quarta-feira, janeiro 18, 2006

Recomendações

"O tempo de Mário Soares", Eduardo Lourenço, Público (18/1/06)
ccs

19 comentários:

Ademar Santos disse...

Li duas vezes e tresli. Deve ser da idade (minha ou do autor) ou da densidade da ironia. Sim, porque só pode ser ironia...
Claro que, vindo de quem vem, presume-se que é genial (ou, pelo menos, muito inteligente). Eu é que não entendi.
Já agora, Constança: quem é o "filho de Abril" que Soares não reconheceu nesta triste campanha entre memórias de Alfarrobeira?...

zazie disse...

por acaso também percebi patavina...

zazie disse...

mas é daquele tipo de escritos que dá para tudo e o seu contrário. Principalmente porque não se percebe patavina

ccs disse...

Quem é "o filho de Abril" que Cavaco não reconheceu? Cavaco Silva, um produto dos novos tempos

Cavalo Marinho disse...

Constança:
Não se importa de pôr o texto de Eduardo Lourenço, on line, no seu blog?
Obrigado.

zazie disse...

O problema da esquerda nunca foi a direita, hipóstase eterna do que "é"- força, violência, poder sem reverso, em suma, a "coisa em si" como história fáctica.

esta passagem também é capaz de ser muito profunda. Eu é que não sei ler...

Isto para logo a seguir definir ambas pela mesma oposição fabricada...

zazie disse...

e depois Soares "mudou mas não mudou" e o mundo também, agora em quê é que ele não diz.

zazie disse...

quando o que nos importava entender era precisamente isso: o mundo e Portugal e não essas fabricações ideológicas de esquerda e direita em disputa. Acaso alguém imagina que para o cidadão comum o que está em causa para o destino próximo do país são duas "visões ideológicas" representadas por Soares e Cavaco? uma esquerda e uma direita?!?
isto tem algum sentido?

zazie disse...

mas aquela ideia da força violência, poder sem reverso/ versus angélica pureza ainda que nem sempre... vista por outros que não ele, ainda que ele se limite a este esquema, não deixa de ter a sua piada.
Principalmente na ideia de poder sem reverso...

zazie disse...

até porque nesta "alfarrobeira" a única coisa que tem havido é trocas de favores recíprocos. Agora aguentas tu depois vou eu e a meias limparam excedentes internos e outras "salganhadas"

El Ranys disse...

Zazie: get a blog...

zazie disse...

já tenho há muito, porquê? estou em sua casa?

alice disse...

Belíssimo e comovente o texto de Eduardo L. Que pena não ser mais presente nas páginas dos jornais portugueses, onde faltam cronistas com esta densidade que nos obriga a uma leitura mais lenta e concentrada, pouco compatível com o 'nosso tempo', veloz e supérfluo.

ccs disse...

Cavalo Marinho
só li agora o seu comentário e não tenho comigo o Público que como sabe não pode ser linkado.

ccs disse...

zazie
é bom tê-la por cá mas continuo a achar que o texto de Eduardo Lourenço é um texto mto bom. basta lê-lo com algum cuidado. dá-me ideia que as frases que escolheu foram escolhidas a dedo...
p.s.gostei de a ler sobre a questão do anonimato...embora não subscreva tudo tudo o que escreveu

um abraço

zazie disse...

Obrigada. Não ligue muito ao que às vezes eu digo porque é tudo sem preparação. O comentário ao texto do EL, por exemplo, foi quase simultâneo à leitura. Não escolhi a dedo, bati logo ali. Para o caso também não importa muito. Ando mais interessada em análises históricas e em factos que em apanhados ideológicos e não me sinto nada esperançosa em relação ao estado de coisas a que chegámos.
Quanto ao anonimato aquilo foi só uma boca. No blogue prefiro manter tudo mais soft. Foi mais um desagravo solidário que outra coisa. Mas sempre lhe digo que isto de anonimato chega a ser caricatural porque a maior parte de nós já se conhece. Somos é anónimos para os que não fazem parte da blogosfera. Mais do que defesa pessoal muitas vezes é defesa até da família. Diz-se muito disparate e eles não têm culpa “;O))
abraço para si também

Tiago Mendes disse...

A cronica de Eduardo Lourenco:

http://scimprensa.blogspot.com/2006/01/os-tempos-de-mrio-soares.html

Tiago Mendes disse...

Cada um no seu nivel (ha' que ter isto em conta), tambem Santana Lopes ou Garcia Pereira tem a "paixao" pela politica que EL atribui a Soares. Ate' tem um nome muito conhecido na blogosfera: umbiguismo. Isso nao tem nada de mal, ou melhor, nada que nao seja perfeitamente "natural". Mas e' o que e', e nao devemos confundir as coisas. Soares candidata-se sobretudo por "amor proprio", e toda a campanha e' um desfilar de atitudes tipicas do lorde que julga ter o rei na barriga, e que tudo pode, que tudo merece. Se insulta e descategoriza os adversarios para la' dos limites, vem os anti-politicamente correctos dizer que quem critica isso nao percebe nada de politica e tem a "mania do respeitinho". Se comete gaffes, nao sao mostradas, porque provavelmente e' um senhor de idade, ou porque ameacou tanto os orgaos de comunicacao social que qualquer estrategia dessas seria a "prova provada" da conspiracao contra o octogenario.

