terça-feira, janeiro 31, 2006

COTERIES

Anda por aí uma polémica a propósito das coteries e dos amiguismos no fascinante mundo da crítica literária. A coisa começou com o João Pedro George meteu o Pacheco Pereira, passou pelo Eduardo Pitta, foi parar ao Pedro Mexia e aterrou finalmente no José Mário Silva, o bode expiatório do momento, apanhado a escrever, no DN, um texto sobre um livrinho de um colega e amigo. O texto, diga-se de passagem, é um texto que não se recomenda: em poucas linhas, rasa ao de leve a crítica, sem favorecer o amigo, nem elogiar o livrinho. Não sei o que lhe disse o colega e amigo, mas eu sei o que lhe diria: a velha frase portuguesa: “Eh pá, mais valia estares quieto!”. Claro que a questão é de fundo, como, aliás, são sempre todas as questões insolúveis. Mas, sem querer desfazer nos princípios e nos cíclicos gritos de alerta, com que Pacheco Pereira nos brinda, custa-me perceber como é que um ser sociável, com uma vida profissional preenchida, consegue trabalhar, em Portugal, sem tropeçar num amigo ou mesmo num conhecido que, ao fim de dois almoços, se transforma num velho amigo. O país é curto, o terreno é minado e os almoços, essa instituição centenária, são pródigos em cumplicidades e terminam invariavelmente num ameno e inevitável convívio. Não há nada que um almoço não explique: os belos propósitos que animam as iniciativas falhadas, os interesses mesquinhos que ameaçam qualquer iniciativa, as dificuldades inerentes ao cargo ou as contingências que determinaram a obra. No fundo, somos todos uns gajos porreiros, muito mais simpáticos do que parecíamos. Tudo é desculpável, tudo é compreensível. E em tudo se pode dar um jeitinho. Não é, impunemente, que vivemos em Portugal.
(Nomes devidamente emendados)
ccs

44 comentários:

Anónimo disse...

Tu não tens nada melhor a fazer, ó Constança?

As pessoas neste blog estão perdidas.

Liguem as vossas funções cerebrais.
Este blog é perigoso.

A irmã de Constança Cunha e Sá

P.S:
Quem ter problemas destes tem boa vida.

André Azevedo Alves disse...

Creio que o visado e' o Jose Mario Silva e nao o Luis Rainha.

josé disse...

Pelo contrário! Este problema é dos mais sérios, em Portugal.
O fenómeno "amiguista", espalha-se como nódoa de azeite em pano de estopa.

Todos os fenómenos relevantes dos últimos anos, em Portugal, na cena política e não só, podem obter uma explicação à luz desse complexo efeito.

Os partidos e como se formaram. Os clubes secretos e quem os frequenta. Até determinados processos em tribunais, e o destinoo dos mesmos podem obter alguma explicação a essa luz.

Elencar todos esses fenómenos, rastreando-lhes toda a fenomenologia, seria tarefa ciclópica, porém, extremamente útil.
De resto, quem acaba por fazer o trabalho, com todas as deficiências da diletância acabam depois por serem os cultores das teorias da conspiração.

COm o prejuizo que se conhece e as cabalas que se imaginam.

josé disse...

"ser"...ou não "serem": eis a questão.

Anónimo disse...

Quem escreveu a nota crítica "amiguista" foi o José Mário Silva e não o Raínha.
Leitor Amigo

xatoo disse...

,,,é só para lembrar que o rapaz se chama João Pedro George. É que se nem no nome do homem conseguem acertar, se calhar nem vale a pena ler o resto,,,

ccs disse...

Obrigada pelas retificações. é o que dá fazer dois links por post

ccs disse...

é o que dá fazer MAIS do que dois links por post

c. disse...

Emende também o link para o esplanar.

c. disse...

E já agora: alguma vez se viu confrontada com a possibilidade ou necessidade de fazer uma entrevista política um seu amigo pessoa? Recusou-a? E escrever ou editar uma notícia?

Davide Estêvão Figueiredo disse...

Eu gosto de coteries de porc ao champignon!

Anónimo disse...

a revolução amiguista.

escritaiberica.weblog.com.pt

fep

Mário disse...

O problema não é a amizade em si. Por um lado há a dificuldade em emitir opiniões honestas sem que o outro leve a mal e mude a sua atitude para connosco (o que é sempre incómodo e por regra procuramos evitar esses incómodos), e por outro temos a questão da "troca de galhardetes" puramente "interesseira" com variados graus de "gravidade". Sobre esses assuntos o melhor é ser honesto e não perder o sono, porque acusações vão sempre existir, mesmo quando não tenham razão nenhuma.

