quinta-feira, janeiro 26, 2006

Cavaco Silva e a direita (I)

"Com o bloco central a mandar, não há dúvida de que a direita tem espaço para crescer”, Eduardo Nogueira Pinto, O Acidental

Este é precisamente um dos pontos onde divergimos. A eleição de Cavaco Silva, o entendimento com Sócrates, o desprezo pela ideologia, o bloco central, enfim, não garante, à direita, esse espaço mítico de crescimento. Há anos que a direita se conforma com o presente, na desesperada esperança de poder ganhar o futuro. Com mais ou menos optimismo. Com mais ou menos sensatez. Para a direita, é apenas uma questão de tempo. Segundo ENP, "a direita é minoritária (mas está certa): o seu objectivo, para já, deve ser crescer”. Nem o marxismo, de saudosa memória, tinha tanta fé no progresso da história. O problema, no entanto, vem do passado: há anos que a direita tem como objectivo crescer. Sem o conseguir. Nos tempos do cavaquismo que, agora, em certa medida, regressam, a direita foi reduzida à sua mais elementar expressão. Como ENP reconhece, "a direita gosta de ganhar dinheiro". Perante os favores do cavaquismo, afundou-se literalmente: com o liberalismo de Lucas Pires, o conservadorismo de Adriano Moreira e, finalmente, e já em desespero, com o “centrismo” de Freitas do Amaral. Três anos de governo, entre o PP de Paulo Portas e o PSD de Durão Barroso e de Pedro Santana Lopes, mostraram até que ponto a direita pode “estar certa”. Pensar, agora, que vai renascer das cinzas, à custa da coabitação institucional, é não perceber que essa coabitação é apenas uma forma de garantir o “desenvolvimento”, à revelia das subtilezas da ideologia. Se o “desenvolvimento” falhar, termina a coabitação e Cavaco Silva transforma-se no polo de qualquer alternativa. Como sempre, resta à direita segui-lo. Ou ficar sozinha perante o eventual sucesso deste bloco central que tão prometedor lhe parecia.
ccs

7 comentários:

paulof disse...

Cara ccs, lamento, mas mais uma vez nos brinda com um post cheio de banalidades, lugares-comuns s citações de banalidades, como a do filho do Jaime Nogueira Pinto a dizer que " a direita gosta de ganhar dinheiro", como se as pessoas (e os regimes de esquerda) também não gostassem de ganhar dinheiro...

Mas enfim, compreendo, é o que dá ler B. Russel e afins, (passando pela enxurrada de porcaria hoje editada e comercializada ,pese o seu bom grafismo e sobretudo a sua boa publicidade), sem o necessário espírito ( e contexto espacial ) crítico...

Cavalo Marinho disse...

A Constança ainda está mais pessimista do que eu!

ccs disse...

caro palof
não lamente! basta abster-se de banalidades. deixar de frequentar o lugar comum. e procurar outras paragens. dê à sola. vá para casa. leia um livro. faça terapia. desanuvie o espírito. e não se incomode mais. nem me icomode mais a mim.

p.s. com que então o filho dO jaime nogueira pinto? não tem nome, o filho? existe só em função do pai? que lugar comum tão batido!!!

p.s. e, já agora, deixe-me que lhe diga, v. não percebeu o que disse o Eduardo Nogueira Pinto. acha que alguém acha que a esquerda, ou o centro, ou o que quer que seja não gosta de ganhar dinheiro? Tenha juízo.

migas (miguel araújo) disse...

caríssima ccs
tenho, desta vez, de concordar consigo. Não é que custe alguma coisa ou que deixe de custar. Isso são as tais banalidades.
Embora centrista (não é do centro, é mesmo centrista de cds.pp) e tenha feito parte dos 50.60% que elegeram o Prof. Cavaco Silva, não acho que a direita tenha ganho as eleições.
Cavaco Silva foi o vencedor. E a ele mesmo se deve premiar.
Acho que o PS foi, claramente, mais vencedor que a direita.
Como escrevi no meu espaço, o PS ganha mais tendo Cavaco Silva como presidente do que o PSD e o 'meu' CDS em tê-lo elegido.
Ganah estabelidade, 'now-how' governativo com a sua experiência (goste-se ou não) e consegue (penso que propositadamente) afastar a sombra política incomodativa de Mário Soares. Como não há bela sem senão e no melhor pano cai a nódoa, ficou a batata quente da digestão eleitoral do resultado de Manuel Alegre.
Cumprimentos

Rui Pedro disse...

Parece-me que o PP sai novamente enfraquecido deste acto eleitoral. Ao demitir-se de defender os seus pontos de vista para a sociedade e economia portuguesas, alimenta a ideia da sua presença política ser simplesmente espúria, motivada apenas em conseguir umas migalhinhas nalgumas disputas eleitorais. Ora isso há-de ser mau para o partido e para a nossa sociedade, por ficar menos claro ao eleitorado os caminhos alternativos com que somos confrontados.

Vi o José Pacheco Pereira no Prós e Contras há duas semanas a fazer um garboso discurso de direita. Que baforada de ar fresco! Defendia a Segurança Social minimalista, reforçada com os planos de reforma subscritos pelos cidadãos ao longo da sua vida activa. Até parecia um ET. Claro que não havia nenhum candidato presidencial a defender esses pontos de vista. Cavaco Silva pôde encostar-se à esquerda, numa "cooperação estratégica" com o seu eleitorado social-democrata.

Não percebo como dignifica o PP o apoio a um candidato que não defende os seus pontos de vista. Numa segunda volta, logo haveria tempo para dar apoio à candidatura de Cavaco. Aliás Cavaco Silva sempre desprezou o PP, e suponho que agora não deve ser diferente.

Ricardo Francisco disse...

Cara CCS,

Foi com espanto que li este post.

A verdade é que tanto Sócrates como Cavaco têm ideologia. De Cavaco estou seguro que a tem. Ambos têm uma qualidade fundamental na política portuguesa. O pragmatismo e a inteligência emocional necessária para perceber o que é que os eleitores querem e como prometer os seus objectivos sem se comprometerem com meios concretos.

Não. Não acho que este método seja saudável nem um bom sintoma em uma democracia. Mas que funciona, funciona.

Que ideologia? Inferindo pelas políticas de Sócrates e pelo conhecimento da abordagem à política de Cavaco, digo que ambos são liberais moderados...liberais com preocupações sociais à la "RAwls".

Rui Castro disse...

Meus caros,
É cada vez mais falacioso falar de esquerda e de direita que não seja pela pura piada da discussão ideológica. A verdade é que, como se tem assistido nos últimos anos, as diferenças entre alguma esquerda (ps) e alguma direita (psd) são quase nulas. Basta ver quais as diferenças entre os dois últimos governos para perceber que se trata tudo da mesma coisa. Numa altura em que as decisões estruturais e reformadoras se encontram fortemente condicionadas pela nossa integração europeia, só interessa (numa perspectiva prática, porque em termos teóricos podemos discutir sempre tudo)distinguir esquerda de direita ao nível dos valores. Até porque, os partidos que se podem considerar verdadeiramente de esquerda (be e pcp) e de direita (cds) só serão intervenientes principais da nossa política no âmbito de uma coligação com os 2 maiores partidos. E nessa altura, a noção de esquerda e de direita deixará de fazer sentido, pois as suas posições terão que ser harmonizadas em função do maior partido da coligação. Acreditar que o cds ou o be e pcp podem sozinhos chegar ao poder é pura fantasia, como já se percebeu. Temos um sistema fortemente bipolarizado, o qual muito dificilmente se alterará.