terça-feira, janeiro 31, 2006

INDEXAÇÃO

sem títulodog
O dr. Jorge Braga de Macedo, cuja perspicácia o país já pôde apreciar, disse na televisão que "a idade de reforma devia ser indexada à esperança de vida". Parece que a Suécia, um sítio historicamente habitado por anormais, resolveu assim o problema da Segurança Social. A lógica é esta. Primeiro, uma criatura tem de durar à força de água, alface e fibras, de exercício físico e de muitos médicos. A seguir, ao fim 40 anos de sofrimento como Santo Onofre, não ganha, como Santo Onofre, o Paraíso, ganha para a bem da sua alma e do aprimoramento das contas públicas, mais trabalho. Quando chega à reforma (aos 70, 75, 80?), já de todo inaproveitável e com o cérebro em papas, pode então descansar. A fazer o quê? Não se consegue imaginar.
Fora isso, que para o dr. Braga de Macedo não tem importância, há o problema da "carreira" dos velhos. Não vão com certeza ocupar indefinidamente os lugares de responsabilidade e direcção, porque perderam a força, a inteligência, a capacidade de aprender e se tornaram pouco a pouco um obstáculo ou até um risco. Suponho que o dr. Braga de Macedo não hesitaria em os despromover. Mas, por mim, não gostaria de o ver a ele, com 78 anos, gaguejante e trémulo, como encarregado de limpeza da Faculdade de Economia da Universidade Nova, onde iluminou tanto espírito com a luz do seu.
vpv

36 comentários:

Anónimo disse...

Excelente. Vasco Pulido Valente era o que faltava à blogosfera nacional. Assim até dá gosto!

Paulo Pisco disse...

Ele há "oasis" que só alguns vislumbram. Não?

josé disse...

Podia sempre tentar ser ardina!

Em lembrança do tempo em que brandia na Assembleia, o jornal estrangeiro Finantial Times ( a preço de amigo na banca do sítio), mostrando ao socialistas a cor do dito. Vi uma vez o Cavaco a rir-se, por causa da rábula...

apocaliptico disse...

Criticar caricaturando e ridicularizando é sempre receita fácil, mas não resolve muitos problemas. Mas sai o fel cá para fora, e a malta até se ri um bocado, o que, é bom de ver, não é de menosprezar.

Marco disse...

Talvez parte da solução passe pela flexibilização do horário de trabalho a partir de uma determinada idade. Por exemplo, a partir dos 60 anos reduzir o número de horas para metade.
Ou diminuir o valor das reformas, mas de maneira que o trabalhador consiga viver condignamente, de acordo com os descontos que realizou. Será preferível receber um pouco menos do que trabalhar até morrer. Claro que primeiro se deve limpar o sistema de todas as aldrabices tantas vezes noticiadas.

António Viriato disse...

Ao lado desse azougado Braga de Macedo, até o Carvalho da Silva parece pessoa moderada, sensata; sem relutância, o digo. Muito mudados andam os tempos...

Giz disse...

O discurso do Dr Macedo é-como-quem-diz: a malta anda a morrer muito tarde e com isso estão a lixar o Sistema de Segurança Social, isto-assim-não-é-vida!, das-duas-uma ou a malta começa a morrer a-horas ou vão ter que fazer uns biscates pelo tempo em excesso que cá andam neste mundo.

Não se admirem se o Dr. Macedo ainda se lembrar de criar um Quadro de Excedentários Vivos, para o excedente de pessoas vivas.

Até breve,
Giz.

Helder disse...

A mudança essencial na Suécia não assenta na idade da reforma. Se tiver interesse leia aqui:
http://www.ilo.org/public/english/protection/socsec/download/swedish.pdf
(62 paginas)
De resto, o problema da SS em Portugal é que é um Ponzi Scheme impossivel de sustentar qualquer que seja a idade da reforma.

Nuno disse...

Força Companheiro Vasco.
Há falta de links para o Público, o melhor do Público, n'O Espectro.
Não desanimes.

joe indian disse...

Na Suécia os génios suicidam-se antes dos 40 anos.

Renato disse...

Mas que rica vida de cão!...
Valha-lhe a ausência de um computador à frente...

Serafim disse...

Por uma vez diga lá como resolvia o problema das reformas em vez de estar sempre a dizer mal de tudo!

esgoto disse...

Pensando bem, o melhor é não haver reforma, essa invenção do século passado que só serve para atrapalhar as contas do Estado.E não haver este Estado de preferência.

sniper disse...

