sexta-feira, janeiro 20, 2006

Mário Soares



É próprio dos tempos dizer mal de Soares. A candidatura de Soares não tem o benefício da dúvida, nem qualquer grandeza moral: Soares candidata-se por amor-próprio e o motor da sua candidatura é pura e simplesmente a vaidade. Soares está fora do tempo mas foi ele, com a sua megalomania e o seu "umbiguismo" inato, que se pôs fora do tempo, aparecendo onde não era esperado. Soares não tinha que se candidatar. E não tinha, de facto. Podia ter ficado, num lugar de honra, a assistir, ao desastre. Entre as hesitações de Sócrates, a ausência de Guterres e a inevitável recusa de António Vitorino, as responsabilidades já estavam distribuídas. É evidente que havia Manuel Alegre, um “saldo” de última hora a que o PS, em desespero, podia ainda recorrer. Mas Manuel Alegre, com o apoio do PS e sem a aura da cidadania, valia o que valia. E valia pouco.
A “arrogância” de Soares, com que parte da direita se delicia, foi arriscar uma candidatura. Sair do pedestal da história. Ir à luta. Fora de tempo, exibindo a política no seu estado puro. Este último combate de Soares é um combate pela política. Não tanto um exercício de arrogância contra os que não lutaram contra o fascismo. Mas o testemunho de um político que se recusa a aceitar que a política seja apenas um exercício de competência. A “obsessão” contra Cavaco Silva é a obsessão contra um político “intermitente” que escolhe as alturas certas para se candidatar a salvador da Pátria e que, sobretudo, a quer resgatar dos interesses mesquinhos dos “políticos profissionais”.
O mundo de Cavaco Silva, asséptico, limitado e sem a mácula da política, é um mundo estranho a Mário Soares que se formou noutros tempos e noutros combates. A sua candidatura nasce deste equívoco, do facto de não ter percebido que, nos tempos que correm, Cavaco Silva é o homem certo para o lugar certo – exactamente porque não é um político. Educado no esforço e na disciplina, Cavaco Silva representa o mérito, o sucesso e a ascensão a que qualquer português pode aspirar na vida. Cavaco Silva é o português novo que fazia parte da mitologia do cavaquismo. O português que quer vencer e que não se resigna. O português que todos querem ser, trinta anos depois do 25 de Abril. O país, de facto, mudou. Mas isso não retira grandeza ao combate de Mário Soares. Estar fora do tempo é também uma forma de saber estar no tempo.
ccs

43 comentários:

Ra disse...

«É próprio dos tempos dizer mal de Soares.»
Como o próprio Dr. Soares tem afirmado, não é dizer mal, é criticar e quem anda na política tem de se sujeitar a elas, quer goste ou não.

Tiago Mendes disse...

Cara Constanca,

Deixo aqui alguns comentarios ao seu texto:

"É próprio dos tempos dizer mal de Soares."

Isso e' uma questao meramente "estatistica". Como nao aprecio nem os "politicamente correcto", nem os (identicos na natureza) "anti-politicamente correctos", essa informacao quanto a mim deve ser indiferente na tomada de posicoes (mas nao no entendimento do que se passa na politica, claro).

"A candidatura de Soares não tem o benefício da dúvida, nem qualquer grandeza moral: Soares candidata-se por amor-próprio e o motor da sua candidatura é pura e simplesmente a vaidade. Soares está fora do tempo mas foi ele, com a sua megalomania e o seu "umbiguismo" inato, que se pôs fora do tempo, aparecendo onde não era esperado. Soares não tinha que se candidatar. E não tinha, de facto. Podia ter ficado, num lugar de honra, a assistir, ao desastre. Entre as hesitações de Sócrates, a ausência de Guterres e a inevitável recusa de António Vitorino, as responsabilidades já estavam distribuídas. É evidente que havia Manuel Alegre, um “saldo” de última hora a que o PS, em desespero, podia ainda recorrer. Mas Manuel Alegre, com o apoio do PS e sem a aura da cidadania, valia o que valia. E valia pouco."

Alias, contra tudo o que tinha dito anteriormente (sobre uma sua eventual candidatura). Nao e' que um politico nao possa "surpreender", mas quando as posicoes sobre si proprio nao sao crediveis, isso demonstra falta de visao politica, falta de auto-conhecimento, ou desleixo na comunicacao. Ambos graves, cada um na sua dimensao. [Claro que "nao" muito graves, mas pequenas coerencias tambem ajudam ao "todo"].

