar do que escreve, mas este texto parece-me um esforço de síntese sobre fenómenos sociais que não pode ser feito a nível de jornalismo, porque os seus dados são demasiado tolhidos de opinião.

Mesmo a Sociologia, que sempre teve dificuldade em encontrar macro-explicações para épocas e circunstâncias, teria dificuldade em integrar os vários níveis de fenómenos que v/ tenta resumir aqui.

cris disse...

Os cristao e os muçulmanos deviam ser a religiao que melhor se devia dar.

Os primeiros gostam de ver a imagem do seu profeta em todo o lado, nem que seja no crucifixo.

Os muçulmanos nao gostam de ver a imagem do seu profeta em lado nenhum, nem num desenho esquisito.

Era perfeito, excepto que os primeiros também querem desenhar o Maomé.

Paulo Pisco disse...

Pois é. Há quem veja um defeito em tudo o que seja "politicamente correcto" criticável por uma certa "inteligentsia" bem pensante, como: A América, a igreja Católica, o "Capital", os "ricos", a "Globalização", etc,etc. Mas não conseguem perceber, nem manifestar-se contra aspectos muito mais graves - de que a ccs faz referência apenas a alguns - quando estes fogem ao estatuto de "inimigos" do costume.A grelha que têm na cabeça, no fundo, lá bem no fundo eles abominam o ocidente tanto como os radicais do islão.
Podemos nestas situações, claramente, perceber com quem se pode contar, se um dia, verdadeiramente, tivermos problemas.

piscoiso disse...

Para um muçulmano, será um desperdício cristo morrer pregado a uma cruz, sem ao menos levar à cintura uma dose de explosivos.

Anónimo disse...

e o 2 em 1? A biblasfemia, substuiam o cristo da cruz por aquele que nao pode ser desenhado.

ccs disse...

Caro Manuel
Confesso que não tinha visto as coisas por ese prisma mas apenas pela "diferença" e pelo alinhamento político. Mas concordo consigo: há em tudo isto muita condescendência.

Anónimo disse...

o deus deve estar a pensar na vida das pessoas que estao raptadas

Vera Cymbron disse...

Parece-me (nem sempre parece-me bem), que andamos a tratar por "coitadinho" o Islão numa invenção de os suportar com diplomacia, talvez na tentativa de demonstrar que somos civilizados, sei lá... "somos" capazes de ter arranjado uma maneira "inteligente" (????) de não nos chatearmos com "eles". Parece-me que Bento XVI é criticado, como aliás já João Paulo II havia sido quando começou o seu pontificado, por defender crenças e fundamentos de uma religião que já foi demasiadas vezes crucificada por erros dos Homens que a defenderam e a impuseram. Não se apaga o passado. Se analisarmos a génese destas discusões (que têm fundamento e têm de ser feitas na tentativa de mudar alguma coisa; há quem enfeite o lado mistico da vida com cépticismo obesessivo e passe os dias a tecer teorias aviltantes sobre algo que nunca perceberá) percebemos que realmente falta a tolerência e o respeito pelas religiões, fé e crença de cada povo, de cada um... somos diferentes, mas somos também tão iguais.
(Hoje ando a falar demais)

Rui Borges disse...

ccs, não posso deixar de sublinhar a sua referência ao estereótipo enquanto gerador de erradas imagens e errados conceitos.
É uma criatura dessa mesma natureza, a do estereótipo que, dançando alegremente diante de incautos e temerosos lhes oferta, de sorriso transviado, a compreensão por um Islão que não quer ser compreendido mas sim ser razão. E única.

Rui Castro disse...

5 *!

Filipe Castro disse...

As pessoas falam como se os selvagens que queimaram as embaixadas "por causa dos cartoons" representassem todos os muculmanos!! A minha universidade tem um campus na Turquia e eu tenho imensos amigos muculmanos que nunca queimaram uma embaixada.

E acima de tudo falam como se isto fosse um incidente isolado. Gostava de lembrar aqui que o Ocidente lhes invadiu um pais sem nenhuma provocacao, com a intencao expressa de lhes privatizar a economia e drenar os recuros naturais (leiam o livro do Paul O'Neill), e matou centenas de milhar de inocentes, incluindo dezenas de milhar de criancas.

E isto para nao falar do apoio do Ocidente à extrema-direita que governa Isreal.

Filipe Castro

cbs disse...

"Portugal lamenta e discorda da publicação de desenhos"
Qual o problema dessa posição oficial, vejo-a como diplomacia, o que é muito diferente de conversa de café.
É natural que se evitem riscos...