"Filho desses dois tempos, de que foi actor político precoce e, depois, personagem histórico, Mário Soares ousou trazer de novo para uma arena pública, já longe desses tempos turbulentos, essa antiga paixão política, sem querer saber se estaria ou não fora de estação."

Isto e' verdade, mas em si mesmo nao faz um "grande politico". Tanto pode ser devido a "coragem", como a estar "fora do tempo". Pode ser "dedicacao", ou pode ser "soberba". E' preciso conhecer o sujeito e ler o contexto para entender a accao. Achar o gesto de Soares quixotesco e' no minimo um pouco insultuoso para o cavaleiro andante.

"O candidato Mário Soares que se lançou neste último combate político de improvável sucesso - e consciente disso - é o mesmo e diverso do que se empenhou jovem na luta por um futuro democrático para Portugal e incarnaria mais tarde o triunfo da democracia sonhada durante dez anos, representando-a e representando-nos aos olhos do mundo, como ninguém".

Mentira dupla - e quase pornografica. Primeiro, desde o inicio que muitos acreditavam piamente que Soares tinha boas hipoteses de ganhar. Segundo, e' obvio que o proprio tambem acreditava nisso. Alguem acreditava que Soares se teria voluntariado apenas para fazer Cavaco ir a uma segunda volta? Ridiculo. So' um amiguismo troglodita [de EL por MS] pode coarctar tanto a lucidez. Soares tem muitas qualidades e muitos defeitos, como qualquer um. Aos 82 anos, o que ele queria era sentar-se na cadeira do poder, e gozar mais 5 invejaveis anos da sua vida, mostrando que "e' o maior", que consegue "ganhar tudo" a que se candidata. Com direito a uns discursos com mais impacto que as suas miticas cronicas do Expresso [piores so' as de Alegre ou Carrilho] e mas viagenzinhas (claro).

"Não alinhou na cruzada da família Bush contra o Iraque, não morre de amores pela nova ordem hiper-liberal americana e comparece nos "fóruns" onde essa nova ordem imperial e imperialista é contestada. É mais do que basta para o incluir, desta vez sem reticências, na esquerda que, desde jovem, foi o seu lugar matricial e que, agora, no tarde da sua vida, lhe serve ainda de escudo."

E' verdade. Mas tambem e' curioso que em relacao a Cunhal tantos apontem a sua dificuldade em ler os tempos, e que a Soares poucos repitam o mimo. Soares nao percebe bem o que aconteceu nas ultimas decadas (e, sim, fazia-lhe bem aprender alguma economia). Por-se do lado das vitimas, dos despojados, e do terceiro mundo - da forma que ele se poe - nem sequer e' "ideologico": e' uma atitude quase caritativa de quem esta' chateado com o rumo que o mundo leva, sem o conseguir entender. Para sonhadores, bastavam os comunistas. Para pensamento light, bastaria a sua (caritativa) esposa, mais as suas cronicas no DE.

"É uma bela aposta a de Mário Soares, perdida ou ganha. Com a sua carga romanesca e a sua trama paradoxal."

Uma bela "aposta" so' o pode ser tendo em conta as "consequencias" (ou seja, probabilidades de determinados ganhos). O ensaista quereria ter dito, provavelmente, a "jogada", ou o "gesto". "Aposta" tem um significado demasiado preciso. A carga romanesca existe para quem quiser se apaixonr. Nao existe qualquer paradoxo porque a "vaidade" e' o motor numero 1 desta candidatura, e isso explica tudo. [Lembremos PSL].

"A esquerda não o traiu, nem ele se traiu nela. O drama é que essa esquerda de que pela última vez se faz paladino é, ao mesmo tempo, uma realidade - embora ideologicamente recente - e uma quimera."

A esquerda sempre foi uma quimera. O que nao e' necessariamente mau. Mas e'.

"O problema da esquerda nunca foi a direita, hipóstase eterna do que "é"- força, violência, poder sem reverso, em suma, a "coisa em si" como história fáctica, obstáculo e razão de ser da esquerda que a combate e a justifica, mas a esquerda mesmo como pura transparência da história. A esquerda, sendo em intenção mais virtuosa, não é menos opaca, no seu angelismo imaginário, que a mais obtusa direita."

Esquerda como "transparencia da historia"? Excesso de ensaista, certamente. "Virtuosa"? Para que por aqui o conceito de "virtude", se naturalmente [e tautologicamente] cada um achara "virtuosas" as suas posicoes politicas? Vazio. O remate do artigo nao o percebo bem, e parece-me - ele sim - muito opaco, obtuso, e ate' fraquito.

ccs disse...

Caro Tiago

Os seus argumentos são fortes e não permitem uma resposta escrita à pressa. logo que puder, volto

um abraço

constança