Que Manuel Alegre valia pouco era seguro - nem ele acreditava nele proprio. Mas Soares poderia ter feito com que um candidato, melhor que ele, e melhor que Cavaco, tivesse espaco para vencer: FReitas do Amaral. Seria ingenuo pensar que se o PS e Soares tivessem "congeminado" uma estrategia (palavra dificil para quem so' gosta de estar na politica com o estomago e a vaidade), que Freitas nao seria um candidato forte, eventualmente o candidato de toda a esquerda. Jurista, culto, conhecido la' fora, (recentemente) "moderado". Freitas era o candidato ideal. SOares nao o quis. Porque? Uns acharao que ele quis ir 'a luta. Pois. Mas e' preciso ir mais atras. Ele quis ir 'a luta nao tanto para "defender" a (velha) politica, mas por amor-proprio. O que, repito, e' perfeitamente natural. Mas nao facamos de um acto sobretudo pessoal um acto "nobre". Nobre teria sido lancar e apoiar Freitas.

"A “arrogância” de Soares, com que parte da direita se delicia, foi arriscar uma candidatura. Sair do pedestal da história. Ir à luta."

Creio que Soares ja' tinha saido do pedestal da historia quando foi deputado no PE (para nao falar nas intervencoes publicas, como as do Expresso). Ha' quem saiba sair no momento certo, ha' quem seja "viciado" no poder. Isso nao e' necessariamente mau. Mas esse "sair do pedestal" nao e' bem sair, porque Soares no fundo nao teve grande escolha. "Deixou-se ir pelos seus instintos".

"Fora de tempo, exibindo a política no seu estado puro. Este último combate de Soares é um combate pela política."

Aqui tenho alguma dificuldade em comentar, cara CCS. O que e' "politica em estado puro"? E' luta de galos? E' recorrer a toda e qualquer tactiva para derrubar o adversario? E', se for necessario, tratar o adversario sem qualquer respeito, so' porque se sabe que os orgaos de comunicacao social nao dirao nada (como nao disseram) porque 1) enfim, e' "o Soares", e 2) se dizemos alguma coisa, o tipo ainda vem dizer que ha' conspiracoes. Que politica e' essa? Nao creio que os portugueses tenham apreciado a postura de Soares.

"Não tanto um exercício de arrogância contra os que não lutaram contra o fascismo. Mas o testemunho de um político que se recusa a aceitar que a política seja apenas um exercício de competência. A “obsessão” contra Cavaco Silva é a obsessão contra um político “intermitente” que escolhe as alturas certas para se candidatar a salvador da Pátria e que, sobretudo, a quer resgatar dos interesses mesquinhos dos “políticos profissionais”.
O mundo de Cavaco Silva, asséptico, limitado e sem a mácula da política, é um mundo estranho a Mário Soares que se formou noutros tempos e noutros combates."

Concordo.

"A sua candidatura nasce deste equívoco, do facto de não ter percebido que, nos tempos que correm, Cavaco Silva é o homem certo para o lugar certo – exactamente porque não é um político."

Mas se nasce dum equivoco, isso nao e' criticavel? Queremos um PR pouco lucido (ja nao falo da idade), que nao sabe ler a conjuntura? E' que para "acto poetico" ja' bastava o de Alegre (enfim, "poetico" para alguns, claro...).

"Educado no esforço e na disciplina, Cavaco Silva representa o mérito, o sucesso e a ascensão a que qualquer português pode aspirar na vida. Cavaco Silva é o português novo que fazia parte da mitologia do cavaquismo. O português que quer vencer e que não se resigna."

Sim.

"O português que todos querem ser, trinta anos depois do 25 de Abril."

Vejo aqui algum exagero, mas ok, e' preciso generalizar...

"O país, de facto, mudou. Mas isso não retira grandeza ao combate de Mário Soares. Estar fora do tempo é também uma forma de saber estar no tempo."

A grandeza de facto nao depende muito da conjuntura. Quanto ao jogo de palavras final, nao consigo concordar, mas talvez nao a tenha percebido. Estar "fora do tempo" - como, por exemplo, Cunhal (quase) sempre esteve - pode ser sinal de "coerencia", "bravura", ate' "grandeza moral", no sentido em que se mantem uma certa postura que ja' nao e' "adequada" ao seu tempo. MAs achar que isso 'e uma forma de estar no seu tempo, confesso que nao entendo.


REsumindo, SOares esta' de facto fora de tempo, nao assume isso (provavelmente nem perante ele proprio), e, se em parte a sua candidatura e' um insurgimento contra Cavaco, e' tambem um acto de soberba. E' um perigo, tambem, porque se Soares ganhar, teremos definitivamente um "rei/maraja" em Belem. De redea solta, aos 82 anos, sem olhos postos numa reeleicao, apostado em liderar a "luta dos oprimidos", e etc e tal.

Um verdadeiro perigo. Mais, ha' uma certa contradicao nisto tudo, porque se o PR tem tao poucos poderes, as tais virtudes "Politicas" que Soares acusa Cavaco de nao ter (o que e' verdade em grande parte) nao serao assim tao necessarias.

Uma coisa, que infelizmente nao tem sido muito analisada, tenho como segura: SOares poderia ter apoiado Freitas, e este seria um candidato forte a derrotar Cavaco. Mas, la' esta', ele ha' coisas que a vaidade nao permite. E dar um apoio destes de bandeja a um antigo rival, para o "animal politico" Soares, seria um acto de loucura.

