sexta-feira, janeiro 06, 2006

A santa igualdade

Pelo que tenho lido, por aí, os candidatos da “sociedade civil” (como chegaram a ser chamados!) estão na origem de um movimento de opinião que, entre outras coisas, exige o acompanhamento jornalístico das suas campanhas. Contra o monopólio dos partidos. E a bem da renovação da política. Como não podia deixar de ser!
Confesso que nada me move contra as ambições presidenciais da senhora Manuela Magno ou do senhor José Maria Martins (muito pouco citado, aliás, por esses defensores da cidadania). Se tanto um como outro (ou como todos os outros) decidiram, num momento de maior entusiasmo, que o seu próximo passo, na vida, seria instalar-se em Belém, estão no pleníssimo direito de comunicar essa sua louvável decisão ao país. À partida, não tenho nada a opor. Mas recuso-me, em nome da sagrada igualdade, a pôr tudo no mesmo saco: a candidatura de Cavaco Silva, a de Manuel Alegre, a de Mário Soares ou até a de Jerónimo de Sousa e a de Francisco Louça e as candidaturas “alternativas” que supostamente surgiram na chamada sociedade civil. Nem sequer perderia muito tempo a justificar esta distinção (que me parece apenas uma evidência) se na base deste discurso igualitário não estivesse exactamente isso: um igualitarismo cego que, em nome do direito à diferença, acaba por negar toda e qualquer diferença.
A ideia de que a igualdade de direitos implica necessariamente uma igualdade total é um preconceito recente, devidamente expandido, que impõe um modelo único à diversidade humana. A mesma sociedade que tanto preza a diferença é, simultaneamente, a que mais promove um “colectivismo”, politicamente correcto, onde a mais pequena diferença é vista como uma discriminação. É por isso que, segundo a cartilha oficial, o homem é igual à mulher, o homossexual é igual ao heterossexual…e a importância da candidatura da senhora Magno é igual à de Cavaco Silva.
ccs

27 comentários:

zazie disse...

por acaso penso que o exagero não é de aparecerem agora estas candidaturas "civis" é de não estarmos habituados a elas. Em Inglaterra são às centenas, até palhaços e partido das vacas. Nas últimas eleições, enquanto os comentadores falavam dos resultados, a televisão foi dandos os resultados e mostrando candidato a candidato. E às tantas apareceu a mulher vestida de vaca mesmo lado a lado com um político partido liberal ":O)))

isto é que é ser-se descomplexado, não é a ideia de todos se julgarem igualmente excelentíssimas e majestáticas vedetas

RS disse...

Cara CCS,

Inteiramente de acordo quanto à questão da "igualdade". Sinceramente, acho que foi tanta igualdade junta que transformou o sonho de Abril neste pesadelo, mas a questão é, tão só, que a maior parte dos portugueses não faz ideia se Manuela Magno andava por aí a apelar ao voto vestida de coelhinha ou se José Maria Martins teria algo mais interessante a propor que Mário Soares (embora este último exemplo não seja muito feliz, mas adiante).
O que quero dizer com isto é que, ao menos, deveria ser exposta a candidatura com o mesmo ênfase, pelo menos na fase inicial.
Assim, quando apenas surgissem quatro ou cinco candidatos de entre os quinhentos concorrentes, já todos saberíamos que faltavam os "palhaços".
O sistema está desenhado de tal forma que, séria ou palerma, pertinente ou despropositada, qualquer candidatura que não seja "aparelhada" devidamente não só é excluída dos media logo à partida como é completamente ignorada(umas linhas num rodapé de uma página de jornal ou numa "lagartixa" de telejornal é completamente).
Que se escreva na lei que só determinadas pessoas podem concorrer. Ao menos seria claro, legal e correcto. Para além de fascizóide, naturalmente.

Um abraço,
RS

António P. Castro disse...

Podias bem ter evitado a referência ao defensor do pedófilo Bibi. É que o Martins nem sequer conseguiu o mínimo de assinaturas para chegar ao TC. Limitou-se a encenar uma acção de propaganda que o bom senso manda ignorar.

Anónimo disse...

Bem-vinda à blogosfera!

Nuno MA
http://www.arte-de-opinar.blogspot.com/

Nancy Brown disse...

Sinceramente penso que esta "igualdade" aparente é um preconceito vindo do pós 25 de Abril. A sociedade portuguesa foi inundada de preconceitos que se reflectem nas mais variadas áreas: a educação, a justiça, a saúde. Essa falsa igualdade, transforma uma classe de aula, por exemplo, num colectivo de intelectos iguais, quando todos sabemos da diferença educacional, social, etc das crianças/adolescentes. Esta mania de falsa integraçao/igualdade, é nada mais que uma concepção preconceituosa dos individuos numa sociedade. Até nos libertarmos disto... quantas gerações irão sofrer os defeitos do sistema?

ccs disse...

