segunda-feira, janeiro 23, 2006

Breve balanço eleitoral

Como já é tarde para grandes reflexões, limito-me a deixar aqui algumas notas avulsas que, mais tarde, desenvolverei.

1. Cavaco Silva foi o grande vencedor da noite. Pouco importa se ganhou por poucas décimas ou se o seu resultado não correspondeu às sondagens iniciais. Ganhou à primeira volta, contra quatro candidatos de esquerda que tinham como único objectivo obrigá-lo a uma segunda volta. É uma vitória mais do que suficiente.
2. Mário Soares foi o grande derrotado da noite. Em política, não há derrotas "injustas". Mas há derrotados que resistem à sua própria derrota. Pode haver equívocos, aventuras desnecessárias, erros estratégicos, mas um político, como Mário Soares, nunca deixa de fazer política. E um político,como Mário Soares, é, hoje, uma raridade política.
3. Manuel Alegre ganhou a noite com o seu ambicionado segundo lugar. Mas não ganhou mais do que isso. Já houve, em Portugal, muita "cidadania" que morreu ao virar da esquina. E Manuel Alegre foi o "candidato da cidadania" apenas porque não foi escolhido pelo partido. Presume-se que vá continuar no partido. Com mais ou menos sarilhos. Com mais ou menos "cidadania".
4. Francisco Louçã foi outro dos grandes derrotados da noite. Ficou em último lugar, não teve mais votos do que o Bloco de Esquerda (ele, que era a "mais valia" do partido) e é a segunda derrota que sofre nos últimos meses. É o problema das "novidades". Cansam, ao fim de algum tempo. E esgotam rapidamente o seu prazo de validade.
5. Jerónimo de Sousa não estancou só a queda do PCP: de eleição para a eleição, tem feito o partido subir de forma inesperada e constante. A desarmante "autenticidade" da ortodoxia comunista rende eleitoralmente. O "bloco central", que se anuncia, anuncia-lhe, a ele, um futuro prometedor.
6. Marques Mendes ganhou, apenas, na medida em que o seu canditado ganhou. Reapareceu ontem, com as bandeiras do PSD e o secretário-geral do partido a "abrir" as comemorações. Sinal dos tempos e das dificuldades que o esperam. A cooperação institucional entre Sócrates e Cavaco não facilita a tarefa do maior partido da oposição. Como já disse Pacheco Pereira e António Borges repetiu, Marques Mendes vai ter tempo para reorganizar o partido e para reformar as suas debilitadas estruturas. Vai ter tempo de menos, tudo indica. E engulhos mais do que suficientes.
7. Finalmente, Sócrates, essa incógnita que por aí anda, umas vezes, ao lado dos vencedores, outras, no rol dos principais derrotados. Mas, por muito patrióticos que sejam os primeiros encontros entre o primeiro-ministro e o novo Presidente da República, Sócrates, a prazo, está condenado, como estão todos os primeiros-ministros, em Portugal, a braços com um "monstro" que não controlam e uma "crise" que os devora. Cavaco Silva, o homem que se comprometeu a acabar com o desemprego e a tirar o país da cauda da Europa, dificilmente cooperará com um Governo que não se mostre à altura das expectativas que ele próprio criou.
8. A direita que se desengane se acha que ganhou com a vitória de Cavaco. A vitória é de Cavaco e Cavaco não é de direita, nem nunca se notabilizou por deixar espaço à direita. Não é preciso ir muito longe: basta ver o que aconteceu nestas presidenciais.
ccs

40 comentários:

Musicologo disse...