Com o filho ja' na gaveta, no proximo Domingo o "cla" SOares tem o seu ultimo reves. A ver se aprendem qualquer coisinha.

João Gonçalves disse...

Cara Constança,
Desarmante, de facto, esta sua fina ternura pelo dr. Soares. Como de costume, eu praticamente subscrevo tudo. Acontece que Soares optou por um combate, sim senhor, mas em geral feio e despropositado. Tal significa que ele perdeu um bocado o pé em relação ao país real, goste-se ou não dele, e eu nem sequer sou dos maiores adeptos. Nesse sentido metafórico, Soares deixou de ser "fixe" no dia daquela inútil exibição cortesã do final de Agosto. Pode ser que no domingo,finalmente e sem explicador, Soares perceba.
Um abraço amigo.
JG

Ricardo disse...

Viva,

Subscrevo e já dei destaque no meu blogue! É um texto que mostra bem que Manuel Alegre tinha razão quando escreveu estas palavras de Soares:

"E talvez seja a grande revolução que ele fez num país cansado de crispação: trazer a afectividade para a política."

Em que Manuel Alegre acrescenta:

"É, a par da coragem, a sua arma mais eficaz. E por isso ele é de facto, irresistível. E também imprevisto. Com o Mário, o inesperado pode sempre acontecer. Desenganem-se os que o julgam sentado sobre uma por vezes aparente lassidão. De repente ele salta. Para sacudir o marasmo e de novo forçar o destino. Sempre que tal acontece, o telefone toca em casa de alguns amigos. Fica-se então a saber que há uma nova caravela e uma nova partida. Às vezes um combate. Às vezes um desígnio, um sonho, uma inquietação, o que é também uma forma de poesia."

Revejo-me no texto e no tom terno com que é escrito.

El Ranys disse...

Completamente de acordo com Tiago Mendes.

A campanha e as eleições têm a ver com UMA coisa: em quem vou votar?
Mário Soares (por desistência de Vitorino, talvez - não me esquecerei nunca de que desistiu, pela 2ª vez, Dr. Vitorino, talvez quando mais era preciso) tornou o PS seu refém.
Penso que Freitas seria, sem dúvida, uma melhor opção. O candidato em que mais gostaria de votar era, aliás, Vitor Constâncio.
Mas Soares nunca poderia (por vaidade, creio)permitir que qualquer um destes dois representasse o "seu" PS. Com estas eleições, esse PS (o de Soares), fica reduzido à memória histórica.
Por muito "nobre" que o regresso de Soares seja, isso não é razão suficiente para depositar o voto nele. Perde o País, que vai ter Cavaco como PR.

Tiago Mendes disse...

Uma ultima achega: sempre me irritaram muito os comentarios de quem escreve so' para ser "contra a corrente". Nao digo que seja o caso de CCS - naturalmente. Mas a sua frase inicial convida a este comentario.

A logica de "faccao" e ate' um certo "snobismo" que estao por detras desse tipo de atitude quanto a mim nao tem lugar (ou nao deveriam ter) no "mercado das ideias". A nao ser como ironia/satira. [O que deve existir sempre, e sem qualquer moderacao].

Ha' quem tenha a habilidade (isto nao e' ironia) de conseguir estar contra todos, qualquer que seja a situacao. Falo de VPV, claro. E falo com particular 'a vontade porque o aprecio enormemente, e desde ha' muitos e bons anos que nao perco uma cronica sua. Mas ser do contra so' para ser do contra (quando se e' SEMPRE do contra, isto e' uma conclusao inevitavel), nao me parece [intelectualmente] aceitavel, e muito menos louvavel.

AM disse...

Cara Constança

“Cavaco Silva é o homem certo para o lugar certo”

Discordo em absoluto desta sua afirmação, mas, ao menos, agradeço o facto de ter revelado a sua posição nesta contenda, pois esta permite-nos desfrutar de melhor perspectiva para uma leitura mais correcta dos seus escritos.

“Educado no esforço e na disciplina, Cavaco Silva representa o mérito, o sucesso e a ascensão a que qualquer português pode aspirar na vida.
Cavaco Silva é o português novo que fazia parte da mitologia do cavaquismo.
O português que quer vencer e que não se resigna.”

António Ferro não diria melhor, aliás, provavelmente terá dito algo muito semelhante mas referindo-se a um outro, não Aníbal mas, como eu, António.

“O português que todos querem ser, trinta anos depois do 25 de Abril.”

Cara Constança, “todos” é muita gente, e EU seguramente não quero ser como ele, acredito que muitos “patos bravos da construção civil” e muitos recém-formados da Católica (ou outros quaisquer mal formados) o queiram, muito me admira que a Constança queira tal coisa (tem mesmo a certeza?)

“O país, de facto, mudou.”

Aí estamos de acordo, pena é não ter mudado para melhor, e a mudar assim não tarda volta ao que já foi…

AMNM

Anónimo disse...

