segunda-feira, janeiro 30, 2006

OUTRO DEPUTADO

A propósito, também estive no parlamento. Seis meses, com as férias de Natal pelo meio. Não fiz nada. O grande problema era arrumar o carro (não havia ainda uma garagem especial para os senhores deputados) e, a seguir, o almoço, sempre uma aventura naquela parte do mundo. De resto, corria tudo bem. Assinava o "livro", porque a Assembleia da República não confia nos representantes da nação e espera (compreensivelmente) que eles não ponham lá os pés. Só encontrei esta solicitude, aos treze anos, no Liceu Camões. Nessa altura, passava as tardes no cinema, angustiado pela "falta". Em S. Bento, não faltava ou, pelo menos, não faltava muito. Lia os jornais, os que tinha trazido e os do Pacheco Pereira. Nunca levei um livro por causa da televisão, que aparentemente embirra com deputados que lêem livros. Fora isso, conversava e passeava pelos corredores. Passos perdidos, de facto. De quando em quando recebia instruções para votar assim ou assado. Sem um comentário. A direcção da bancada é que sabe e manda. Às quatro e meia da tarde, no mictório nacional, imemorialmente entupido, a urina já chegava à porta (consta que neste capítulo as coisas melhoraram). Às cinco e meia, derreado, voltava para casa. Uma vez por semana, na minha comissão, a Defesa, ouvia um general indescrito repetir o comunicado da USIA sobre a Bósnia. Não se permitiam perguntas. No dia em que me demiti, um bando de jornalistas, de microfone espetado, exigiu explicações.
vpv

58 comentários:

josé disse...

Estava lá quando as câmaras indiscretas das tv´s, em vias de febre privada, começaram a espreitar por cima dos ombros dos deputados presentes- e que por vezes eram assustadoramente poucos?

Se sim e se dignar a uma resposta a este pobre admirador, quem acabou com o regabofe?!

Anónimo disse...

Parabéns! Pela coragem e honestidade com que descreve o dia-a-dia dos deputados. O país, na medida do possível, precisa perceber o que é a democracia representativa, como são delapidados os impostos que a mesma consome.
Com a devida vénia, vou linkar este post no meu; http://desgovernos.blogs.sapo.pt/

Mariana Vasconcelos disse...

E precisou de seis meses seis para perceber que andava ali a fazer... nada?!

Paulo Pisco disse...

Sendo eu um democrata e um parlamentarista convicto não deixo de achar preocupante um “ataque” desta natureza ao funcionamento do parlamento vindo de quem vem? Alguém que preso pelo seu espírito acutilante e livre na análise, pela cultura e pela qualidade dos seus livro. Ensaios, história ou romance. (tenho alguns deles). Mais ainda quando o julgo ser também um democrata e um parlamentarista convicto (ou estou enganado?).
Se assim é porque se deixa ser assim? É preocupante que até pessoas ilustres e com outras experiências profissionais como VPV não tenham conseguido trabalhar em prol da nação, como seu representante eleito.
Não existem matérias para que um deputado devidamente instruído e conhecedor da vida, do país e do mundo, possa ser útil?
E o famoso trabalho nas Comissões? É tudo ficção?

Anónimo disse...

Então não podia fazer perguntas... E assim saiu de lá sem lutar por esse direito?! Não lhe posso agradecer... Deveria ter continuado e descrever depois tudo, tudinho... era essa a sua obrigação como cidadão...

Anónimo disse...

Muito divertido...

Ahab disse...

vpv no seu melhor!

O Homem é como o vinho do Porto só melhora com a idade.

rui a. disse...

Desculpe lá, mas para quem goste de caril, sempre tem por lá perto o Sebastião do «Cantinho da Paz». Bom nome, de resto, para um deputado da comissão de Defesa.

JG. disse...

Pois, as coisas mudaram mesmo, pelo menos em termos de instalações e serviços...

Quanto aos deputados, há muitos que continuam por lá sem nada fazer, enquanto outros - menos - procuram fazer alguma coisa e representar quem os elegeu...

Também há aqueles que se fartaram de tanta ociosidade alheia e fugiram dali para longe...

(In)Felizmente conheço representantes dos três grupos e o que me admira mais é que tenham lugar garantido nas listas e assento seguro no Parlamento!

Renato disse...

Junto-me ao Paulo Pisco...

nmg disse...

realmente há muitas pessoas verdinhas para acreditar nas comissões e trabalho parlamentar solitário. são como os contos de fadas, ficções!