O voto em branco é um protesto, uma indecisão, uma maneira de demonstrar que não se pretende alguém que esteja naquele boletim. Ao não serem contabilizados oficialmente, os votos em brancos permitiram uma vitória de Aníbal à primeira. Isto é no mínimo estranho, tendo em conta que somando os votos todos, Aníbal não teve o apoio de metade dos que realmente se deslocaram às urnas para votar. Portanto só há uma conclusão a tirar: há no nosso regulamento eleitoral uma clara deturpação hermenêutica do significado de um voto e, do que apoiar efectivamente alguém quer dizer. Por mim o voto em branco é para ser respeitado e, para servir de punição efectiva. Neste caso, numa legislativa, determinado número de votos em branco elegeriam um deputado fantasma (pagar-se-iam salários a menos e poderiam causar interferência: num hemiciclo com número par, um deputado fantasma, serviria logo para desempatar). Numa presidencial, neste caso obrigariam a segunda volta. No insólito caso, de o voto em branco ser segundo lugar levaria a uma segunda volta de alguém sozinho contra um fantasma. E nessa segunda volta um voto em branco a ganhar ao candidato único, ou mesmo um voto em branco maioritário à primeira, mostraria a vitória de alguém que não queremos. Ou seja, queda do estado. Novas eleições todas do princípio até o povo decidir que efectivamente quer apoiar alguém.

Manuel Campos disse...

Cavaco Silva foi somente, mas não o grande, vencedor. E não contra quatro candidatos de esquerda, mas sim contra um anémico PS, que lhe estendeu a passadeira ao produzir uma medíocre campanha eleitoral. Tornou-se claro que a escolha de Soares foi um erro político, na estrita acepção das eleições presidenciais. Isso mesmo sublinhou Sócrates, que desvinculou a orgânica interna do partido ao resultado destas eleições, justificando o que um muito embaraçado comentador do PS na TVI teve dificuldade em articular.
Preferia não particularizar derrotados. Concordo que Louçã se quedou muito abaixo, até mesmo das menos optimistas projecções. Porém, no conjunto, perdeu a esquerda. E perdeu-se, como há muito se percebeu, uma certa forma de 'fazer política', aquela que nos animou justamente para cima de uma dezena de anos, até Cavaco subjugá-la ao conceito de 'competência'. Isto, nos idos da sua primeira maioria. Cavaco, de facto, não alterou o discurso. E por isso, em dois momentos de crise, que distam perto de vinte anos, a vitória lhe sorriu. Veremos como Cavaco conseguirá gerir essa face de homem competente e impoluto.
Mas se a esquerda foi derrotada, foi-no, igualmente, como MST certeiramente afirmou, pela abstenção. É minha convicção que a direita se mobilizou, numa espécie de filme ao avesso das eleições disputadas entre Soares e Freitas do Amaral. Mais 2% de votantes e teríamos uma segunda volta, seguramente.
'A direita que se desengane...'. A questão de saber se Cavaco é personalidade de direita é pouco relevante (pessoalmente penso que o seja), no que ao desengano toca. Restará afirmar que a euforia muito contida de Ribeiro e Castro lhe pode saír bem cara, como saiu a Paulo Portas há menos de um (a comparação com os trotsquistas do BE entraram no rol das mais infelizes declarações políticas alguma vez produzidas). O mesmo se aplica a Marques Mendes. Porque, se o tempo para reorganização do partido corre a seu favor, restará saber se Cavaco lhe concede 'espaço de oposição', ou se, a coberto dessa função, cumpre um mandato de tensão quanto baste para desgastar Sócrates e o PS. Imagino que a hipotética dissolução do parlamento é mesmo académica...

AV1 disse...

Corrigenda:
Louçã ficou em penúltimo lugar.
Garcia pereira teve poucos votos mas ainda conta, pelo menos mais do que CCS.
'Tá a ver...

luís disse...

Que feio, Constança, ignorou totalmente o Garcia Pereira. Que diabo, o homem existe, e candidatou-se.

Anónimo disse...

"novidade" é este blog, o Louçã já anda por aí há uns bons anitos. essa é uma análise apressada.

superrealista disse...

CCS ontem ficou muito nervosa quando Inês Pedrosa lhe disse o que precisava de ouvir. CCS a analista política pura e dura a tratar duma forma ternurenta uma candidatura de todo fora do contexto político actual, conforme se provou nas urnas, por mais comentadores e analistas políticos como a CCS, jornais, rádios e televisões, tenham tentado o contrário. Se a derrota de Mário Soares é para CCS uma derrota digna, nalguns distritos ficou em 4º lugar, então eu já não percebo nada de política. Ou estou eu desfasado ou está a CCS.

João Dias disse...