Creio que a razão que justificou, em termos pessoais, a candidatura de Soares está directamente ligada ao papel e relevância que a História dará a si próprio e a Cavaco Silva, conforme referiu ontem VPV.

crack disse...

Cara CCS
A sua ternura por Soares foi sempre evidente, quer nos debates que moderou, quer aqui.
Há muito de razoável no que escreve sobre Soares, pelo que serão, os incautos, levados a pensar que há razoabilidade em tudo o que escreve. Não há.
O exemplo mais evidente é o facto de dizer que: «Soares candidata-se por amor-próprio e o motor da sua candidatura é pura e simplesmente a vaidade.» Nesta fase final, em que há que piscar o olho aos indecisos, esta é a melhor maquilhagem para as razões que levaram Soares a esta corrida presidencial. Maquilhagem pesada, porque mascara, completamente, as más razões do velho ex-presidente. Não é a vaidade, nem o orgulho, nem o amor-próprio, nem a irritação de ver outros a ocuparem um lugar a que se julga com "majestático" direito (embora todas estas componentes abundem nas razões de Soares, apesar de serem, neste caso, secundaríssimas), que o levaram a avançar desta forma aparentemente suicidária. O que move Soares, e um certo PS, é a necessidade extrema de fazer, pelos interesses próprios e os de alguns influentes do círculo íntimo, o que não será possível conseguir sem estar em Belém - apagar e esconder os esquelectos do passado, viabilizar, criar e multiplicar as oportunidades para o futuro.
Não lhe fica mal apoiar Soares, mas não assim.Faça justiça à nossa inteligência.

Tiago Mendes disse...

"O exemplo mais evidente é o facto de dizer que: «Soares candidata-se por amor-próprio e o motor da sua candidatura é pura e simplesmente a vaidade.» Nesta fase final, em que há que piscar o olho aos indecisos, esta é a melhor maquilhagem para as razões que levaram Soares a esta corrida presidencial."

Caro Crack: perdeu o contexto ao fazer a sua critica. CCS nao defende isso, apenas aponta esse argumento como exemplo de alguns que dizem mal de Soares nos tempos que correm (neste caso, dirigido a mim, como constatara' no post antecedente).

Alias, a interpretacao que faz e' quanto a mim incorrecta. O que me parece que CCS faz e' reiterar que "racionalmente" CS e' a melhor escolha, embora expresse:

1) esse tal "carinho" por SOares

2) um gosto pela "politica pura", que Soares encarnaria

3) apreco pelo "politicamente incorrecto" que SOares tambem demonstraria, ao ir "contra o ar dos tempos"

4) elogio 'a coragem de "ir 'a luta" para la das vicissitudes conjunturais - uma especie de D. Quixote dos nossos dias

Eu nao concordo (nada) com isto, mas percebo. O apoio "racional" ao voto em CS esta' aqui:

"A sua candidatura [de Soares] nasce deste equívoco, do facto de não ter percebido que, nos tempos que correm, Cavaco Silva é o homem certo para o lugar certo – exactamente porque não é um político."

"Apoio" talvez seja excessivo: melhor "contextaualizacao da razoabilidade do voto em".

Teófilo M. disse...

Cara CCS,

dizer mal de Soares, actualmente, é fixe, porque está na moda, sabe-se lá porquê, pois os que não terão nunca hipóteses de ir para lá, não necessitam de o fazer, e o que para lá irá, por estar na moda, também o tem procurado evitar, embora não o tenha conseguido na totalidade, mas os seus apoiantes têm-no feito por si.

Soares ao candidater-se não é arrogante, mas pelo contrário, é humilde, pois só estes é que remam contra a maré, os arrogantes deixam que outros remem por eles, que é o que tem feito o nosso ilustre sem opinião sobre assuntos polémicos.

Quanto ao mundo asséptico, limitado e sem mácula política que refere, não o conheço, pois se quiser ser sério e honesto, não posso afirmar que um antigo PM e bi-concorrente à PR não é político, mas apenas um cidadão exemplar a tentar servir(-se d)o País.

Ser certo, na hora certa, foi frase aplicada ao político que fez estagnar este Portugal no obscurantismo mais tenebroso.

Dele também se dizia que era sério, apolítico e sabedor de finanças.

Viu-se!

Rasputine disse...

Cara CCS,

O problema maior com que Soares teve que lidar nesta campanha reside na pequenez dos "velhos" portugueses que invejosa e desdenhosamente queriam vê-lo calçado com as suas pantufinhas em casa e sem chatear.
No cultura nipónica as coisas não se passam assim e o respeito pelos mais velhos cultiva-se desde cedo. São eles os anciãos, os guardiões da cutura e da experiência adquirida. Soares soube lidar (e bem) com esta situação e mesmo assim, e quando já tudo venceu em tempos idos, continuou em frente, mostrando uma lucidez e combatividade que falta a muitos portugueses.

Valeu a pena assistir à sua vontade, para mim um (ainda) jovem de 28 anos.

