domingo, janeiro 08, 2006

Notas eleitorais (II)

Concordo com Henrique Raposo: a política não é telenovela, em política não há amigos e a ética pessoal não coincide com as éticas políticas possíveis. Discursos lamechas sobre a falta de lealdade e as traições dos amigos servem “vítimas” como Manuel Alegre. Não servem, de facto, políticos. A política é o mal menor. Mas é também uma escolha. Cavaco Silva esteve com Alberto João Jardim. Mais, mostrou que precisava de Alberto João Jardim. Mário Soares encontrou-se com Valentim Loureiro. Mais, fingiu que o tinha encontrado, “por acaso”. Tanto um como outro fizeram uma escolha política. Escolheram o mal menor? Duvido. Em política, o que parece ser, às vezes, um mal menor acaba por se pagar caro. Nas últimas autárquicas, Marques Mendes dispensou este tipo de apoios. E teve uma dupla vitória nas eleições: não só as ganhou, como as ganhou apesar dos apoios que dispensou. A política é também isto.
ccs

18 comentários:

Anónimo disse...

BEM BOLADO

crack disse...

Quer-me parecer que há por aqui um, ou outro, pequenino senão. Nem Jardim tem a situação face à justiça que tem o major, nem este é presidente de um governo regional. Depois, as presidenciais não são as autárquicas e a louvável atitude de Marques Mendes teve a ver, exactamente, com esse contexto, pelo que os resultados obtidos não demonstraram que ganhou por ter sabido recusar o mal menor. Não se esqueça das vitórias dos "males menores".
Fora isto, um grande post, porque a política é mais do que a mera contabilidade dos "males menores".

António Viriato disse...

Na política, como em muitas outras actividades, quando sistematicamente se privilegia o pragmatismo contra a ética, pode obter-se algum ganho temporário, mas perde-se sempre a prazo, porque, com tal orientação, se transforma tudo num mero jogo de negócios. Foi isto que Soares quase sempre fez, desde o fim do período revolucionário, aparentemente com lucro pessoal e partidário, mas hoje está desacreditado, o seu reinado parece ter, finalmente, chegado ao fim. Espero que Cavaco não se deixe arrastar para jogos semelhantes. Seria trágico, na situação presente, com o País já quase sem margem para erro, a caminho de desaparecer como entidade credível. Por isso, não gostei da absolvição, por Cavaco, do desbocado Alberto João, que ainda há pouco recomendava a Santana a expulsão do Sr. Silva do Partido. Convém não perder a memória, nem a face...

Vítor Sousa disse...

É curiosa e expectável a acrimónia que expele contra Manuel Alegre. Já nos debates televisivos, a sua postura exasperava-me, nomeadamente quando insistia em problemáticas, para si baças, devidamente escalpelizadas pelo candidato.
Sinceramente, cara Constança, considero inverosímil a sua associação entre venalidade e política, infelizmente vigente em Portugal. Cavaco deverá subscrever as suas palavras, porquanto afagou, lânguido e embevecido, a unção de Jardim, o qual, há bem pouco tempo, só não o rotulou de "bastardo" porque optou por endereçar tal ignomínia aos jornalistas. Como a Constança. Todavia, importante é extrair proveitos, porque o povo é rude e a imperiosidade da vitória exige a subalternização da probidade.
Para si, Alegre é uma vítima. Concordo. É uma vítima da obliquidade deste povo, bem coadjuvado por pessoas que desfrutam da sua notoriedade para disseminar falácias. Mas cuidado. Nem todos são tão vulneráveis como os atoleimados seguidores caninos de Alberto João, meus conterrênos, que legitimam a vileza.

Saudações.

Humberto Coelho disse...

Muito se tem falado na blogosfera portuguesa especializada em temas políticos sobre a pré-campanha presidencial. É bom sinal, pois significa que temos um debate político vivo.

No entanto, acho estranho que muito pouco tenha sido escrito sobre o cenário partidário no pós-presidenciais. Parece-me, quanto a isso, que nada voltará a ser o mesmo no interior do Partido Socialista. Estaremos perante lutas internas extremamente desgastantes para o PS, onde Alegre e seus mais fieis seguidores tentarão tirar o tapete a Sócrates e aos que lhe estão mais próximos.
Fracassada a estratégia de enfraquecer Sócrates no interior do PS, a Alegre apenas restará uma alternativa: sair do PS - que o próprio não desmente quando questionado sobre isso- e criar um partido tentando tirar eleitorado tradicional ao Partido Socialista. Na companhia dos ex-comunistas.
in Blogue ESTALEIRO http://estaleiro.blogspot.com

Vítor Sousa disse...

Não percebo estas palavras do Humberto. Posso garantir que não surgirá qualquer partido político tributário desta empreitada presidencial, comandada por Alegre. Enveredar por esta discussões é típico de quem pretende fomentar as questiúnculas partidárias. O que me interessa o PS? Quero lá saber do PS ou do PSD, ou do PCP e do BE. Elejo como escopo a depuração da cidadania, e só um sectário sesgo e empedernido pode subscrever o diagnóstico de que Alegre, gostando-se ou não, está a impulsionar uma benigna transformação política em Portugal.
A 22 de Janeiro, surgirão muitos mudos. Pensar que Alegre, perdendo estas eleições, explorará o poder reunido para "tirar o tapete" a Sócrates é igualar Alegre a um qualquer Narciso brumoso. Meu caro, Alegre não necessitará, para sobreviver como Homem de referência inelutável do Portugal democrático e dos últimos 40 anos, de liderar guerrilhas internas. Deveria saber que Alegre é muito mais do que um gladiador de estábulo. Ou de estaleiros. A sua luta efectiva-se nos grandes coliseus, os quais não acolhem, somente, política.

para lá de bagdade disse...

a única diferença é que soares não faz o tipo de discurso self righteous de cavaco, nem é encarado como um messias/salvador da pátria...pelo que o aparecimento e utilização da máquina partidária de jardim é mais hipócrita e leva-nos a dizer que muito provavelmente com a eleição de cavaco para belém a "montanha vai parir um rato"...

polittikus disse...