A candidatura de Alegre foi estranha, se por um lado podia agregar votos de socialistas de esquerda descontentes com a governação Sócrates também podia agregar a direita que não gosta de Cavaco e que vê com bons olhos alguém patriota, que cante o hino e faça muitas homenagens e poucos discursos de conteúdo político.

Quando falo de conteúdo político, refiro-me a isto:
do Gr. politiké

s. f., ciência do governo das nações;
arte de dirigir as relações entre os Estados;
princípios que orientam a atitude administrativa de um governo;
conjunto de objectivos que servem de base à planificação de uma ou mais actividades;


Louçã não teve uma votação famosa, é verdade (e eu faço parte dos 5.3%) mas de facto dizer que Louçã é uma novidade é de quem apenas vilumbra as incidências do seu ESPECTRO político.
É como se eu dissesse que António Borges é uma novidade.
Já agora quando este despachar o Marques Mendes, vai ser apresentado como novidade ou como um "delfim" do Grande D.Sebastião?

patrick blese disse...

Cara Constança,
genericamente subscrevo a sua análise mas gostava de deixar um apontamento sobre o ponto 8 do seu post:

Este fim de semana Jaime Nogueira Pinto dizia que a dicotomia ideológica em Portugal é desde o fim do "fascismo", em 1974, entre a esquerda anti-fascista e o resto do país.
Aceitando e partindo desta teoria diria que, não sendo Cavaco um homem com passado anti-fascista, com o resultado eleitoral de ontem se assiste não só a uma consolidação definitiva do regime democratico português, como também ao "enterro" político definitivo daqueles que vivem à sombra dos cravos de Abril.

Se Cavaco é ou não de Direita, é outra questão.
Eu diria q ele faz parte de um centão ideológico, em que Sócrates joga a interior esquerdo e ele a interior direit.

O q é certo é q esta vitória rompe com o mito do "só somos verdadeiramente democratas e dignos representantes do regime se tivermos passado anti-fascista de esquerda".

e desse ponto de vista a direita pode estar satisfeita com a vitória de cavaco.

cumprimentos para si,

Cavalo Marinho disse...

Patrick: concordo consigo.

A vitória de Cavaco - sem passado anti-facista conhecido - deverá ter como efeito o acabar com a arrogância típica de uma certa esquerda de que só ela é democrata, só ela é culta, só ela sabe.

Ora, isto é um salto qualitativo na nossa democracia.

zazie disse...

de acordo, boa síntese. Se fosse euromilhões ficava rica ":O))

zazie disse...

mas o joão Dias deu ali um lamiré que também me pareceu ter escapado ontém: o Borges anda a prepará-las... ai anda, anda...só falava nos 3 anos para preparar a "renovação"

zazie disse...

«CCS ontem ficou muito nervosa quando Inês Pedrosa lhe disse o que precisava de ouvir.»

precisamente o contrário. A Constança foi despachada e com sentido de humor qb. Já estava a chatear tanta intrujice de supra-partidário...

zazie disse...

mas o problema do Cavaco é que neste lugar não tem hipótese de empurrar outro para o seu lugar e dar à sola quando a vaidade o exigir..

ora um vaidoso sem bode expiatório à mão não é bom augúrio

Ricardo disse...

"As dificuldades que o país vive já há quase seis anos vieram renascer algo muito típico nos portugueses, ou seja, a necessidade de salvadores, de quem lhes dê esperança. Pertence à nossa cultura como povo - tanto do lado dos trabalhadores como dos empresários - que o Estado é que nos vai salvar. Mesmo que involuntariamente a candidatura de Cavaco Silva aceitou e alimentou essa imagem messiânica, a imagem de um salvador, gerindo o silêncio para gerir a imagem.

Por isso Cavaco Silva também depende do Governo - e da melhoria do ciclo económico - para não perder essa aura. Só o desenvolvimento provocado por outros pode dar a sensação que foi este que a provocou porque, como sabemos, não tem competências para isso. Se isso não acontecer Cavaco Silva vai ter que baixar as expectativas ou encontrar culpados para que a sua aura não se torne num logro. Também por isso o PSD vai ter muitas dificuldades em encontrar espaço num contexto em que Primeiro Ministro e Presidente da República vão querer passar a imagem que são responsáveis pelo crescimento económico.