Caro rs

o problema não está nas candidaturas "aparelhadas" - mas no fato de uma candidatura à PR exigir um curriculum, uma história, um passado. Partidário ou não. Maria de Lurdes Pintalsigo, por exemplo, não pertencia a nenhum partido. mas a sua candidatura teve acompanhamento jornalístico. para além de que se se aceita a igualdade de todas as candidaturas, deixa de ser possível decidir depois quais é que fazem sentido e quais é que não passam de palhaçadas.
Obrigada

RS disse...

Point taken.
E obrigado eu.

RS

Spin Doc disse...

BEM BOLADO

António Viriato disse...

Cuidado com esses sacrossantos critérios jornalísticos, porque com eles também ignoraram o candidato Garcia Pereira, que pode ser politicamente utópico, mas sabe muito bem o que diz e diz coisas muito pertinentes, sobretudo, sobre temas da Justiça e do Direito do Trabalho. Custaria assim tanto ouvi-lo ? A Democracia não sai dignificada com esta consensual exclusão de tão aguerrido candidato. Dir-se-ia que o temem... E porquê ?

Miguel Duarte disse...

Cara CCS,
Embora compreendendo em boa parte os seus argumentos, acha sinceramente que pôde (a CCS ou qualquer outra pessoa) avaliar e comparar "...curriculum, uma história, um passado..." de todos os candidatos? E tendo em conta o pressuposto constitucional da independência partidária do PR, não lhe parece estranho o contexto das candidaturas que têm cobertura mediática (e por favor que ninguém refira Alegre como independente...)?
O que me incomoda e perturba, é que a reacção da comunicação social não é mais do que um reflexo dos automatismos e vícios da nossa sociedade. Não é culpada mas alinha na festa. A festa de um poder político/económico com agenda própria, alheada dos interesses dos Portugueses e de Portugal e animada com o seu "business as usual". Mas suspeito que não concorde comigo.
P. S. 1- apoiei a Srª. Magno.
P. S. 2- parabéns por este cantinho...

Carlos Azevedo disse...

Uma candidatura à PR não exige um curriculum, uma história e um passado. Exige apenas que se tratem de cidadãos eleitores, portugueses de origem, maiores de 35 anos e que as candidaturas sejam propostas por um mínimo de 7500 e um máximo de 15000 cidadãos eleitores (artigos 122.º e 124.º, n.º 1 da CRP). Além de que a Constança Cunha e Sá não pode afirmar que os outros candidatos não têm um curriculum, um passado e uma história; simplesmente, não são públicos. O resto são critérios jornalísticos. Que "share" teriam as televisões com a emissão de uma entrevista a Manuela Magno?

ccs disse...

Caro Miguel Duarte
Suspeita bem o que não quer dizer que não compreenda alguns dos seus argumentos. A comparação de currículos e de passados serve apenas para registar a ausência dos mesmos, em determinados casos. A ausência, no espaço público e não no espaço privado, que essa, sim, não tenho que avaliar. registo, no entanto que o que me parecia uma evidência, por vezes, não é assim tão evidente. Muito obrigada pelas suas palavras finais.

ccs disse...

Caro António Vitorino
O caso de Garcia Pereira é, de facto, um caso à parte. Por isso não o referi no meu post.

António Viriato disse...

Cara CCS,

O caso de Garcia Pereira será um caso à parte, mas não deixa de ser uma discriminação assaz desonrosa para os pergaminhos da nossa mui estimada Democracia.Afinal, o período oficial de campanha vai agora começar e o homem nem pode participar em debates que entretanto encerraram. Nem preciso de deixar de ser apoiante, resignado embora, de Cavaco Silva para achar isto tudo deveras lastimável...

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Patriota disse...

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Isto é censura!

RS disse...

Cara CCS (e restantes comentadores),

Como disse, "point taken", mas não significa que estou convencido, apenas que CCS se explicou melhor.
Era, evidentemente, a candidaturas como a de Garcia Pereira que eu queria chegar (e sei que CCS sabe que eu sei que ela sabe).
Quanto a "censura", caro "patriota", um dia passe pela Sombra e leia o nosso manifesto editorial ('Assombrar', coluna da direita), depois diga-me lá o que é censura, a ver se eu o publico.

Um abraço a todos,
em especial para CCS,
RS

Cerdeira disse...

Pois, a malta gosta muito de exigir que as suas bacoradas pesporrentes sejam devidamente publicadas nos jornais, mas nenhum desses "exigidores profissionais" percebeu ainda que os jornais ou as televisões não são a cornucópia pública.
São negócios que têm de dar lucro, que têm de pagar a profissionais e que por isso têm de fornecer um produto pelo qual as pessoas paguem.
Ora se uma TV qualquer se pusesse a passar um interessantíssimo debate entre o João das Iscas e a Maria das Couves, o mais provável é que os telecomandos de todas as salas entrassem numa fona a fazer zapping.