Peço desculpa, mas em Portugal a política é uma telenovela escrita por um autor menos...

Anónimo disse...

Este blog, embora reçem-nascido, tem um índice incrívelmente elevado de comentadores políticos amadores por byte. Assumem, gostosamente, quadros mentais bafientos sobre as jogadas tácticas de candidatos presidenciais, também eles a cheirar a mofo. Enquanto isso, os homens e mulheres do meu país caminham cabisbaixo, desconfortáveis, friorentos, para o pratinho de sopa da tasquinha mais à frente. Quem lhes pode acudir, nessa rota do desalento, do desinteresse, da aceitação?
Não vós, pois é visivel e sentida a vossa mesquinhez.

embaixador disse...

É um blog muito interssante mesmo sendo um assunto stressante. Um dos grandes erros q os políticos cometem é de não passarem para o povo, os eleitores, como é o jogo político , pois nada mais o é q um jogo de interesses. O vencedor não é o q é mais cotado, mas o q sabe articular melhor. Os interesses internacionais pesam muito nessa questão, pois muitos dos acordos são feitos para agradar os interesses de outros países, e por sua vez abrir maiores condições para q o produto, os projetos em fim os eleitores possam obter o sim de seus sonhos.Mas em lugar algum esta escrito ou se tornou regra q para ser politico tem q o ser currupto, ou desonesto. Isso é um outro problema.Boa semana

BONIFÁCIO disse...

"QUANDO A DIREITA CANSA, A ESQUERDA AVANÇA"

E

"QUANDO A ESQUERDA CANSA, A DIREITA AVANÇA"

Como no onanismo.

Nancy Brown disse...

Prosseguen os "blackouts" na campanha: Mário Soares aos jornalistas e Manuel Alegre à PSP enquanto isso... Cavaco "passeia" pelas presidenciais.

Anónimo disse...

Sejamos sérios.
A escolha do Presidente da República é, tanto quanto me apercebo, feita em função da sua personalidade e do seu passado.
A ser verdade, este pressuposto, que tal averiguar com seriedade e sem "clubisses" esse passado dos vários candidatos.
Estiu certo que, muitos dos que se consideram bem, informados iriam ficar de queixo caído.

Vítor Sousa disse...

Vamos lá, anónimo, embrenhar-nos no passado dos candidatos. Um aspecto é indubitável: só erra quem age, pelo que Cavaco poderá manter a aura de infalibilidade, porquanto permaneceu, plácido, nos seus claustros de Boliqueime, enquanto o de Santa Comba Dão manietava Portugal... Solidariedade entre professores de finanças?

Cavalo Marinho disse...

Com Soares mal disposto (nunca mais se "endireitou" depois da peixeirada que armou com Cavaco na TV) e cada vez mais agressivo com os jornalistas, sobretudo da SIC, Cavaco lá vai levando a água ao seu moínho, sem precisar de se esforçar muito.
Nem é preciso.
O que as pessoas querem é que Portugal se levante dos escombros ruinosos em que se encontra e que volte a crescer economicamente, continuadamente e solidamente.
Ora, o último tempo em que os portugueses recordam esse facto é o tempo em que Cavaco foi PM.
E vai daí, parece que irão votar nele em massa, perdoando-lhe o que de mau se passou nesse tempo (a crispação, o "estado laranja", e o desperdício de ajudas da UE).
Penso que o próprio Cavaco estará intimamente surpreendido com as percentagens que alcança nas sondagens, que se devem também, a meu ver, ao descrédito total em que caíram os "políticos profissionais", prometendo uma coisa e fazendo o contrário quando estão no governo, como é o caso de Sócrates e foi também o caso de Durão.
Os portugueses estão tão desesperados e com o cinto tão apertado que se estão nas tintas (para não dizer outra coisa...) para o facto do PR poder vir a interferir nos poderes do executivo.
Ao cidadão comum isso não interessa nada.
O que interessa é que alguém os tire do pântano, do lodaçal, do atoleiro, em que dominam a corrupção e o compadrio, em que Portugal se transformou.
E, para a maioria, esse alguém, para bem dele, parece ser Cavaco, que é o único que se tem comportado como um verdadeiro PR.
Mas estou perfeitamente convencido de que poderia ser Salazar, se este estivesse vivo, tal o estado de desespero a que a maior parte dos portugueses chegaram.
E quem não percebeu ainda isto, não percebe nada do que é o nosso bom povo!
Viva Portugal!

Vítor Sousa disse...

De acordom Cavalo Marinho. Digo mais: abssolutamente de acordo.

rb disse...

Pois a política é msmo um mal menor, como se disse no post, porém, não me parece que nenhum dos candidatos seja alheio às conveniências do costume. Alegre, "referência inelutável do Portugal democrático dos últimos 40 anos", pode até se ter divorciado dessa política, mas virgem não é concerteza.

Nancy Brown disse...

É absolutamente incrível como a campanha de Alegre tem vindo a decair, erro atrás de erro, crispação com o PS atrás de crispação.
Soares já deveria ter sido obrigado ao "blackout" há mais tempo. O debate com Cavaco na tv, foi dos equívocos políticos mais lamentáveis dos últimos tempos. Se há coisa q um português não suporta é a humilhação. Soares no fundo conhece muito pouco os portugueses.