Mas também pergunto ao ministro, é porque não expressa o governo português pública solidariedade para com países europeus, cujas embaixadas foram atacadas (objectivamente, actos de guerra)

Davide E. Figueiredo disse...

Nós devíamos era estar orgulhosos de toda gente gostar de nós, e devíamos agradecer ao senhor Freitas do Amaral que tão bom trabalho têm feito pela promoção do nosso país.

O resultado está à vista:
Em momentos de aflição, para quem é que os orfãos muçulmanos se voltam?

Perguntem ao pequeno Martunis, que quando viu a onda a cavalgar direito a ele, foi logo vesitir a nossa camisolita, coitadinho, que lhe morreu toda a família e ele provavelmente morreria de fome também não fosse a pronta intervenção do Gilberto Madaíl que lhe deu bilhetes para o Euro.

As bandeiras dos dinamarqueses ardem, a nossa veste orfãos muçulmanos. Pensem nisso da próxima vez que sair um daqueles estudos que nos põem "na cauda da europa".

Além disso, só em 2005, arderam mais de 250 mil hectares de floresta em Portugal e fazem-me este chinfrim todo por queimarem umas bandeiras de países estrangeiros... haja pachorra!

JV disse...

Quando os muçulmanos nos tiverem posto a canga no cachaço e mandem na terra que é nossa, impondo-nos a jízia, os shadors e burqas, a sharia, a teocracia, a pena de morte por apostasia e heterodoxia (ficção científica?, quem se atreve a negar que já faltou mais do que o que falta?), voltaremos os olhos para os Anacletos desta terra e doutras e agradeceremos, prostrados de rosto no chão, o resultado da sua Tolerância e Espírito Democrático...

Meg disse...

CRETINOS ASSUMIDOS

A cretinagem gosta de falar do que não sabe. O Jyllandsposten é o equivalente ao português Correio da Manhã. Nem é pequeno a nível dinamarquês, nem é de extrema direita. No entanto a cretinagem, sem falar uma palavra de dinamarquês (o que é isso?) assume que será de direita porque um cretino-mor assim o disse. Não são muito melhores que o Freitas do Amaral ou dessa ave rara que é o Pateta Alegre (vulgo Poeta Alegre).

Isto é liberdadede expressão, see? E quero que o Mohamed, o Moisés e o resto do grupo cómico se vão tentar afogar no Mar Morto!

Ha det riktig bra. Hilsen fra,

meg

eumesmo disse...

"Há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia"

Acontece neste momento uma coisa curiosa.
As referências e os valores típicos de esquerda, bem como o quadro ideológico onde se movimentavam esses ditos valores, deixaram de fazer sentido à luz do chamado multiculturalismo e da luta antiglobalização.
Assistimos, atónitos, a uma mudança profunda de pensamento e posicionamento face ao mundo, por parte de uma esquerda que é a mais activa em termos de produção filosófica, a esquerda radical.
Atentemos no quadro típico de referência ideológica do pensamento de esquerda, (bem sei que há muitas esquerdas e outras tantas direitas...), de forma simplista e, por isso mesmo, tentando abranger o máximo denominador comum:
a) a ideia de igualdade (mais igualitarismo do que igualdade, mas essa discussão não é importante agora)
b) a ideia de liberdade de expressão (esta trazida em particular por contraste com ditaduras fascistas ou militares de direita),
c) a ideia de democracia (com várias matizes, é certo),
d) a ideia de permanente e intransigente defesa dos direitos humanos;
O que sucede agora, particularmente no que diz respeito ao problema dos cartoons, mas é já uma tendência que se nota desde que começaram as lutas antiglobalização e se acentuou o terrorismo islâmico e consequente resposta dos E.U.A., é o arrasar do sistema típico de valores que a esquerda sempre teve como bandeira fundamental.
O que está na base desta mudança radical?
Um profundo ressentimento contra os E.U.A., que leva a que se limpe com borracha, décadas, séculos, de construção de um pensamento estruturado de esquerda.
Se é para promover o antiamericanismo, certa esquerda faz tábua rasa do seu esquema de valores, de forma perigosa e inconsciente.
Quando, numa situação em que todo o mundo ocidental deveria estar unido, se aceita sequer discutir a irracionalidade, de imediato se coloca a mesma ao nível de uma discussão séria. É mau caminho.
É um perigoso caminho fracturante de consequências imprevisíveis.

JV disse...

Eu mesmo, queria pedir-lhe gentilmente que me permitisse transcrever o seu comentário para o meu bolgue.