Tiago Mendes disse...

"mostrando uma lucidez e combatividade que falta a muitos portugueses."

COmbatividade, sim. Lucidez, nao muita. Lucidez politica, como se viu, nenhuma. Lucidez pessoal, por muito que alguns queiram ignorar o factor "idade", nao e' tanta como alguns a querem fazer, embora esteja muito para a bela idade de 82 anos. So' que a idade nem pode ser uma desculpa a favor nem contra. DEve ser neutra. Mas falta de lucidez pessoal nao e' muito bom. AS inumeras "gaffes" que a TV resolveu quase nao mostrar tornam isto obvio.

Em termos relativos, o homem esta' muito lucido, claro que sim. Olhe-se para Manuel de Oliveira, quase com 98 anos e fresco como poucos. No entanto, o problema da lucidez e' um problema menor. A questao fulcral e' o "perigo" que Soares representa, pela atitude com que encarou esta campanha e com a atitude que se perspectiva que ela va' ter em Belem se ganhar as eleicoes numa segunda volta.

AM disse...

Ó Tiago

Haja paciência.

Você haja mesmo que o Cavaco domonstra estar mais lúcido que o Soares?

AMNM

Antonio Garcia Barreto disse...

Toda esta lengalenga serviu para eu confirmar a certeza que já tinha de que não devo votar em Cavaco Silva. Os bem comportados e esforçados da vida dão-me volta ao estômago. Depois, como se diz aí para trás, Cavaco é um homem de oportunidades, não um político. Surgiu no Congresso da Figueira da Foz - uma boa oportunidade - e surge agora - nova boa oportunidade.

El Ranys disse...

O "carinho" pelos derrotados também é muito típico de uma certa forma de estar.

Soares suicidou-se politicamente com esta candidatura. Não teve a lucidez suficiente para perceber, antes de avançar, que isso ia acontecer. Isso não faz dele um coitadinho. E isto não tem nada a ver com a idade. O predador (político) passou a presa. É a vida. Habituem-se...

Tiago Mendes disse...

"Soares suicidou-se politicamente com esta candidatura."

Acho que nao, embora perceba o que quer dizer. Acho, sim, que "queimou os ultimos cartiuchos". Depois disto, o melhor e' ficar sentadinho a receber os convidados para conferencias na sua Fundacao, e pouco mais. Seria digno se realmente se afastasse, mas isso nao e' provavel.

Soares nao se "suicidou" porque 1) tem o seu lugar na historia, e 2) de qualquer modo, ja' se andava a "queimar" ultimamente, pelo que o efeito marginal desta derrota nao e' assim tao grande.

"Isso não faz dele um coitadinho. E isto não tem nada a ver com a idade."

Coitadinho nao e' certamente. Embora - isto nao foi frisado o suficiente, provavelmente devido a essa atitude de "gostar dos derrotados - ele se tenha vitimizado duma forma inaceitavel, ultrapassando os limites do razoavel, e mentindo (ou deturpando as coisas) descaradamente.

Quanto 'a "idade", isto e' - como diria Joao Miranda - uma questao de "facto". Que a perda de lucidez esta positivamente correlacionada com a idade e' um facto incontornavel. ISto - que e' uma "media" estatistica, apenas significa que e' provavel que ao longo da idade percamos alguma lucidez. Ou seja, que Soares, Cavaco, Alegre, quando chegarem aos 80 anos, provavelmente serao menos lucidos do que eram 30 anos antes. Mas nao implica que Soares seja aos 82 anos menos lucido que Cavaco aos 67. Implica - como estatistica que e' - que, em media, o "grupo" de pessoas com 82 anos e' menos lucido que o "grupo" de pessoas com 67 anos.

Estas questoes sao menores e tornam-se um pouco ridiculas. Uma coisa e' certa: Soares nao esta' tao lucido quanto ele pensa, nem quanto era ha' 20 anos, nem quanto seria desejavel que um presidente estivesse. E, embora a lucidez esteja (na "populacao") negativamente correlacionada com a "combatividade", e' um facto inegavel que Soares tem muita energia fisica. Mas uns pozinhos a mais de lucidez, e de humildade, so' lhe fariam bem.

LA-C disse...

Tiago, não concordo quando dizes:
“Soares (...) ja' se andava a "queimar" ultimamente, pelo que o efeito marginal desta derrota nao e' assim tao grande.”

O efeito marginal desta derrota é enorme. Há muita gente que pensava que Soares tinha uma auréola de vencedor e que conseguiria vencer tudo aquilo em que se metesse. Soares pensava o mesmo, e nem a derrota para presidente do Parlamento Europeu lhe desfez esta ideia (com certeza que ficou a pensar que era porque não falava inglês...). Se Soares não se tivesse candidato ficaria para sempre o mito, alimentado pela prole soarista, de que Soares tinha sido o único com capacidade para derrotar Cavaco.