Ameixoa com carosso disse...

Ou seja: era um péssimo deputado, percebeu isso, e veio-se embora.

Tá bem.

(6 meses?)

ccs disse...

Caro josé
já só cá estou eu! mas se for o josé que eu penso queria aproveitar para lhe os parabéns pelo seu blogue. é uma das minhas leituras diárias

dng disse...

realmente! a blogosfera que se cuide... com Vasco Pulido Valente a escrever num blog, muitos dos restantes poder-se-ão render (ou pelo menos pensar nisso).
eu vou pensar.

(ps: ja agora...gostei do texto. sinceridade "pulido-valentiana" presente, como sempre!)

António Viriato disse...

Antes do mais, seja muito bem vindo, VPV, a este imenso e arriscado auditório interactivo. Surpreendeu-me a sua disponibilidade para ser Deputado, conhecendo V. bem a tipologia humana que por lá andaria nesse Parlamento pastoreada pelas mui ufanas direcções partidárias. Claro que, entretanto, a dita tipologia piorou bastante.Ainda aguentou seis meses, julgo que sem ter feito uma única intervenção. Também não está provado que quem escreva bem, seja bom orador. António José Saraiva, que escrevia com grande elegância e fina inteligência, nunca conseguiu afirmar-se na oratória, ao contrário do irmão que, ainda hoje, aos oitenta e muitos, anima auditórios, prendendo-lhes a atenção com uma simples historieta. Creio que o Nemésio jamais daria um orador de bancada, no entanto, as suas charlas televisivas conquistaram gerações. São artes diferentes, a escrita e a oratória e poucos as dominam a ambas. No caso do nosso Parlamento, houve, além do mais, um acentuado empobrecimento intelectual, por efeito da generalizada degradação do pessoal político dos Partidos. Nesse húmus, não se desenvolvem plantas de porte e bom recorte, mas nele grassa a erva rasteira, de tipo infestante. Como inverter este estado de coisas ? Também não será fácil fazê-lo se entre nós predominar o espírito pessimista, fatalista ou nihilista de VPV, pese embora toda a sua argúcia intelectual, que o tornou um comentador sempre apreciado, mesmo quando nos deixa com os nervos em franja. As minhas modestas saudações internéticas.

AV1 disse...

Sua divindade junta-se aos mortais no espaço virtual.
Qualquer dia até descobrimos que respira como qualquer mortal.
Resta saber se aguentará muito tempo se lhe derem nas "canelas" como ele gosta de fazer na imprensa, sem direito a contraditório.
É que isto dos deuses lidarem com a democracia no terreno, tem que se lhe diga.

paulof disse...

caro vpv,

concordo consigo, com uma diferença de pormenor, o senhor diz da assembleia da républica, eu digo mal da 3a républica, em que cada vez mais se percebe que de democrática nada tem - basta ver e perceber o porqu~e do nível abstencionista -, isso aliás foi apenas um pretexto das novas moscas, tal como o foi tb. a guerra colonial, para a mudança das moscas e sanguessugas...

josé disse...

Pois, cara ccs:

O josé que eu sou, escreve na GLQL.
Para que não se diga que sou anónimo, direi que sou anódino.
Chamo-me José e de apelido tenho dois, um do pai e outro da mãe. Anódinos também, com muito gosto.
O que faço? Tenho formação de jurista. Fraca. Sem história. Medíocre mesmo. Aprendi algumas coisas entretanto, mas continuo um diletante. Garbosamente diletante. Mas não me envergonho muito, pois gastei o tempo a ler outras coisas e a divertir-me com outros assuntos.
E é esta a biografia que interessa.

Quanto ao VPV, não vou insistir e até concordo que não leia os comentários.
Pelo menos para já.

Dê-lhe cumprimentos meus porque é pessoa que estimo no que escreve. E não estimo muitos.

esgoto disse...

ora nem mais!
os novos fidalgotes enxofram-se quando os põem a nu: que afronta, que foram eleitos, que estão ligitimados!
Tá bem, tá! Malhas que a república tece.
Mas não se pense que sou a favor de monarquias. Só sei que isto não serve, e já é muito!

ccs disse...

caro josé

Não tem que me explicar nada. não preciso de saber quem é para gostar dos seus textos. Mas anódino, não o acho. o vasco não leu porque não está. o que não quer dizer que não leia.
p.s. e é de facto o josé que eu pensava que era.

MCumprimentos

crack disse...

