quarta-feira, janeiro 11, 2006

A (minha) melancolia

"Tem a melancolia cor política? José Pacheco Pereira acha que sim. O que, em última instância, coloca Constança Cunha e Sá em cheque"
João Morgado Fernandes, DN

De acordo. Em última instância, coloca. A melancolia tem destas coisas. E destas, já agora:

1. Sou jornalista, sem filiação partidária. E sem grandes simpatias políticas.
2. Comento regularmente a actualidade política. Com exagero. Com precipitação. Com cuidado. Com isenção. Com injustiça, por vezes. A minha opinião vale o que vale. Mas vale também porque é livre. Livre de compromissos partidários, de cumplicidades políticas e de interesses contraditórios.
3. Respeito a opinião pelo que vale essa mesma opinião. Não pela sua proveniência ou pelo rol de intenções que supostamente lhe está subjacente. Numa polémica com Pinheiro Chagas, Eça de Queiróz tentou explicar-lhe que a inveja (que, supostamente, estaria na origem dos seus textos) não afectava minimamente a força dos seus argumentos. Pelos vistos, ainda há muita gente que não percebe esta pequena subtileza.

P.S. Aproveito a oportunidade para dar os parabéns à direcção do "Diário de Notícias" pela reformulação gráfica do jornal.
ccs

17 comentários:

Anónimo disse...

Sem espinhas!!

Adriano Volframista disse...

Na falta de assunto discute-se o mensageiro e os seus estados de alma.
Também eles (os mensageiros) têm direito a estados, tambêm são gente e como gente sentem. Naturalmente que em cultura insular primitiva, como a presente, as opiniões quando expressas e expressas em meios de referência têm os seus custos. Como não sabemos rebater as idieias assassinamos o mensageiro.
Serve o presente para recordar que desde há mais de dois anos que nenhum, repito, nenhum meio de referência, dedica algum espaço a apresentar cenários para os próximos cinco, dez ou mais anos.
Podia ser simplório e clamar que temos medo do futuro, mas o que me apavora é que não tenhamos ideia de qualquer futuro, porque ficaria sempre mais descansado se tivéssemos medo...
Por isso nos dedicamos com tanto afinco ao nosso Eu e a exprimir o óbvio.

Siga com as opiniões. Não vale é a pena reiterar o óbvio e o que uma sociedade democrática, mas não livre, deve defender: a liberdade individual

Cumprimentos
Adrano Volframista

Ricardo disse...

E eu a pensar que as Presidenciais não tinham cor política! Afinal os nossos estados de espírito são alvo de análise da cor política mesmo nas eleições apartidárias. E esta, hein!

Paulo Alves disse...

É o DN senhor, é o DN!

jbr disse...

E quem fala assim não é gaga!

Cavalo Marinho disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Cavalo Marinho disse...

Constança:
Não acha que a melancolia, o enfado ..., enfim, o bocejo, foram um bocadinho sacudidos com o momento do Dr. Lopes na SIC, ontem à noite?
http://desfechaclavinas.blogspot.com/

ccs disse...

O "momento"...segue dentro de momentos, depois das legislativas. E tudo indica que vai ser muito animadinho.

migas (miguel araújo) disse...

Após alguns comentários opostos, venho demonstrar o meu agrado pela forma como abordou a questão do DN (ou melhor de JPP).
Embora não acredite em independências porque acho que a liberdade de pensamento e opinião garantem o direito a ser dependente, não siginifica que seja a favor da subserviência ou do puro 'rebanhismo partidário'. A liberdade vê-se na capacidade de auto-analisarmos e de tomarmos as nossas opções e convicções meramente pessoais.

migas (miguel araújo) disse...

Já agora. O link para o DN não funciona.

Musicologo disse...

Quem comenta seja o que for, é porque à partida o assunto lhe desperta interesse, pelo que de alguma forma estranho a ausência de uma afinidade com algum dos lados comentados. É da natureza humana concordarmos com qualquer coisa, identificarmo-nos com algo. Pode parecer muito ético e politicamente correcto que a CCS se afirme apartidária e sem grandes simpatias políticas, mas custa-me a crer que esse seja o seu íntimo. Agora a questão reside, até que ponto valeria a pena desvelar esse mesmo íntimo...
até porque não acredito que a CCS vá votar em branco...

ccs disse...

"É da natureza humana concordarmos com qualquer coisa"

O meu ponto é exactamente esse: ter opinião compromete-nos na medida em que nos "obriga" a tomar uma posição. Mas, não só não pertenço, como tenho dificuldade em identificar-me com o discurso dos vários partidos. E não, não voto em branco.

Vou emendar o link. obrigada pelo aviso

Anónimo disse...

A julgar pela forma como ataca certos membros de partidos de esquerda, não é difícil perceber para onde vai o voto de CCS... mas isto, claro, é só a minha opinião!

Patrick Blese disse...

Concordar consigo sobre "vir aí uma fase muito animadinha" seria aceitar que Santana Lopes teria hipóteses de voltar a lutar pela liderança do partido e do país.
Não esquecendo que para ganhar o país primeiro é necessário ganhar o partido, e eu não acredito nem numa coisa nem noutra.
Cara CCS , neste momento apenas a comunicação social dá importância à opinião de Santana, o partido, creio eu, e o país, de certeza absoluta, não lhe dão Cavaco. Cumprimentos e bem vinda ào mundo dos blogues.

paulof disse...

Sobre o Dn e a imprensa em geral:

1) A sra. enquanto jornalista pode ter opinião, agora tem, tal como os seus colegas, que separar e identificar muito bem quando faz ( e assina)colunas, de opinião, ou quando faz e produz informação. Porque fartos de opinião disfarçada de "informação" estamos nós, aquela pequena minoria que...não por acaso só compra jornais estrangeiros.

2) Para completar a ideia anterior e porque vergonhosamente a maioria dos jornalistas está anti-eticamente e anti-deontologicamente politizado deixo aqui uma nota: e se os padeiros, dentistas e etc., também começassem a "politizar" o seu trabalho: Eh pá aquele(a) cliente é do partido y ou z que eu não gramo, eh pá o gajo vai apnahr uma ( ou duas) brocada a mais e não vai perceber nada... eh, eh eh.

3) Soares queixa-se da comunicação social: eu vou-me abster e estou à vontade para opinar, mas quando a comunicação social relata ( como o fez a Sic) que a "Guarda levou em ombros Soares" extrapolando o caso dos dois militantes socialistas que o içaram a ombros, ( e não espôntaneos populares!!!) não há dúvidas de que El-rei(zinho) tem boas razões de queixa...

ccs disse...

caro patrick bleese

não acho que PSL tenha hipóteses de lutar pela liderança do partido - muito menos do país. mas prevejo, de facto, um psd "animadinho" com Cavaco em Belém, Lopes na AR e Marques Mendes, pelo meio. Só isso.

Anónimo disse...

Sou jornalista, da Prisa....