A longo prazo, concordo contigo. O lugar na história reservado a Soares não será afectado por esta eleição, especialmente se houver algum Pacheco Pereira a dedicar-lhe três volumes de história.
Grande abraço do
LA-C
PS Bons artigos que tens escrito no DE.

Tiago Mendes disse...

Viva caro LA-C, bom ver-te por aqui.

"O efeito marginal desta derrota é enorme. Há muita gente que pensava que Soares tinha uma auréola de vencedor e que conseguiria vencer tudo aquilo em que se metesse. Soares pensava o mesmo, e nem a derrota para presidente do Parlamento Europeu lhe desfez esta ideia (com certeza que ficou a pensar que era porque não falava inglês...)."

Concordo contigo - alias, comentei isso em post anterior, quando CCS aludia 'a "nobre escolha" de se candidatar "sem perspectivas". Mas so' nas ultimas semanas e' que a "crenca" se foi. Antes, era sempre a historia que em 86 tinha comecado com 8%, que CS teria um deslize (e isso era provavel - louvada seja a "maquina" estrategica de CS e os muitos ansioliticos que ele deve ter tomado, entao no frente-a-frente com Soares), que tudo mudaria, que Alegre dispersaria, etc.

"Se Soares não se tivesse candidato ficaria para sempre o mito, alimentado pela prole soarista, de que Soares tinha sido o único com capacidade para derrotar Cavaco."

Sim, sim. E reforco o tom na "prole", porque ha' aqui uma soberba genetica-familiar assinalavel (isto nao pretende ser uma "critica", mas o apontar dum facto).

"A longo prazo, concordo contigo. O lugar na história reservado a Soares não será afectado por esta eleição, especialmente se houver algum Pacheco Pereira a dedicar-lhe três volumes de história."

Concordamos entao, ja' que eu tinha em mente o longo prazo. Nao tinha pensado nisso, mas nao vejo razao para JPP nao se "atirar" a biografar SOares depois de Cunhal.

"PS Bons artigos que tens escrito no DE."

Obrigado.

GRande abraco,

El Ranys disse...

LA-C,

Também acho que esta não é uma derrota de efeito marginal.
Existia, ainda, um certo "temor reverencial" no PS (e não só)à facção soarista (provavelmente devido a essa aura de invencibilidade).
Acho que a Soares resta, agora, a "conspiração" de lareira.

Claro que o suicído político de Soares nada tem a ver com o seu papel, importantíssimo, na história da democracia portuguesa. Nem é isso que está, ou alguma vez esteve, em causa nos meus comentários.

Esse suícido tem mais a ver com o fim de um ciclo: a democracia portuguesa já vive bem sem os fantasmas do fascismo e de Salazar. Já é adulta e (não podendo nunca esquecer a sua génese e os actores princpais da mesma) dispensa as figuras paternalistas. Creio que a derrota de Soares é, em certa medida, a derrota do paternalismo democrático.

Cavaco também não é isento desses tiques paternalistas, mas estou convencido que muito vai amargar.

A Soares desejo-lhe muita saúde, na companhia dos seus mais queridos.

rodrigo disse...

Dizer mal de do Dr. Soares está na moda? Esta afirmação é simplesmente desresponsabilizar a pessoa em causa perante os actos que o mesmo têm cometido.

Soares já não é um animal político. Soares já não está enquadrado com a realidade deste País...O seu umbiguismo não lhe permitiu aperceber-se do quanto mudou a nossa sociedade.

Rodeou-se de JAD's, formou o MP3's, tentou ir pela campanha negativa e até mandou um SOS para o governo. Contradições? essas foram às toneladas!!!!

O Dr. Soares é que escolheu este caminho...Era escusado? Era, mas foi ele mesmo que o escolheu...

Tiago Mendes disse...

"Esse suícido tem mais a ver com o fim de um ciclo: a democracia portuguesa já vive bem sem os fantasmas do fascismo e de Salazar. Já é adulta e (não podendo nunca esquecer a sua génese e os actores princpais da mesma) dispensa as figuras paternalistas. Creio que a derrota de Soares é, em certa medida, a derrota do paternalismo democrático."

Esclarecido, e de acordo. So' achei o termo "suicidio" algo exagerado. "Por-se (finalmente) na prateleira" e dedicar-se a essas tais "conspiracoes 'a lareira", e' o que ele faria de melhor. Mas da vida dele sabera' (e devera') so' ele cuidar.

rodrigo disse...

«Esclarecido, e de acordo. So' achei o termo "suicidio" algo exagerado. "Por-se (finalmente) na prateleira" e dedicar-se a essas tais "conspiracoes 'a lareira", e' o que ele faria de melhor. Mas da vida dele sabera' (e devera') so' ele cuidar.»

Mas ele já se dedica a isso. Não foi ele que disse que até recebeu uns telefonemas de uns amigos sobre umas famosas reuniões?

Tiago Mendes disse...

"Mas ele já se dedica a isso. Não foi ele que disse que até recebeu uns telefonemas de uns amigos sobre umas famosas reuniões?"