Vichysoisse à la VPV!

A República disse...

Na altura em que por lá passou lia-se jornais, mas agora, com o Plano Tecnológico, as coisas mudaram muito. No outro dia uns alunos da escola onde trabalho foram visitar o Parlamento, e deram com um dos deputados todo empenhado num jogo do portátil. Seria em rede?

rb disse...

"o vasco não leu porque não está", disse ccs. Não está onde?... ...

ccs disse...

num sítio onde possa aceder ao computador...

RAF disse...

Excelente:)

Caro Rui a.,

Nunca chegaste a mandar o telefone do Sebastião do «Cantinho da Paz»!

Um abraço,
Rodrigo Adão da Fonseca

Anónimo disse...

De facto, concordo com alguns comentários aqui deixados: 6 meses para descobrir que os deputados não fazem nada? É muito tempo ou será que o vencimento, pago pelos nossos impostos, compensava?
E, logo o vpv que não se inibe de criticar todos os outros, com clareza e ironia,é certo, não foi capaz de impôr a sua superioridade "intelectual" aos restantes representantes desta República das Bananas? Afinal, não se distingue em nada dos outros na sua prática ! Desculpe, mas não lhe agradeço nada!
Marina Ventura

José Reis Santos disse...

Vasco (se não se importa pela intimidade) porquê então ter ido para as listas?

E isso foi quando? pela primeira maioria absoluta do Cavaco, não, lá para 85/87? O que o levou a aproximar-se da política partidária?

João Silva disse...

mas isto parece uma repartição das finanças: Olhe, José, agora o Vasco não está, mas dê-me o número do ser telemóvel que eu aviso assim que o Vasco chegar. É uma questão de esperar um tudo nada. O Vasco já volta! Aproveito para lhe dizer que a sua declaração está muito bem preenchida.
Mas que raio de coisa é esta?! Mas que infantilidade vem a ser esta? Eu estou banzado com o que leio aqui. Pronto, pronto... vou andando para onde? Para onde o Vasco está. E onde está o Vasco? Está onde não pode aceder a um computador!
Isto é que é a inteligência portuguesa?! Fogo! vou ali e já venho. Um diz que esteve seis meses a jiboiar na Assembleia e a ler os jornais do Pacheco Pereira... a outra, enfim, diz o que diz e a malta? elogia imenso. dá as boas vindas, diz que é anódino. Até eu que me tenho por sossegado me ponho aqui a escrever patacoadas... isto pega-se? oh se pega!

BRUNOFERREIRA disse...

é a isto que leva a partidarização extrema não só no conceito mas na prática e prossecução dos objectivos privados.
O partido deixou de representar os seus apoiantes, para passar a ser o eleitor um representante do partido sob a pele da vergonha e do despreendimento da cidadania eleitoral.
Se técnicas de marketing são criadas para colmatar a falta de pessoas nos comícios e nas arruadas, através da quantidade de bandeiras por apoiante, então, qualquer dia, espero novas técnicas para disfarçar o esgar lento e amarelo com que a democracia multipartidária e pouco "multirepresentativa" nos presenteia todos os dias.

o problema não é da Democracia, é o modo com se faz representar nela.

josé disse...

Ó joão silva:

"Isto" é exactamente assim. Pelo menos como eu entendo que deve ser um blog.
Anarquicamente organizado nas referências pessoais; sem pedidos de bi ou de carteira profissional; sem salamaleques institucionais em uso hipócrita nos jornais; sem subserviências parolas e basbaques; sem snobismos de circunstância; sem primores de linguagem pedântica, a não ser por mero gozo e brincadeira.

Em poucas palavras: sem seriedade postiça, tipo velhadas dos marretas de Jim Henson.
A seriedade está no que se escreve se tal for o desiderato, mas num blog, para mim, isso deve ser a excepção e não a regra.
Costumo dizer que não levo "isto" a sério mas procuro ser sério no que escrevo.
Será paradoxo?
...anyway, o que vale uma opinião avulsa, sobre um assunto anódino ou até mesmo importante, como será uma eleição presidencial?
Quantas opiniões avulsas não andam por aí ao Deus dará?
Alguém dá alguma coisa por elas?
V. já comprou o livro do Pacheco Pereira, com opiniões sobre a disputa presidencial, escrito "em tempo real"?!
V. ainda não se riu dessa farsa?
Pois tem aí muito campo para rir à vontade!