Basófias disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.
Anónimo disse...

“A nossa vida com mais ou menos dificuldades, mas de gente livre, sem medos, sem preconceitos, é a que vai derrotar o fanatismo da Esquerda e dos seus Amigos Terroristas” – Quitéria Barbuda in “O Paraíso é incompatível com a Esquerda”, Revista “Espírito”, nº 9, 2005.


www.riapa.pt.to

Cavalo Marinho disse...

CCS:
Concordo inteiramente consigo.
Portugal transformou-se no atoleiro que se conhece devido ao favorecimento, ao amiguismo, à cunha, ao compadrio, ao favor, à corrupção ... que minam toda a sociedade, de alto a baixo, à esquerda e à direita e sobretudo ao centro.

Cavalo Marinho disse...

CCS:
Concordo inteiramente consigo.
Portugal transformou-se no atoleiro que se conhece devido ao favorecimento, ao amiguismo, à cunha, ao compadrio, ao favor, à corrupção ... que minam toda a sociedade, de alto a baixo, à esquerda e à direita e sobretudo ao centro.

ccs disse...

Boa pergunta c. E não vou deixar de lhe responder. Tenho "um caso" na minha vida profissional. Chama-se Paulo Portas. Trabalhei com ele n'O Independente. Ficámos amigos, embora eu discorde de muitas das posições que ele tem tomado na política e ele esteja em desacordo com muito do que eu escrevo nos jornais. Depois disso, já tive ocasião de o entrevistar. Mas não lhe fiz a "desfeita" de o privilegiar. Antes pelo contrário, como se intitulava a coluna que ele escrevia n' O Independente.

Javali Conjuntivo disse...

Bem, os italianos não se preocupam nada com isto, e até transformaram o seu estilo de vida em atracção turística. Talvez devêssemos instituir as nossas trafulhices ao ponto de se converterem numa nova dinâmica, produtiva e excelente.

Javali Conjuntivo disse...

E já agora, se me permitem a opinião (técnica), os títulos dos posts em maiúscula não ficam assim tão bem como isso, sobretudo nos "outros espectros"

Anónimo disse...

Quem nunca cruzou um com outro, quem não conhecia Pound a falar de Eliot, Pessoa a falar de Sá Carneiro, que atire a primeira pedra ao charco deste Portugal mesquinho que nestas tristes polémicas se alimenta. Rui Coias

Anónimo disse...

Mas porquê "Portugal mesquinho"? Pode ser mesquinho, mas porquê "Portugal"? Acha que só há disso aqui?

Anónimo disse...

isso de chamar "livrinho de um colega"...

ccs disse...

Alguns esclarecimentos, apenas, tendo em conta alguns comentários.

1. Livrinho é força de expressão. não conheço o livro em causa. mas não é a crítica que li que me leva querer conhecê-lo.

2. ao contrário do que tem sido dito não me parece que seja ilegítimo escrever-se sobre um amigo

3. Pior que isso são as cumplicidades disfarçadas, os interesses obscuros e o favorecimento interessado. na crítica literária, na política, no jornalismo etc

4. não há só em portugal. mas há muito em Portugal. pq o país é pequeno, a sobrevivência difícil e as alternativas quase inexistentes.

Javali Conjuntivo disse...

concordo inteiramente consigo nestes pontos, CCS.

Não entendo porque se eleva a crime escrever umas linhas sobre um livro de um amigo. Pelo menos, como acaba de dizer, o interesse é manifesto, ao contrário de muita coisa que se escreve sabe-se lá com que propósito (oh, quanta!)

fep disse...

este caso prova como são baixos os assuntos sobre os quais nos debruçamos.

Anónimo disse...

O trinta-e-um que para aqui vai por causa de toupeiras e respectivos santuários mostra (se necessário fosse) que o tema é delicado para muitos. Portugal país pequeno, logo tudo é permitido. A culpa é da geografia. Que culpa têm os leitores se Portugal é uma pequena redacção de jornal onde todos dizem bem uns dos outros e, ainda por cima, recebem bagaço, são pagos. Constança, não se esqueça deste pormenor: trata-se de amigos que trabalham no mesmo sítio. E os livros e escritores que nunca têm direito a espaço nos jornais? Podem legitimamente depreender que afinal não se trata de falta de mérito. Comos distinguir então o mérito e os deveres do companheirismo? Além disso, um jornal deve ter como primeira obrigação os leitores, apresentar-lhes uma coisa isenta, minimamente objectiva e imparcial. O que isto também revela é uma incrível falta de profissionalismo do próprio DN e dos seus jornalistas, incluindo os que escrevem na secção de livros.

zazie disse...