Branco é, galinha o põe.

joao disse...

"o problema não está nas candidaturas "aparelhadas" - mas no fato de uma candidatura à PR exigir um curriculum, uma história, um passado. Partidário ou não." ccs

"os candidatos à PR devem ser, por força das circunstâncias, políticos." css
http://minharicacasinha.blogspot.com/2005/12/s-faltava-esta.html


Da santa igualdade...até ao "sistema" fechado e viciado do presente vai um mundo...

Mas a ccs parece estar muito próxima do segundo...

cidadão profissional disse...

Não podiam começar por uma candidatura à Presidência da Junta de Freguesia?

Helder disse...

Cara CCS,
o que julgo estar em causa por parte dos criticos ao que se passou, não é o tratamento igual na imprensa, é o tratamento perante a Lei que não pode depender do curriculo ou da historia dos candidatos. A questão é que não é aceitavel que as Juntas de Freguesia ou o TC tratem de maneira diferente cada uma das candidaturas, seja qual for o candidato, do palhaço Albertino a Cavaco Silva, a Lei não os pode tratar de modo diferente, se o fizer é a prova cabal que não vivemos num Estado de Direito. A comunicação Social tem o direito de tratar quem quiser como quiser, so tem que responder perante os accionistas.

ccs disse...

Caro Helder
Quanto à igualdade perante a lei, estamos obviamente de acordo. Mas como se vê, até pelos comentários anteriores, o que está em causa também é o critério jornalístico que preside ao acompanhamento dos candidatos. Aliás, eu reconheço que o problema se põe no caso de Garcia Pereira. Aproveito para lhe agradecer a referência a este blogue e para o felicitar pelos dois blogues em que participa(há um que eu ainda não conheço)

Anónimo disse...

Prezada

A minha esperança é que daqui a uns 10 ou 15 anos, quando as palavras democracia e estado de direito realmente fizerem sentido, estes textos mais não sejam que "post-its" vazios e de carácter transitório. A natural evolução do nosso sistema democrático tratará disso.

Max @ Devaneios Desintéricos disse...

Muito mais curiso do que a defesa da "sacro santa ditadura" bem pensante que uma certa esquerda vai impondo como politicamente correcta, é assistir aos esforços de uma nova Direita que, num esforço quase "trotskista" de irreverência política, vai minando a "mania" do politicamente correcto. E pelo caminho destrói-se esses anacronismos como a Liberdade e a Igualdade: Qual é, na cartilha não oficial da ilustre autora, a diferença entre um homo e um heterossexual? E entre Manuela Magno e Mário Soares? E já agora: entre uma mulher e um homem?

Cumprimentos

Max Spencer-Dohner

para lá de bagdade disse...

mutatis mutandis, cara ccs, o mesmo terá sido dito, há umas décadas atrás, para defender a desigualdade entre raças, ou etnias, para excluir os confessores de outras fés de certos privilégios conferidos aos que professassem a fé maioritária, entre outras comparações
dados os maus resultados dessas situações no passado, evoluiu-se para uma solução em que o estado procura fazer o mínimo possível de juízos de valor em relação aos seus cidadãos
daís que não se criminalize o adultério, ou que não se discrimine entre um filho nascido dentro do casamento e outro nascido fora do casamento, ou de pais divorciados
o que nos traz ao ponto principal do seu post, quando se defende a igualdade, nãio se defende o delito de opinião, ou de consciência, mas tão só que, pelo menos a nível legislativo, não se continuem a adoptar os preconceitos morais e religiosos de uma certa tradição (de que facto também somos herdeiros)...

Ismael disse...

Eu sou a favor das palhaçadas em política. Não me aflige nada, pelo contrário, que o partido das vacas apareça ao lado do partido liberal. Ou Manuel João Vieira ao lado de Cavaco Silva.
Não é uma questão de igualitarismo - é uma questão de liberdade de expressão. A palhaçada, em política, é um ponto de referência: é mais fácil distinguir o trigo do joio se tivermos alguns comediantes a imitar acintosamente o que fazem os candidatos oficiais - e ver, em alguns casos, como os argumentos de uns e outros se podem aproximar! Daríamos crédito a algumas figuras da nossa praça se pudéssemos comparar a sua conduta com a de candidatos fictícios com exposição pública?
A palhaçada estabelece um ponto de referência por baixo, e assinala os candidatos a sérios - que se colocam ao seu nível.
De resto, o currículo, o passado e a história de Cavaco Silva, se são importantes, deverão falar por si mesmos.

文章 disse...

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