E suicidam-se depois dos 65 anos quando percebem o barrete que enfiaram. Para além do custo astronómico para se sobreviver na Suécia, os reformados deste pais têm que aguentar um clima horrendo, sem ter qualquer tipo de benefício ou desconto nas "Liquor Stores" estatais, cujos os produtos sempre ajudariam a aguentar tão triste panorama da ante-câmara da morte, ou seja a reforma. Nem na maioridade absoluta têm qualquer tipo de folga na vida. Portugal poderia no entanto dar uma ajuda preciosa a tão importante segmento etário da Suécia, tornando-se a Florida da Europa, proporcionando aos suecos e suecas, sol, boa comida e copos em abundância. Para além das inegáveis vantagens económicas para Portugal, os portugueses eram contemplados pelas naturais visitas das netas e sobrinhas dos reformados nórdicos, arejando a vista e a paisagem deste pais.

JAC disse...

Será?



Somos uma nação pobre (estéril) e castrada (infecunda) … somos um povo descaracterizado, humilhado e cobarde cujos ídolos são uns, alguns de nós, a correr atrás de uma bola num campo relvado.

http://sal-portugal.blogspot.com/
JAC - Sal de Portugal

Anónimo disse...

Isso da Florida das Suecas não é mau de todo, mas este jac a polvilhar todos os posts do mundo com o copy+paste para um blogue qualquer está a incendiar as minhas melhores sinapses, e portanto não irei responder por mim daqui para a frente.

pedro oliveira disse...

"Mas, por mim, não gostaria de o ver a ele, com 78 anos, gaguejante e trémulo, como encarregado de limpeza da Faculdade de Economia da Universidade Nova, onde iluminou tanto espírito com a luz do seu".

Tendo em conta a diferença de idades, se calhar, até gostaria...não?

Aestranha disse...

Eu não sei como é que fazem na Suécia mas há algo que sei bastante bem uma vez que já trabalhei muito em recrutamento para empresas. Esta coisa da reforma aos 65 anos (desculpem, mas à falta de nome terei mesmo que lhe chamar coisa)é, antes de mais, um engano e custa-me perceber como é que tanta gente supostamente inteligente ainda a discute. Alguém me sabe dizer quem é que arranja um emprego decente depois dos 35 anos? E um indecente depois dos 45?...Fora carreiras altamente especializadas, as pessoas tendem a ficar desempregadas (com sorte) a partir dos 40 anos de idade, uma vez que as leis de trabalho cada vez mais permitem o "pseudocontrato" e ser efectivo numa empresa é cada vez mais parecido com a instabilidade de estar a recibos verdes.

Ou seja, aumentar a idade de reforma ou ficar quietinho vai dar ao mesmo porque as despesas destas pessoas que mesmo que não se queiram reformar não terão trabalho vai cair às costas da Segurança Social à mesma... de uma forma ou de outra,porque a sopinha dos pobres e os centros de abrigo também custam muito dinheiro...
Estamos, então a discutir o quê?
Nada, absolutamente nada!E o importante, acho eu, é percebermos isto, que nos estão a dar palha e que nos dizem que é ervinha verde e que continuamos a pastar calmamente enquanto o resto do mundo passa nas nossas janelas virtuais.

Manuel Campos disse...

Ao inverter os termos do pressuposto, talvez o 'iluminado' Braga de Macedo bolçasse algo cujo ridículo não fulminasse. Teríamos, pois, a esperança de vida indexada à idade de reforma, ou seja, a esperança de viver ociosamente uns anitos, depois de muito 'esgalhar' e tentar não comprometer demasiado essa fé no futuro que se denominam 'nossos filhos'. Ou então, deitando mão à tecnologia de ponta, imaginar um cenário de vida perpétua mas devidamente conservada, sem custos adicionais a não ser uns litritos de soro renováveis com periodicidade anual. Isto é, o dr. Braga possuiria vida ilimitada e jamais seria reformado. Vantagem dupla: o VPV não assistiria a imagens obscenas e deprimentes, nem os contribuintes teriam de se ralar com a principesca reforma a atribuir ao Dr. Braga.

Adriano Volframista disse...

Nem pareçe seu.
Será que se esqueçeu que a idade original da reforma estava indexada à esperança de vida?
65 anos como idade de reforma significava cinco de "descanso"; na década de 60 do século passado, a esperança mais avançada estava nos 68/70 anos para os homens e um pouco mais para as mulheres.
Meteram-se num sarilho quando alongaram a esperança de vida, quase que quadroplicando o número de anos de "descanso".

Sosseguemo-nos todos porque com a redefinição do conceito de vida, nos próximos dez anos teremos a eutanásia instituída, permitindo que os entes queridos "partam" assim que alcançem a demência necessária.

A Holanda, como sempre vai liderar, mas creio que a Suécia vai legislar. Ou não se recorda onde o "cidadão" A. Hitler e Associados forma beber e estudar, as experiências eugénicas? Sabe e ao contrário do que se possa pensar, anda,(por aí)muita ideia em muita gente a fervilhar sobre este tema.