Mas, Rodrigo... nao creio que os tenha recebido "'a lareira". O homem, como animal politico que ainda e', gosta de se passear por outras savanas... esse e' o perigo. Mas desta vez nao "cacou" nada e pode ser que resolva abandonar o territorio onde ja' nao tem poder.

E' que mais que "fora de tempo", SOares arrisca-se, tal como Santana Lopes (com as devidas diferencas - mas isto e' uma analogia apenas), a estar "fora do sitio". O "grupo dominante" ja' nao sao os soaristas e ele deve liderar a retirada. So' lhe ficava bem. Ai, retiro o chapeu a Paulo Portas.

Tiago Mendes disse...

Contextualizando:

Ai - e apesar de nao ser ideologicamente proximo dele - tiro, pela forma digna / inteligente (riscar o que eventualmente nao se aplique) como ele se retirou (provisoriamente) da politica - o chapeu a Paulo Portas.

El Ranys disse...

suicídio.
(*por duas vezes, lá em cima, suicído...). Será uma "conspiração" da tecla i?

ccs disse...

Só agora pude abrir a caixa de comentários. Sem pretender ser exaustiva:

1. "Freitas seria o candidato ideal. Soaresz não o quis". Talvez não! Mas o PS não é o PSD.Duvido que o partido aceitasse essa candidatura. Soares sempre era o fundador do PS e mesmo assim foi o que foi. Freitas do Amaral dividia à esquerda e a direita nunca lhe perdoaria.

2. As campanhas correm sempre melhor quando o vento sopra a vapor. Tentar alterar a tendência de voto exige sempre alguma "brutalidade". Basta ver a campanha de Cavaco em 96 e compará-la com a actual.

3. Tiago, tem razão, reconheço que, nas actuais circunstâncias, há uma certa razoabilidade no voto em Cavaco Silva.

4. Soares é um optimista mas só se fosse louco é que acharia que tinha, nestas eleições, a vitória garantida. Ao contrário de outros políticos, Soares sempre se candidatou quando o considerou necessário: umas vezes perdeu, outras ganhou. Só quem não conhece a sua vida pode dizer que ele cultiva a mito da invenciblidade.

5."Estar fora do tempo é também uma forma de saber estar no tempo." Pq às vezes o essencial perde-se no tempo e na novidade.

Tiago Mendes disse...

"1. Mas o PS não é o PSD.Duvido que o partido aceitasse essa candidatura. Soares sempre era o fundador do PS e mesmo assim foi o que foi. Freitas do Amaral dividia à esquerda e a direita nunca lhe perdoaria."

Hmmm, creio que Freitas, com o percurso que fez ultimamente, conseguiria reunir o apoio de bastante esquerda e sobretudo do centro - e ai levaria no minimo CS 'a segunda volta. Nos debates revelaria provavelmente a tal "sapiencia" que falta a Cavaco - so' que provavelmente ocm um estilo mais respeitoso (e sobretudo menos "impune") que Soares. De resto, sendo ministro de Estado, dificilmente nao grangearia o apoio do PS. Freitas nao quis foi por o carro 'a frente dos bois, e preferiu seguir o velho dito "mais vale um passaro na mae que dois a voar" - melhor ficar sossegadinho nas Necessidades que arriscar luxos perigosos.

"2. As campanhas (...) actual."

Ok. Mas ha' limites, a meu ver.

"3. Tiago, tem razão, reconheço que, nas actuais circunstâncias, há uma certa razoabilidade no voto em Cavaco Silva."

Eu nem pretendia que a Constance reconhecesse isso (pelo menos explicitamente). Estava apenas a (tentar) interpretar as suas palavras finais como tendo essa conviccao "realista", que nao "idealista", quanto 'a razoabilidade do voto em CS, depois dum comentario aqui escrito por outra pessoa.

"4. Soares é um optimista mas só se fosse louco é que acharia que tinha, nestas eleições, a vitória garantida. Ao contrário de outros políticos, Soares sempre se candidatou quando o considerou necessário: umas vezes perdeu, outras ganhou. Só quem não conhece a sua vida pode dizer que ele cultiva a mito da invenciblidade."

Ok. Mas julgo que o tal "mito" se vai agravando com a idade, o que e' perfeitamente natural. TAl como Lance Amstrong tem todo o direito a achar que depois de 5 vitorias na volta a FRanca a proxima e' mais segura do que foram a primeira ou a segunda.

"5."Estar fora do tempo é também uma forma de saber estar no tempo." Pq às vezes o essencial perde-se no tempo e na novidade."

Ok, esclarecido. [Obrigado]. Eu talvez tivesse optado por "Estar fora do tempo é muitas vezes uma forma superior de {saber estar no, atravessar o} tempo."

LA-C disse...

No ponto 1, eu concordo com a CCS.

Anónimo disse...

Tiago Mendes vá arranjar um blogue e desampare esta loja.

ccs disse...

Tiago

Muito obrigada pelo que escreveu no seu blogue.