Espero que a estratégia do Presidente da República e a necessidade do Primeiro Ministro em conseguir resultados traga vantagens no funcionamento do Estado, independentemente desta combinação ser sempre arriscada e inédita em Portugal!"

ccs disse...

1. O "candidato Garcia Pereira" é apenas uma força de expressão. se quiser pô-lo na sua listinha esteja à vontade. Na minha não entra. Não vou perder um minuto a comentar os resultados desse pseudocandidato. Tá a ver o quê?

2. Fiquei muito nervosa com a Inês Pedrosa? Não dei por isso. O defeito é meu, com certeza. Mas isso se quer saber é a coisa que menos me preocupa!

Tiago Mendes disse...

Excelentes notas. Gostei especialmente disto: "Finalmente, Sócrates, essa incógnita que por aí anda". Só tenho uma nota a fazer:

"8. (...) A vitória é de Cavaco e Cavaco não é de direita, nem nunca se notabilizou por deixar espaço à direita. Não é preciso ir muito longe: basta ver o que aconteceu nestas presidenciais."

É uma vitória pessoal, e só é (parcialmente) uma vitória da direita no sentido em que ela não se dividiu desnecessariamente e mostrou ter alguma maturidade e sentido de responsabilidade. Cavaco nunca se notabilizou por deixar espaço à direita: é um facto. Mas isso não é criticável (não digo que CCS faça uma crítica) - é absolutamente natural. Tem que ser (ess)a direita a fazer por si. E Cavaco, honras lhe sejam feitas, não é conhecido por fazer "jogo sujo".

Quanto a estas eleições, penso que o ponto não é que "ele não deixou espaço à direita" - ele de facto não impôs nada, por muito que tenham existido (certamente que sim) negociações de bastidores e afins, aos dois partidos que o apoiaram. Assim, interpreto as suas palavras como um "ónus" para (ess)a direita que ficou sem grande espaço de manobra, mas sim "mérito" ao candidato por ter tido uma postura (e uma estratégica) que tal permitiram.

PS: Acho que fez muito bem em não referir o advogado vaidosão que teima em se achar tão importante.

Manuel Campos disse...

Caro Tiago,
não é uma vitória (parcial) da direita, mas sim uma derrota da esquerda. Nem nos tempos áureos das maiorias cavaquistas seria expectável a direita recolher este número de votos. Inusitado, foi, este deslocamento da esquerda em direcção da sua própria sepultura.

P.S. Garcia Pereira afirmou que não viria mal ao mundo pela eleição de Cavaco. Um brinde e uma pérola, não acha?

Anónimo disse...

Concordo com a análise - magnifica- da ccs ; e não posso deixar de assinar por baixo o comentário do comentador Patrick Blese.

HSilva disse...

Desde as eleições legislativas de 2005 que os portugueses têm mostrado que apoio político de partidos em pessoas que buscam eleição é algo que não merece o seu voto de confiança. A questão é porque pensam assim?

Nas eleições autárquicas, aqueles que ficaram foram de apoio partidário foram, na sua maioria, os que receberam
mais votos. Agora na presidenciais, os candidatos que nos seus discursos apontaram a sua independência de
qualquer suporte partidário foram os mais votados.

É fácil de deduzir a razão deste comportamento pois basta verificar que os portugueses ficam revoltosos quando
posições importantes para o desenvolvimento e futuro do país são oferecidas a elementos partidários do partido que
está no governo de Portugal em vez de verificar e identificar as pessoas com competência para exercer essas
posições.

Estas situações são claramente evidentes desde que o PS tomou conta da governação de Portugal com o
posicionamento de pessoas em lugares, como o Tribunal de Contas, nas mãos de altos elementos do PS.
Mais, guerrazinhas pessoais de elementos do mesmo partido são algo que os portugueses não concordam e quem
perde com isto é o próprio partido político onde isto acontece.
O povo português não gosta absolutamente nada disto e mostra o seu descontentamento votando em pessoas
apartidárias e independentes.