Ao menos por aqui, a opinião é de graça.
E os interlocutores são tratados na primeira pessoa, mesmo anónimos.
E para já , com educação que aliás não vi noutros lados, onde se insulta da pior forma, mesmo assinando o nome por baixo, como se isso fosse passaporte ou livre trânsito para a boçalidade bovina.

Acha pouco? Acha supérfluo?

AM disse...

É excelente que VPV tenha a "desfaçatez" de denunciar a farsa que é esta "democracia" representativa.
Não vou perguntar "porquê só agora" pois já pode andar a fazê-lo há muito e eu só ter lido agora.
(não li tudo nem quase o que VPV escreveu)
Não vou criticar o porquê de seis meses para perceber (ou para se demitir) pois não sei quantos meses eu lá ficaria.
Uma única pergunta então.
Porquê ir de carro???
Os transportes públicos para aquelas bandas não são adequados?

AMNM

Spiritual Mitra disse...

São este tipo de personalidades que vão para a assembeleia nada fazer (está escrito no post...) que deviam ter vergonha na cara. Que raio de credibilidade espera vir a ter, quando desmontra que se transformou num total e completo inútil durante 6 meses, mesmo que seja apenas para realçar que a inutilidade é o que reina na assembleia da republica? Temos demasiados pregadores de filosofias aleatórias, que aparecem nas tvs e escrevem nos jornais como se fossem muito mais espertos. Haja vergonha.
Até na questão das votações, como qualquer bom cordeiro, obecede sem sequer pensar ou contestar.

paulo disse...

Quando falou sobre falta de interesse nos blogs, por causa da ignorância que por aí grassa. Aqui esta um bom exemplo.

João Villalobos disse...

Muito surpreendido ficarei se o Vasco Pulido Valente responder algum dia aos comentários de um blogue.
Em lugar de «o Vasco não está» seria mais sensato da parte da Constança assumir que «o Vasco não vai estar». E, aliás, acho muito bem que não esteja. Não teria tempo para mais nada e não lhe faria bem à tensão arterial :)

josé disse...

Sobre os deputados e o número deles, haja alguém que vá perguntar a qualquer um deles o que pensa disso e da sua redução...

Leva com um discurso deste tipo, que nem digo quem é...

"Os argumentos que agora são utilizados para defender a redução de 230 para 180 deputados são precisamente os mesmos que foram utilizados em 1989 para impor a redução de 250 para 230, facto que teve como único resultado, não o aumento da qualidade do trabalho da Assembleia da República, mas antes, a redução da proporcionalidade e a acentuação artificial da bipolarização. Não há um único problema do sistema político que seja resolvido com a redução do número de deputados. Se com o actual número de deputados (230), Portugal já possui um Parlamento reduzido em termos numéricos, com 180, tornar-se-ía um dos mais exíguos parlamentos mundiais. Não estamos a comparar com os 1736 deputados britânicos, com os 956 italianos, com os 898 franceses ou com os 741 alemães ou com os 607 espanhóis. Estamos a comparar com os 247 da Áustria, os 221 da Bélgica, os 300 da Grécia, os 225 da Holanda ou os 349 da Suécia."

josé disse...

Mas para um panorama mais interessante sobre a Assembleia e os seus arredores, o melhor é reler o livro de Camilo, sobre um inefável Calisto Elói.

josé disse...

Ah! O texto transcrito é de um discurso de 2002, de António Filipe, do PCP.

O qual, aliás, me parece um bom parlamentar.

Paulo Tomás disse...

"E o famoso trabalho nas Comissões? É tudo ficção?"

Claro que não. As comissões servem para os seus "intervenientes" aumentarem o seu pecúlio no final do mês.

rb disse...

Eu também fiquei impressionado, quando em miúdo, fiz aquela visita da praxe à AR e lá encontri, nos bancadas dos parlamentares ... desenhinhos e pensei: Então, tal como eu nas aulas, é assim que eles se entretêm - a rabiscar.
Mas convém não julgar o trigo pelo joio, como habitualmente faz VPV metendo tudo patra o mesmo saco. Há bons e maus parlamentaristas. Pelos vistos o VPV não pertenceu à primeira categoria ...

Ameixoa com carosso disse...

Alguém que se junta a um rebanho o que é que pode esperar?

Que o rebanho lhe peça opinião?
Que o rebanho o siga?
Que o rebanho se desintegre?

É verdade que o rebanho se alambuza com os melhores pastos.

Basta estar no rebanho que pasto não faltará.

