domingo, janeiro 08, 2006

Notas eleitorais (I)

A candidatura de Cavaco Silva passou por Grândola, ao som da Vila Morena. A direita ficou entusiasmadíssima. Diz que José Afonso não é um exclusivo da esquerda. Que o 25 de Abril é de todos. E que a revolução está viva e se recomenda. Depois disto, só lhe falta aparecer a cantar a “Internacional”. Com um cravo ao peito. Sob pretexto de que a História não é património de ninguém.
ccs

15 comentários:

pol anko disse...

Administradora é canhota.....

penso rápido disse...

O Garcia Pereira tb defendeu na TSF uma candidatura presidencial de um homem conservador, como o Prof. Freitas do Amaral por isso, como dizia um formador meu há uns anos, desde que vi um urso a andar de bicicleta já nada me espanta.
Uma boa tarde e bom «blogueio»

RS disse...

Mas o professor Cavaco Silva também andou para os lados da Internacional Socialista, ou não?
Proletários de todo o mundo...

Um amigo, ontem, dizia-me que não existia proletariado em Portugal por termos uma burguesia tão medíocre. Tem toda a razão.

Que mais irá acontecer...

António Viriato disse...

Cara CCS,

Entre a «Grãndola, Vila Morena» e a «Internacional» vai mais que um «passo de anão» ou «um tiro de canhão», para evocar os termos de uma conhecida canção do José Mário Branco, algo proscrito nos tempos que correm, mesmo pelos habituais arautos da ultra-esquerda. Na verdade, aquela canção do Zeca foi quase que privatizada por certos grupos, mas sem nenhuma razão, porque ela faz parte de um património cultural colectivo, para o qual muitos contribuiram, uns mais revolucionários, outros mais moderados, como, de resto, se passa com muita poesia e música popular portuguesas. Se fôssemos atender aos actuais gostos ou sensibilidades políticas muitas dessas peças patrimoniais ficariam cativas de grupos ou sectores minoritários do povo português, o que seria absurdo. Por igual critério, só Comunistas, Anarquistas ou demais Revolucionários poderiam declamar ou cantar quadras do Aleixo, do Bocage ou até, num plano mais culto, alguns versos de Camões, o que seria ainda mais absurdo...

Vítor Sousa disse...

Há perguntas incómodas que alguns tentam encapotar, embora o seu assomo seja inexorável. Qual foi a acção de Cavaco durante o período de governo do seu homólogo professor de Finanças? Apesar de reiterar a existência, em mim, de convicções, imbricadas com a arreigada persistência de dúvidas, creio que Cavaco apresenta um perfil compatível com a submissão - sendo ele o submisso ou o líder -, desde que, como escrevi no meu espaço, as finanças não resvalassem. Não é um homem da liberdade, tornando-se estimulante e verosímil o exercício de prever um encontro entre Salazar e o seu legatário democrático, numa plácida tarde em Santa Comba Dão.

migas (miguel araújo) disse...

Ainda não percebi qual o problema.
A cultura é um património exclusivo da esquerda?!
A música do Zeca Afonso só pode ser ouvida e entoada (quais serões familiares de província) nos seio dos lares esquerdistas?!
Quantas vezes se cantou em minha casa e na minha escola a música ?uma gaivota voava'?! E não havia nenhum comício de punho no ar.
O 25 de Abril não foi do povo ou o povo só tem significado do PS para a esquerda?!
Só faltava que eu (que não sou, nem quero ser de esquerda - e assumo-o) não pudesse ler os poemas de Manuel Alegre.
É o mesmo que existir alguma legislação ou artigo constitucional que impeça um comunista ou bloquista ou socialista de votar e apoiar Cavaco Silva.
Doutora Constança... o 25 de Abril não trouxe só liberdade. Toruxe muita liberdade... e pluralismo... e Democracia!
Mas isso saberá melhor que eu!

paulof disse...

Zeca Afonso foi escolhido pelos homens que fizeram o 25 de Abril porque aquela letra da canção era a que mais se adequava ao momento: interessava, após controlar os principais "media", captar o povo para os homens da revolução, daí uma letra em que houvesse um "o povo é que mais ordena". Daí o "Grândola".

Não quero dizer com isto que sou contra ou a favor do 25 de Abril, pese o facto, incontornável, de estarmos à beira, novamente da bancarrota: mas uma coisa é certa, não foi a vontade do povo ( nem ele aprovado após, em referendo), mas a força das armas que antidemocraticamente impôs o regime...

Anónimo disse...

Migas = Homem sensato

alice disse...

depois dos lemas 'no future' ' kill your idol', os simbolos já não são o que eram. Só falta trautear ' never mind the bollocks se der geito...

para lá de bagdade disse...

em paralelo com este "novo" cavaco seria interessante lê-la sobre outras tentativas por parte de outros líderes de direita europeus de mudarem a sua imagem, transmitindo mensagens em que manifestamente nunca acreditaram, ou em relação às quais até sentiam uma certa urticária, namely Cameron...
parabéns pelo Blog e seja bem vinda

Anónimo disse...

Mas essa rapaziada da esquerda caviar se calhar nunca tinha ouvido Grândola Vila Morena antes do 25.04...

Andava mais no Eles Comem Tudo Eles Comem Tudo. Coitados agora não comem nada....

AM disse...

Será que, para esta gente perceber, seria necessário o Cavaco vestir-se de "Drag-Queen" numa qualquer parada "Gay pride" para tentar angariar mais uns votitos?...

AMNM

BONIFÁCIO disse...

Esta não vi.

De certeza que não arranjaram um capitãozeco de Abril para ser sobraçado ?

Daqueles mais inofensivos,que não envergonhem muito...e façam um boneco simpático...

Com 1 desses, 2 criancinhas de colo, 3 cantadores seniores e, pelo menos, um poeta popular "amigo" - está feita a festa !

Ricardo disse...

Apetecia-me dizer que Abril é evolução e que o R foi devorado pelo caminho. Mas não vou dizer...

Anónimo disse...

Eu gostei mais de ver o professor gesticular o "gasolina". Foi tão lindo que até passei a gostar de cá viver. Afinal de contas, vivemos numa realidade quase tão castiça como a de um "gato preto gato branco".