JV disse...

Blogue, como é óbvio.

eumesmo disse...

Caro franquisque:

Tem toda a LIBERDADE para o fazer!

Opinion Maker disse...

Eles sossegam. Estejam descansados que eles sossegam e voltam ao velho, fiel e cíclico atentado terrorista para excitar os analistas todos outros vez.

Era o Luís Delgado com a retoma, o Pacheco Pereira com a guerra, o Dias da Cunha com o sistema.


Não foram os cartoons de um pasquim dinamarquês, publicados e ignorados durante 4 meses, que provocaram isto. Há, como é evidente, um ódio latente e mútuo, que sempre existiu e sempre existirá, é normal e salutar, a história é feita de confrontos e de guerras e pelo meio as pessoas vão vivendo e até fazem coisas engraçadas como filhos, arte e foguetões.

os "analistas" e "opinion makers" de pacotilha gostam de debater princípios, apenas 1 degrau acima do forum desportivo da TSF.

Fala-se do que não se sabe.
A ideia de que os muçulmanos não convivem com outras religiões e credos está a ser propagada e é falsa, basta recordar o que foi este bocado de terra antes do "iluminado" Afonso e depois a igreja dizimar as outras culturas que sempre coexistiram sob jugo mouro.

A mim agrada-me, confesso, que existam reservas ideológicas como os comunas, os católicos à ratzinger ou os muçulmanos deste mundo.

Desde criança que vejo bandeiras dos EUA a arder... big fucking deal... também vejo cachecois do Benfica a arder e sinto-o como um sacrilégio maior.

Rui Borges disse...

Pois...Amanhã, quando vir o Estádio da Luz transformado em Broadway Taliban e a estátua do Eusébio substituída por uma do Mullah Omar quero ver se diz a mesma coisa...
;)

Afonso Azevedo Neves disse...

Cara CCS,

Concordando em quase tudo acrescento que ainda assim não é o facto de certos grupos politicos actuarem com critérios diversos que me preocupa. No limite até compreendo que a defesa de principios se verge ao medo. Aqulio que é-lhes tão inaceitável nas reacções de uns são objecto de reverente compreensão em outros, sendo que os outros seguram um cacete na mão.
mais dificil é aceitar o acocorar ministerial neste assunto em nome de Portugal.

Anónimo disse...

Não é preciso dizer mais pois não...

EU mulls media code after cartoon protests
LONDON (Reuters) - The
European Union may try to draw up a media code of conduct to avoid a repeat of the furor caused by the publication across Europe of cartoons of the Prophet Mohammad, an EU commissioner said on Thursday.

In an interview with Britain's Daily Telegraph, EU Justice and Security Commissioner Franco Frattini said the charter would encourage the media to show "prudence" when covering religion.

"The press will give the Muslim world the message: We are aware of the consequences of exercising the right of free expression," he told the newspaper. "We can and we are ready to self-regulate that right." (...)

http://news.yahoo.com/s/nm/20060209/
wl_nm/religion_cartoons_eu_dc



lucklucky

Anónimo disse...

"Defender a liberdade de expressão". A questão não é essa. A questão é de uma situação em que estamos a dar excessiva importância aquilo que não deve ter. Estamos obstruídos mentalmente por dois mundos: o da liberdade e o da não-liberdade. Isto faz com que tenhamos de nos questionar a nós próprios, o nosso próprio modo de vida. Eu prefiro guiar-me mais por outra "ontologia": a dos mercados livres, da defesa dos direitos humanos, do multilateralismo, do diálogo multicultural e ... da democracia. Isto faz com que não nos tenhamos de questionar tanto a nós próprios. O mundo é mais do que democracias e não democracias. De Islão e Ocidente. Há "outras coisas". Democracia é importante mas enquadrada noutras realidades. Corremos um grave problema se nao o fizermos. E deveria ser responsabilidade de uma jornalista "reconhecida" e de um académico "reconhecido" dos nosso país perceber isto. Se não para quê escrever sobre relações internacionais? Será que eles alguma vez leram um livro sobre Médio Oriente e entraram, minimamente, no debate sobre aquela região? Será que alguma vez leram um livro sobre relações internacionais e entraram no debate sobre esta "ciencia"? Penso que não. Mas é grave. Não só porque são "reconhecidos" neste nosso país mas principalmente porque este tipo de opiniões condiciona a opinião pública. (Vou percebendo porque é que o mundo caí em desgraça ... pela burrice de alguns e por maus programas das elites).