Para bem se servir, o melhor será arranjar uma boa posição dentro do rebanho.

Não é provável que o rebanho me dê a escolher aquilo que quer comer.

Se eu não gostar da companhia do rebanho não posso esperar que o rebanho me deixe comer sozinho.

Se o rebanho gosta de mijar d'alto, é natural que molhe, pelo menos, a sola dos sapatos.

Só seis meses no rebanho não me dão direito a criar o meu próprio, mas com 30 anos talvez algumas rezes me sigam.

josé disse...

O Parlamento português, segundo testemunho de um ou outro dos seus ocupantes temporários, parece um lugar de culto.
Tem os seus oficiantes, estabelecidos nos rituais e que não entregam o turíbulo do incenso a qualquer um que apareça.
Esperam que lho tragam mas quem asperge os livros no cerimonial são eles. Exclusivamente e em circuito muito fechado.

Jorge Lacão oficia há quantos anos em certas comissões?
Mesmo no CDS, os oficiantes estabelecidos, olham de soslaio quem aparece feito pézinho-mole.
É triturado pelo establishment de pacotilha cuja legitimidade lhes advém apenas do costume.
Se seguissem os princípios há muito que tinham dado o lugar, em nome da salubridade da alternância democrática.

A democracia precisa destes sobas?

A democracia precisa disto?

abf disse...

Desconfiar já eu desconfiava..eu e mais uns milhões por Portugal fora. Mas uma vez mais gostei de o ler. Desta vez para nos trazer um relato, ou denúncia, de dentro do 'sistema'. Só há que lhe agradecer. Por isto e por muito do que tem escrito, noutros locais e onde não há possibilidade de lhe mostrar reconhecimento, pela sua sempre oportuna argúcia e aguçada inteligência.

Afinal, eu que costumo dizer em 'casa' que se se reduzisse a AR a metade todos ganharíamos, só me parece que os bocejos dos representantes da nação (é com maiscúla, não é? Mas estamos tão pequeninos, que maiúscula é letra a 'mais') até nem são despropositados. Despropósito é toda a farsa que lá se passa.

Davide Estevão Figueiredo disse...

Eu pensava que esse Vasco Pulido Valente dos jornais era um cartoon como o Calvin&Hobbes!

Eu acho que me lembro desta cena que o senhor Vasco contou, dos jornalistas...

Eu era pequeno mas lembro-me de um senhor com ar de quem acabou de sair da cama muito aborrecido, a fugir da luz das câmaras que o incomodavam e perseguiam.

Até comentei com a minha mãe oh mãe, aquele senhor é o corcunda da assembleia? e a minha mãe disse-me, «é sim filho, se não fores boa pessoa e não fizeres os trabalhos de casa, acabas como ele, a fugir da televisão».

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Sílvia disse...

Seis meses para pedir a demissão de Deputado da Nação? Quem diria...
Uma IVG?!... Estou banzada!...

filinto disse...

Não sabia disso tudo ANTES?

Menino Mau disse...

225 da holanda,caro josé?nao tenho a certeza ,mas acho que sao menos.de uma coisa tenho a certeza.a populacao é maior,16 milhoes

Anónimo disse...

Por falar de comissões parlamentares ...

Um conhecido que foi deputado " rotativo" durante muito pouco tempo relatou-me que no 1º dia em que foi ao parlamento um colega de bancada estava a apresentar a " casa" e entraram numa sala em que uma comissão estava quase a terminar a sua sessão de "trabalho".
O novato foi apresentado ao grupo e um dos elementos , ao ser apresentado, pergunta-lhe :
" Então já assinou?"
Perante a supresa do novato o parlamentar volta à carga e acrescenta :
" Assine homem que lhe pagam a senha"...

Assim vamos...

João Pedro disse...

Se não me engano, saiu alegando "trabalho político", ou não terá sido?

Anónimo disse...

Todas os deputados são assim? Todas as bancadas / partidos são assim?

Parece-me que BE, CDS e PCP não será assim. É que menos deputados obrigam a um desdobramento para conseguirem trabalhar nas diferentes Comissões Parlamentares e no resto.

Agora se PS e PSD não precisam de desdobramentos e os seus deputados são assim, é uma questão de postura e qualidade desses deputados, políticos e partidos.

maria disse...