Visto deste modo, o cidadão Braga de Macedo, (reparou que re emergiu??? ou será que saiu do sono catatónico?)até é um grande humanista.

Cumprimentos
Adriano Volframista

Anónimo disse...

Há uns anos o Doutor Braga de Macedo, em plenas funções ministeriais, reduziu os benefícios fiscais alegando que as pessoas estavam a abusar das possiblidades. Agora surge com uma receita semelhante para a Segurança Social...
Fernando

Robespierre disse...

Brilhante, as usual!!!

Éme disse...

Ui, que delícia!

TAF disse...

A família ataca forte! ;-)

diogenes disse...

É sempre mais fácil pôr os filhos dos outros a trabalhar como escravos para nós, e obrigá-los a suportar os desmandos das gerações dos pais e avós.

diogenes

rb disse...

Mas como é que se resolve o problema da (in)sustentabilidade, a médio prazo, do sistema da segurança social? Essa é que é a questão que importa discutir e buscar soluções. Gostava assim de ver VPV, cujas crónicas de última página no Público venno apreciando com deleite, se pronunciar sobre as questões pela positiva. O problema existe. Como resolvê-lo? A maldicência é moda mas nada resolve ...

Anónimo disse...

Cada vez que se ouve o sr. Braga de Macedo tem-se calafrios. O Sr. parece um fóssil, daqueles muito esquisitos que ninguém percebe como não foram destruídos pelo tempo. Que a televisão recorra ao armário dos horrores para mostrar 'caras novas', para dar ideia de não serem sempre os mesmos, ainda é mais desmoralizante.
É caso para dizer: 'e viva o Carvalho da Silva' - ao menos esse dá cartas a muitos 'doutores de nascença'.

Pedro disse...

Eu n li o artigo, mas a indexacäo da idade miníma da reforma à esperanca média de vida faz todo o sentido. Näo decorre daí que se despromova ou sequer que a pessoa se reforme de facto. Mesmo depois da atingida a idade da reforma, nada deve impedir que se continue a trabalhar... deve ser sempre uma escolha. O que é incompreensivel é que se pague reforma a pessoas de 60 anos com capacidade para trabalhar... o que é incompreensivel é que a funcäo pública tenha um regime diferente do resto dos comuns mortais... O que é incompreensivel é que se pague täo pouco aos reformados... e por fim, o que é incompreensivel é que näo se faca nada para corrigir tudo isto! O VPV pode n perdoar, e até pode ser muito inteligente, mas considerar o trabalho como sofrimento parece-me demasiado parecido com uma espécie de complexo católico, em que o trabalho é um castigo, em vez de uma actividade que muitas pessoas apreciam.

J.A. disse...

Isto é o que se chama, na metodologia da ciência, um "argumento fraco": "se as pessoas não podem ser despromovidas, então mantenha-se o Estado Providência tal como está."

Mas porque é que as pessoas não hão-de poder ser despromovidas? Ou, porque é que não hão-de poder continuar a ocupar os mesmos postos durante mais tempo?

J.B.Macedo pode provocar calafrios, mas isso não significa que, por sistema, tudo o que diz tenha que ser asneira. A isso chama-se preconceito - ou pior.

Anónimo disse...

A ideia de Borges Macedo vem na linha da expressa pelo Dr. Cavaco Silva quando há algum tempo atrás defendeu que, para resolver o problema da Função Pública, era preciso que os funcionários morressem (quanto mais depressa melhor!) .

paulof disse...

pois, curiosamente e ao contrário do seu saudoso pai, um português de cepa,cujos textos límpidos e originais sobre diversos assuntos como que dimanavam luz, este Braga de Macedo e suas discutiveis opiniões valem pouco: veja-se que aqui, e como o reconhecem os especialistas, o problema não está nos velhos, está isso sim é nos novos, que nascem cada vez menos, comprometendo assim a sustentabilidade e renovação geracionais.

Anónimo disse...

É uma das soluções que se aplicam no nosso país para levar a cabo as reformas,...esperar que as pessoas morram: espera-se que morram os funcionários públicos, espera-se que morram os agricultores,espera-se que morram os pescadores,espera-se que morram os mineiros etc... etc..Só não se aplica aos políticos...A verdade é que "a la longue" até o país estará (se não estiver já...)morto!

xatoo disse...

este Braga de Macedo não é aquele que representa em Portugal o Grupo Bilderberg?

port_170 disse...

Quer dizer que na Segurança social do futuro ou o pai morre ou a gente não almoça?

José Ferreira disse...

Neste momento, só espero que a Segurança Social tenha dinheiro para pagar, à minha mulher, o subsídio de funeral.
Não é pedir muito, ou é ?

Aestranha disse...

Claro que é! Tenha decoro e vergonha na cara! Faça um favor a todos e morra num incêndio que a coisa fica mais baratinha!!!