Será que Freitas do Amaral errou ao não condenar, igualmente, os actos bárbaros por parte de uma minoria de fanáticos ignorantes e "impulsionados" pelas elites de alguns países árabes? Penso que sim. O comunicado está incompleto por esse aspecto. Mas está igualmente incompleto por não falar, por exemplo, de um acontecimento que é tanto ou mais importante: sabia que os Estados Unidos e a Coreia do Sul assinaram um documento histórico de livre circulação de bens entre si a semana passada? Ou sabia que a situação em Darfur continua uma de grande precaridade onde, todos os dias, morrem pessoas (e a questão não é que se vá lá salvá-las. A questão é só discutir o que se passa ou, por outras palavras, voltarmos a discutir intervenções humanitárias)? O mundo é mais do que Islão e Ocidente. É mais do que democracia, planos de democratização e Islão. É mais do que unipolaridade militar. É mais... Quem não percebe isto deveria perceber porque o que está em causa é grave. E repito. O que está em causa é grave.

Volta Clinton, estás perdoado...

Anónimo disse...

O que é necessário é abrir as nossas agendas. As relações internacionais são poder e destruição. Mas também são cooperação e paz. Temo bem que elas só estejam contemporaneamente reconhecidas na primeira dimensão. É errado. Abrir agendas: é esse o segredo para ganhar a "guerra". O poder, a guerra, os interesses também vão existir nesse novo mundo de novas "ontologias". A diabolização do outro islâmico serve a estratégia de democratização de W. Bush e do projecto de idealismo conservador que já vem de Reagan (aonde pára Bin Laden? Será que é difícil encontrar UM homem?).

Volta Clinton, estás perdoado ...

JV disse...

Já o fiz, caro eu mesmo. Muito obrigado pela gentileza.

zazie disse...

artº251, 323 e 232 do C.Penal Português

Artigo 251º

Ultraje por motivo de crença religiosa

1 - Quem publicamente ofender outra pessoa ou dela escarnecer em razão da sua crença ou função religiosa, por forma adequada a perturbar a paz pública, é punido com pena de prisão até 1 ano ou com pena de multa até 120 dias.

2 - Na mesma pena incorre quem profanar lugar ou objecto de culto ou de veneração religiosa, por forma adequada a perturbar a paz pública."

E isto? foi revogado hoje na manif?

JV disse...

Que eu saiba, nenhuma pessoa foi ofendida em razão da sua crença ou fé religiosa, nem tão pouco foram profanados lugares ou objectos de culto: deve ter-se confundido, e está decerto a pensar nas igrejas cristãs queimadas um pouco por todo o Médio Oriente. Mas deixe lá: com a informação toda que recebemos por dia, fazer uma pequena confusão como essa nada tem de mal.

Alanys disse...

Em Outubro de 2005 os desenhos foram publicados num jornal no Egipto de grande tiragem e não aconteceu nada!..

Vejam estes links
http://oglobo.globo.com/online/blogs/cat/post.asp?cod_post=8971

e http://egyptiansandmonkey.blogspot.com/2006/02/boycott-egypt.html#links

mva disse...

Mas onde é que o Louçã disse essas coisas desculpativas que refere? E os seus "semelhantes" (veja o meu post em http://valedealmeida.blogspot.com)?

Parabésn pelo blog,

Miguel Vale de Almeida

RS disse...

Chega-lhes, Zazie.
Estou contigo!
;)

RS disse...

Francisque:
Nem precisa de ir ao médico; em qualquer farmácia lhe fornecerão o que necessita.
;)

Ricardo Alves disse...

«Ainda há pouco tempo, em Portugal, neste Portugal que tão bem compreende o Islão, se armou um pé-de-vento por uma dúzia de crucifixos.»

Há centenas de escolas em Portugal com crucifixos. Centenas.

JV disse...

Caro rs,

Para seu mal, bom senso não se vende nem na farmácia. Não vai poder comprá-lo, se ainda o não tem... Lamento imenso... We all do..

Anónimo disse...

Pedir ao Min. dos Estrangeiros português que condene os extremistas árabes é como pedir ao Padre da Aldeia que condene publicamente o abuso sexual de crianças por parte dos seus familiares!

Talvez seja mais eficaz perceber as causas do problema, do que tratá-lo à marretada, estilo Bush-Blair.

E os lobos que por aí uivam não se preocupem: não precisámos deles e doutros cruzados que tais para nos libertarmos do nazismo e do fascismo, se acaso voltar a ser necessário lutar pela Democracia e pela Liberdade a SÉRIO...