Ao VPV, dou-lhe os parabéns por ter começado a escrever no Blog de sua mulher. Por motivos que não vêm ao caso, tenho lido pouquíssimo do que tem escrito nos jornais e revistas, salvo um ou outro artigo há muitos anos (muitas idas ao estrangeiro em trabalho e, quando cá, quase tempo nenhum para os ler, nos quais,aliás, cada vez menos acredito, o que não obsta a que me transmitam, oralmente, uma ou outra crítica acintosa (e muito bem, na minha humilde opinião) que "debita" ( se me permite a palavra e no bom sentido, claro) nos ditos jornais.
Que só esteve 6 meses no Parlamento, diz... e está a ser criticado por isso, aqui no Blog! Mas as pessoas que o criticam sabem se tinha que lá estar, no mínimo 6 meses - uma vez aceite o convite e, presumo, alguma espécie de compromisso escrito ou oral (não faço ideia se são estes os procedimentos para se ter honras de lugar sentado, naquele vetusto ex-Convento, que acrescento, é demasiado grandioso e nobre para os trastes que lá tem estado sentados nestes últimos 32 anos, salvo excepções honrosas) para ser-lhe "permitido" fugir, a "sete pés", daquele antro de ociosidade, aldrabice e hipocrisía, onde está sentado quem diz (e pratica descaradamente, há 32 anos, o contrário!) que está ali a representar o bom Povo Português e a defender as nobres causas da Pátria?!? Mentem com todos os dentes que têm na bôca!!
Quanto aos deputados, concordo em absoluto com os epítetos, na minha opinião suaves, com que os agracia. Mereciam adjectivos mais contundentes! São um bando de calaceiros e farsantes que, e porque nunca quiseram fazer nada na vida (oh que bela tripla "taluda" lhes saiu na rifa, sem gastarem um cêntimo!), escolheram a "profissão" de deputado, segundo as más línguas, renhidamente disputada por quem lá está dentro..., ideal e altamente rentável, diga-se e, ainda por cima, vitalícia (em prebendas, mordomias, rendas, passeatas pelo Globo, com generosas ajudas de custo à mistura) que compensa largamente, oh se compensa...,o frete de estarem algumas horitas sentados meio a dormir, meio acordados (quando não fazem gazeta, que é a mais das vezes), a inactividade cerebral (que os estupidifica, mas eles não se ralam, são estúpidos por natureza e umas doses a mais dela, não aquece nem arrefece aquelas "santas inteligências", eles querem é estar no ripanço), o "silêncio" a que se obrigam, com prazer, nas bancadas (ao não proferirem um único discurso em toda a vida de deputados - que aliás não é longa...) e a "estucha" diária de terem que ler 425 artigos de jornais (para estarem mìnimamente ao corrente, do que se diz e escreve e passa à sua volta, não vá o diabo tecê-las e o seu bom nome ser "inadvertidamente" borrifado, quando não enlameado - os jornalistas estão bem instruídos neste aspecto, mas às vezes há uma ovelha negra, no meio deles, que se "passa"...- com impropérios e difamações, num qualquer jornal, mas, enfim, vale o sacrifício, pois algo se terá que fazer na vida para não se apodrecer sentado e com os ossos atrofiados...), normalmente oferecidos (eles gastam o menos possível em tudo e tudo lhes é oferecido - é o chamado "venha a mim, venha a mim", pois então - os pais da Pátria "merecem-no" e o desgraçado do Povo, cada dia mais pobre, encolhe os ombros, impotente!!!), que levam debaixo do braço, para evitar adormecerem durante as sessões (chatas até ao limite do suportável para eles e ainda mais para os estóicos, que têm a "coragem" de as seguir pela TV) e porque mal parecera que os "pais da Pátria" adormecessem durante os chatérrimos debates...(assim ao lerem jornais não bocejam repetidamente, só de vez em quando), que normalmente e sem excepções, não são mais do que "verbos de encher" para inglês ver... e para preencher o tempo e iludir o Povo, fazendo-lhe crer que os deputados "trabalham imenso"... em seu nome e se esfalfam horrôres a defender os seus (dele, Povo) direitos (eles, de facto, esfalfaçam-se bastante, sim senhor, mas para defenderem exclusivamente e com um pundonor digno de uma comenda a cada um, as quais mais tarde ou mais cedo receberão, estejamos seguros, das mãos do presidente) e a quem andam a mentir, descaradamente, há 3 décadas ininterruptamente e sem o mínimo rebuço!!! Vergonha (sentimento que eles teriam de aprender o que é, porque não a têm, nem sabem, sequer, que ele existe) e silêncio sepulcral, enquanto não cedem os lugares que ocupam a outra geração mais nova e mais digna e descomprometida com esta "seita", é o mínimo que se lhes exige. Esperemos que o façam antes que alguém (o Povo), o faça por eles. Duvido, contudo, que eles se demitam dos lugares que ocupam! Estes são demasiados lucrativos e merecedores de todos os riscos para serem conservados até ao limite do possível, aos quais, aliás, eles estão de tal modo agarrados, tanto ou mais do que uma ostra, ou uma lapa, a uma rocha, sendo que estes moluscos são, como se sabe, de dificílima extracção e a lâmina da faca, que normalmente se usa para o efeito, chega a partir-se antes que o molusco se despegue, o que motiva a desistência do pescador do seu intento, porém quando lá volta, consegue finalmente aquilo a que se propôs, isto é, arrancar a lapa ou a ostra! O difícil, no mar, não significa impossível, o pior é em terra... e muito pior na Assembleia da República, onde estes "moluscos" já petrificaram (ou fossilizaram), portanto só a escopro e martelo e mesmo assim...não sei!
Quanto aos comentários demasiado deselegantes ou mal-educados, que possam receber (e há gente para tudo, por falta de chá - para estes teria que ser chá bebido em quantidades industriais - em criança) sigam o exemplo dos vossos colegas administradores de Blogs, apáguem-nos e cortam o mal pela raíz! Quem não se sabe comportar com educação, não merece sentar-se à nossa mesa, sempre me disseram os meus pais. Parabéns aos dois e finalmente vou ter o prazer de ler as opiniões de VPV (bata-lhes com força, porque desavergonhados como eles são, só se lhes bater com muita força, será capaz de lhes fazer alguma ligeira mossa...) de quem tanto tenho ouvido falar, já que não compro jornais ou revistas, há muitos anos e portanto quase não conheço os seus artigos. Acho uma perda de tempo e ele (tempo) é precioso, não pode desperdiçar-se com notícias falseadas, nem com a quantidade de "palha" de que é composto o conteúdo subjacente, onde abundam os artigos dos celebrados "opinion-makers" (comprados e peço desculpa aos que o não são) em todos os jornais, salvo raríssimas e honrosas excepções, que mais não são do que "a vóz do dono".
Renovo os parabéns e não deixe de escrever, bem como a CCS (a quem um dia escreverei aqui qualquer coisa, sobre como a via na TVI "antes" do dia das eleições e como a vi nesse dia, postura esta última que, espero, possa adoptar daqui para a frente, que só a enobrece)! Reme contra a maré!