Ora, quando o povo começa a sentir que partidos políticos são grupos profissionais de pessoas que pensam
só em si próprios, é perigoso para não só para a democracia desse país mas também para o seu desenvolvimento.
Isto dá origem a que o povo comece a desconfiar dos interesses dos grupos políticos em relação ao que é necessário fazer para o bem desse país e se começe a procurar a pessoa que é mais independente e "necessária" para Portugal. O nosso país está cheio desses movimentos como foram os períodos da ditadura de Sidónio Pais assim como a de António Salazar.

Espero que os partidos políticos em Portugal se consciencializem que o povo português não se importa de ser
governado por pessoas com competência e conhecimento, e não porque é mais um "job for the boy/girl" do
partido que está neste momento no governo. Nós não somos estúpidos, como alguns políticos dizem por aí,
pois podemos ter um nível de educação onde a maioria do povo não tem doutoramentos em alguma área científica, mas sabemos muito bem o que queremos e para onde queremos ir. Espero que os partidos políticos em Portugal
fiquem conscientes que nós damos corda e liberdade para pessoas desses partidos actuarem de uma maneira
consciente e ética, mas quando é necessário esticamos a corda e muitas vezes alguém fica "enforcado".

Anónimo disse...

By:Ditie

Faço um mau balanço destas eleições devi do a vitoria da direita.
Penso que como Jeronimo disse Cavaco apenas ganhou por falta de comparencia, da esquerda bastante dividida no meu ver devido a candidatura de Alegre.
Quanto a Mario Soares, acho que não saiu derrotado e é de frisar a sua activa campanha.Como dizem que ele é velho? Resta dizer que não foi uma boa noite

Anónimo disse...

Até que enfim que alguém diz esta cristalina verdade: Cavaco Silva não é de direita! E, concordo com a CCS, a direita que se desengane se pensa que vai retirar qualquer proveito desta eleição.

Penso que Cavaco é a personalidade mais genuína que existe na política portuguesa desde há vinte anos. Genuíno porque igual a si próprio, às suas ideias e aos seus objectivos, independentemente das modas ou das conveniências.

É de personalidades destas que o País precisa.

Paulo Pisco disse...

Sobre este assunto ver post "As presidenciais" em http://www.memoriasdeadriano.blogspot.com/

rb disse...

Se o Alegre tivesse tido o apoio do PS e até de toda a esquerda ter-se-ia evitado a eleição de Cavaco? É difícil imaginá-lo. Certo é que, numa candidatura apoiada pelo PS, teriam de ser argumentos bem diferentes para convencer de igual forma o milhão de eleitores que votou Alegre e mais outro milhão para vencer a eleição.

Lionheart disse...

"Se o Alegre tivesse tido o apoio do PS e até de toda a esquerda ter-se-ia evitado a eleição de Cavaco?"

Não. Manuel Alegre jamais seria o candidato do PS, porque iria ser arrasado por Cavaco Silva. A História não se repete. Jorge Sampaio teve alguma sorte contra Cavaco Silva há dez anos, aproveitando o estado de graça de Guterres e o desgaste de Cavaco. Mas hoje já não havia hipótese de um candidato da ala esquerda socialista repetir o número. Sócrates tinha a noção disso e portanto não aceitou o "oferecimento" de Alegre, mesmo que uma cedência ao dito ajudasse temporariamente ao equilíbrio interno no partido. Todavia, um previsivel mau resultado de Manuel Alegre seria sempre cobrado a José Sócrates. Lose, lose situation...

Recordo-me bem quando Manuel Alegre se afirmou disponível para ser o candidato do PS às Presidenciais. E a verdade é que foi recebido com indiferença pelas bases. Não houve nenhuma vaga de fundo, pelo contrário.

Portanto, não vale a pena projectar o resultado que Manuel Alegre teve agora, sobre o que teria se fosse o candidato do PS, porque as circunstâncias lhe seriam completamente diferentes e muito mais desfavoráveis. O grau de exigência e a pressão sobre o candidato seriam muito maiores. Alegre é um político sem qualidade, nem estofo, para algo mais que ser cabeça de lista pelo distrito de Coimbra para a AR.

