segunda-feira, janeiro 09, 2006

Olhos nos olhos


Salvo qualquer facto imprevisível, a campanha eleitoral está reduzida a uma mera formalidade. A partir de agora, trata-se apenas de fazer cumprir o calendário. Quinze dias de almoços, reportagens, comícios, tempos de antena, frases estudadas, palmadas nas costas, feiras, e povo, bastante povo à volta dos candidatos, sem ligar peva aos candidatos, de olho posto nas televisões e na figuração das reportagens. Quinze dias de discursos estafados, com muito “desenvolvimento”, muita “cidadania” e muita, muita “proximidade”. Quinze dias de debates onde já tudo se debateu, de pequenas peripécias com honras de primeira página, de banalidades avulsas e de ataques inconsequentes. Olhos nos olhos. Com um enorme cansaço. E alguma melancolia.
ccs

12 comentários:

Ricardo disse...

...e com a estranha sensação que nada foi discutido e que nada vale a pena discutir neste contexto...

Anónimo nº 4 da fila 7 disse...

Mas, cara CCS há uma medida escondida na manga de todos os candidatos ( isto é uma "cacha",hein):

Quem ganhar carrega no grande botão e "apaga" o sinal, excepto o da RTP, das TV´s, fazendo-nos, e à atmosfera, um enorme favor de despoluição ambiental...

...àh, e o favor é tb. por nos baixar os preços: porque menos publicidade, logo preços e produtos mais baratos!

RS disse...

Continuo a pensar que não devia ser permitido fazer campanha nestes moldes, mas dando a cada candidato o espaço na TV pública e na rádio pública para exporem os seus programas.
Os media privados cobririam as campanhas como entendessem, cumprindo a lei, claro.
Agora... Almoços, feiras, cartazes, bandeirinhas e electrodomésticos... Off limits.

Até por uma questão de poupar o dinheiro de todos nós e o de candidatos que são obrigados a recorrer a empréstimos bancários que pagarão do seu bolso caso não atinjam os mínimos "olímpicos" (ou é o que dizem).
A campanha da bandeirinha e do marketing transforma a política numa fantochada ainda maior do que, infelizmente, já é.

Um abraço,
RS

Musicologo disse...

Sinceramente não sei se esta campanha arvorará de muito até porque à partida já temos um vencedor encontrado, salvo algum golpe de teatro semelhante ao de 1986. A minha única dúvida é meramente matemática: terá a direita capacidade para conjugar os 50%+1 à primeira volta? E caso o não faça, a esquerda permanecerá em massa unida na segunda volta no candidato sobrevivente?
E é a isto que quanto a mim que estas eleições se resumem: mais que campanhas, ditotes e lengalengas, é apenas Cavaco remetido a um canto a tentar conservar a sua imagem o mais possível evitando dar tiros no pé (ele sabe que inevitavelmente os daria se se mostrasse mais activo), e os outros todos, tentando chegar a 2º, na esperança de depois reunirem os anti-Cavaco na sua pessoa. Talvez um pouco redutora e pragmática mas é a minha visão das coisas. Às vezes até me indago se aquela pseudo agressão a Soares no início desta campanha não terá sido um reprise da agressão de 86, cometida por um defensor de Salgado Zenha, que também fez Soares subir nas sondagens... golpes de teatro. Talvez Mário precise mesmo de mais uma bofetada por parte de algum "cavaquista" assumido...

Nancy Brown disse...

também a ccs sofre dos males da campanha. transmite um enorme cansaço e apatia pela política.

BONIFÁCIO disse...

A foto supra espewlha a aridez da coisa.

De facto, esta campanha tem sido uma chuchadeira.
E das mais canalhas...

O que vale é que ninguém liga.

jal disse...

Cara CCS, qual é a diferença desta campanha para as ourtas? Sejam Presidenciais , legislativas ou autárquicas, há sempre um vencedor antecipado, fala-se sempre em discutir idéias e há sempre críticos cáusticos sobre isto tudo. Qual é a novidade?

André Carvalho disse...

Não acho que a campanha esteja a ser melancólica. Nunca me diverti tanto como com esta campanha. Apesar de saber que não o devo fazer [não é bonito... é feio], não me consigo conter, e tenho-me fartado de rir com o Mário Soares. ;)

Anónimo disse...

É como diz, cara CC&Sá, tudo já teve lugar nesta corrida presidencial, na chegada à meta já se vislumbra o vencedor: Um bom corredor de fundo, de boa técnica e inteligencia táctica, mas de tessitura opaca, sem sorriso ou lágrima, de dura fisicalidade, enfim, tudo a dizer-me que com ele, continuará triste a minha realidade, sem uma nesga de ternura, sem uma luzinha de solidariedade.
Custa-me muito a aceitar que o numeral comanda o real.

Saudações cordiais

sousa s disse...

"Salvo qualquer facto imprevisível, a campanha eleitoral está reduzida a uma mera formalidade."
Não acha que os media têm ajudado bastante a essa mera formalidade?
Por acaso algum media interrogou directamente, olhos nos olhos, em prime time, o candidato Sr. Silva acerca das culpas que tb tem sobre o actual estado da nação?!

migas (miguel araújo) disse...

Olhe que não Doutora! Olhe que não!
É um facto que os pontos altos já foram há algum tempo vistos e que, na nossa realidade política, algo é necessário fazer para delinear temporalmente os momentos de campanha. Para quê pré-campanhas?! Pré de quê?! Ou há campanha ou não há?!
No entanto, apesar de muito dificilmente, com mais ética ou menos ética referida no seu anterior post, o resultado parece previsível. Quer isso significar que a campanha 'morreu' aqui, onde começa?!
Não.
Resta ainda podermos assistir à 'agonia política' da esquerda e quais os reflexos pós eleições.
E o desespero é tanto que Louçã atira-se aos indecisos socialistas (os tais que apoiam o governo que ele tanto detesta) e o Dr. Mário Soares em rasgos de lucidez já admite não passar à segunda volta.
Quer melhor divertimento?!

Anónimo disse...

E você, acredita nas sondagens?