P.S. Há algo contudo e desculpar-me-á, que me causa estranhêza e alguma perplexidade, no mínimo. Como é que o VPV diz mal de tudo e todos, segundo ouço dizer (e faz muitíssimo bem) e, presumo, também de Soares e eu tenha ouvido este, há uns anos e numa entrevista na Televisão, dizer bem dos seus artigos e tecer-lhe rasgados elogios?!? Espero que isto tenha acontecido, por ter-se passado há muitos anos (não criticar Mário Soares, não dizer mal dele e dos outros)... quando não sabia o que sabe hoje deles todos, mas neste País de "democracia" adulterada e fingida e duma indecente e quase total comunicação social(ista), já nada me espanta e se não foi este o motivo (ter pensado, o VPV, ser o Soares outra pessoa diferente daquela que efectivamente é) até isso, hoje em dia, pouco me espantaria, se calhar eu até acharia "normal"... Infelizmente neste pobre País o anormal já, há dezenas d'anos, se tornou "normal" e quando assim não é, as pessoas alarmam-se... exatamente como nas ex-repúblicas soviéticas, das quais estes tratantes que temos a desdita d'aturar, copiaram a papel químico, os modelos de desgovernação, de exploração do Povo e de corrupção ao mais alto nível. Mas para eu acreditar no que vai certamente escrever e bem, neste Blog, espero estar correcta na análise que acabei de fazer, ou eu teria (e não é que conte muito a minha humilde pessoa, mas sabe, nós os "vencidos da vida" da minha geração, já somos alguns milhões, eu só sou mais uma, mas apesar de tudo penso contar alguma coisa no meio deles...) uma desilusão colossal! Mas pensando bem e depois de tantas e tantas...(e as piores ainda estão para vir, dizem, se é que tal é possível!)...mais uma, seria só mais uma, nada mais.

L.Reis disse...