Um abraço

Constança

ccs disse...

Gostava de saber dizer melhor certas coisas.

Tiago Mendes disse...

Eu tambem gostava de dizer melhor muitas coisas... um exemplo: perder a mania de dizer que "O merito nao se agradece". Coisa com sentido logico mas muito pouco agradavel socialmente. Isto tudo para regitar [com agrado] a sua nota. Re-obrigado, entao.

Tiago Mendes disse...

Ou melhor (a provar que nao o "disse bem"): "O reconhecimento do [neste caso, seu, CCS] do merito nao se agradece".

aba disse...

Estava a ler com atenção, até que Cavaco entra em cena. Parei.
Voltando ao princípio: falar de Soares é sempre dentro do tempo. Para dizer bem ou dizer mal.

deza7 disse...

Deza7

Na luta pelos valores, pela verdade e pela liberdade.

http://deza7.blogs.sapo.pt

Anónimo disse...

O que este Homem fez é uma lição de vida!Pôs o ego de lado e falou verdade, um Presidente não tem poderes executivos,
o Presidente não pode prometer recuperações economicas, nem mais emprego. Mas a verdade não ganha eleições.
E se Cavaco ganhar quero ver o que os seus apoiantes fazem quando subir o desemprego, ou isto começar a correr mal.Vão-lhe pedir contas? O tanas.Querem é correr com Socrates.
É preciso algum distanciamento para avaliar esta gesta de Soares.Mas para mim ele já ganhou!

critico disse...

Depois de ter começado com crítica negativa, ao Post"Continuando", impõe-se a inversão, a crítica positiva.
Porque encontro neste texto uma lucidez rara e uma leitura em que sintonizo quase integralmente.
Soares, e a sua candidatura, é tudo o que diz, e alguma coisa mais (faltou o inside trading do PS ou o presente envenenado que o homem, do alto da sua arrogância, ou não viu ou não quis ver).
Os meus parabéns pelo post.

António P. Castro disse...

O problema é que Soares não só está fora do tempo como está contra o tempo.
Ora, isso não tem remédio.

Cavalo Marinho disse...

Ao contrário do que os que passam pelo meu blog (e lêm alguma coisinha!) ou que atentam nos meus comentários possam pensar, eu gosto de Mário Soares.
Gosto do seu ar "blasé" e vagamente "negligé".
Gostaria de beber com ele uma "Veuve Cliquot", comer salmão fumado, fumar um charuto e conversar sobre a vida.
Gostaria de passar com ele uma noite, à lareira, e numa boa cavaqueira.
Gostaria de comer um "pata negra" na sua companhia.
Gostaria de ir com ele ao Douro comer um boa galinha assada no forno regada por uma "Quinta Vale Meão", ou ir comer uns enchidos e queijo à Beira Alta acompanhados por uma "Quinta da Pellada".
Ou dar um com ele um bom passeio na praia, a falar sobre política.
Ou falar com ele sobre livros.
Ou ouvir, "em confissão", as suas memórias políticas.

Para presidente é que não o escolho.

paulof disse...

O comentário anterior a este do "Cavalo Marinho" vem de encontro ao tom do post da CCS que diz que Soares é simpático, estátua da Pátria( pena é não estar já petrificado numa qualquer praça) e etc. e tal. Só chateia é quando se candidata a um cargo importante, como PRépublica.

Maneiras mais "subtis", "elegantes" e "simpáticas" de tentar neutralizar adversários políticos, são raras....


Digo isto à vontade, não vou votar nesta eleição transformada em "palhaçada" previamente decidida - e bem feita,com sofisticação e disfarce, reconheça-se - pela comunicação social, e as minhas costelas e déltóides monárquicos, (pese embora o meu sangue também ser vermelho, pelo menos por enquanto), ao ler prosas e atitudes similares, crescem dia após dia....

António Viriato disse...

Cara Constança,

Permita-me a rudeza duma frontal observação : Perdeu aqui excelente oportunidade de ter elaborado um bom apontamento político-reflexivo, com a ligeira entorse imprimida a este texto, nas suas linhas derradeiras. Há momentos em que não se pode servir a dois senhores...ou ganhar em todos os campos ; nem vale a pena tal esforço, muito menos, com a dita personalidade em causa. Terminou o tempo das mesuras a Soares. Apreciemo-lo, consoante os seus méritos, hoje escassos, e julguemo-lo pelos seus deméritos, hoje numerosos e demasiado óbvios para continuarem desapercebidos ou, pior ainda, absolvidos.

mam disse...

ccs, já pensou que de facto a vitória do CS não foi um passeio na av. da liberdade? e que isso se deve, para o melhor e para o pior, a mário soares? que sinta ternura por ms só lhe fica bem, mas não o faça por pena, como está patente na sua escrita, ele é um combatente e esses, são como o samy... não há que ter pena. a ciência politica e as faculdades de comunicação social vão ter nestas eleições muita matéria para investigação... um abraço