Constança,

O que eu digo é que não entendo a facilidade com que se toma partido contra quem denuncia em prol da diluição das águas. Porque acho salutar que até nestas pequenas coisas haja quem arrisque ser antipático e diga o que tem a dizer. O que estamos fartos é de lamentações. È fácil dizer-se que o meio é assim e assado e que "tos" fazem e mais bláblá mas pouca gente tem coragem para objectivar uam crítica. Para dizer: este fez isto e pronto. O este tem nome e o que não se gosta é que se digam nomes. Porque é "chato" até parece snobismo de quem está acima de qualquer pecado.

Pois que pareça! pois que seja. Porque o ´"antipático" que se atreve a concretizar uma crítica de forma tão frontal está automaticamente a submeter-se a maior vigilância. E a auto-vigilância é a melhor forma para não nos desculparmos a nós próprios.

Gostei da posição do JPG e nem me interessa mais nada. Nem me importa o que possa ou não possa haver "escondido". Não me interessam psicanálises de actos corajosos. Há-de sobrar mais para ele. E ainda bem. Por ele e por todos nós. Pena que atitudes destas sejam mais criticadas que os pequenos pecados com que tanto nos lamuriamos.

zazie disse...

E não concordo com a Constança neste caso.

Acho que se pode perfeitamente promover um amigo. Para isso existem os prefacios, as notas de lançamento, as mil e uma cenas sociais. O que não se deve fazer é misturar as águas. Fazer que critica quando promove e nem promover como deve ser nem criticar de forma livre. É o velho gosto de uma no cravo e outra na ferradura.
A nossa crítica está cheia desses "amigos da onça" Não se comprometem nem se descomprometem.
Atiram para os dois lados e são agradecidos por tudo e o seu contrário.

Depois há a questão profissional. Não me imagino que se justifique a remuneração numa coisa que é amizade do mesmo modo que o inverso.
Além do mais não me venhma dizer que não ha´alternativas e que não podia sair crítica de desconhecido porque só estava à mão o amigo e colega de trabalho.

Que se critique um amigo tudo bem. Mas isso é na intimidade. Nunca é para vender publicamente. E o que é para o público nunca devia ser misturado com outras coisas.

zazie disse...

peço desculpa pelas gralhas. Devia ter revisto mas agora não vou apagar os comentários.

zazie disse...

Creio que li mal a CCS. è claro que concordo com ela. E é claro que se pode escrever sobre um amigo. Importa é saber em que condições.

Muitas vezes os melhores textos que um crítico é capaz de fazer são até sobre os que muito admira.

Mas neste caso há distanciamento, não é para dar uma no cravo e outra na ferradura em trabalho de encomenda pago pelo mesmo patrão onde trabalham juntos e vendido como "crítica" literária.

zazie disse...

Do mesmo modo que fazer uma crítica a este comportamento (como a fez o JPG de forma tão clara e precisa) não obriga a desconsideração automaticamente dos aspectos literários que possam estar em questão. De nenhum deles. Foi apenas a atitude, não foi a obra nem a pessoa.

Samurai disse...

E o que é que a Constança tem a ver com isso!?
Uma certa leviandade tem de certeza, cinismo também. Assina prosa nestes moldes porque tem as costas quentes. Deve ser a voz do bagaço, aviva-lhe o espírito mesquinho.

Pedro disse...

O seu nome foi citado na discussão!? Tem alguma coisa a haver!? Acha que estas discussões ainda são para a sua idade!? Arme-se em Robin-Hood das boas maneiras e da ética e fica escrava do que diz. Qualquer dia escorrega, é o que acontece a quem mete o bedelho onde não é chamado. Foi infeliz neste comentário, enfim, com o evoluir dos tempos desmistificam-se crenças.

Anónimo disse...

E continuaaaaa!!!RCoias

Sérgio Aires disse...

Foi por estas e por outras que eu deixei de almoçar.

Anónimo disse...

Olhe lá, ó Pedro Lobo: então o senhor vem para aqui sem saber ler nem escrever?
Ler não soube. Está visto.
Escrever também não:

..."Tem alguma coisa a haver!?...

A HAVER?!?!?

Já não bastam os jornalistas de tlv feitos à pressa sempre a bombardearem-nos com a expressão.
Não, Pedro Lobo, aprenda de 1 vez por todas:

-Tem alguma coisa A VER !...

Agora todos escorregam para o léxico dos contabilistas, isto é que é uma coisa!

Unreconstructed disse...

O post tem muito mais graça do que a suposta questão a que se refere; pena as duas vírgulas da última frase, antes e depois de "impunemente", que estão a mais.