Há MARIA, que prosa, deixou a malta de rastos!A partir de agora é que vão ser elas;hó Vasco,então o SR era amigo do
Soares?Aí que desiludiu a Maria.Olhe Vasco, faça como os "outros", peça a identificação dos mal educados que escrevem
só a dizer maldades e ofendem e tal...,apague-os por não terem bebido chá em pequeninos,só bebem tinto e fumam muito e
devem ser todos uns Comunistas ou pior ainda uns socialistas ou ainda se calhar são do P.S.D.,nunca se sabe!!!
Defina-se SR Vasco, ou vamos perder a Maria e nós que andamos a fazer um "esforço" tão grande para deixar de fumar!

PAmaral disse...

O que eu acho pior é a gabarolice do nada: nada fez, nada pensou, não levava livros com medo da imprensa; o que corria bem era tudo o que não prestava.
Chegava a casa derreado?
E gaba-se disto?

jose fiaes disse...

Não há por aí uma alma caridosa que queira fazer um resumo do que diz a Maria. É que, azar o meu, não sou deputado. Tenho horários para cumprir.

telegram disse...

Não fazia nada porque não procurava o que fazer. Foi aquilo a que vulgarmente se chama um chulo. Se quisesse trabalhar concerteza que encontrava trabalho. Espero que não sejam todos como você. demorou tempo demais a demitir-se. Já agora, admitindo que não fez nada, esse tempo vai contar para a reforma?

shark disse...

Antes de mais seja bem-vindo à globosfera. Já estou alguns dias a visitar o seu blog (saborear a sua escrita) e com vontade de o comentar mas, pensava; quem sou eu para escrever qualquer coisa ao Sr. Vasco Pulido Valente. Hoje, enchi o peito de ar e aqui estou.
Quero dar-lhe os parabéns pela coragem e a forma como descreve o dia-a-dia dos Exmos. Srs. deputados. Há muita gente que pensa que eles trabalham muito, mas muito, mas infelizmente ... . Eu sempre tive a ideia que no nosso parlamento pouco ou nada se fazia.

António disse...

Eu por acaso gosto pouco de vacas sagradas, e a verdade e que estamos diante de uma. É verdade que o senhor VPV escreve bastante bem, com bastante elequência, e consegue dessa forma ter uma série de seguidores que não questionam a sua argumentação por mais ignóbil que seja. Como considero que seja este o caso.

Primeiro porque, apesar de nunca o referir, lança a ideia que os 230 deputados eleitos democraticamente fazem pouco mais que picar o ponto, lerem o jornal e votarem de acordo com as indicações do partido. Esta ideia está cada vez mais na moda e parece ser difícil de resistir uma vez que normalmente gera um coro de aplausos (basta ver os comentarios ao post). Cada vez há mais pessoas a contribuirem para esta ideia que provoca grande desgaste na democracia e possibilita o aparecimento de movimentos populistas.

Segundo, porque mostra uma grande falta de respeito pelos eleitores que contribuiram para a sua eleição. Sendo o senhor VPV dotado de uma grande inteligência que ninguém contesta, não conseguiu no tempo que esteve no parlamento fazer nada mais? Mesmo que argumente que não o deixavam fazer mais (o que seria sempre uma argumentação duvidosa para alguém com o espírito rebelde e aberto do VPV) não podia tentar mudar esse marasmo através da denúncia pública? Parece-me nitidamente pouco para alguém que tem que levar a sério o facto de ser um representante do povo.

Finalmente, e se o caso de o senhor VPV é apenas um caso de falta de vocação para a vida parlamentar, então tenho que lhe dar os parabéns por renunciar. Apesar de pensar que devia ter pensado duas vezes antes de se candidatar e talvez não esperar 6 meses para ser substituído por outro deputado que provavelmente não conseguiria fazer menos do que foi descrito.

Com isto não quero dizer que acredito piamente que todos os nossos 230 representantes são a nata da sociedade, os melhores exemplos ao nível do trabalho nem que o sistema é perfeito. Mesmo que acreditasse, este ‘post’ do senhor VPV alterava-me essa ideia uma vez que pelo menos durante 6 meses tivemos um deputado que não contribui com nada de útil para a sociedade. Mas vamos, também não são todos incompetentes ou apáticos.

Lampiao2000 disse...

É por causa de pessoas como o Sr. que Portugal está onde está.

Cada vez mais tenho vergonha de portugueses como o Sr.

Queria ver como se desenrascava com o SMN.

Fds.

文章 disse...

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