Se houve momento que determinou que Mário Soares ficaria abaixo de Manuel Alegre, foi o debate entre Soares e Cavaco. A partir daí, Mário Soares perdeu o 2º lugar para Manuel Alegre em todas as sondagens (excepto nas da Eurosondagem...). Não foi por mérito de Manuel Alegre, mas por demérito de Mário Soares. A campanha de Soares ofereceu os 20% a Manuel Alegre.

Anónimo disse...

CCS, és grande!

antónio disse...

A CCS está equivocada, ou não quer perceber que o professor Louçã não é uma novidade. O DL, tem razão quando diz que o BE começa a incomodar a direita portuguesa, quando no início ( o PSR) a direita até lhe achava piada. Conheci alguns que trabalhavam felizes e contentes num jornal em que foi directora.Isso sim, era uma novidade a mistura das pessoas e das ideologias.

spartakus disse...

No mínimo continua a ser hilariante falar de direita quando todos os candidatos eram de esquerda...quanto ao bloco: picar que direita?...o louçã?...o herdeiro mais completo do beato salazar na esquerda mais salazarenta e pia do sistema partidocrático nacional?...poupem-nos, Kamaradas.

zazie disse...

O único valor acrescentado ao PCP pelo BE é adereço hare-krishna. Socialmente podia desaparecer que não se sentia a falta Já o contrário ninguém de boa fé o pode sustentar. Para o bem e para o mal o movimento sindical não tem alternativa.

(quer dizer, sentir era capaz de se sentir mas mais por alívio de gritaria "fracturante" que descobriu que se gritar muito ainda é capaz de mudar os costumes de um povo sem que este lhe tenha passado atestado)

Critico disse...

Chamar ao Bloco de esquerda novidade, e insunar que o suicídio é inevitável, faz-me lembrar a história da avestruz que, porque não via o leão, ele não existia.
Francamente, CCS. Mesmo o seu tendenciosismo pseudo-liberal é capaz de mais

Anónimo disse...

sem hífen zazie, sem hífen o Haren Krishna.Mas o Be não é um valor acrescentado ao PCP, mas ao PP ( by.by Paulinho)

zazie disse...

com hífen ou sem ele é bizantinice fracturante. Não faço ideia que tenho o PP a ver com isso, mas enfim...

Por acaso não penso que estas eleições sejam barómetro a seguir porque para eles o que estava em causa era uma luta anti-cavaco que podia distribuir-se de muita maneira. A melhor até nem era no voto inútil no Louçã. Se estivessemos em legislativas a coisa era outra.

zazie disse...

e o valor acrescentado foi um eufemismo- Pirateado é quase tudo menos o que não faz parte da história. Acrescentado só o folclore

JAL disse...

Duas questões para reflectir:

1) Se um bombeiro for de esquerda ( ou direita) mas azelha e incompetente no manuseio da bombeira é preferível qual ?
2) Extrapolando para o mega-bombeiro primeiro ministro e presidente da républica, interessa mais discutir se é de esquerda ou de direita ou se é competente a apagar os "fogos" e resolver os problemas do país?


É POR ISTO QUE, DIVIDIDOS E A PERDER TEMPO EM DISCUSSÕES INÚTEIS, NÃO SAÍMOS DA CEPA TORTA....

E por falar em fogos, em sentido literal, o Verão aproxima-se e o desleixo e impreparação ( limpeza das matas, etc.), continua...

JAL disse...

Erro : Mais acima de ler-se obviamente manuseio da mangueira.

zazie disse...

ehehe
que alegoria mais maluca. Por um bocadinho dava bolinha vermelha

JAL disse...

Zazie escreuveu : " que alegoria mais maluca".

Maluca porquê, fundamente isso, caso tenha argumentos para tal, pois não basta rir dos erros ortográficos alheios( este por acaso até teria piada não fosse o caso de ser o país a estar em causa), há que fundamentar as observações infelizes, como essa!

JAL disse...

Aditamento: e além de infelizes, estúpidas!

Anónimo disse...

Après ça...

zazie disse...

ahahahaha que falta de sentido de humor ":O)))

"a alegoria" era só esta:

«o manuseio da mangueira»

Anónimo disse...

Vencedores = Prof. Cavaco e Socrates. Perdedores = Alegre, Soares y Constança Cunha e Sa.