Repórter Global disse...

A minha observação é a seguinte, com amigos destes prefiro a solidão. E que os criticos ignorem quem trabalha e quem realmente tenta, no minimo, fazer alguma coisa pela arte e pela expressão artistica em Portugal e passem o seu tempo em discusões e argumentações de lana caprina como diria o poeta pastor reflete sem qualquer espécie de duvida o estado da nação e o estado das mentalidades, o resultado claro e evidente é que com os vossos egos ninguem pode e terão que ser as gerações futuras a fazer a verdadeira analise e critica aos trabalhos realizados no presente no nosso cantinho.

Pedro disse...

Não reconheço autoridade a anónimos, só cobardia.

Pedro disse...

Para mais, o "erro" tem uma razão de ser para lá da compreensão do Senhor Cobardolas

ANÓNIMO.

CHIKEN.

MC FLY.

NERD.

Você deve ser daqueles que passa a vida nos blogs a comentar os erros dos outros, depois faz um estardalhaço como aquele que acabou de fazer. São agradáveis esses extraordinários trabalhos de campo,vê-se que é um homem indignado com a vida.Um pobrezito, tão infeliz que nem consegue dar a cara, mariquinhas.

Guilherme Madureira disse...

mas que conversette. a questão levantada por George poderia ser interessante caso não tivesse errado de alvo. o suplemento em questão onde o bombo da festa Silva publicou umas patacoadas sobre um Nuno qualquer tem um editor e um conselho editorial que integra o blogger, crítico, poeta, sei lá quê mais, Pedro Mexia. George pode e deve agitar as massas, pode e deve estranhar e falar sobre as capelinhas queridas, doces capelinhas portuguesas. Não pode é começar a falar por baixo sem falar do que está por cima. Costuma dizer-se nestes casos: por cima é só folhos mas por baixo nem fraldas tem. Era por aqui que George deveria ter começado a zurzir. Não foi capaz. Mostrou-se mesmo incapaz. Que pena! Há ainda outro aspecto formal nesta questão: o desejo de pureza, de mãos limpas, conduz-nos onde? se começarem a falar das coisas sem enfiar a cabeça na areia de ai que país o nosso, temos o país que merecemos, este é o nosso destino... bom. talvez fosse, ainda assim mais produtivo. mas há uma vontade de nadar à superfície perturbante. uma vontade de não mergulhar fundo desanimadora. vencida. bisonha que faz com que quem esteja de fora se ponha a pensar: que raio de inteligência é a nossa que do marasmo não sai? que raio de universidade a nossa que dá à luz almas penadas que nos fazem dar aos penantes. arre burros!

Arrebenta disse...

http://braganza-mothers.blogspot.com/

Diário da "mulher-alibi"

Pacheco Pereira, um dos rastejantes da nossa cena política, pilar do sistema, e exemplo de como se pode subir rápido
(da Gare Maoísta à Gare Neo-Liberal-Conservadora, em bilhete de primeira, se faz favor),
resolveu ganhar dinheiro a publicar os textos do "Abrupto", uma espécie de sótão poeirento e desactualizado do imaginário de uma tia velha desactivada, e com barbas, ainda por cima.

Esse é o papel da "Mulher-Alibi", figura da Sociologia, indispensável para o funcionamento do Sistema: ela espumeja, ela finge que se indigna, ela ataca, ela recua, ela geme e freme, ela varia de alvos, mas, no fim, alinha sempre pela mão de quem lhe paga, e que realmente sempre serviu. É no seu discurso e na sua atmosférica variação fisionómica, que se faz o grosso da catarse do tecido social, "que bem que falou", "gosto muito de ouvi-lo", "sabe sempre dizer quando as coisas estão bem, e quando estão mal"...

Uma das características da mulher-alibi é a ubiquidade: ela tem o dom de estar sempre em todo o lado e em todo o instante em que se possa levantar alguma fervura.

Obviamente, Pacheco Perereira não é a Marcela-quer-morcela, a Mãe das Mães-Alibi, ou a "Desesperada", por antonomásia, com dons de mentira e retórica maquiavelicamente sofisticados. Berços diferentes: uma, filha do Ministro da Propaganda do Antigo Regime, a outra... não. Mas, no fim, o teclado termina sempre na mesma cadência, embora, pelos entremeios, se tenham esvaziado todas as tensões do Público, que, realmente, poderiam conduzir a qualquer mudança.
Elas são as gestoras do Pântano, e o Pântano continua a pagar-lhes regiamente pelo seu papel.

Anónimo disse...

O George é filho do outro George, do Instituto de Medicina Legal do Porto, por sua vez, irmão do Pinto da Costa?...